Mostrar mensagens com a etiqueta cinema 2013. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cinema 2013. Mostrar todas as mensagens

domingo, dezembro 08, 2013

A China é um planeta



Fui ver o novo filme de Jia Zhang-Ke.
Quatro histórias de violência, interessantes, mas sem o fulgor de "24 City".
As situações são extremas neste filme mas os depoimentos intimistas de "24 City" eram bem mais tocantes e não tinham este leve sabor a "filme de acção".
Não é difícil supor que existem violências na China, dada a sua dimensão (quatro vezes a população dos Estados Unidos) e a brutalidade das transformações em curso.
Por isso a violência explícita não revela grande coisa.

sexta-feira, outubro 18, 2013

Hanna Arendt



"Eu que nunca amei qualquer povo, como é que eu posso amar o povo judeu? Só sei amar os meus amigos, é a única coisa que posso fazer"

Hanna Arendt é um grande filme sobre a coragem que é preciso ter para romper com as crenças do grupo a que se pertence.
Depois de, em 1961, assistir ao julgamento do criminoso nazi Adolf Eichmann, ela escreve sobre a "banalidade do mal", sobre a possibilidade de aviolência extrema (como a do holocausto) poder ser praticada por Zés Ninguém.
As reacções da intelectualidade judaica são violentas e ela chega a ser acusada de nazismo. Estamos formatados para pensar que os grandes crimes têm forçosamente que ser praticados por monstros de enorme escala.
Hanna e Eichmann acabam por surgir como duas faces da mesma moeda; ele que deixou de pensar (de ser pessoa) e cumpriu ordens e ela que teima em pensar e em desafiar as ideias feitas. Ambos acabam condenados.
O tema é de grande actualidade pois vivemos num tempo em que qualquer divergência em relação à narrativa disseminada pelas televisões, que trata os problemas do país como se fossem resultado de personagens absurdas e perversas, é objecto de escárnio ou hostilidade.
Como eu me senti solidário com Hanna..
Este filme devia ser visto por todos aqueles que, em vez de tentar compreender os fenómenos económicos e sociais, se dedicam a construir mitos e fantasmas.
Haverá certamente muitos professores que perecebem a importância do filme pois o cinema estava repleto de jovens, óbviamente pertencentes a turmas universitárias ou pré-universitárias.
Infelizmente passaram quase todo o tempo a conversar e a consultar o correio electrónico nos seus telemóveis.

sábado, outubro 12, 2013

Gravity


Ontem vi o Gravity (rima e é verdade)
Foi no IMAX e em 3D (mas sem pipocas) e até deu para me desviar quando o lixo espacial se precipitava na minha direcção.
Quem fez o filme não se poupou a esforços para tornar os "décors" verosímeis e puxar o espectador para dentro das intermináveis coisas que correm mal. A verosimilhança da história e do seu desfecho é que não é grande coisa.
O mais giro é ver os astronautas a falar da terra como nós falamos da lua, mas como reminiscência em vez de ser como premonição.
Se na terra há lunáticos em órbita podemos ter terráticos ?


.

sexta-feira, outubro 04, 2013

Like someone in love





Like someone in love
Fui ver o filme de Kiarostami e, digo desde já, não gostei.
Neste filme há no entanto uma cena de antologia que, penso, perdurará por muito tempo nas nossas memórias; a viagem de taxi de Akiko (uma universitária que se prostitui). A audição dos recados gravados pela avó no telemóvel, seguida pelo avistamento da senhora junto a uma estátua onde espera inutilmente pela neta, revelam-nos de uma forma original e horrenda a decomposição da identidade de Akiko, apanhada nas teias da grande cidade (é por causa de filmes como este que eu nunca senti desejo de ir a Tóquio).
Passado esse auge o filme arrasta-se longamente, sem dúvida com maestria formal, mas confesso que não me abriu nenhuma janela para o que eu não sei.
Nem me surpreendeu, coisa que esperei até ao último minuto.

sexta-feira, setembro 13, 2013

Aquilo que Woody Alan aprendeu na Europa?

.




