quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Reformas por onde e quem começar ?

Reformas por onde e quem começar ?
"A nossa vontade reformista está prisioneira de uma certa 'forma de vida'"

por Miguel Poiares Maduro in DN



Em Portugal estamos todos de acordo são necessárias reformas. Não sei até porque se fala tanto de pactos. Uma vez que todos parecem estar de acordo, não é necessário pactuar nada. Dos senadores aos políticos no activo, dos taxistas aos professores, este país está embalado de uma enorme vontade reformista.

Não esperem reformas no entanto. No que concerne às reformas, somos um pouco como aquele grupo de "acção" que no filme dos Monty Python A Vida de Brian planeava libertar Brian ( "representando" a figura de Cristo)

"- Temos de o libertar.

- Sim, não podemos esperar mais, tem de ser agora.

- É isso mesmo, temos de agir.

- Basta de conversa e vamos libertá-lo.

- Sim, temos de passar das palavras aos actos.

- É isso mesmo, vamos agir."

E assim continuavam infinitamente sem darem um passo e com Brian a apodrecer na cadeia.






Mas se estamos todos de acordo quanto à necessidade de mudar, o que impede a reforma em Portugal? Simples as reformas trazem custos e benefícios e mesmo que os benefícios sejam superiores aos custos, estes tendem a ser concentrados e facilmente perfectíveis pelos seus destinatários, enquanto os benefícios são difusos e dilatados no tempo. Enquanto os custos têm frequentemente uma "identidade" que mobiliza quem os sofre, os benefícios das reformas são anónimos (ou pela sua projecção no futuro ou porque não se sabe quem os virá a merecer). Logo, as reformas mobilizam muito mais facilmente contestação do que apoios.

Há alguns aspectos-chave para entender a dificuldade de um projecto reformista. O primeiro tem a ver com aquilo que um Nobel da Economia (Douglas North) designou de path dependence (dependência histórica). Num sentido amplo, este conceito ilustra como qualquer instituição social fica depen- dente da sua história. Num sentido mais simples, corresponde à nossa conhecida frase de que "as coisas são assim porque sempre assim foram". Esta frase não é apenas produto da preguiça. Pelo contrário, ela reflecte os custos envolvidos em qualquer mudança, mesmo uma mudança para muito melhor. Um exemplo há muito que se sabe que os teclados que usamos não são os melhores para permitir uma escrita mais rápida e saudável. Acontece que os teclados surgiram com as máquinas de escrever mecânicas e que a sua concepção técnica não permitia outro teclado. Hoje, tal seria possível. Só que a nossa dependência do teclado clássico (a que todos estamos historicamente habituados) dissuade qualquer mudança para um teclado mais eficiente.

Estes custos de transição associados a qualquer reforma não são insignificantes. Além disso, eles podem ter um impacto redistributivo capaz de mobilizar enorme oposição. Nalguns casos, essa redistribuição é perfeitamente justa mas não deixa de ser difícil de implementar. Imaginemos que a nossa sociedade deixa de ser organizada de acordo com aquilo que já designei, nestas páginas, de princípio da fidelidade (recompensa pela fidelidade ao grupo, ao chefe, aos amigos) para passar a ser organizada com base no mérito. É obvio que isto iria premiar os melhores e penalizar os piores uma redistribuição justa. Acontece que os piores facilmente compreenderiam os riscos que correm e opor-se-ão. Quanto aos melhores, decorre da própria política de mérito a incerteza quanto aos que por ela serão premiados. Logo, uma reforma deste tipo sofre de uma assimetria clara entre os custos e benefícios de um lado e aqueles que deles têm consciência do outro. Consequência: embora os benefícios sejam superiores aos custos, a contestação será superior aos apoios. Há aqui, igualmente, um primeiro paradoxo: quanto mais profundo seja este problema e a necessidade de reforma, maior será esta assimetria e logo mais difícil a reforma.

Noutros casos, os custos de transição inerentes a uma reforma podem ter um impacto redistributivo negativo que exigiria medidas de compensação que garantissem uma efectiva justiça distributiva. Um exemplo pode ser retirado da globalização e liberalização do comércio. O consenso entre os economistas sobre as vantagens de tal liberalização não é seguramente produto de uma qualquer conspiração entre eles para dominarem o mundo (seria interessante dissertar sobre a razão pela qual a análise económica ganhou uma caracterização marcadamente pejorativa). Independentemente das contrapartidas resultantes da abertura de outros mercados aos nossos produtos e por muito anti-intuitivo que tal pareça, a simples sujeição dos nossos produtos à concorrência externa aumenta potencialmente a nossa riqueza! Imaginemos que em Portugal se produz um certo bem mais caro que noutro Estado com que vamos agora ter de concorrer. A consequência para a nossa economia não se limita ao facto de as empresas portuguesas que produzem esse bem terem de fechar. Há contrapartidas que se traduzem num aumento da riqueza nacional.

