terça-feira, outubro 19, 2010

Fetichismo

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Orçamento de Estado,
Orçamento deste Estado,
Orçamento des-tEstado,
Orçamento detEstado.
Um caso de fetichismo colectivo.


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O motorista invisível

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A Google quer definitivamente sentar-se no banco do motorista de nossos automóveis. É o que mostra a retomada do projeto 'Pribot', com modelos Toyota Prius repletos de sensores, radares e muita tecnologia embarcada para garantir que os motoristas humanos são dispensáveis — os veículos já rodaram mais de 225 mil km, incluindo 1,6 mil km sem motorista.
Para garantir total segurança em caso de falha dos sistemas, os carros contam com um 'motorista' treinado e um engenheiro de software que monitora tudo, em tempo real, no banco do carona. Os testes que acabaram de ser realizados foram feitos na Lombard Street, em São Francisco, e na California Highway One, estrada que vai até Los Angeles.
De acordo com Dr. Sebastian Thrun, diretor do Laboratório de Inteligência Artificial de Stanford, engenheiro do Google (co-inventor do Google Street View) e vencedor da corrida de 2005 de carros dirigidos por robôs da Agência de Projetos Avançados de Defesa (Darpa), a intenção da Google é contribuir para reduzir em mais de 50% o número de acidentes causados por falhas humanas.
Ele afirma que até mesmo quem acha o projeto avançado demais para a realidade atual da maioria dos países há de concordar que os estudos feitos pela empresa podem, no mínimo, ajudar a criar dispositivos que assumam, de maneira segura, o comando do veículo em situações de risco, como, por exemplo, aqueles segundos na hora de ligar o som do carro ou em infrações como beber, comer ou enviar mensagens de texto ao volante.
Os Toyota Prius da Google respeitam limites de velocidade dos locais por onde passam, sinais de trânsito, placas de advertência, bem como a distância segura em relação a outros carros e a presença de obstáculos. Veja como no box ao lado. Na coluna 'Segurança', na página 3, o que foi debatido em Paris sobre o futuro da mobilidade.
- Um sensor rotativo no teto escaneia mais de 61 metros em todas as direções para gerar um mapa tridimensional preciso de tudo o que está ao redor do veículo.
- Câmeras montadas próximas ao retrovisor interno detectam as luzes dos sinais de trânsito e ajudam os computadores a bordo a reconhecerem obstáculos móveis como, por exemplo, pedestres e ciclistas.
- Quatro radares convencionais automotivos, três na dianteira e um na traseira, ajudam a determinar a posição de objetos distantes.
- Um sensor, montado na roda traseira esquerda, é responsável por medir pequenos movimentos feitos pelo carro. Com isso, ele contribui para localizar de maneira bastante precisa a posição do automóvel no mapa.


O DIA Online, 14.10.2010


Aqui está uma contribuição decisiva, não retórica, para a segurança rodoviária.

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Ex-votos da Senhora D'Aires

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Na Senhora D'Aires, de ao pé de Viana (Alentejo), têm-se feito e pago muitas promessas.
Veja AQUI uma reportagem dos ex-votos populares.

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segunda-feira, outubro 18, 2010

Assaltumbanco

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O espectáculo a que ninguém fica indiferente, um prodígio de criatividade que é também uma lição de vida.
A resposta aos desafios do momento presente. Leve a família toda e volte mais rico para casa.

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A assobiar para o ar

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O que mais me espanta na situação actual é a preocupação em impedir a crise desta semana, em tentar enganar "os mercados" nem que seja mais uns dias aprovando um orçamento qualquer.
Já nem falo do passado. Não há responsáveis? Onde estiveram os deputados durante todos os anos em que se cavou o buraco actual? Não é para isso que pagamos um "regime democrático"? E os partidos "à esquerda", que tanto se mobilizam em defesa de certas corporações, porque não fizeram a insurreição enquanto o país ainda não tinha sido totalmente delapidado?
Onde estava o juiz Carlos Moreno, que agora escreveu um livro, durante estes anos todos? Só o casmurro do Medina Carreira, honra lhe seja feita, é que gritou que vinha aí o lobo. E vinha mesmo.
Mas há que falar do futuro. Não haverá futuro enquanto não percebermos como, e porquê, caímos neste atoleiro. Para evitar repetir os mesmos erros.
Para haver um futuro alguém tem que ter a coragem de romper com o marasmo do sistema. Alguém tem que assumir um projecto de futuro em que seja possível acreditar e, à luz dele, determinar todos os sacrifícios que forem necessários.
Isto não vai lá pelo método habitual, com troca de favores nos camarins e depois assobiar para o ar para o "mercado" ver.

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domingo, outubro 17, 2010

Os frescos do Alentejo

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Passei o sábado a visitar os frescos alentejanos. Vila nova da Baronia, Santa Águeda, Alvito, Senhora de Aires de ao pé de Viana e São Cucufate.
Um dia bem passado.

