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sexta-feira, março 27, 2020

O COVID deu-nos dois meses de avanço


O COVID deu-nos dois meses de avanço
O primeiro caso na China foi em 31/12/2019 e em 4/1/2020 já tinham 44 infectados.
A 13 de Janeiro o COVID saltou a fronteira e apareceu na Tailândia e no Japão.
A 21 de Janeiro apareceu na Coreia do Sul e nos Estados Unidos. A 24 de Janeiro surgiu em França.
O primeiro caso em Portugal ocorreu a 2 de Março, com pessoas chegadas de Itália e de Valência.
É pena que todos estes epidemiologistas que aparecem agora nas televisões com ar magistral não tenham, em tempo útil, insistido com o governo para adquirir ventiladores e máscaras, aprovisionar testes, criar procedimentos de segurança nos lares de idosos e controlar nas fronteiras quem chegava de países onde a pandemia já grassava.
Esperavam que, por milagre, o vírus nos poupasse?

sábado, janeiro 31, 2015

O berço da civilização de volta à barbarie


A Grécia recebeu um primeiro empréstimo da troika de 110 mil milhões, depois teve um perdão de cerca de metade da sua dívida, seguiu-se um segundo empréstimo de 130 mil milhões. 
Todos esses empréstimos já foram revistos em condições muito mais vantajosas do que os concedidos a Portugal a quem só foram emprestados 78.000 milhões.
Apesar de tudo isto na Grécia um desempregado perde o direito de recorrer ao serviço nacional de saúde três meses depois de ter caído no desemprego.
Uma tal selvajaria só pode ter lugar num país de irresponsáveis governado por uma cleptocracia.

sexta-feira, agosto 29, 2014

Manipulação sem vergonha




Nos tempos que vivemos deixou de ser possível confiar nas instituições, outrora responsáveis, como fontes de informação séria.
O bastonário da Ordem dos Médicos está obviamente lançado numa campanha contra o governo e não hesita em propalar, numa espécie de terrorismo noticioso, todas as pseudo-catástrofes que consegue inventar.
Não sei se se move por razões partidárias, corporativas ou sectárias mas a sua atitude é repugnante.
Com este tipo de assuntos, de vida ou de morte, não se brinca.

sábado, setembro 07, 2013

Desperdícios


Como se não bastassem os roubos e as redundâncias

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quinta-feira, julho 12, 2012

A greve dos médicos funcionários

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Muito se tem discutido sobre a greve dos médicos, omitindo no entanto que os hospitais privados e muitas unidades de saúde familiar têm funcionado normalmente.
Eu próprio serei hoje submetido a uma acção de diagnóstico num hospital particular.
Estes factos vêm reforçar a ideia, que se generalizou nos últimos anos, de que para acabar com as greves num dado sector basta privatizá-lo. Os médicos que tudo exigiam ao Estado quando eram funcionários parecem agora, trabalhando no privado, já nada ter a reivindicar.
Os efeitos desta greve acabam assim por ser sentidos de forma desigual por ricos e pobres. Os primeiros podem em muitos casos recorrer aos hospitais privados e pagar se tal for necessário. Os segundos lá terão que reagendar exames, consultas e cirurgias como carne para canhão numa guerra cujas motivações lhes escapam.



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sexta-feira, julho 06, 2012

Finalmente o historial clínico






A partir de agora, os médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) vão poder aceder ao historial clínico dos doentes através do Portal do Profissional, que permite cruzar informação entre as várias instituições por onde o doente já passou e consultar dados relevantes sobre ele – mas só se o utente autorizar a divulgação.
DN 06.07.2012 




Aqui está uma das medidas mais importantes dos últimos anos, para garantir a qualidade dos serviços médicos e a racionalização dos recursos. Finalmente.

quinta-feira, julho 05, 2012

Enfermeiros em saldo

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O que eu acho curioso é que ninguém pergunte porque é que os enfermeiros aceitam tais salários. 
A procura é assim tão escassa? a oferta é assim tão excessiva? Porquê? 
Quanto a mim esse é que é o problema pois, notras circunstâncias, a empresa subcontratadora ficaria a falar para o boneco. 
As contratações do Estado, com o dinheiro de todos nós, não se destinam a garantir rendimentos a qualquer classe profissional. 
E, já agora, porque é que os enfermeiros não se organizam em cooperativa prestadora de serviços para boicotar os parasitas das empresas de aluguer ?


