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sexta-feira, novembro 06, 2015

Portugal não é a Grécia, mais uma vez



Portugal não é a Grécia, mais uma vez

TSIPRAS provocou um terramoto político, fez implodir o PS grego e acabou com o arco da governação e com a sua alternância.

CATARINA salvou o PS português do colapso, in extremis, e garantiu a alternância do arco da governação amparando no poder o mais retinto partido dos negócios do regime

sexta-feira, julho 19, 2013

O impossível compromisso a quatro


 
Já se sabia que a "salvação nacional" seria difícil mas ela tornou-se quase impossível quando passou a ter que conciliar o PS-a (de TóZé Seguro) e o PS-b (de Sócrates/Soares).
Seguro queria o compromisso por duas razões:
- Evitar ser transformado no bode expiatório de um segundo resgate
- Fugir da cama que lhe está a ser preparada pelo PS-b antecipando as eleições
Claro que o PS-b está-se nas tintas para a culpabilização que cairá sobre o TóZé, que é carne para canhão, e não vê com bons olhos a antecipação das eleições pois precisa de tempo para encenar a substituição do líder. Por isso não quer qualquer compromisso, e prepara-se para impedir Seguro de o assinar.
Da maneira como as coisas estão a evoluir o TóZé, se não assinar o compromisso, está cercado por todos os lados:
- torna-se um líder a prazo pois toda a gente percebe que não manda nem no seu próprio partido
- vai assistir impotente à posse da remodelação governamental proposta por Passos Coelho
- Vê a sua grande bandeira das "eleições já" totalmente esvaziada até 2015
Cavaco dir-lhe-á para ter paciência pois a AR votou "confiança" ao governo e a esquerda mostrou, quando o PS abortou as conversações com o BE, que não tem uma alternativa de governo.

sexta-feira, maio 24, 2013

Parafraseando Voltaire




PARAFRASEANDO VOLTAIRE

"Eu não sou neo-liberal, nem social-democrata, nem cristão-democrata,

 mas defenderei até a morte o direito de eles serem eleitos, e governarem, 
sem serem levianamente apelidados de traidores, gatunos ou palhaços"

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quinta-feira, abril 11, 2013

Chega a ser caricato


carta enviada ao director do DN por um leitor

terça-feira, janeiro 22, 2013

DEMOCRACIA GOURMET ? será isto verdade ?




DEMOCRACIA GOURMET ?
será isto verdade ?

Perdiz, porco preto alimentado a bolota e lebre, são alguns dos produtos exigidos peloCaderno de Encargos do Concurso Público para fornecer refeições, e explorar as cafetarias do Parlamento.


Das exigências para a confecção das ementas de deputados e funcionários constam ainda pratos com bacalhau

do Atlântico, pombo torcaz e rola, de acordo com o documento a que o CM teve ontem acesso.

O café a fornecer deverá ser de "1ª qualidade" e os candidatos ao concurso têm ainda de oferecer quatro opções de

whisky de 20 anos e oito de licores. No vinho, são exigidas 12 variedades de Verde, e 15 de tintos alentejanos e do Douro.

É também especificado que o mesmo prato não deve ser repetido num prazo de duas semanas.

O Caderno de Encargos do concurso, que termina em Junho, estabelece que a qualidade dos produtos vale 50%, o preço 30% e a manutenção 20%.


Regulamento de Acesso ao Serviço de Refeitório da Assembleia da República

Publicado no Diário da Assembleia da República, II Série C, n.º 15, de 9 de Fevereiro de 2002 com a actualização introduzida pela

Circular de 31 de Março de 2009 do Gabinete da Secretária-Geral da Assembleia da Republica III