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sexta-feira, outubro 15, 2010

quinta-feira, outubro 14, 2010

Rui Palha - para redescobrir as ruas de Lisboa

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Rui Palha, um grande fotógrafo das gentes de Lisboa, acaba de publicar o seu livro "Fotografias de Rua".
Já está à venda na Livraria Barata e é a sua oportunidade para descobrir o fotógrafo e redescobrir a cidade.
Recomendo absolutamente.

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O atraso e o esgotamento do regime



Acontece que, enquanto a política se fez segundo um modelo que combinava a distribuição daquilo que não se tinha com a fuga (em geral "em frente"!) ao que incomodava, tudo parecia fácil. Mas agora, que as coisas mudaram, a incapacidade política revelou-se de um modo tão estrondoso como evidente.
Esta incapacidade é bem clara no impasse actual: por um lado, exibe-se um optimismo todo feito de deslumbramento tecnológico e de virtualidades mediáticas, que vive ao sabor dos movimentos quase infinitesimais das estatísticas mais irrelevantes. Mas ao mesmo tempo insiste-se, por outro lado, no fatalismo mais paralisante: "ninguém previu", "não há alternativas", "a culpa é da crise internacional", etc. Com o optimismo, procura ganhar-se em tempo o que se perde em acção, com o fatalismo, procura ganhar-se em impunidade o que se esconde de irresponsabilidade.
De resto, que classe política, que não fosse dominada pelo arcaísmo das suas ideias e pelo egoísmo dos seus interesses, poderia, há um ano, ter pensado - um só segundo que fosse! - que seria possível lidar com a mais grave crise que Portugal enfrentou desde 1974, com um governo minoritário?
Mais: que outra classe política poderia, de um modo tão inconsciente, ter completamente esquecido a lição das experiência minoritária de 1995/2001, e o "pântano" a que ela conduziu? (Compare-se, a propósito, com o que recentemente - em situação análoga - aconteceu em Inglaterra).
Manuel Maria Carrilho, DN 14.10.2010


MMC deixou-se de rodriguinhos e resolveu atacar a fundo.
No seu caso pode sempre perguntar-se em que medida o faz por despeito mas a justeza das suas críticas é indubitável.
Se virmos bem é o próprio regime que ele põe em causa pois, como quase todos os críticos, não apresenta nenhuma ideia séria para o rectificar.
O que é verdadeiramente trágico no momento presente não é a novela do Orçamento mas sim termos a certeza de que o actual governo, e o que ele representa, devem ser varridos do poder e não vermos quem, nem como, pode constituir uma alternativa que nos devolva a esperança colectiva.
Não há sintoma mais claro do esgotamento do regime.
E ainda há quem ache que é inútil, ou mesmo perverso, "mexer" na Constituição.
Santa ingenuidade...

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quarta-feira, outubro 13, 2010

A democracia e a ópera

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A democracia parlamentar e a ópera, como passatempos dos ricos, têm muito em comum.
As encenações são demasiados caras, os cenários são exagerados e o guarda roupa é espampanante.
É no salão nobre, ou nos "passos perdidos", que se fazem os melhores negócios mas, para acalmar o povo, há transmissões em directo para um ecran "no largo" ou nas nossas casas.
Vivem ambas das tragédias e dos golpes de teatro mas, quando saímos, emocionados, o pedinte da esquina continua exactamente na mesma esquina.

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terça-feira, outubro 12, 2010

O meu Prémio Nobel da Paz

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Liu Wei é o meu Prémio Nobel da Paz

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PEC 3,5

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Ontem tivemos um PEC (Pró E Contras) 3,5. Três ex-presidentes e um reitor, este num ingrato papel de trintanário.
Nesta encruzilhada, sem saber o que fazer, voltámos aos oráculos do regime. E eles deram a receita: remendar o centrão, ou seja, mais do mesmo como não podia deixar de ser.
Talvez não sejam as pessoas certas para falar do futuro mas podiam ter explicado por que é que, com o seu beneplácito, chegámos onde estamos. Poder podiam, mas não era  a mesma coisa.
Enquanto assistia ao programa perguntava a mim próprio quantos portugueses se atreveriam a entregar a estes homens, confiadamente, a gestão de uma parte significativa do seu património pessoal.

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segunda-feira, outubro 11, 2010

Notícia desonesta



Lisboa, 09 Out (Lusa) - A China é o país que, anualmente, executa mais pessoas, superando a soma de execuções de todas as outras nações que aplicam a pena capital, revela a Amnistia Internacional, na véspera do Dia Mundial contra a Pena de Morte.

Esqueceram-se de dizer que a China tem uma população pelo menos duas vezes maior do que todos os outros países que aplicam a pena de morte no seu conjunto.
Assim se manipula vergonhosamente.

