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sábado, janeiro 05, 2013

Roeu a corda

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Agora que tinham arvorado a Christine em heroína contra a austeridade vai ela e roeu a corda...

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sexta-feira, junho 03, 2011

A Troika à margem da campanha

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O documento da troika prevê o corte das pensões e o congelamento dos salários até 2013. O texto é este:

"No seguimento da redução média em 5% dos salários do sector público neste ano, os salários e as pensões serão congelados até 2013, excepto no caso das pensões mais baixas. Além disso, será introduzida em 2012 uma contribuição especial com incidência sobre as pensões acima de €1.500, ficando isentas as pensões mais baixas.

Sobre isto, como sobre o resto, a campanha eleitoral foi omissa embora importasse saber:

1. Se a "contribuição especial", que segundo alguns pode chegar aos 10%, tem carácter provisório ou definitivo
2. Se vão ser igualmente (mal)tratados os que descontaram fortemente toda a vida e os que têm pensões obtidas, por estratagemas legais, sem ter feito os descontos normais


Como se isto não bastasse ficamos hoje a saber pelo Jornal I que o fundo da Segurança Social perdeu 8% do valor. 
Dados consultados pelo i mostram ainda que no final de Maio deste ano a dívida soberana nacional pesava 58% na carteira do FEFSS, contra 53% no final do ano. 

Afinal o tão badalado "estado social" é não só pretexto eleitoral como bóia de salvação financeira (à custa da segurança futura dos reformados)


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sexta-feira, maio 27, 2011

Com "justa causa"











O Fundo Monetário Internacional (FMI) já entregou na terça-feira a primeira tranche de ajuda financeira a Portugal.
"A primeira tranche do empréstimo foi desembolsada no dia 24", disse fonte oficial do Fundo Monetário Internacional (FMI). O valor da mesma tranche, adiantou, é o que a instituição tinha dito que iria entregar de forma imediata: 6,1 mil milhões de dólares.
Vem mesmo a calhar. Deve chegar para pagar a indemnização pelo despedimento de Sócrates no dia 5 de Junho, apesar de haver uma claríssima "justa causa".
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quinta-feira, maio 05, 2011

Os desempregados deviam ser uma prioridade

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Há uma coisa neste acordo de "ajuda externa" que eu não consigo aceitar. Como é possível reduzir os apoios aos desempregados que são, de longe, os maiores sacrificados de toda esta crise?
Se há casos de abuso no acesso aos subsídios então fiscalizem e persigam quem o faz.
Devia ter sido feito um esforço maior noutras áreas para manter a duração e o valor dos subsídios de desemprego. Podem ser vitais para garantir um mínimo de dignidade a milhares de famílias.



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Troika

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Na conferência de imprensa da Troika surgiram duas informações relevantes:
1. O PEC IV era insuficiente no plano orçamental e não contemplava medidas para assegurar a competitividade da economia portuguesa
2. Se a "ajuda externa" tivesse sido pedida mais cedo os sacrifícios dos portugueses não teriam que ser tão grandes
Isto deita por terra a demagogia de Sócrates.



(ver aqui).

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Quem o feio ama bonito lhe parece

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Um erudito mal-intencionado varreria a genialidade de Eça de Queiroz reduzindo-o a um erro:
em Singularidades de Uma Rapariga Loura, o protagonista, Macário, parte para Cabo Verde, onde atravessa "rios tranquilos". Ora, em Cabo Verde não há rios... Nos tempos que correm, de informação abundante, esses caça picuinhas são risco de confusão, fujo deles. Tento perceber a linha geral. Entendi, por exemplo, pelas notícias do acordo com a troika, que isto está diferente do que se dizia, perdão, gritava. Amanhã talvez estude as incidências da subida do IMI e da descida do IMT, isto é, irei catar descuidos de Eça. Mas, por enquanto, fico-me nas linhas gerais: a troika, estrangeiros imunes à propaganda do Governo, acordou com ele condições melhores do que estávamos à espera. A causa só pode ser uma de duas, ou ambas. Ou não estávamos tão mal como Cavaco Silva disse em discurso catastrófico na tomada de posse. Ou a troika ajuda Portugal por razões que nos ultrapassam: preocupada com a falência iminente da Grécia, quer dar um sinal de apaziguamento aos mercados. A primeira hipótese é de conclusão menor: só confirma a irresponsabilidade política de Cavaco. A segunda prova mais. Para lá de termos de resolver um problema que só nós podemos resolver, a falta de crescimento, sobre a dívida há que reconhecer um inimigo externo. Nos próximos três anos, os partidos deveriam expressar uma vontade nacional.
Ferreira Fernandes no DN de hoje


Caro Ferreira Fernandes,

conto-me entre aqueles que apreciam as suas crónicas. É por isso que me custa constatar que uma pessoa como você se pode deixar enfeitiçar por certos discursos de sereia. Também eu posso invocar os clássicos, na circunstância o grande Shakespeare, para lembrar a poção de Oberon que levou Titania a fazer a triste figura de se apaixonar por umas orelhas de burro.