Têm acesso aos serviços do refeitório as seguintes pessoas

a) Deputados;

b) Funcionários e agentes parlamentares e funcionários parlamentares aposentados;

c) Pessoal dos Gabinetes do Presidente, Vice-Presidentes, Secretários da Mesa e Secretário-Geral;

d) Pessoal da dotação dos grupos parlamentares;

e) Cônjuges e filhos das pessoas referidas nas alíneas anteriores;

f) Pessoal requisitado e contratado nos serviços da Assembleia da República;

g) Pessoal que presta assessoria de forma transitória nos grupos parlamentares e nas comissões;

h) Convidados das pessoas referidas nas alíneas a) a d), desde que acompanhados destes, com o limite de dois convidados por utente;

i) Membros e funcionários dos órgãos autónomos que funcionem junto da Assembleia da República;

j) Pessoal que presta serviço na residência oficial do Primeiro-Ministro e no Gabinete do membro do Governo responsável pelos assuntos parlamentares, abrangido pelo acordo entre a Assembleia da
República e os serviços sociais da Presidência do Conselho de Ministros;

k) Pessoal da Guarda Nacional Republicana que presta serviço na sala de segurança e no parque de estacionamento subterrâneo e pessoal da Polícia de Segurança Pública que presta serviço na esquadra da Assembleia da República;

l) Pessoal da agência da Caixa Geral de Depósitos e dos CTT;

m) Jornalistas acreditados na Assembleia da República;

n) Outras pessoas expressamente autorizadas pelo Secretário-Geral da Assembleia da República.

VI

Os preços de venda das refeições são fixados anualmente e para o presente ano são os que se

seguem:

1. Funcionários e agentes parlamentares e funcionários parlamentares aposentados, pessoal dos Gabinetes e da dotação dos Grupos Parlamentares e ainda requisitado e contratado que na Assembleia da República preste serviço - 3,80 €;

2. Pessoal da GNR que presta serviço na Sala de Segurança e no parque de estacionamento subterrâneo e pessoal da PSP que presta serviço na esquadra da Assembleia da República - 4,00 €;

3. Deputados e pessoal que presta assessoria transitoriamente aos Grupos Parlamentares - 4,90 €;

4. Filhos dos Deputados e do pessoal referido no n.º 1 que tenham direito ao subsídio familiar, respectivamente - 2,40 € e 2,05 €;

5. Filhos dos Deputados e do pessoal referido no n.º 1 sem direito ao subsídio familiar, respectivamente - 4,90 € e € 4,10 €;

6. Restantes utentes - 6,50 €.

quinta-feira, novembro 29, 2012

Prezadas personalidades




Um grupo de personalidades portuguesas entregou uma carta aberta a pedir a demissão de primeiro-ministro Passos Coelho.
O ex-Presidente da República, Mário Soares, é o primeiro subscritor da carta que é assinada por várias figuras públicas dos mais diversos quadrantes da sociedade.
Além de Mário Soares, subscrevem a carta nomes como Álvaro Siza Vieira, Adelino Maltez, Valter Hugo Mãe, Pilar del Rio, Vítor Ramalho, bem como os deputados socialistas João Galamba, Inês de Medeiros, Pedro Delgado Alves e Pedro Nuno Santos.
O documento, que foi entregue esta quinta-feira ao primeiro-ministro com cópia para Cavaco Silva, exige que Passos Coelho retire, do actual estado em que o país se encontre e depois da aprovação do Orçamento para 2013, “as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o país e os portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências”.
Os signatários da carta consideram que “os eleitores foram intencionalmente defraudados”, uma vez que as medidas previstas no programa eleitoral do PSD e no programa de governo foram excedidas, como reproduz o Orçamento do Estado do próximo ano.
Para os que exigem a demissão de Passos Coelho, o OE 2013 é “iníquo, injusto e socialmente condenável” e traduz uma política “está a fazer caminhar o país para o abismo” e a acabar com “toda e qualquer esperança”.
Jornal "I", 29.11.2012

Prezadas personalidades,
como vivemos em democracia (lembram-se?), o melhor é tratar de preparar uma alternativa de governo capaz de convencer os portugueses, em vez de repetir a lengalenga dos malefícios da austeridade.