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domingo, outubro 10, 2010

Trata a Vida Por Tu Gal

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O mercado dos cursos de auto-ajuda e motivação está a crescer em Portugal. E hoje enfrenta uma prova de fogo inédita, garante Daniel Sá Nogueira. O motivador e guru é o responsável pela iniciativa que promete encher o Pavilhão Atlântico, em Lisboa, tornando as dez mil pessoas na plateia mais optimistas e confiantes.
"Trata a Vida Por Tu Gal", assim se chama o espectáculo que quer mostrar aos portugueses como podem ser mais positivos e alcançar os seus objectivos. Ainda há lugares livres, mas Daniel Sá Nogueira garante que a maior sala do País está praticamente esgotada.

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Diques de areia

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Desde o 25 de Abril que tem havido um aumento de interesse pela maçonaria?
Sim, duplicámos o número de maçons nos últimos dez anos. É natural que estejamos a crescer, mas não queremos muitos mais. Atenção que a maçonaria não é uma instituição de massas, como um partido político. Nós próprios não queremos ultrapassar um determinado número. Somos muito selectivos.
Como é feita essa selecção? Que tipo de pessoas procuram?
As elites académicas, culturais, políticas... As elites em geral. As pessoas não vêm directamente ter connosco. Em geral isso faz-se indirectamente, através de pessoas do GOL que já se conhecem. Determinado obreiro, "irmão" (termo maçónico), propõe uma pessoa das suas relações.
A maçonaria é reconhecida ainda hoje como ordem secreta. Apesar de vivermos num regime democrático, a maioria dos maçons não admite que o é. Porquê?
É a própria pessoa que pode, se assim quiser, comunicar que é maçon. Ninguém é obrigado a assumir-se, isso seria uma violação da liberdade de consciência. Ninguém tem de se declarar benfiquista ou sportinguista e portanto também não tem de se declarar maçon.
Manter a identidade maçónica em segredo é muito comum entre os magistrados. Nenhum se assume como maçon, mas há muitos magistrados que o são.
Existe um certo preconceito no poder judicial. Alguns magistrados não aceitam muito bem a maçonaria. E, com medo que a opinião publica os condene - baseada naquela ideia de que a maçonaria é como uma instituição tentacular, uma espécie de polvo, que controla as instituições de todos os poderes, o que é inteiramente falso - não o assumem. Isso pode criar desconfianças, suspeitas dentro do poder judicial relativamente à condição de maçon de determinado juiz ou procurador. Por isso a maioria prefere não revelar.
Como já disse, os maçons têm cargos preeminentes na sociedade, as suas decisões podem influenciar o futuro do país. É normal discutirem os problemas actuais e a melhor forma para os resolver?
Sim, tentamos dar o nosso contributo, tentamos formar os nossos membros para que consigam, dentro das actividades que exercem, resolver os problemas do país. Mas eu sou grão-mestre e não reúno aqui nem em lado nenhum com ministros, deputados e juízes que são maçons para lhes dar instruções sobre o que devem fazer no governo ou na magistratura. Algumas pessoas vivem obcecadas com essa ideia.
Há casos em que de recusa quando tentam recrutar para o GOL?
Sim, porque não têm interesse ou têm medo. Mas normalmente quando um maçon convida uma pessoa já sabe que existe uma certa probabilidade de ela aceitar. Primeiro há uma observação, conhecimento do carácter da pessoa, e logo depois é que se vê se essa pessoa tem apetência para este tipo de trabalho. Ser maçon exige uma apetência da própria pessoa para praticar aquilo a que chamamos uma espiritualidade laica, para uma reflexão sobre temas que têm a ver com o sentido da existência, o sentido da vida, sem terem de passar pelo crivo religioso. A maçonaria está acima das divisões religiosas e político-partidárias.

António Reis, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) ao jornal I, 09.10.2010
 

Qualquer grupo de pessoas, unidas por uma crença de verificação impossível, ligadas por códigos de fidelidade apertados, pode obter resultados surpreendentes e muito acima da sua representatividade ou peso relativo.
Esta tese tem sido demonstrada, pela vida, vezes sem conta.
Assim se explica, por exemplo, como uma célula partidária composta por uma dúzia de militantes consegue controlar e determinar a comissão de trabalhadores numa empresa com centenas de empregados ideológicamente distanciados.
As células dos partidos comunistas usaram esse método por todo o lado, através das suas disciplinadas reuniões de planeamento e distribuição de tarefas, com  enorme eficácia.

A maçonaria aplica o mesmo método, mas num plano mais elitista, apostando na colocação de “pedras” em lugares chave da comunicação, da administração e dos orgãos de poder.
Nada de novo, portanto.