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quinta-feira, junho 21, 2012

Acabem com a ADSE

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Cartoon que me ocorreu depois de ler o artigo da VISÃO sobre a ADSE.

terça-feira, novembro 08, 2011

SNS - alternativas ao marasmo

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(texto publicado no DN, 08.11.2011, por José Correia, médico)



Hoje temos mais de 40 000 médicos em Portugal. Um número que nos coloca em posição muito boa na Europa (número de médicos por cem mil habitantes).
No entanto, há mais de um milhão de cidadãos sem médico de família.
Os gastos do Estado com a saúde são enormes, tal como as dívidas no sector. Mas os cidadãos não têm acesso a esses recursos de forma idêntica.
Os médicos estão na sua maioria a trabalhar no Estado. Em exclusividade uns, recebendo por isso maior ordenado. Sem exclusividade outros, pelo que podem ter consultório, seguradoras, etc,.
Quando em serviço no Estado o vencimento nada tem a ver com a agradabilidade que os doentes por ele tenham, e o seu ordenado é aumentado, geralmente, com as horas extras efectuadas nos Serviços de Urgência (SU).
Quando trabalha na privada, é escolhido pelo doente e o seu vencimento depende dessa escolha.
Pode ainda ter uma convenção com o Estado para a realização de consultas, exames complementares, etc.. As consultas convencionadas, "ninguém" as quer fazer, pois são pagas, nalgumas especialidades a pouco mais de seis euros. O contrário se passa nos exames complementares: análises, radiografias, TAC, ecografias, etc., muito melhor pagas e que todos gostariam de efectuar. Só que um Governo "previdente" acabou com a realização de novas convenções.
Claro que as existentes hoje valem "ouro". Exibem muitas vezes o nome do antigo proprietário. O actual, muitas vezes nem é médico: comprou-a no mercado. E médicos, devidamente habilitados, não têm a ela acesso.
Facilmente se depreende que não há consultas que cheguem: nos hospitais vive-se para o SU. Fora deles, para os exames complementares!
Quem necessita duma consulta tem, pois, na sua maioria, que procurar um SU. A não ser que tenha dinheiro para a privada ou seguros de saúde.
Os SU foram-se avolumando, as populações enchem-os constantemente. Não há profissionais que cheguem. Não há dinheiro que chegue.
Mas chega a crise! Que fazer? Poupar dinheiro! Encerrem-se e concentrem-se os SU! E os doentes aonde vão?
Foi-se subvertendo, desta forma e ao longo dos anos, um SNS feito com grande generosidade.
1 - Liberdade de escolha. Se há médicos em número suficiente (mais de 40 000), se há doentes sem médico (mais de um milhão), porque não se põem em contacto uns com os outros? Ou seja, porque não se permite que todos os doentes possam escolher todos os médicos? Cada acto médico vale X. O doente paga a taxa moderadora que lhe pertence e o restante paga o Estado. Fácil! Porque não se faz? Porque há classes que desaparecem e outras deixam de ter importância.
2 - Consultas domiciliárias. A recuperação das consultas domiciliárias, com a ida aos domicílios de todos os profissionais envolvidos no tratamento de doentes, permite que muitos possam ser tratados em casa. Desde que a situação clínica e social o permitam, evita-se um internamento. E desnecessário será dizer das vantagens que seria para todos.
3 - Hospitais de proximidade. O erro que foi o fechar dos hospitais concelhios deveria ser reparado criando estes hospitais, apoiados pelos municípios, misericórdias, etc.. Eles seriam a continuidade no tratamento entre o domicílio e os hospitais maiores e mais caros. Sempre que a doença em questão o permitisse.
4 - Medicamentos. Os gastos que os doentes e o Estado fazem a mais é assustador. As dívidas do Estado à indústria são esmagadoras. O desperdício é enorme.
Que fazer? Limitar a três genéricos por fármaco (DCI). Fazer concurso público internacional desses três genéricos. Com a garantia do Infarmed. Já ninguém poderia colocar em questão a validade desses produtos. As mais-valias eram para o Estado. Só depois, esse mesmo Estado obrigava os médicos a receitar por DCI.
5 - Obrigatoriedade da unidose. Mais que provada em muitos países. Mais barata.
Podíamos desta forma ter médico para todos, menos idas aos SU, menos internamentos, maior racionalidade e equidade nos exames complementares de diagnóstico, e muito menores gastos em medicamentos.