Não há cão nem gato que não nos explique aquilo que já todos sabemos, que a austeridade reduz o poder de compra e que isso leva ao fecho de certas empresas e que portanto aumenta o desemprego. Mas cabe perguntar se essas empresas e esses empregos só existiam com base no endividamento galopante do Estado que costumava acontecer.

Qualquer pessoa vê isso. O que é preciso é alguém que apresente uma solução política e de governo que convença os portugueses que, sem endividamento e sem austeridade, garanta os níveis de emprego anteriores à crise (é bom não esquecer que o desemprego aumentou constantemente mesmo antes de a crise se iniciar).

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sexta-feira, setembro 28, 2012

PERGUNTAS DE UM CIDADÃO QUE PENSA




PERGUNTAS DE UM CIDADÃO QUE PENSA

- Se o programa da Troika não resolve então qual é a entidade que nos empresta dinheiro com um programa que funcione ?
- Se o nível de emprego e a actividade económica se baseavam num crescimento do endividamento anual de 10% do PIB como é possível mandar lixar a Troika e manter tudo como estava ?
- Se precisamos de mais tempo para o ajustamento por que é que um ano adicional que nos foi concedido é apenas uma confirmação de que o programa da Troika (e do governo) não funciona ?

- Se os portugueses não aguentam mais impostos e a alternativa do corte da despesa do Estado significa apenas a destruição do SNS e da escola pública como resolvemos o défice ?
- Se a austeridade impede o crescimento por que é que o regabofe despesista dos últimos anos não produziu crescimento ?
- Se este governo não presta e deve ser substituído o que se espera que resulte de novas eleições ?
- Se foram precisamente as eleições que nos deram o governo incompetente que hoje temos será que devemos passar a nomear o governo, durante as manifestações ?





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quinta-feira, setembro 06, 2012

O Estado é o Relvas


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Muitas discussões actuais estão contaminadas por uma concepção mítica do Estado, como grande fautor de justiça social e garante do interesse colectivo. Este Estado utópico não existe e nunca existirá.

Em vez disso, o que existe num estado democrático é uma rotatividade do pessoal dirigente sucedendo-se as mais variadas concepções sobre a melhor forma de prosseguir o bem comum. Por seu lado o funcionalismo, que executa um número cada vez maior de incumbências do Estado, é apenas um enorme grupo de pessoas com as suas qualidades e defeitos, abnegações e vícios.
Portanto, em cada momento, o Estado e as suas instituições não têm nada de transcendente. São simplesmente um grande colectivo de pessoas concretas que têm poderes e competências concretas.

Quando se exige, por exemplo, a existência de um “serviço público de televisão” na esfera do Estado, e para isso se invectiva o ministro Relvas, é bom não esquecer que o Estado é o Relvas e todos os outros Relvas que por lá andam.

O Estado já não é só o que a teoria de esquerda tradicional dizia: a institucionalização da exploração e a forma “civilizada” de a perpetuar. Agora, em concorrência com os grandes poderes económicos, sentam-se à mesa do Estado corporações e federações de interesses com capacidade para condicionar os resultados eleitorais.

Presos nesta teia, os que ainda se reclamam do marxismo, em vez de se proporem destruir o Estado para abrir caminho a uma nova sociedade, limitam-se a parasitar a influência de certas castas burocráticas e a defender a extensão, até ao absurdo, do papel do Estado na sociedade.

Nesta conformidade cada grupo propõe o emagrecimento do Estado onde lhe convém (impostos, burocracia, controle policial, etc) e o engordamento do mesmo Estado quando disso pode beneficiar (empregos, subsídios, investimentos, etc).

O Estado não é, ao contrário do que diz a lenda, uma entidade superior, depositária dos valores e visionária dos caminhos, em que os cidadãos todos se fundem e confiam. É antes a alavanca que cada grupo e capelinha procura usar para alcançar o próprio proveito (material ou ideológico).

domingo, julho 29, 2012

GOVERNAR POR ALMA DE QUEM?