Quando, em certas raras circunstâncias, esta questão invade o espaço público é comum ouvir vozes que verberam as distorções da democracia que tais métodos podem acarretar, já que os cidadãos “organizados” dispõem de uma capacidade de intervenção social que não está ao alcance do cidadão comum, por norma isolado.
Mas essa é apenas uma faceta do problema.
Há porventura consequências mais graves resultantes do funcionamento de grupos institucionalizados que, no seu interior, proporcionam aos seus membros uma sensação de impunidade, ou superioridade, que os limita na capacidade de compreender os “gentios” e de olhar para a sociedade como um organismo vivo com a sua genética e o seu determinismo natural.
Ideais que seriam salutares e desejáveis quando exercidos por cada um dos cidadãos, na sua intervenção cívica, podem converter-se em pesadelos quando vigoram no seio de grupos institucionalizados que se auto-delimitam do exterior. Todos os defeitos do clubismo e do fanatismo, tão óbvios e tão ridicularizados no futebol, encontram terreno fértil mesmo que adoptem práticas mais sofisticadas.
As crenças comuns desses grupos tendem a ser sobrevalorizadas ao ponto de a realidade passar a constituir um empecilho das engenharias sociais.

Há sem dúvida uma contradição insanável entre o vanguardismo necessário ao progresso social e a democraticidade das opções e decisões. Mas existe também uma contradição entre o vanguardismo e os ritmos e modos passíveis de ser realizados num dado contexto histórico e numa dada situação sócio-cultural.
É muito fácil cair-se na luta pela conquista de posições de poder, a todo o custo, sem fazer o esforço necessário para compreender certas dinâmicas inelutáveis no âmbito económico e cultural. Como se a bondade das intenções, e a superioridade moral das soluções, bastassem para garantir o sucesso.

A história da primeira República, tão invocada nos últimos dias, é um bom exemplo desse erro. O mesmo poderá ser dito da revolução de Outubro e da URSS.
A República actual, em Portugal, parece estar a seguir o mesmo padrão. Não há ideais, por mais justos que sejam, que resistam à decadência económica e ao desmoronamento das instituições minadas pelo clientelismo e o proteccionismo dos confrades.
A história tem mostrado que tais experiências terminam sempre em longos períodos de retrocesso social e político.

Está por inventar um modo de actuação que garanta o desenvolvimento de novas ideias e de novas formações sociais com base na compreensão profunda dos limites naturais impostos pelo acumulado histórico presente na realidade social. Substituindo os grupos enquanto instituições por grupos dinâmicos de cidadãos que nascem para realizar projectos e que morrem quando já não são necessários.
Corrigindo e redireccionando as forças que espontâneamente se movem na sociedade, em vez de tentar estancá-las com diques de areia.
 
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sábado, outubro 09, 2010

Um barco chamado Portugal

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Um grupo de pescadores tenta levar para o mar um barco que ficou preso no porto de Tanmen, na província de Hainan. Chuvas torrenciais atingiram mais de mil localidades naquela ilha chinesa, informou a agência de notícias Xinhua.Fotografia:China Daily/Reuters

Faz-me lembrar um barco chamado Portugal, que também encalhou, mas sem o sentido gregário de entreajuda dos chineses.

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sexta-feira, outubro 08, 2010

Receita de Marques Mendes contra a obesidade

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A receita de Marques Mendes
para combater a obesidade


Ministério das Obras Públicas - 4

1. INIR (Instituto Nacional de Infraestruturas Rodoviárias)
a) Funções de Regulação (Parcerias Público-Privadas) e de Fiscalização da Rede Rodioviária Nacional;
b) São competências que já estão hoje na EP Estradas de Portugal e no IMTT (antiga Direcção Geral de Viação).
CONCLUSÃO: PODE SER EXTINTO.

2. GISAF (Gabinete Investigação e Segurança de Acidentes Ferroviários.
a) Funções de Investigação quando há acidentes ferroviários;
b) Funções que também estão na CP e na REFER (quando há um acidente ferroviário é a CP ou a Refer que trata do assunto).
c) Parece um instituto criado para colocar um socialista desempregado da gestão das EP dos Transportes (João Crisóstomo).
CONCLUSÃO: PODE SER EXTINTO.

3. NAER (Instituto para estudar e Conceber o Novo Aeroporto de Lisboa)
a) As suas funções podem perfeitamente passar para a ANA, EP (Empresa de Aeroportos e Navegação Aérea)
b) É uma racionalização óbvia e necessária.
CONCLUSÃO: ESTE SERVIÇO PODE SER EXTINTO.

4. Fundação das comunicações móveis (uma das centenas que existem – pendurada no Estado)
a) Tratou do computador Magalhães;
b) Estado nomeia os seus gestores (clientelas);
c) AR já propôs a sua extinção em relatório aprovado;
d) Governo fez vista grossa. O Governo gosta mais de reduzir salários que extinguir serviços.
CONCLUSÃO: PODE SER EXTINTA

Ministério da Agricultura - 3

1. No âmbito do PRODER (QREN da Agricultura) há 2 serviços:
a) Gabinete do Planeamento (Concebe Projectos e Gere o Programa); e o
b) IFAP (antigo IFADAP) – Paga e fiscaliza os apoios concedidos.
CONCLUSÃO: O Gabinete de Planeamento pode ser extinto e as suas competências passarem para o IFAP.É mais coerente, evitam-se sobreposições de competências e poupa-se dinheiro público.