quinta-feira, março 17, 2011

Remédio Santo




O senhor Anacleto tem 95 anos. Foi professor e exerceu a sua profissão durante mais de 50 anos. Enviuvou há dois e desde então, de mês a mês, pontualmente como o relógio grande que antes marcava as horas na sala da sua casa, muda de uma casa para outra entre os seus cinco filhos. Recusa-se a viver num lar, não quer empregados em casa e a solução encontrada de comum acordo passa pela estada temporária em casa de cada um dos filhos. Do Algarve até ao Minho, porque nenhum vive nas ilhas, o senhor Anacleto lá vai cumprindo as suas periódicas visitas, levando consigo a mala e nesta os remédios de que necessita.
Estava há dias com uma das filhas na urgência. Uma queda na rua e algumas dores nas costas. O médico que o atende pergunta-lhe pela medicação e ouve-o sem surpresa enumerar a cor de quatro ou cinco comprimidos diferentes. Como muitos idosos (e outros nem tanto), e apesar da excelente memória, recusa-se a fixar o nome da medicação. A filha apercebe-se de que na lista parecem faltar alguns e recorda-lhe um outro branco pequenino e umas cápsulas castanhas, ao que o idoso aclara tratar-se dos medicamentos do cardiologista e esse é do consultório privado e estão num serviço público, e acrescenta haver ainda uns outros de que nem sabe cor nem formato porque lhe foram receitados há cerca de quinze dias na urgência do hospital da localidade onde estava — e a que recorrera por dor abdominal.
Bem vistas as coisas, e sem nenhum espanto para os médicos que habitualmente lidam com estes doentes, o senhor Anacleto estaria a tomar, no mínimo, entre sete a dez medicamentos, prescritos por diferentes clínicos em diferentes contextos (clínica privada, centro de saúde, urgência hospitalar), sem que nenhum soubesse dos restantes, porque a listagem total da medicação não é visível ao abrir um processo clínico informatizado, a menos que tenha sido prescrita naquela instituição ou com aquele programa. Não é também improvável que do conjunto dos vários medicamentos alguns fossem exatamente iguais aos outros, diferindo apenas na cor, no nome ou no laboratório que os produziu, com o consequente risco para a saúde do doente e aumento dos custos (imediatos — no momento da compra — e diferidos — pelas complicações que daí podem resultar) para o Serviço Nacional de Saúde.
Provável é também que alguns entre si fossem incompatíveis ou que a sua associação devesse ser criteriosamente pensada ou até excluída, pois poderiam anular ou potenciar os efeitos uns dos outros, tornando-se assim ineficazes ou, pelo contrário, com um maior efeito do que seria de esperar. Isto caso se soubesse o que o doente estava a tomar, o que na atualidade e face às presentes circunstâncias é quase totalmente impossível. Quando a necessidade de contenção de custos é notória, o envelhecimento populacional é uma realidade, a informatização do serviço público de saúde está a avançar, a informática parece encontrar uma solução para (quase) todos os problemas, não será possível encontrar um ponto comum entre os vários programas instalados e cruzar em tempo real informação vital como é a da medicação, ao menos no serviço público, melhorando a prestação de cuidados a uma população cada vez mais idosa, com mais problemas de saúde, com menos recursos económicos e, por acréscimo, à população em geral?
Acredito que ao consegui-lo, ainda que com custos imediatos muito grandes, se poupariam muitos milhões de euros inutilmente gastos na atualidade e se melhoraria em muito a saúde das populações. Era, provavelmente, ‘remédio santo’. 
Artigo da Dra. Cristina Galvão, Publicado no Expresso 12.03.2011