Em primeiro lugar, os consumidores portugueses vão pagar menos pelo mesmo (ou melhor) produto, ficando dessa forma com mais dinheiro para consumir ou investir noutros bens. Em segundo lugar, o dinheiro que era utilizado na pro- dução ineficiente daquele produto pode agora ser investido na produção de outros bens ou serviços que, por exemplo, não se baseiem tanto em mão-de-obra barata. A lógica é simples ao comprarmos um bem mais barato ficamos com mais dinheiro para comprar outros bens e investir. O problema é que a passagem de um estado económico ao outro não é inócua. Ela tem custos de transição com potenciais impactos redistributivos significativos: aqueles que perdem o emprego com o fim de uma certa produção não são necessariamente os mesmos que vão ganhar com produtos mais baratos ou empregos em novos sectores de actividade. O paradoxo da liberalização do comércio é que, embora ela seja não apenas inevitável mas, igualmente, desejável (não só pelas vantagens que nos traz mas também para promover um desenvolvimento global mais solidário), ela exige, ao mesmo tempo, um reforço dos instrumentos de justiça distributiva. Embora o País enriqueça, há portugueses que podem empobrecer. Acontece que são precisamente aqueles com menos meios que tendem a ser mais afectados por estes custos de transição. Numa sociedade como a nossa, em que os critérios de justiça distributiva ainda são pouco credíveis, é natural que este tipo de reforma suscite oposição.

Este último exemplo permite perceber o último grande obstáculo às reformas em Portugal um problema de acção colectiva. Por onde (ou por quem) se começa? Muitos aceitam a necessidade de reformas mas todos temem que, começando por eles, tais reformas se transformem apenas numa forma de transferir o seu relativo bem-estar para os outros. Esta é a justificação clássica que qualquer português dá para procurar fugir aos impostos, ao mesmo tempo que contesta a evasão fiscal generalizada. É isto que leva, igualmente, a uma imediata contestação de qualquer primeiro passo, no sentido de reformar algum aspecto do sistema fiscal (porquê começar por mim?). A falta de legitimidade global do sistema fiscal leva a contestar qualquer reforma parcial, da mesma forma que a falta de credibilidade dos nossos instrumentos de justiça distributiva leva a contestar qualquer iniciativa de liberalização económica.

As reformas em Portugal dificilmente se farão de forma endógena. Os portugueses querem reformas mas não estão dispostos a passar por um processo de reforma. Estamos demasiados habituados a certos processos de vida para correr o risco de mudar. Há demasiados interesses constituídos que sabem bem os custos da mudança e poucos são aqueles que têm a percepção dos seus potenciais benefícios. A nossa vontade reformista está prisioneira de "certa forma de vida" e de um problema de acção colectiva.

Só através de estímulos externos é que nos reformámos e penso que assim vai continuar a ser. Integração europeia e globalização vão ser os factores exógenos em que vai assentar a energia reformista. Há dias, Rui Ramos defendia que seria possível promover reformas através do nosso sistema político num contexto de efectiva estabilidade política. Só que, como ele reconhecia, tal pressupõe uma atitude cívica que aceite como legítimas reformas que contestamos. Acontece que, em Portugal, o direito à indignação confunde-se com o direito à revolução a oposição a uma determinada política transforma-se facilmente numa oposição ao regime (com cortes de estradas, etc.).

É neste contexto que se compreendem os apelos ao pacto de regime. Consistiria em retirar certas questões do discurso político corrente instituindo uma forma de autodisciplina de todos os actores políticos e sociais. Pessoalmente, penso que este tipo de autodisciplina tem o seu mecanismo próprio numa sociedade democrática é a Constituição. É nela que podemos e devemos concentrar o nosso esforço na procura de combater as assimetrias democráticas identificadas que impedem projectos de reforma.

Miguel Poiares Maduro
miguel.maduro@curia.eu.int

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Para Mudar a sério ?






Entrevista do Jerónimo de Sousa ao Expresso em 29 de Janeiro 2005.

Como estou farto de dizer as coisas não são nada claras...

- agora luta-se por uma "democracia avançada", mas não se sabe quando estará pronta...
Na "democracia avançada" as "eleições e a democracia são intrísecas" (como não podia deixar de ser).
Na "democracia avançada", tal como hoje, há a "coexistência do sector público, privado e cooperativo".
Não se pode dizer que seja grande definição.