2. Fundação Alter Real
a) Competências sem relevância para serem autonomizadas numa fundação pública;
b) Tem cinco administradores – presidente é o presidente da Companhia das Lezírias.CONCLUSÃO: A fundação pode ser extinta e as suas competências integradas na Companhia das Lezírias (hoje até já o presidente é o mesmo).

3. No âmbito da Barragem do Alqueva há duas entidades:
a) a EDIA (190/200 funcionários) que tratou da construção da barragem do Alqueva; e a
b) GESTALQUEVA (trata do fomento do turismo na zona do grande lago)
c) Não há razão nenhuma para esta duplicação de organismos:
Primeiro: EXTINGUIR A GESTALQUEVA, colocar as competências na EDIA ou concessionar a privados (fomento do turismo);
Segundo: EMAGRECER A EDIA (já acabou a construção da barragem).

Ministério do Trabalho e da Segurança Social – 9

1. Há neste Ministério sete organismos consultivos (uma loucura):
• Conselho Nacional da Formação Profissional
• Conselho Nacional da Higiene e Segurança no Trabalho
• Conselho Nacional de Segurança Social
• Conselho Nacional do Rendimento Social de Inserção
• Conselho Nacional para a Reabilitação
• Conselho Consultivo das Famílias
• Comissão de Protecção de Políticas da Família
Minha Proposta:
• Extinguir todos (para estas tarefas existem direcções-gerais com as mesmas áreas de competência).

2. Ao nível de outros serviços – estes de natureza executiva - podem ser feitas várias outras extinções. Assim:
a) O Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério da Segurança Social pode integrar as competências do Instituto de Informática e do Instituto de gestão do FS Europeu (competências afins e sobrepostas). MENOS DOIS ORGANISMOS.
b) Dois institutos – o Instituto da Segurança Social e o Instituto Nacional para a Reabilitação podem ser extintos e as suas competências (hoje afins e sobrepostas) serem integradas na Direcção-geral da Segurança Social. MENOS DOIS ORGANISMOS

Mistério da Saúde – 3

1. Alto Comissário para a Saúde (Orçamento de 30 milhões de euros)
a) Criado por Correia de Campos no Governo Guterres;
b) Veio o Governo do Durão Barroso e extinguiu-o:
c) Voltou Correia de Campos no Governo Sócrates e voltou a criar;
d) O Alto Comissário – veja-se bem – tem estatuto de membro do Governo (sub-secretário de Estado)
e) CONCLUSÃO: Pode ser extinto e as suas competências passarem para a Direcção-geral de Saúde (actualmente são competências sobrepostas).
f) Se a moda pega passamos a ter o Alto Comissário da Justiça, da Segurança Social, da Economia, da Comunicação Social, etc. etc.
g) Haja Bom Senso. Temos de POUPAR, extinguindo este organismo inútil.

2. Conselho Nacional de Saúde – Mais um Conselho Consultivo
a) Orgão Consultivo do Ministério da Saúde
b) Não faz sentido. A D G Saúde faz na perfeição esse papel. É a sua competência legal.
c) Mais um serviço que pode ser EXTINTO

3. Instituto da Droga e da Toxicodependência
a) Ao nível central tem cinco coordenadores – Equiparados a directores-gerais.
b) Ao nível regional tem cinco directores regionais
c) Tem cerca de dois mil funcionários (1/3 nos Serviços Centrais) – Uma loucura
d) As suas funções são no domínio da Saúde Pública
e) Pode perfeitamente SER EXTINTO, as suas competências locais integradas nos Centros de Saúde e as suas competências centrais na DG Saúde (é área de saúde pública)
f) Área de Estudos (quando for o caso encomendar às Universidades e Centros de Investigação)

Ministério do Ambiente – 3

1. Na área do ambiente há três institutos importantes:
a) Agência Portuguesa do Ambiente;
b) ICN – Instituto Conservação da Natureza;
c) INAG – Instituto Nacional da Água
• Têm todos competências muito semelhantes e, nalguns casos, sobrepostas.
• Seria possível e desejável fundir tudo num único organismo – a Agência Portuguesa do Ambiente.
• É o exemplo inglês (apontado normalmente como referência)
• Poupa-se imenso:Passamos a ter um único instituto em vez de três
Passamos a ter uma única administração em vez de três
Passamos a ter uma única estrutura administrativa, de contabilidade e financeira, em vez de três
Passamos a ter um único orçamento em vez de três
Passamos a ter menos pessoal e menos encargos

2. Ao nível regional temos a seguinte estrutura sobreposta:
a) As Comissões de Coordenação Regional têm competências na área do ambiente;
b) As ARH – Administração Recursos Hídricos, mesmo assim, existem como estruturas autónomas (cinco ARH/ cinco concelhos de administração/ cinco orçamentos/ cinco estruturas administrativas). Os organismos mais BUROCRÁTICOS que existem em Portugal.
c) Podem extinguir-se as ARH e integrar as suas competências nas CCDR
GANHO DE POUPANÇA. GANHO DE DESBUROCRATIZAÇÃO

Ministério da Administração Interna - 18

1. Extinção de 18 Governos Civis
a) Hoje, os Governos Civis, não fazem qualquer sentido;
b) Estão desprovidos de competências;
c) As suas pequenas competências (de carácter administrativo e de concessão de licenças de exploração de estabelecimentos) podem passar para as Câmaras Municipais (com vantagem de proximidade para os cidadãos);
d) A sua extinção permite poupar significativamente (porque têm grandes estruturas de pessoal)
e) Servem de “sacos azuis” de vários governos
f) PSD em 2002 prometeu a sua extinção mas também falhou (não cumpriu) por falta de vontade política.