Aqui está uma excelente análise de uma realidade que eu observei directamente durante muitos anos enquanto os meus pais foram vivos. 
O que é dito para os medicamentos acontece também com os exames complementares de diagnóstico. Médicos sucessivos prescrevem exames similares por desconhecerem que já foram feitos.
Ao contrário do que os defensores ideológicos do SNS defendem, prova-se que os custos podiam baixar significativamente sem se reduzir a quantidade e qualidade dos serviços prestados aos doentes/utentes.
Defender o SNS é, no essencial, garantir que os seus custos permanecem controlados e ao alcance de Orçamentos do Estado cada vez mais exíguos.

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quarta-feira, fevereiro 09, 2011

BINGO

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Nos últimos anos tenho frequentado uma consulta num hospital público do SNS.
Ontem mesmo, dirigi-me ao local às 15:30 apesar de a minha consulta estar marcada para as 16:00.
A sala que se pode ver na fotografia anterior, feita pouco antes de eu ser atendido, estava então a abarrotar de gente.




Para ninguém poder dizer que não sabe ao que vem as paredes ostentam garbosos cartazes que nos garantem que vamos ter que esperar. E eu esperei.
Passaram as quatro, depois passaram as cinco e depois passaram as seis horas, e nada.




Depois de ler vários jornais passei a concentrar-me, obsessivamente, nos visores "de plasma" espalhados pela sala e em que, como num sorteio vão aparecendo os números dos felizes contemplados com o início de uma consulta.
O que mais me afectava nem era a demora mas o facto de não conseguir perceber a lógica com que os números se sucediam no ecran.
No meio da sonolência comecei a ter ideias delirantes mas, quem sabe, com enorme futuro.
Por que não instalar um bingo neste local? Quem mais depressa preenchesse o cartão do bingo mais depressa seria atendido.
Teríamos mais transparência quanto à ordem dos atendimentos e adicionalmente proporcionaríamos a quem padece, enquanto espera pela consulta, um passatempo bem divertido.




Com uma certa habilidade até podíamos transformar as máquinas "cospe senhas" em slot machines.
Em suma, se no dizer de Mário Soares temos uma economia de casino por que não termos hospitais-casino?
Aqui fica a ideia, pela qual não cobro absolutamente nada.
Este caso mostra que muito trabalho criativo poderia ser feito, com sucesso, se os nossos jovens empresários e quadros superiores frequentassem mais as salas de espera do SNS.

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quinta-feira, dezembro 30, 2010

Afinal a sustentabilidade interessa a todos



Lisboa, 29 dez (Lusa) -- Os desempregados com rendimento superior ao salário mínimo nacional vão começar a pagar taxas moderadoras a partir de 1 de janeiro do próximo ano, estipula uma portaria publicado no Diário da República.
A existência de novas regras já era conhecida desde junho, mas não se sabia qual o limite máximo do rendimento a partir do qual os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) vão passar a pagar as taxas moderadoras.
O diploma, publicado na terça-feira, estabelece também que os reformados que recebam rendimentos acima dos 485 euros vão deixar de ter acesso gratuito aos cuidados prestados pelo SNS, tendo que pagar taxas moderadoras.

Depois das taxas moderadoras, os desempregados e pensionistas ficam também a saber que vão ter que pagar quando os casos não são urgentes.
O argumento repete-se. O secretário de Estado adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, diz que é preciso garantir a sustentabilidade do Estado social.
«As regras definem que tem de haver maior rigor na definição da razão clínica pelo qual o transporte deve de ser subsídiado pelo Serviço Nacional de Saúde, tem de haver uma razão clínica objectiva, que seja demonstrável, que seja da responsabilidade do médico e os transportes só serão pagos a pessoas que tenham maiores dificuldades económicas», adianta.