- depois da "democracia avançada" vem o socialismo.
A definição de socialismo é: "um sistema que vem depois da democracia avançada" ou, se quisermos, um "horizonte"

- como se isto não bastasse o comunismo só vem depois do socialismo.
No dia de São Nunca ?

Acho tudo isto confrangedor.

Mas não pensem que o digo contra o Jerónimo de Sousa ou o PCP.
Não há ninguém nos partidos de esquerda que esteja a dizer mais ou melhor do que isto.

domingo, janeiro 23, 2005

Em Estado de Choque






CHOQUE FISCAL (psd)...

CHOQUE TECNOLÓGICO (ps)...

CHOQUE DE GESTÃO (psd)...

CHOQUE DE VALORES (cds)...

...

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Um turista chapado (Paris para amigos)

Sem vergonha na cara fizemos as fotografias da praxe em frente à Torre Eiffel (só para repetir um gesto de há 30 anos).
Cliquem nesta foto da igreja de S. Eustáquio se querem ver o resto da colecção...





segunda-feira, janeiro 17, 2005

O Inverno em Paris

Acabo de regressar.
Deixem-me ser cabotino, ao menos uma vez, e sugerir um subsídio especial a todos os portugueses para poderem visitar Paris no Inverno.

Quer se trate da "Vie Parisienne" na "Opéra Comique"






ou do Barbeiro de Sevilha na Ópera da Bastilha





ou da exposição "30 chefs-d'œuvre des Arts de l'Islam du Metropolitan Museum of Art de New York" mostradas no Louvre





ou do fabuloso "Musée National du Moyen Age"





ou do "Véronèse Profane" no "Musée du Luxembourg"





tudo contribui para percebermos:

1. a relatividade dos nossos dramas (tragicomédias ?)políticos
2. a omissão que nos eclipsa num panorama europeu
3. a diferença entre provincianismo e cosmopolitismo

Depois desta "desinfecção" podemos regressar, mais equilibrados, ao aconchego delicioso do nosso "bacalhau com batatas".


(clique nas imagens para ver mais informação sobre os eventos)

terça-feira, janeiro 11, 2005

Digitalismo – novas formas de dominação económica ?

“Sem comunicação não existem relações humanas nem vida propriamente humana....

Por conseguinte, as improbabilidades do processo de comunicação e a forma em que as mesmas se superam e se transformam em probabilidades regulam a formação dos sistemas sociais. Assim deve entender-se o processo de evolução sociocultural como a transformação e ampliação das possibilidades de estabelecer uma comunicação com probabilidades de êxito, graças à qual a sociedade cria as suas estruturas sociais...”

(in A improbabilidade da comunicação, Niklas Luhmann, Vega 2001)






A terceira improbabilidade da comunicação indicada por Luhmann é a de se “obter o resultado desejado”, ou seja, levar o destinatário a “actuar em virtude das directrizes correspondentes, bem como experimentar, pensar e assimilar novos conhecimentos, supondo que uma determinada informação seja correcta.”

Na sociedade actual, que cada vez mais se estrutura em torno do tratamento e transmissão da informação, a imensa maioria das actividades humanas consiste na tentativa de influenciar o conhecimento de outrem, de modo a levá-lo a agir de uma determinada maneira.

O político, o professor, o designer, o artista e o publicitário são apenas casos paradigmáticos das actividades influenciadoras do conhecimento; o cinema e a televisão, as comunicações móveis, a edição discográfica, a imprensa e os sistemas computacionais são exemplos de industrias da informação que ocupam cada vez mais os lugares cimeiros entre os sectores económicos globais.

A comunicação efectua-se através da informação, ou seja, dos sinais passíveis de captação pelos sentidos e encaminhamento para o cérebro humano.


Ver o texto completo


sexta-feira, janeiro 07, 2005

A depressão como álibi


A depressão como álibi

por Eduardo Lourenço, in DN, 2/1/2005


O que um país como o nosso, que não está no centro da tragédia que neste momento suscita o horror e a compaixão universais, pode ou não pensar da sua caseira situação, mesmo se fosse «depressiva», como alguns a sentem ou sobre ela escrevem, é de escasso interesse. Tem mesmo qualquer coisa de escabroso. Não tendo o sentimento de que o nosso país esteja a braços com qualquer coisa que, de longe ou de perto, se possa considerar uma «depressão» (crise económica grave, crise política séria, crise moral dolorosa), a questão de a ultrapassar não tem verdadeiro sentido. Não somos o Haiti nem o Darfur. Somos uma nação que faz parte do continente mais privilegiado da terra, e ocupamos nele o lugar que a nossa História ou as nossas capacidades merecem ou justificam.