Ministério da Educação – 2

1. Três Institutos com Competências Duplicadas/Sobrepostas:
a) GAVE – Gabinete de Avaliação Educacional
b) GEP – Gabinete de Estudos e Planeamento
c) MISI – Gabinete Coordenador do Sistema Informático do ME (recolha de Informação)
CONCLUSÃO: Destes três serviços, dois PODEM SER EXTINTOS e concentrar competências num único.
Vantagens:
• São Menos Administradores
• Menos Assessores
• Menos Pessoal
• Menos Despesa
• Menos burocracia

2. Direcções Regionais de Educação – Emagrecer
• Em termos de dimensão estão a atingir proporções gigantescas.
• Quadros de pessoal aumentaram significativamente nos últimos anos.

Assembleia da República – 2

1. Comissão Nacional de Eleições:
a) Estrutura permanente encarregue de fiscalizar os actos eleitorais;
b) A seguir ao 25 de Abril podia justificar-se;
c) Agora não faz sentido ser uma Comissão Permanente;
d) ABSURDO – Funciona em Permanência (365 dias por ano) mas só tem competências quando há eleições (nos 30 dias antes das eleições);
e) Pode ser extinta e as suas competências integradas no STAPE (Secretariado Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral, no MAI); ou quando muito, Ser uma Comissão Eventual (a funcionar só nos períodos eleitorais).

2. CADA – Comissão Nacional de Acesso aos Documentos Administrativos
• Não faz sentido
• Pode ser extinta

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Uma provocação comercial

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Estamos a falar de um prémio Nobel da Paz.
A China está em guerra ?
A China está a melhorar ou a piorar no que toca ao respeito pelos direitos humanos ?
Depois de responder a estas duas perguntas, e de olhar para o mundo de conflitos e atrocidades em que vivemos, temos de concluir que a escolha de Liu Xiaobo para o prémio Nobel da Paz constitui uma provocação gratuita, integrada na guerra comercial em curso.
Liu Xiaobo pode até ser uma pessoa notável mas, neste caso, funciona como mero pretexto.

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O consumo "interno"

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Argumenta-se muito que a redução do rendimento disponível das famílias, por efeito das medidas de austeridade, terá um impacto negativo na actividade económica. Para avaliar esse impacto é necessário perceber como seria gasto o rendimento perdido dessa forma pelos consumidores.
Em Portugal, infelizmente, muito do consumo privado concorre para o aumento das importações, e o aumento do PIB de países terceiros, e não para o PIB nacional.
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Embraer decide fechar fábrica na China

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SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, SP - A Embraer optou pelo fechamento da sua fábrica na China devido aos planos chineses de produzir seus próprios aviões. "Os chineses vão começar sua produção própria em 2011 e nos veem como concorrentes", disse Paulo Cesar de Souza e Silva, vice-presidente executivo para o mercado de aviação comercial da Embraer.
A empresa tem uma fábrica na China em associação com a Aviation Industries of China (Avic), para a fabricação do ERJ-145, de 50 lugares. A ideia da Embraer seria ter a autorização para construir um avião maior, de capacidade para 120 passageiros. Porém, a China está desenvolvendo aviões próprios. Segundo Silva, a última entrega de um ERJ-145 será feita em março.
O executivo afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta para o governo chinês sobre o assunto, mas não obteve resposta. "Não temos perspectivas de continuar a produção", disse.
Estadão.com.br

Agora a Embraer para além de deixar de vender na China vai ter, provavelmente, mais um concorrente de peso no mercado mundial.
Esperemos que esta reviravolta não lance por terra os nossos ambiciosos planos de criar em Évora uma "Autoeuropa dos aviões".

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quinta-feira, outubro 07, 2010

Das duas, uma



A subcomissão do Conselho da Europa (CE) vetou os três nomes apresentados por Portugal para o lugar de juiz do do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem porque "apenas um dos três candidatos reunia condições para o cargo". Foi isso mesmo que um deputado de Chipre - após os protestos do português Mendes Bota - disse na Assembleia do CE : "Quando há apenas um bom candidato devemos enviar a lista para trás. Se permitirmos que a lista fique, isso significa que estamos a deixar ao Governo fazer a escolha, e não à Assembleia."
...
O ministro da Justiça classificou mesmo de "incompreensível e inaceitável" a decisão da câmara. Alberto Costa lembrou as qualificações dos candidatos referindo que foram escolhidos por "um júri independente, integrado por representantes do Conselho Superior da Magistratura, do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, do Conselho Superior do Ministério Público e da Ordem dos Advogados".