Costumo concordar com aquilo que António Guerreiro escreve. Tal não acontece desta vez.
A interessante questão que o seu texto levanta é a seguinte: em que base se deve nortear a acção de um governante entre o momento da votação que o elegeu e o momento da votação que no futuro julgará o seu trabalho durante o mandato?
Os mais apressados dirão, é claro, que se deve nortear pela vontade popular. O problema está em determinar qual é essa vontade.
Todos sabemos que hoje, na rua e nos jornais, há uma multidão de opiniões manifestadas por indivíduos, grupos de pressão e instituições mas elas, em muitos casos, parecem reflectir apenas interesses particulares.
Quem leia tudo o que se diz pode evidentemente formar uma opinião sobre o que será a vontade colectiva da maioria. Os governantes podem fazer outro tanto, mas será sempre uma opinião subjectiva que só as próximas eleições eventualmente confirmarão.
Deverá então a acção governativa depender dessa falível premissa ?
A única coisa sobre a qual há certeza é quem foi escolhido pela maioria para governar durante um certo período. Mas no acto de votar não podem ser previstas todas as peripécias do mundo e, portanto, o mandato é por natureza um cheque em branco contrabalançado pelos mecanismos que constitucionalmente balizam a acção do governo.
Ora se quem vota se limita a entregar um mandato geral e se, posteriormente, antes de nova eleição, é impossível conhecer com rigor o que pensam os cidadãos da acção dos governantes, então em que bases deve nortear-se o governo das nações?
Em minha opinião qualquer governo em funções, com base na legitimidade constitucional, só pode reger-se por aquilo que ele próprio considera ser o interesse mais geral do país.
Realmente o país é muito mais do que a opinião conjuntural dos residentes no território num dado momento eleitoral. O país tem uma história, uma trajectoria cultural, e inclui também muitos dos cidadãos portugueses emigrados que pouco ou nada participam no processo eleitoral.
Por tudo isto os residentes no território num dado momento eleitoral, enquanto grande colectivo, têm apenas o poder constitucional de escolher quem vai governar na legislatura seguinte. Durante a legislatura, e enquanto um determinado governo continuar legítimamente em funções, resta a cada pessoa ou grupo manifestar opiniões parcelares.
Aquilo que Passsos Coelho disse pode, portanto, ser criticado se se pensar que se trata de demagogia e que ele não tem a intenção de fazer o que proclamou.

terça-feira, junho 12, 2012

Respeitar a vontade dos povos...


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DN 12.06.2012


Respeitar a vontade dos povos...

Há por aí umas almas caridosas que se excitam imenso quando há eleições na Grécia e clamam para que se respeite a vontade dos povos.
O que ninguém explica é como respeitar ao mesmo tempo a vontade do povo grego e a vontade do povo alemão.


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domingo, maio 27, 2012

A SYRIZA em cima do Bolo



Esta descrição, publicada no Expresso de ontem, da inenarrável fragmentação da esquerda grega, já de si um sinal de desorientação e de irresponsabilidade, transforma uma hipotética vitória do Syriza num pesadelo.
Só um ingénuo, ou um fanático, pode acreditar sinceramente que tal amálgama consiga formar um governo, quanto mais mantê-lo operacional e consequente.
Por isso, os sinais que nos vêm da Grécia não são prenuncio do aprofundamento da democracia mas sim ameaças à sua sobrevivência.