Admito que seja necessário e, em certa medida, defensável.
Mas não era o PSD que queria destruir o SNS tendencialmente gratuito?

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quinta-feira, dezembro 02, 2010

Opinião qualificada sobre a ADSE

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O presidente da Entidade Reguladora da Saúde defende uma acção mais pedagógica que repressiva do regulador. Mas será inflexível em garantir um tratamento igual para todos os doentes do SNS.

Em relação à ADSE, os responsáveis dos hospitais privados alegam que os pagamentos estão desactualizados.
Esse é um problema que o Governo poderá e deverá resolver. É sabida a minha opinião em relação à ADSE. Noutra sede, defendi a auto-sustentabilidade financeira da ADSE. É uma questão de equidade. É preciso pensar se faz sentido que a maior parte dos contribuintes paguem as despesas de saúde de uma parcela de portugueses que são funcionários públicos.
Público, 02.12.2010

Concordo plenamente.

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terça-feira, novembro 09, 2010

Notícia enigmática



Os funcionários públicos vão poder desvincular-se da ADSE. Esta possibilidade consta de um documento que foi enviado aos sindicatos da Função Pública e que estará em discussão na reunião marcada para a próxima sexta-feira no Ministério das Finanças.
A renúncia à qualidade de beneficiário da Direcção-Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE) pode, segundo o documento, ser feita em qualquer momento, e terá natureza definitiva, ainda que haja situações em que a reinscrição é admitida.
Jornal de Notícias, 09.11.2010

Esta é mais uma daquelas notícias incompreensíveis. Temos a sensação de que a verdadeira notícia é outra, que se esconde por trás desta fachada.
Por que carga de água havia um beneficiário da ADSE, o melhor e mais barato seguro de saúde existente em Portugal, abdicar de o ser?
Só se fôr porque o conjuge também é beneficiário e portanto o próprio é abrangido mesmo não efectuando qualquer desconto.
Qualquer funcionário do Estado, ou seu familiar, beneficia, na ADSE, de uma extensão do SNS que não está ao alcance da generalidade dos portugueses. Só um milhão e trezentos mil portugueses que usufruem desta situação excepcional.
Por isso a noticia que o povo aguarda ansiosamente é: "Governo dá a todos os portugueses a oportunidade de, voluntariamente, aderir à ADSE".

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sexta-feira, novembro 05, 2010

Matar ou não matar o "Estado Social"

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"A redução da transferência para o SNS de 6,4 por cento, proposta no Orçamento do Estado para 2011, em relação à dotação inicialmente prevista no Orçamento de Estado para 2010 (...), não coloca em causa nem a quantidade nem a qualidade dos cuidados a prestar", afirmou Ana Jorge na audição conjunta das Comissões Parlamentares do Orçamento e Finanças e da Saúde de discussão na especialidade do OE para 2011.
DN 05.11.2010 

A inefável ministra vem agora, na sua candura, confirmar o que muitos têm dito ao longo dos últimos anos: uma parte substancial da despesa do Estado, mesmo na área da saúde, pode ser cortada pois nada tem a ver com os serviços prestados à população.
Sócrates, que perante qualquer sugestão alheia de poupança desata a gritar que querem matar o Estado Social, não deve ter gostado mesmo nada.

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sexta-feira, setembro 24, 2010

ADSE sim, mas para todos os portugueses

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A ADSE é um sistema acessível a todos os funcionários do Estado, mas não obrigatório. Desde 2009 é facultativo, só se inscrevendo quem quiser. Mas o número de novos inscritos não tem parado de aumentar. Com perto de um milhão e meio de beneficiários, só no ano passado inscreveram-se cerca de 80 mil.
Os novos funcionários públicos já estão integrados na Segurança Social e não na Caixa Geral de Aposentações, mas tal não impede que se inscrevam na ADSE, para a assistência à saúde. E mesmo os que se desvincularam do Estado podem beneficiar das convenções deste sistema.
DN 23.09.2010