Ler o artigo completo no DN, 07.10.2010

Das duas, uma: ou os candidatos foram mal escolhidos ou o Conselho da Europa tem que ser considerado incompetente ou, ainda pior, está de má fé.
Qualquer das duas hipóteses, e especialmente a segunda, são totalmente inadmissíveis e põem em causa a credibilidade de instituições que deviam merecer crédito.

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Afinal sempre há almoços grátis

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Tóquio, 5 out (EFE).- O Banco do Japão (BOJ) baixou nesta terça os juros virtualmente para zero, em um movimento inesperado e sem data para finalização que tenta escorar a recuperação econômica e resistir a persistente deflação japonesa.
Após a reunião mensal de dois dias, a entidade emissora decidiu por unanimidade baixar o preço do dinheiro a uma categoria entre zero e 0,1%, retornando a política de juros zero utilizada pela última vez entre 2001 e 2006.
A política de juros em zero tenta facilitar, até o extremo de oferecer "dinheiro de graça", que as entidades financeiras tomem emprestado e coloquem dinheiro em circulação na economia, um convite ao gasto e, portanto, a inflação.

Trata-se portanto de voltar ao tradicional "gaste agora o que talvez venha a ganhar no futuro".
Ainda há quem não tenha percebido que o endividamento é a tábua de salvação, inescapável, do capitalismo actual. A oferta de mercadorias da era das réplicas digitais, que é a nossa, é brutalmente superior à procura.
Isso obriga a uma fuga para a frente que não pode ter fim.
A "dívidas soberanas", tal como as plebeias, não são aberrações do sistema. São a sua normalidade.
Já falei sobre esta questão em 2003, num livro sobre o Digitalismo.

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quarta-feira, outubro 06, 2010

Complementaridade estratégica

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Em fins de 2009, o valor acumulado de investimentos chineses no Brasil foi de 400 milhões de dólares americanos. A partir de 2010, essa soma ultrapassou 20 biliões de dólares americanos e a China tornou-se o principal investidor estrangeiro no País. Empresas chinesas compraram quatro minas de minério de ferro, e tentam adquirir centenas de milhares de hectares de terra para o plantio de soja, além de investirem cada vez mais no sector do petróleo e do gás.
A CNOOC (China National Offshore Oil Company) está em negociações com o grupo EBX, do bilionário brasileiro Eike Batista. A Sinopec já investiu cerca de 1 biliões de dólares americanos na construção de gasodutos para a Petrobrás, compra de blocos para exploração offshore e agora adquiriu a Repsol Brasil. A Petro China está também de olho em activos brasileiros no petróleo e gás. As empresas de equipamentos e serviços da China também visam o mercado brasileiro do sector.
O Brasil necessita de capital para fazer crescer a sua economia e gerar empregos, enquanto a China necessita dos recursos estratégicos que são abundantes no país. A procura chinesa fez com que o Brasil pudesse pagar a quase a totalidade da divida externa e acumular 273 triliões de dólares americanos de reservas. Essas reservas ajudaram o Brasil a ser um dos últimos a entrar na recente crise económica e a ser um dos primeiros a sair da crise.
Ler o artigo completo em HojeMacau, 05.10.2010

Pessoas e capital, de um lado, recursos naturais do outro. A complementaridade destes dois gigantes tem potencial para determinar a economia mundial nas próximas décadas. É o que eu acho.
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terça-feira, outubro 05, 2010

Pula lei e pula grei

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À hora aprazada, abriram-se as portas do salão nobre e começaram a surgir na varanda alta, de mármore, os presidentes.
O senhor presidente da comissão comemorativa, os senhores presidentes dos partidos da oposição, o senhor presidente do partido do governo, o senhor presidente da assembleia, o senhor presidente da câmara, o senhor presidente do governo e o senhor presidente da república.
Por trás, em magote, avultavam aqueles que nestas coisas fazem sempre de cenário.
As colunas da fachada suportavam a custo o peso de tantas gravatas, comendas, faixas e medalhas que, ao longo das décadas, fizeram do país o que ele é hoje.
E então começaram os discursos comemorativos.
Um dos oradores explicou piedosamente que “comemorar” significa relembrar em comum mas, como vivemos em democracia, no povo que enchia a praça fronteira, vinte metros mais abaixo, havia quem pensasse que as arengas eram demasiado “cume moratórias”.
No momento mais solene, a banda tocou o hino e a bandeira foi içada.
Sem que nada o permitisse prever, os notáveis da varanda galgaram um degrau invisível e ficaram empoleirados no parapeito de pedra, de mãos dadas, gritando “pula lei e pula grei”. E pularam no vazio, esmagando-se no empedrado.
Foi um gesto supremo de abnegação republicana, que deixou o povo um pouco enjoado e com cara de orquestra que se vê obrigada a tocar sem maestro.
Só muito mais tarde se percebeu que esse acto heróico o tinha finalmente convencido a assumir as suas próprias responsabilidades.
O povo tomou o destino nas suas próprias mãos, e estrangulou-o.
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segunda-feira, outubro 04, 2010

