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sexta-feira, julho 05, 2019

terça-feira, setembro 04, 2018

terça-feira, agosto 01, 2017

Uma porta vulgar


Uma porta vulgar
Hoje fui à Feira da Ladra e passei pela rua da Verónica.
De repente lembrei-me desta porta onde, no princípio dos anos 70, tive alguns encontros clandestinos.
Levava até lá um mala pesadíssima, cheia de papéis proibidos pelo salazarismo, e esperava 5 minutos por alguém que devia declinar a senha combinada e receber o material.
Aconteceu-me algumas vezes a coisa falhar e eu ter que trazer de volta o pesadelo da mala até ao carro e, de novo, para casa.
Alguns jovens turistas mostraram-se surpreendidos por me ver fotografar uma coisa tão desinteressante.

sexta-feira, novembro 25, 2016

Documento delicioso

Documento delicioso
Trata-se de um relatório, feito por "agentes fiscais", que descreve o famoso "Primeiro Encontro da Canção Portuguesa" que teve lugar no Coliseu a 29 de Março de 1974. A preocupação parecia ser a de verificar se os artistas cantavam algo que não tivesse sido aprovado pela censura.
Eu, como milhares de outros portugueses, estive no Coliseu nesta noite fantástica que, sem dúvida, prenunciava a Revolução de Abril.







quinta-feira, julho 02, 2015




Por causa desta notícia

lembrei-me disto que publiquei na Vértice em Abril de 1971, depois de vir da Guiné

quarta-feira, junho 03, 2015

A mãe




Uma foto da minha mãe, há muitos anos, de que gosto bastante
eu apareço reflectido do vidro da janela

segunda-feira, maio 04, 2015

1970, Luanda




acabada a comissão na Guiné mandaram-me regressar a casa, num petroleiro, via Luanda!!!
Há dois anos que não via Lisboa.
Foi muito penoso ter a sensação de me afastar quando ansiava por regressar.
Estava quase a fazer 25 anos

sexta-feira, abril 18, 2014

18 de Abril de 1974

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Há exactamente 40 anos, a 18 de Abril de 1974, por esta hora, fui preso pela Pide. 
Quando saía de casa para o emprego, na praceta adjacente, fui interceptado por cinco ou seis homens que me forçaram a subir de novo ao terceiro andar.
Obrigaram-nos a sentar, a mim e à minha mulher, enquanto passavam a casa a pente fino perante o espanto do meu filho Mário, de três anos. Encontraram vários livros, tanto romances como ensaios, que consideraram suspeitos e que apreenderam. Também apreenderam algumas fotografias de índole pessoal.
Numa incompetência que então me pareceu miraculosa manipularam e acabaram por deixar intacto um enorme pacote, amarrado com uma corda, que continha centenas de Avantes.
Depois disso ordenaram-me que os acompanhasse para me fazerem algumas perguntas.
Uma hora depois tive a horrível experiência de ouvir a chave da cela a rodar metálicamente nas minhas costas. Contara sem dar por isso, uma a uma, todas as portas que se tinham fechado desde que entrara em Caxias.
À tarde a minha mulher, que deixara o nosso filho com os avós, foi à António Maria Cardoso perguntar por mim e levaram-na também para uma cela em Caxias.