Para quem possa ainda não saber a ADSE é um fabuloso seguro de saúde custeado pelos impostos de todos os portugueses (que pagam ao fisco). E até faz uma coisa que tanto preocupa o nosso governo: compra cuidados de saúde ao sector privado em larga escala, fugindo dessa forma às delícias do SNS.
O esquema é tão contrário à igualdade dos cidadãos no acesso aos cuidados de saúde que até o insuspeito Vital Moreira explica no Causa Nossa por que defende a extinção da ADSE. Vital Moreira junta-se portanto aos malandros que querem destruir o "Estado Social".
Faça-se já uma manifestação para salvar a ADSE mas estendendo as suas mordomias a toda a população.
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quarta-feira, setembro 15, 2010

Cuidado com inoculações

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O acesso dos portugueses aos cuidados de saúde, e o papel do SNS na obtenção desse objectivo, são questões da maior importância, que merecem a mais atenta e séria das discussões (o tema já tinha sido abordado por nós aqui).
Infelizmente o tema foi capturado pela guerra de arremesso que se desenvolve entre o PS e o PSD em torno da revisão constitucional e da próxima eleição presidencial.  A demagogia sobre o "Estado Social" anda à solta e os cidadãos correm o risco de se deixar inocular por alguma das falsidades em circulação.
As citações que se seguem ajudam a perceber que, ao contrário do que nos querem fazer crer, as prestações de cuidados de saúde actuais estão longe da "pureza" pública e que a "igualdade dos portugueses" no acesso à saúde não passa de uma ficção. Os funcionários do Estado beneficiam da ADSE (um seguro de saúde estatal pago pelo erário público).
Mais de dois milhões de portugueses, aqueles que têm recursos para isso, através dos seguros privados de saúde, já hoje pagam boa parte das suas despesas de saúde à margem do SNS e aliviando o Orçamento do Estado. Em vez de serem premiados por isso, se as propostas do PSD forem aprovadas, passarão a pagar mais também nas raras vezes em que recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde.


Metade das consultas médicas em Portugal são feitas por privados, que asseguram um quarto dos internamentos, cinco por cento das urgências e dispõem de 15 por cento das camas, segundo dados da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP).
Segundo esta organização, questionada a propósito do Dia do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que se assinala na quarta feira, os privados oferecem já 40% por cento dos cuidados de saúde assegurados em Portugal.
Os maiores grupos privados de saúde em Portugal são a Espírito Santo Saúde (220 milhões de euros em 2009), HPP Saúde (150 milhões de euros) e a Mello Saúde (265 milhões de euros), que detêm 70% da quota de mercado. A Trofa Saúde e a AMI – Assistência Médica Integral lideram uma segunda linha de unidades independentes da órbita bancária.
Em conjunto, e segundo a APHP, os cinco grupos detêm 64 unidades, entre as quais hospitais, clínicas, casas de repouso e laboratórios. As unidades de saúde privadas representam, na sua globalidade (estes cinco e os restantes), 5000 camas e 25%o da capacidade cirúrgica nacional.
Ler o resto AQUI


Há uns anos, José Sócrates e o então seu ministro da Saúde, Correia de Campos, declararam o fim dos subsistemas de saúde. Vou até ser mais exacto: em 15 de Novembro de 2006, o Governo determinou o fecho, por exemplo, da Caixa de Previdência dos Jornalistas, um dos tais subsistemas. O funeral foi marcado para 1 de Janeiro de 2007.
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Também me apercebi de que afinal o Governo resolveu permitir a inscrição de novos beneficiários na ADSE. As despesas do Estado com este serviço chegaram já, o ano passado, aos mil milhões de euros. Em 2004 rondavam os 861 milhões
Na minha cabeça ignorante não consigo desligar a mudança silenciosa da estratégia governamental sobre os subsistemas de saúde, e em particular na ADSE (onde estão os verdadeiros milhões), da construção dos hospitais privados, como o da Luz, do grupo Espírito Santo, e o Lusíadas, da Caixa Geral de Depósitos. É que já tive de lá ir, a acompanhar outras pessoas, e não consegui deixar de reparar na alegria dos funcionários sempre que o doente afirma ser beneficiário da ADSE. Aquilo dá quase direito a festa de champanhe e garante uma bateria de fantásticos exames capazes até de, sem precisar de tirar sapatos, diagnosticar uma unha encravada no pé.
Ver o artigo completo AQUI