quinta-feira, maio 10, 2012

Dispersão perigosa


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Na Grécia votaram cerca de 61.5% (a abstenção foi 38.5%) dos eleitores potenciais e o maior partido teve cerca de19% dos votos. Isto significa que o maior partido foi escolhido por menos de 12 dos gregos com direito a votar.
A tão incensada subida da esquerda, que obteve cerca de 17% dos votos corresponde, pela mesma ordem de ideias, a pouco mais de 10% dos cidadãos eleitores.
Os nove partidos mais votados nas eleições gregas foram votados por apenas 53% dos eleitores. Se isto não é disparate pegado, e uma irresponsabilidade, então não sei o que seja.
Claro que cá também temos o problema da abstenção e do seu efeito na representatividade, mas a questão não se coloca de forma tão dramática pois os vencedores nunca têm menos de 20% dos votos expressos. Para mim o essencial é a incrível dispersão dos votos, como se aquela gente estivesse num processo centrífugo que me parece assustador.
Ao contrário de alguma esquerda, que deita foguetes, eu acho que estes resultados na Grécia têm um grande potencial destruidor e de prólogo às aventuras ditatoriais.
Quando o direito de escolher e a liberdade de divergir se convertem, pelo menos aparentemente, num risco para a vida colectiva aparece logo alguém a defender que se acabe com esse direito e se limite essa liberdade.
Como a história mostra, tal tipo de teses, especialmente quando as pessoas sofrem dificuldades económicas, pode obter um sucesso fulminante.



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quarta-feira, maio 09, 2012

O senhor que se segue

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Na Grécia o Presidente Carolos Papoulias (??) vai nomeando partido atrás de partido para formar governo, num processo kafkiano que o desgraçado povo grego vai pagar com língua de palmo. 
Eu vi a reportagem, do dia das eleições, em que cada votante pegava em 26 papéis (um de cada partido) para depois escolher só um e metê-lo na urna. Percebi logo que, com um sistema tão abstrusio, havia uma alta probabilidade de os resultados serem como são. 
Se, por absurdo, o senhor Venizelos conseguisse formar governo acabava por ser o leader do partido que mais votos perdeu a converter-se em primeiro ministro.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Maçonaria e "barrigas de aluguer"







Maçonaria e "barrigas de aluguer" são dois temas que têm estado na actualidade dos últimos dias e que acabam por ter a ver um com o outro.
De certa forma a Maçonaria é um partido, que não se revela nem sujeita aos votos, mas que realiza os seus fins através de outros partidos que funcionam como "barrigas de aluguer".
A questão não é portanto de saber se os maçons, enquanto cidadãos, têm o direito de intervir políticamente mas sim se respeitam o princípio da não filiação simultânea em mais do que um partido.
Uma organização como a Maçonaria, detentora de uma ideologia, de uma concepção do mundo (que se propõe transformar por meios políticos), de uma militância e de uma liturgia, em que é que se distingue de um partido?
Por que é que esse "partido" não enuncia públicamente os seus fins e objectivos e não pede ao povo que vote neles em vez de parasitar outras organizações para o efeito?

sábado, dezembro 03, 2011

HABEMUS PAPAM

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Hoje fui ver o último filme de Nanni Moretti que, ao contrário do que consta, não é um filme sobre a igreja ou sobre o papa.
O filme deve ser visto em contraponto a "Palombella Rossa", de 1989, que ao contrário do que parecia não era sobre o Partido Comunista italiano. "Palombella Rossa" tratava do que fica de nós, como indivíduos, quando desaparecem os laços que nos ligam aos clubes, igrejas e partidos.Perguntava se é possível intervir socialmente sem ceder ao clubismo e ao fanatismo.
"Habemus Papam", pelo contrário, trata da fragilidade das nossas instituições quando falha o factor humano que devia suportá-las. A cena da eleição "democrática" do papa, que ninguém quer vencer, dá a chave para todo o filme.
Quando o papa, recém eleito, anuncia a sua renuncia e nos volta as costas, Nanni Moretti devolve-nos ao nosso mundo de crise e decadência, sem uma liderança que se assuma para nos sossegar.


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segunda-feira, outubro 10, 2011

O barrete continua



As eleições de 2011 na Madeira mostraram, entre outras coisas, a total inépcia da esquerda para lidar com o "fenómeno". Os resultados do PS, PCP e do BE são um descalabro apesar de alguma demagogia com que tentaram disfarçar a responsabilidade dos madeirenses na perpetuação do "fenómeno".
Têm que enfiar a carapuça.

quinta-feira, abril 14, 2011

A democracia inconveniente




Comecemos em 2009 embora o problema já venha de trás:

- Sócrates enviou sinais totalmente errados sobre a crise quando aumentou os funcionários públicos e anunciou várias obras faraónicas durante a campanha eleitoral das últimas legislativas. Porquê? Porque queria ganhar as eleições.