No seu caso a paixão oblitera a mais simples arquitectura do pensamento lógico.
Quando diz que "a troika, estrangeiros imunes à propaganda do Governo, acordou com ele condições melhores do que estávamos à espera" não seria prudente interrogar-se acerca da razão porque estava à espera do pior e quem lhe semeou na cabeça tais expectativas?
Será que "Cavaco Silva disse em discurso catastrófico na tomada de posse" que Portugal está tão falido quanto a Grécia?
Serão as duas hipóteses que apresenta as únicas possíveis? Ou há outras como, por exemplo, a Grécia não ter tido PEC1, nem PEC2, nem PEC3 antes da "ajuda internacional"? 
Como diz o ditado "quem o feio ama bonito lhe parece", e todos os que não o acharem bonito entram para o imenso rol dos "inimigos externos" atrás dos quais escondemos a nossa inépcia e os nossos vícios.
A sua lamentável crónica de hoje pode resumir-se a uma frase: congratulemo-nos porque afinal a nossa situação não é tão grave como a da Grécia.
Será isso suficiente para salvar a nossa democracia e o nosso país?

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quarta-feira, maio 04, 2011

Mais uma pirueta

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Mais uma pirueta mirabolante, desta vez feita na companhia de um ministro embalsamado. 
Depois de ter diabolizado a "ajuda externa", de que tentou "salvar-nos corajosamente" durante meses, Sócrates apresenta-se perante os portugueses como se o acordo com a Troika fosse composto por não-medidas.


Das duas uma, ou o acordo quando for oficialmente anunciado desmente o optimismo desbragado do primeiro-ministro, ou Sócrates conseguiu enganar também o FMI.

Seja como for não acredito num plano em que só eu, e os tipos como eu, vamos fazer sacrifícios por termos uma pensão superior a 1500 euros.
Mas daqui a uns meses, quando o dinheiro acabar e tivermos que chamar o FMI outra vez, já o Sócrates ganhou as eleições como salvador da nação.


O povo português corre o risco de enlouquecer tais são as guinadas que a verdade vai sofrendo. Primeiro assustaram-no com o papão do FMI, que traria um verdadeiro cataclismo, agora o Sócrates dá a entender que vamos sair da crise com uma perna às costas. 
Mas se o FMI é tão compreensivo porque é que andámos a pagar juros altos durante tanto tempo em vez de o chamarmos?


O homem é um artista. O discurso dele consegue fazer da falência do país uma coisa de somenos, quase irrelevante. Se o plano de "assistência financeira" for como ele diz, perde-se uma excelente oportunidade para acabar com os vícios que nos têm minado. 
Por este caminho fica tudo como está ao nível do Estado, e da banca, e resolve-se o buraco carregando ainda mais a factura fiscal sobre a classe média. 
Business as usual...


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domingo, abril 17, 2011

Bancarrota (pré)anunciada

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Os ministros Silva Pereira e Teixeira dos Santos pertencem ao mesmo Governo que transformou Portugal num pedinte de mão estendida à solidariedade europeia. Mas enquanto o primeiro se amofina porque a oposição — e, decerto, a maioria dos portugueses — quer conhecer toda a verdade sobre as contas públicas, o segundo diz à Reuters quase tudo o que há para saber: em junho já não haverá dinheiro para satisfazer os compromissos do Estado.
Nesta frase simples e lapidar, Teixeira dos Santos fez todo o balanço que interessa dos governos de José Sócrates — muito diferente do que foi projetado no Congresso de Matosinhos — e, em especial, o do seu próprio trabalho como ministro das Finanças: o pior de sempre, visto que nenhum outro deixou o país numa situação tão miserável.
Ao anunciar a falência, Teixeira dos Santos ajudou os especuladores a ganharem mais uns milhões com os juros da nossa dívida soberana; mas, sobretudo, tornou claro que o Governo iludiu a situação real do país nos últimos meses e que a oposição falhou no seu papel fiscalizador. Não é por fazer 30 perguntas agora, quando sabemos que elas serão respondidas pelos técnicos estrangeiros instalados no Ministério das Finanças, que as oposições e, em particular, o PSD, se redimem do seu rotundo fracasso.
A confissão de Teixeira dos Santos veio confirmar que quando José Sócrates rejubilava com os primeiros dados da execução orçamental de 2011, a bancarrota já estava iminente. E não seria o PEC 4 a impedi-la, dado que as principais medidas que ele consagrava só produziriam efeitos em 2012 e 2013. Ao retardar o pedido de ajuda e ao proclamar, ainda hoje, que Portugal não precisaria dela se não tivesse sido precipitada uma crise política, Sócrates apenas tenta justificar o injustificável.
No ponto em que nos encontramos, o que se exige de todos — do Governo, das oposições e de um Presidente desaparecido em parte incerta — é que tenham a lucidez e a humildade de trabalhar em conjunto, fazendo cada um o que lhe compete. E que nos poupem, todos eles, às pequenas manobras de desresponsabilização, que nos ridicularizam ainda mais no exterior e que ofendem a inteligência dos portugueses.
Fernando Madrinha, Expresso 17.04.2011

Concordo. Palavra por palavra.