quinta-feira, abril 17, 2014

A instrumentalização dos Capitães de Abril



A instrumentalização dos Capitães de Abril
Desde o primeiro dia, desde o próprio 25 de Abril e da acção revolucionária dos "capitães", começaram as tentativas de instrumentalizar os militares para os pôr ao serviço de várias ideologias. Tanto durante o PREC como no 25 de Novembro, e depois já na fase de "normalização" democrática.
A forma mais comum que essas tentativas apresentam é a do elogio desmesurado e da absolutização.
Como a apropriação da "pureza" do 25 de Abril continua nos nossos dias, podemos assistir a coisas repugnantes como o último escrito de Mário Soares na Visão, publicado hoje.
Na linha do que se está a tornar lugar comum, Mário Soares atreve-se a atribuir, em exclusivo, aos "capitães de Abril" a autoria da nossa libertação.
Como se, por absurdo, tudo se resumisse a um acto insurrecional dos miltares, sem passado e sem antecedentes.
Mas a verdade é que antes dos "capitães" houve gerações de militantes comunistas, e não só, que dedicaram as suas vidas a combater o fascismo. Com sacrifícios enormes, por vezes dando a sua vida ou comprometendo o direito a uma vida normal.
Sem esses abnegados lutadores não teria havido 25 de Abril nenhum.
Primeiro porque o regime não teria atingido a decadência em que se encontrava e segundo porque os militares de Abril não teriam dentro das suas cabeças as ideias que lhes permitiram fazê-lo (uma boa parte moveu-se aliás por razões corporativas e profissionais).
Mas o mais importante é perceber que o simples acto militar não teria assustado o regime se, desde o primeiro minuto, o povo não tivesse saído para a rua demonstrando a sua adesão e desencorajando qualquer tentativa de resposta contrária.
Essa onda popular contra o fascismo não surgiu de geração espontânea, custou muitas vidas ao longo de décadas.
Os "capitães de Abril", que eu também respeito e admiro, foram apenas a ponta fulminante de um enorme iceberg. E isso não os diminui, pelo contrário.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Memórias do S. Gabriel

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Quando acabou a comissão na Guiné o meu destacamento de Fuzileiros regressou "à metrópole" neste navio S. Gabriel.
Mas não veio directamente. Primeiro fomos a Luanda encher o casco de petróleo. Chegámos a Lisboa em Março de 1970.
Nas imagens pode ver-se:
1 - um postal ilustrado
2 - fundeados em Luanda
3 - a navegar. pode ver-se no centro a caixa de lona que servia de piscina
4 - à saída de Luanda apanhámos mar pela proa

segunda-feira, junho 17, 2013

MEMÓRIAS

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sábado, setembro 29, 2012

Há 37 anos

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quinta-feira, setembro 27, 2012

37 Anos Depois








37 Aanos depois e também no fim de Setembro.

Esperemos que Novembro não se repita igualmente.
(mensagem codificada para aqueles que já eram crescidinhos em 1975)

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terça-feira, setembro 18, 2012

O PREC no Facebook

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A manifestação à porta do Conselho de Estado faz lembrar, aos que têm idade para isso, os saudosos tempos do PREC. Ora veja aqui como foi animado o Setembro de 1975.
http://abril-de-novo.blogspot.pt/2009_09_01_archive.html

É por isso que anda no ar um cheirinho a déjà vu

sexta-feira, abril 06, 2012

Os fuzileiros abriram as portas de Caxias

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O Expresso, na Revista que hoje dedica à década 1973/1982, publica uma foto muito curiosa.
À direita pode ver-se o comandante Xavier, já falecido, que foi meu instrutor em Vale de Zebro e companheiro de armas na Guiné.
Foi ele, com o seu ar abrutalhado (tinha para aí um metro e noventa e era de ombros e rosto quadrado), que abriu as portas das celas e, em certos casos, fez temer tratar-se de um golpe de direita.
Na foto ele fala aos presos, no pátio da prisão, enquanto se esperava a ordem do Conselho da Revolução para libertar mesmo aqueles que eram acusados de "crimes de sangue".
Como a ordem nunca mais chegava ele teve que mandar recolher provisóriamente os presos aos corredores das respectivas celas, o que não foi bem recebido como se compreenderá.
Como ele me conhecia dos fuzos até me pediu, na circunstância, que o ajudasse a acalmar as hostes.



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quinta-feira, junho 16, 2011

Quem Vai à Guerra



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Um belíssimo filme sobre o sacrifício de uma geração.
E também o registo de algumas das minhas memórias pessoais.