- Cavaco não devia ter dado posse a um governo que todos os partidos, excepto o PS, detestavam.  O PS tinha ganho com base num logro e um governo minoritário era, sem dúvida, a pior solução neste momento difícil. Não o fez porquê? Porque queria evitar confusões antes de ganhar as eleições presidenciais.

- Passos Coelho não devia ter andado a pactuar com um governo em que não acredita, aprovando os sucessivos PECs com que foram sendo alimentadas as ilusões dos portugueses. Não o fez porquê? Porque sabia que a nova direcção do PSD ainda não estava preparada para ganhar as eleições se o governo fosse derrubado.

- Sócrates não podia, e não devia, ter ido para Bruxelas negociar um novo PEC sem passar cavaco ao Cavaco e provocando toda a oposição com uma chantagem. Fê-lo porquê? Porque percebeu que a ajuda externa era inevitável e que a vitimização era a melhor forma de tentar ganhar as próximas eleições.

A democracia, praticada desta forma, parece estar a tornar-se um impecilho à boa governação do país.
As consequências não são difíceis de imaginar.

sábado, fevereiro 12, 2011

Em suma, estamos lixados


A moção de censura do BE, se for rejeitada como tudo leva a crer, constituirá um brinde magnífico para José Sócrates.

Com a sua inegável prosápia, na sequência de uma censura abortada ao governo, voltará a maravilhar os portugueses com a habitual panóplia de sucessos imaginários para perpetuar a colonização do Estado pelos incontáveis boys.
Se os alemães se resignarem a abrir os cordões à bolsa lá virá de novo o fascínio saloio pelas tecnologias, mais uma girândola de renováveis e mesmo novas miragens de obras faraónicas. O Estado Social a crédito pode até vir a render, como sempre tem rendido, um resultado eleitoral geitoso.

À esquerda, o PCP e o BE, incapazes de se reinventar, continuarão a remoer os sonhos inconfessados do capitalismo de estado, disfarçado com o activismo sindical, num caso, e com as propostas fracturantes, no outro.

À direita, o PSD e o CDS, reféns dos velhos poderes económicos, tergiversarão sobre o liberalismo económico. Uma aventura que a população, anestesiada com o biberom dos subsídios e do paternalismo estatal, hesita em aceitar. Mesmo com a expectativa de uma maioria absoluta no parlamento a direita sabe que soçobrará na rua qualquer veleidade de transformação.  

Em suma, estamos lixados.

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quinta-feira, janeiro 20, 2011

Um triste balanço da campanha




A campanha para as presidenciais vai chegar ao fim.
Em hora de balanço só me ocorre uma palavra: deplorável.
A esquerda demonstrou a sua inépcia escolhendo um candidato (e um conjunto de acólitos) sem qualquer hipótese de vencer.
Em vez de se penitenciar pela sua incompetência, ao pressentir a derrota eminente, optou por uma política de terra queimada. Mesmo sabendo que com grande probabilidade tal política está condenada à derrota. Sem perceber que centrando a sua acção na denúncia de casos desenterrados do passado mais não fazia do que confirmar a sua própria impotência política.
Quando, através de perguntas engenhosas se pretendeu insinuar que o actual Presidente da República é um corrupto, se não mesmo um gatuno, era a própria democracia que se estava a corroer.
Cavaco, goste-se ou não da personagem e do político, não é uma pessoa qualquer; por mais de uma vez o povo português deu-lhe acima de 50% dos votos. É também essa escolha do eleitorado que se veio agora, com fracas provas, verberar e pôr em causa.
Mas acontece que os portugueses conhecem, de experiência vivida, o que é ter Cavaco como Primeiro-ministro (10 anos) e como Presidente (5 anos). Dificilmente se convencerão de que a sua experiência não vale nada só porque alguém avança coincidências e insinuações.
Quem assumirá a responsabilidade por esta degradação do mais alto cargo do Estado quando, no dia 24, se iniciar mais um mandato de cinco anos do actual Presidente?
Continuamos, infelizmente, a constatar a degradação dos partidos e a inexistência de uma alternativa política de esquerda que os portugueses possam levar a sério.
Temos uma esquerda retórica e sem rumo ressuscitando, quando acossada como agora, os piores tiques do esquerdismo irresponsável que tanto mal fez à Revolução de Abril.
Este é o caminho que pode levar à destruição da nossa democracia.
Nenhum objectivo partidário, por mais convicto que seja, pode justificar tal destruição.