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Os estranhos finlandeses



A crise económica finlandesa dos anos 90 foi muito severa. O decréscimo do PIB real entre 90-93 foi cerca de 14 %, quatro vezes superior ao do colapso da Grande Depressão dos anos 30. A taxa de desemprego subiu de 3% em 1990 para quase 20% no início de 1994. A depressão provocou, por vários anos, uma baixa considerável do nível de vida dos finlandeses, conduzindo à falência de empresas e a uma crise bancária de larga escala, tendo por fim criado graves problemas às finanças públicas, pondo mesmo em causa o Estado-Providência finlandês.
Sem ajuda externa a Finlândia adoptou estritos rigores orçamentais baseados em acordos entre as forças políticas e sociais e acabou por sair da crise.

Em 2011 há quem, em Portugal, estranhe a renitência dos finlandeses em aprovar a "ajuda" externa a Portugal. Até houve quem fosse desenterrar um envio de cobertores, feito por Salazar, por anti-comunismo, durante a guerra russo-finlandesa em 1939-40, para reclamar agora a compensação.

Para um finlandês deve ser difícil compreender, e aceitar, a nossa maneira de reagir perante as dificuldades.
Em vez de querermos os sacrifícios necessários à mais rápida saída da crise toda a nossa discussão é acerca de como evitar qualquer sacrifício, como se a crise se esfumasse por milagre.
Os nossos partidos em vez de explicarem a inevitabilidade dos sacrifícios e as recompensas que teremos depois de os fazer, só se preocupam em sacudir a água do capote, insinuando que os sacrifícios são uma cabala, evitável, cuja culpa não lhes cabe.
Especialistas em fugir com o rabo à seringa preparam-se para transformar uma doença aguda, curável se tratada em tempo, numa doença crónica com que teremos que viver até ao fim dos nossos dias.

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sábado, abril 16, 2011

Amigos da onça

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Com amigos destes (na UE) não precisamos de inimigos (FMI), a confirmar-se o conteúdo desta notícia do Expresso.

Depois de tanta diabolização do FMI acabamos por precisar dele para nos defender dos nossos "amigos europeus" que nos querem impor condições ainda mais draconianas.


Sócrates ainda continua a querer convencer-nos de que tinha uma solução europeia para Portugal com o PEC IV. 

É caso para perguntar porque não se aplica então a tal solução milagrosa e porque é que o PEC IV é agora, apenas, o "ponto de partida" para maiores sacrifícios? 
É que entretanto nada de substancial se alterou no plano económico mas todos os dias surgem notícias de rejeição da "ajuda" a Portugal em vários países europeus.


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segunda-feira, abril 11, 2011

É quanto eles cobram



A operação de resgate financeiro a Portugal dará um lucro aproximado de 520 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e de 1060 milhões aos países europeus.
DN 11.04.2011


É quanto eles cobram para arrumar a casa a quem não o sabe ou não o quer fazer.


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domingo, abril 10, 2011

A hora do marketing acabou

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No rescaldo do Congresso do Partido Socialista não posso deixar de manifestar a minha perplexidade.

Um político que na última campanha mentiu com quantos dentes tem na boca, e assim ganhou as eleições, apresenta-se vaporoso e candidato às próximas, como se nada tivesse acontecido.
Um político que acusa todos os outros partidos de só pensarem no seu interesse partidário encenou um congresso onde em vez dos problemas do país foi repetida, até à insanidade, a ideia de que todos os nossos males resultam da rejeição do PEC4 e que toda a responsabilidade pela crise é dos outros partidos.
Um político que sabe ser inevitável uma convergência com os adversários para concretizar a “assistência financeira” que ele próprio pediu, fez um Congresso baseado na hostilização e provocação daqueles com quem vai ter que se entender a curto prazo.
É caso para temer que se trate de mais uma cilada; tal como armadilhou o PEC4 negociando-o sem dar cavaco ao Cavaco (e à AR), pode agora estar a preparar, jogando na radicalização das divergências partidárias, um boicote ao consenso que é imprescindível para a “ajuda a Portugal” pelas instâncias europeias.

De tudo isto concluo que a primeira prioridade do país em Junho, vote como votar, é libertar-se deste golpismo, deste produto inventado pelo marketing político; é que chegou a hora da realidade, em que não é possível disfarçar mais ou fingir de novo.

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sábado, abril 09, 2011

Buraco instantâneo

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