BLUE JASMINE
aquilo que Woody Alan aprendeu na Europa?
Fui ontem ver o novo filme de Woody Alan e hoje, ao ler o Diário de Notícias, deparei com esta frase do historiador Antony Beevor:
"Na Europa, nos últimos tempos, começámos a convencer-nos de que um certo nível de vida se tornou, de alguma forma, um direito humano básico. Christine Lagarde, do FMI, tentou mostrar esta falácia aos gregos quando disse que sentia mais simpatia por aqueles que sofriam na África subsariana do que pelos que sofriam na Grécia. A presunção de que iremos continuar a usufruir de um certo estilo de vida simplesmente porque vivemos na Europa é uma ilusão perigosa. Não podemos pôr de parte a possibilidade de partes da Europa poderem vir a regredir para os níveis dos países em desenvolvimento."
Sendo o primeiro filme depois das experiências europeias do autor fui levado a pensar que a personagem que Kate Blanchet superiormente representa podia, afinal, chamar-se Europa.
É uma história muito amarga sobre o empobrecimento, um dos medos maiores das sociedades burguesas actuais, e dos efeitos tremendos sobre a personalidade e identidade de quem a sofre.
Jasmine, tal como a Europa, tem dificuldade em reconhecer o que lhe está a acontecer mesmo depois de lhe ter acontecido.
A vida e a consciência transformam-se num constante flash-back.


.

quinta-feira, agosto 22, 2013

Uma família respeitável


Já me esquecia de vos dizer que fui ver este filme e saí com uma neura do caraças.
Claustrofobia insuportável e redescoberta dos absurdos que o ser humano consegue engendrar e viver.
Mais uma viagem (só de ida) que eu pagaria do meu bolso ao troglodita do Óscar Mascarenhas. Mandava-o para provedor das mulheres no DN de Teerão.


.

sábado, julho 13, 2013

Paixão ?

.




 
Este filme de Brian de Palma não me convenceu.
O tema é batido, a trama é previsível e o realizador não acrescenta nada ao que o cinema já nos tinha mostrado.
Uns toques quase-escabrosos, umas actrizes com pinta e um final com sangue não foram suficientes para me evitar o sono.

segunda-feira, junho 24, 2013

LORE

.





LORE
um filme aterrador, e belíssimo, sobre as ciladas da história e as suas vítimas.

quinta-feira, maio 16, 2013

PHOTO


como não podia deixar de ser, dado o título, fui ver o filme do Carlos Saboga. Confesso que passei pelas brasas.
Este é o tipo de filme que eu acho que não devia ser um filme; pessoas a contar uma história passada há muitos anos, com muito palavreado, só pode ser interessante quando a história é extraordinária e o palavreado de muito alto nível. Mas, nesse caso, é talvez melhor escrever um romance.
Felizmente o filme é curto.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

O Mentor

.



é um filme abracadabrante, sobre o encontro de dois homens.
Freddie Quell é um ex-combatente com o espírito retorcido num corpo retorcido, Lancaster Dodd é um improvavelmente sanguíneo e telúrico guia espiritual.
Os dois polos atraem-se e repelem-se durante duas horas em que o espectador procura desesperadamente um sentido. 
No fim resta fazer o balanço das consequências desta terapia mútua que não devemos menosprezar. 
O filme de Paul Thomas Anderson é uma experiência marcante servida por duas interpretações brutais (Joaquin Phoenix como Freddie e Philip Seymour Hoffman como Dodd)

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Bárbara

.



BÁRBARA (Christian Petzold, 2012)
é um filme interessante, quase intimista, sobre uma vida insubmissa na Alemanha de Leste antes da queda do muro.
Nada que se compare com a força de "Adeus Lenine" (Wolfgang Becker, 2003) ou de "As vidas dos outros" (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006).


.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

DJANGO, overdose de justiça

.



Não há injustiça mais injusta do que aquela que recai sobre quem nasceu negro, ou mulher, ou outra coisa qualquer.
Django é uma overdose de justiça, não no sentido jurídico do termo mas porque os justos vencem em toda a linha contra todas as probabilidades.
Recupera descaradamente o velho aforismo, tão fora de moda, que diz que ser bom acaba sempre por compensar.
Os diálogos são do melhor e o Dr. Schulz, dentista reconvertido em caçador de cabeças, é uma figura inesquecível.
O filme, quebrando regras, assumindo exageros, recusa-se a ser uma história de racismo para se dar ao luxo de ser um libelo contra todos os racismos.


.

sábado, janeiro 12, 2013

Empadão

.





lamento informar que se trata de um empadão, um bocado gorduroso.
Não é uma reconstituição histórica original ou interessante, nem é uma colecção de grandes interpretações, nem é uma fotografia especialmente bela. 
São duas horas de canções notáveis que já ouvimos muito mais bem cantadas.
E, nestes tempos conturbados, uma lição amarga sobre os limites da sublevação.

.