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quarta-feira, setembro 01, 2010

Estado Social é mais social para alguns



A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) está a investigar vários casos de fraude no SNS, ligados à prescrição de medicamentos. Ao que o DN apurou, trata-se de casos de médicos a passar receitas em nome de doentes que nem sequer chegam a levantar os medicamentos, mas que depois são aviadas em farmácias distantes e cobradas ao Estado.
Os casos, que também estão no Ministério Público (MP), envolvem remédios com 100% de comparticipação para pensionistas, entre outros. Recorde-se que o crescimento da despesa na área levou recentemente o ministério a anunciar o reforço das acções inspectivas.
Estas situações de burlas custam "centenas de milhares de euros" ao SNS e envolvem sobretudo medicamentos que possibilitam maiores margens de lucro e elevadas comparticipações. Nos últimos dois anos, foram investigadas mais de 12 situações diferentes na área dos gastos com medicamentos.
Há pelo menos três casos que envolvem médicos e farmácias e que estão a ser investigados também pelo MP. Todos eles têm em comum a mesma farmácia, que registou um aumento elevado e súbito da facturação, indício que levanta suspeita de irregularidade.
Numa das situações, identificou-se um médico que prescrevia receitas em nome dos seus doentes ou familiares e depois as receitas eram aviadas sempre na mesma farmácia, que ficava a mais de cem quilómetros de distância da morada dos doentes. No entanto, nenhum dos doentes comprou a medicação prescrita. Quando os utentes foram contactados - muitos deles eram idosos - disseram que nunca tinham visto as receitas, não as assinaram e nem sequer tomavam aquela medicação. Custo para o Estado: 89 mil euros.
O segundo caso relatado ao DN envolveu outro clínico, 55 mil euros de gastos e o total desconhecimento dos doentes que viviam ainda mais longe da farmácia que enviava as contas para o SNS. O terceiro é ainda mais caricato, porque o clínico envolvido prescrevia medicamentos a doentes que nem eram da sua lista. As cinco receitas passadas foram assinadas, entre outros, por um doente que não sabia ler nem escrever...
Ler mais no DN 01.09.2010

"Hoje o nosso estado social está melhor" disse Sócrates numa inauguração recente.
Esqueceu-se de acrescentar "para alguns está até muito melhor".
Para o SNS custar o que custa tem que haver muitos desperdícios e muitos roubos.
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sábado, julho 31, 2010

SNS - "tendencialmente gratuito" ou "tendencialmente falido" ?

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As propostas recentes de Passos Coelho para a revisão da Constituição, consensualmente consideradas como inoportunas e em muitos aspectos desajustadas, abriram caminho a mais uma desenfreada campanha retórica da parte de José Sócrates. Fustigado pelo mar encapelado das sondagens, agarrou-se a essa tábua de salvação com o desespero próprio dos náufragos.

Mas a discussão entre os "coveiros" e os "salvadores" do Estado Social é esquizofrénica.
A proposta de eliminação da expressão "tendencialmente gratuita", que o texto constitucional refere a propósito do direito à saúde, ilustra bem o nível e a qualidade da discussão em curso.

Quem propôs tal eliminação parece ignorar que, já hoje, uma parte dos cidadãos paga taxas moderadoras quando recorre ao Serviço Nacional de Saúde. 
Mas quem se escandaliza com tal proposta, e grita desesperadamente contra o fim da igualdade dos cidadãos no acesso à saúde, parece ignorar que há dois milhões de portugueses que pagam seguros privados do seu próprio bolso.
A esses dois milhões há ainda que acrescentar umas centenas de milhar, os funcionários da administração pública, a quem o Estado proporciona o melhor seguro de saúde que existe em Portugal e que se chama ADSE.