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terça-feira, novembro 23, 2010

Joaquim Gomes

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O Joaquim Gomes foi a enterrar no Domingo passado.
Esta notícia triste fez-me recordar os meus vinte e tal anos quando o conheci.
Eu tinha vindo da Guiné e retomara a minha actividade partidária no princípio dos anos setenta, antes da Revolução.
A primeira vez que nos encontrámos, em Campo de Ourique, depois dos complicados protocolos a que obrigava a clandestinidade, pareceu-me um calmo contabilista por causa do seu trajar convencional e austero.
Essa nossa reunião, de curta duração, decorreu enquanto caminhávamos pelas ruas daquele bairro tão característico de Lisboa.
Depois disso passámos a reunir em minha casa, nas Linhas de Torres, onde por vezes pernoitava. Longos serões de informação política e distribuição de tarefas.
Ele estava então na maturidade dos seus cinquenta e tratava-nos com afabilidade, demonstrando compreensão pelo nosso estatuto de quadros bem remunerados numa empresa multinacional.
Pela natureza das coisas eu não fazia ideia nenhuma de quem ele era nem da sua importância na estrutura do Partido.
Só depois do 25 de Abril, através dos jornais, soube o seu nome.

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segunda-feira, novembro 23, 2009

USA 1974


Passei o mês de Agosto de 1974 nos Estados Unidos. Percorri a costa Leste desde Cape Cod, na zona de Boston, até Orlando na Flórida.
Pode ver AQUI uma parte das imagens recolhidas durante essa viagem.
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sábado, abril 18, 2009

O estranho sabor da Liberdade


Há exactamente 35 anos, num dia anónimo como hoje, começou o meu 25 de Abril. Meia dúzia de pides conduziram-me a Caxias de onde só saí depois da Revolução, para uma Liberdade que mal sabia imaginar.
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segunda-feira, fevereiro 16, 2009

MILK



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O filme "Milk" de Gus Van Sant conta a história de Harvey Milk (Sean Penn ), um homossexual que resolve "entrar na política" para defender os direitos civis dos marginalizados.
A acção decorre na cidade de S. Francisco, em especial no bairro Castro, na mesma época em que nós vivíamos o nosso PREC, em meados dos anos 70.
As razões de Harvey Milk, em resposta a prepotências e preconceitos inadmissíveis, não oferecem qualquer dúvida. É também notável a extensão da sua vitória, com a eleição para o San Francisco Board of Supervisors, embora ocorra numa cidade muito especial dada a anormal concentração de homossexuais que nessa altura se verificou. Mas os limites de tal experiência estão bem patentes no facto de, 30 anos depois, o "casamento gay" ter sido rejeitado em referendo na Califórnia.
Eu, como mero espectador, pese embora a excelente criação de Sean Penn, confesso que esperava mais do que esta mera homenagem a um homem e à sua luta. Um objecto que sem dúvida alimentará solidariedades e animará esperanças.
Mas os homossexuais surgem no filme como se a sua "orientação" sexual fosse uma espécie de forma de vida. Tem-se a sensação de que, com ou sem discriminações, essa forma de vida está longe de garantir que se fica gay.
Os episódios que nos são mostrados revelam também uma faceta que não é muito popular; um certo espírito de seita cuja força é levada até aos "corredores do poder".
Não aprendemos muito sobre a natureza dos caminhos que levam às várias formas de homossexualidade.
Por isso tenho muitas dúvidas de que os espectadores deste filme saiam com uma maior compreensão deste fenómeno, que continua a ser geralmente tratado de forma irracional, e mais preparados para lidar com esta "diferença" que insistem em nos fazer crer que não existe.
Essa transformação não há lei, nem exercícios clubistas tipo "Prós e Contras", que a consigam.
Ficamos portanto à espera de um filme genial que nos ensine, comova e desarme os preconceitos.
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