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segunda-feira, janeiro 10, 2011

Democracias com vergonha na cara

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O antigo deputado Trabalhista David Chaytor foi hoje condenado a 18 meses de prisão por ter reclamado o reembolso de despesas falsas no valor de 22 mil euros.
O antigo político, de 61 anos, torna-se assim no primeiro político a ser condenado na sequência do escândalo das despesas dos deputados que surgiu em maio de 2009. A sentença foi hoje anunciada no tribunal de Southwark, em Londres, por um juiz, que considerou os actos do político "um desrespeito da confiança" atribuída pelos eleitores.
Chaytor já se tinha declarado culpado de três acusações de contabilidade falsa, no valor de 18. 350 libras (22 mil euros). Uma das acusações refere-se às despesas de 5425 libras (6,45 mil euros) que teria feito entre Setembro de 2007 e Janeiro de 2008 pelo arrendamento de uma casa que se descobriu mais tarde ser propriedade da mãe.
O ex-deputado acabou por confessar que não tinha pago à mãe, que vivia numa casa de repouso e entretanto morreu, e reconheceu que arrendar uma casa de um familiar não era permitido. David Chaytor também reclamou de forma irregular quase 13 mil euros (15,4 mil euros) pelo arrendamento de um apartamento perto do Parlamento, em Westminster, que afinal era propriedade dele. Finalmente, reclamou 1950 libras (2,3 mil euros) com faturas falsas por serviços de apoio informático que nunca chegou a receber.

O escândalo rebentou no Verão de 2009, quando o jornal "Daily Telegraph" teve acesso a um CD onde estavam listadas todas as despesas dos deputados com a segunda residência, aquela que usam no exercício das suas funções, seja em Londres ou no círculo pelo qual foram eleitos. Os deputados podiam pedir o reembolso por despesas directamente relacionadas com trabalho político, mas soube-se então que o Parlamento pagava frequentemente trabalhos de jardinagem e decoração, mobílias cara e outras extravagâncias.
Alguns deputados venderam com lucro casas que recuperaram com dinheiros públicos e as investigações concluíram que seis parlamentares cometeram ilícitos criminais. Chaytor, entretanto expulso do Labour, tornou-se o primeiro a ser condenado.
Extractos das notícias do DN e do Público

Felizmente há democracias em que basta pouco mais de um ano para se punir quem, apesar de ocupar cargos políticos de relevo, deita indevidamente a mão a recursos que pertencem a todos os cidadãos. Felizmente há partidos e parlamentos que, em prazo ainda mais curto, expulsam tal tipo de prevaricadores.

Infelizmente há outras democracias em que este tipo de desfecho, mesmo ao fim de muitos anos, nunca acontecerá (e nunca aconteceu). Basta lembrar, a título de exemplo, o famoso caso das viagens dos deputados que, como todos os outros, se esvaiu e acabou por eclipsar.

Nestas democracias, quando alguém levanta questões sobre eventuais falcatruas é apenas para animar campanhas eleitorais descrentes da vitória.
Não lhes passa pela cabeça, deus nos livre, punir seja quem for.
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