5 de Outubro

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A nova loja do chinês

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Zhang Dejiang, vice-primeiro ministro, passeia no Erechteion durante a sua visita de quatro dias a Atenas em Junho


A caminho da Cimeira UE-China, que se realiza quarta-feira em Bruxelas, o primeiro-ministro chinês fez uma escala em Atenas para oferecer um importante apoio para ajudar a Grécia a sair da crise financeira em que está mergulhada. O plano passa pela compra de obrigações do Tesouro grego por parte da China, garantindo em contrapartida a participação nos grandes projectos de infraestruturas que a Grécia tem planeados (imobiliário, telecomunicações e transporte marítimo).
Para a China, que já manifestou o desejo de abrir uma ligação aérea directa entre Atenas e Pequim, trata-se , também, de abrir uma porta de entrada nos Balcãs.
"A China vai fazer um grande esforço para apoiar os países da Zona Euro e da Grécia, a fim de ultrapassarem a crise económica, participando na compra de novos títulos da dívida gregos", quando o país regressar aos mercados, afirmou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.
Ler mais AQUI e AQUI

Ainda virá o tempo em que, quando falarmos da "loja do chinês", nos estaremos a referir a uma dependência bancária. Nesse tempo talvez na China chamem "loja do europeu" aos bazares de recordações.

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domingo, outubro 03, 2010

A importância da vírgula



Vírgula pode ser uma pausa... ou não.

Não, espere.

Não espere...

Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.

2,34.

Pode criar heróis..

Isso só, ele resolve.

Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.

Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.

Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.

Não tenha clemência!

Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
 
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Campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)
 
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Malabarismos

Vi ontem na televisão um curto trecho da entrevista de Constança Cunha e Sá a José Sócrates.
Em dois minutos, consecutivamente, sem pestanejar, ele disse:
- que o fundo de pensões da PT não constitui qualquer encargo futuro para o povo português pois o cálculo actuarial mostrou que está suficientemente provido para cobrir os compromissos assumidos
- que a passagem do fundo para a alçada do Estado tinha sido necessária para pagar os dois submarinos comprados à Alemanha

Vou tentar explicar: agora gastamos o fundo da PT a pagar os submarinos, depois andamos dezenas de anos a pedir aos portugueses das gerações futuras para pagarem as pensões milionárias, e as outras, dos reformados da PT.
Visto de outro ângulo: agora José Sócrates faz um brilharete reduzindo o défice de 2010, depois os governos futuros terão cada vez mais dificuldades em equilibrar as contas.

É por obra destes malabarismos que estamos como estamos...

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sábado, outubro 02, 2010

Aposto

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Mais de metade das famílias portuguesas com rendimentos declarados não paga IRS. Do universo superior a 4,6 milhões de agregados com rendimento bruto declarado, em 2008, mais de 2,5 milhões não apresentam IRS liquidado. Os dados constam das estatísticas do Fisco relativas a este imposto, ontem publicadas pelo Ministério das Finanças, e lançam um alerta ao fisco: está a aumentar do número de portugueses que não paga IRS. São mais 143 mil que não apresentam rendimentos suficientes para serem tributados. Fiscalistas alertam que a crise económica vai acentuar esta tendência, continuando a retirar dezenas de milhares de portugueses da base de tributação. Isto por não terem rendimentos superiores a 7.980 euros, considerado mínimo de existência a partir do qual se é tributado.
Ler o artigo completo no Diário Económico

Aposto que uma parte substancial destes "pobres" tem rendimentos significativos que não declara ao fisco. Procurem nos off-shores.

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Razão "legalmente atendível" para cortar salários



O Governo vai contornar a ilegalidade de cortar salários a trabalhadores de entidades públicas com contrato individual de trabalho através de uma alteração ao Código do Trabalho, a introduzir na Lei do Orçamento do Estado. O objectivo é garantir que o anunciado corte em 5% da massa salarial da função pública se aplique não só à ao pessoal da administração central como às autarquias, empresas públicas e municipais, entidades públicas empresariais, como hospitais EPE, institutos, e instituições como a Caixa Geral de Depósitos, o Banco de Portugal ou a CMVM, só para citar alguns exemplos.
Resta saber se a mesma derrogação terá também efeitos no sector privado.
Ler o artigo completo AQUI

Afinal o governo, que tanto se persignou contra a "razão legalmente atendível" nos despedimentos, não teve dificuldade nenhuma em adoptar uma "razão legalmente atendível" para cortar os salários.
Lembra-me um velho ditado políticamente incorrecto: mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.

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