Ou seja, cerca de 25% da população considera o SNS insuficiente e, tendo recursos para isso, contrata com privados uma parte dos cuidados de que necessita.
As razões para esta realidade são a inexistência de cobertura no SNS para certas especialidades (por ex. estomatologia) e os tempos de resposta na marcação de certos tipos de consultas, cirurgias, etc.
Esses milhões de cidadãos, ao obterem cuidados de saúde a expensas próprias fora do SNS, têm contribuído para evitar a sua ruptura. Mas ao contrário do que seria de esperar o SNS, apesar de ser aliviado de milhões de actos médicos que deveria prestar, tem visto os seus custos aumentar de ano para ano.

Por tudo isto, que costuma ser varrido para debaixo do tapete, é absurdo falar, como faz Passos Coelho, da necessidade de "quem pode começar a pagar mais". Quem pode já hoje paga mais e, com a sua ausência das filas de espera, facilita o acesso dos mais desfavorecidos aos cuidados prestados pelo SNS.
Também é absurdo, como faz Sócrates, falar de um SNS ideal e puro como se dentro dele não existissem gigantescos negócios privados; escamotear o descalabro financeiro do SNS que, se não forem tomadas medidas de controle e disciplina, caminha aceleradamente para a extinção.

O assunto é demasiado sério para que o tratem com tamanha ligeireza.
Ontem mesmo o DN titulava "Governo vende hospitais para pagar dívidas" a propósito de mais uma negociata em que o Estado vende os edifícios dos hospitais para realizar dinheiro a curto prazo.
A discussão não devia ser sobre o SNS "tendencialmente gratuito" mas sim sobre o SNS "tendencialmente falido".

Adenda.

Texto de Orlando Monteiro da Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, no Público de 30.07.2010.

Atente-se nalguns dados estatísticos sintomáticos de factores de insustentabilidade:

1.  0 orçamento do SNS é actualmente de cerca de quase 10.000.000.000 de euros;
2.  0 que equivale aproximadamente a 1000 euros anuais por cada português;
3.  Acresce ainda a despesa privada em Saúde, cerca de 25% da despesa total;
4.  Estas despesas totais em Saúde, constituindo mais de 10% do PIB, crescem a um ritmo muito superior ao da riqueza produzida;
5.  0 desperdício no SNS é calculado em perto de 25% do total da despesa;
6.  25% do orçamento da Saúde é gasto com a indústria farmacêutica, o que faz de Portugal um país paraíso para o mercado farmacêutico.


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quarta-feira, maio 05, 2010

SNS - Sucedem-se Notícias do Saque



A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) está a passar a pente-fino os rendimentos de 333 gestores e dirigentes de topo dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde e de intitutos públicos do sector. Segundo a notícia publicada hoje no Correio da Manhã, foram detectados 3,1 milhões de euros em despesas ilícitas no sector.
Ionline 05.05.2010

Cerca de 70 funcionários do Hospital de S. João, no Porto, estarão envolvidos num esquema de fraude à ADSE, com prejuízos para o hospital superiores a 100 mil euros. As irregularidades foram detectadas pela Administração, que apresentou queixa à PGR e abriu um inquérito.
Jornal de Notícias 05.05.2010

Pois é. Escândalos sucessivos mostram que por trás da retórica da defesa do Serviço Nacional de Saúde se escondem muitos interesses e falcatruas.
Sempre que alguém defende a moralização dos gastos públicos é imediatamente acusado de querer destruir o SNS. Mas como repetidamente se comprova há muitas despesas que podiam ser cortadas sem que os cuidados aos utentes sofressem qualquer degradação.
É precisamente esta gente, que faz do SNS uma coutada e uma fonte de lucros fáceis, que se bate desesperadamente contra qualquer racionalização e que, em última análise, provocará a sua destruição.