Estamos em democracia, podemos resolver na ordem política, e em paz, os conflitos que nessa ordem são naturais, o que nem todos os povos da mesma Europa estão em condições de fazer.

Se alguma coisa é preocupante, é a displicência, para não lhe chamar inconsciência, com que gozamos e abusamos duma «situação» que devemos mais ao dinamismo geral da Europa do que ao nosso próprio. Mas nem isso é razão para nos inventar «depressões» de cada vez que o excesso dos nossos sonhos nos confronta com a realidade, ao fim e ao cabo, bem aceitável, que é a do Portugal de hoje quando o comparamos ao das carências gritantes de há apenas 20 anos. Não acrescentemos aos nossos handicaps, bem reais ainda em matéria de saúde, de educação, de investimento científico, as crises de decepção periódicas, puramente imaginárias, de cada vez que nos apercebemos de que não somos exactamente a nação eleita com que a justo título sonhamos e toda a gente, aliás, deve sonhar. Se queremos estar sempre a escrever Os Lusíadas, para ter a sensação de imitar os homens dessa época, e nem sequer o ler, devemos pagar o preço confrontarmo-nos com os desafios da realidade, tentando estar à sua altura.

Houve momentos em que a litania da «depressão nacional» se pôde justificar. O nosso atraso era visível a olho nu. Assim éramos ou estávamos apenas há meio século. Esse atraso não foi inteiramente recuperado, como o imaginamos, naquilo que interessa ao futuro duma nação moderna europeia, mas sabemos agora melhor medir esse atraso e como proceder para o atenuar. Não é um esquizofrénico recurso ao álibi da «depressão» que nos curará dele. Isso é apenas complacência de gente que desejaria que o futuro lhe caísse do céu dos outros como um disco DVD, sem esforço nenhum. Teremos o que merecemos, não mais. De qualquer modo, não iremos para o céu da História global em wagon lit, como em tempos os personagens privilegiados de Eça. Iremos a pé, devagar, democraticamente.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Como responder à erosão da política e dos políticos ?

A política tem vivido, em Portugal, uma sequência de ciclos desgostantes e desgastantes.
Não vale de nada insinuar, com ar superior, que as massas ao desinteressar-se da política estão apenas a revelar a sua debilidade cultural e cívica que os trinta anos passados sobre a Revolução já não disfarçam.





Não, os responsáveis por esse “alheamento cívico” são principalmente os “agentes políticos”, o establishment cultural e jornalístico e, de modo geral, os que gravitam à volta das cadeiras (e orçamento) do poder.

As festividades dos 80 anos do Dr. Mário Soares juntaram num banquete a quase totalidade desse establishment e mostrataram como, apesar das guerras violentas em que se envolvem regularmente, os seus membros sabem reconhecer o essencial das suas solidariedades. O povo assistiu atónito ao desfile de figuras que julgava serem incompatíveis (aqueles 2000 notáveis que ocupam 90% do tempo opinativo das televisões e que estão sempre a ser nomeados para qualquer coisa).

O Dr. Mário Soares é o exemplo mais acabado de uma forma de fazer política que já se começa a tornar intolerável: o partidarismo como um clubismo, o “ser amigo do seu amigo”, a “leadalde” acima da verdade e do interesse público, uma lógica impiedosa de poder de grupo em que os princípios já não parecem ser o cimento aglutinador.

O Dr. Mário Soares não é o único a praticar estas artes mas é notável que os seus 80 anos não lhe tenham ensinado a moderar-se e a ver a relatividade e precaridade das “glórias bélicas” a que não consegue resistir.

E é por causa dessa lógica que os partidos principais se vêm alternando no poder, ciclicamente. Sempre que um alcança o voto maioritário do povo assume as rédeas da governação para ser de imediato sujeito aos tratos de polé da oposição.

Numa primeira fase, quando ainda subsistem algumas ideias mais arrojadas do programa eleitoral, a oposição trata de arregimentar todos os interesses e corporações que se sentem ameaçados por qualquer das propostas do governo.
Iniciam uma táctica que inclui barragens de artilharia na imprensa a cargo do batalhão dos comentadores de serviço, algumas chantagens económicas, a divulgação de meia dúzia de escândalos fiscais ou processuais da autoria dos ministros, tudo com o objectivo de paralisar o adversário.

Quando o efeito paralisante foi conseguido e o governo fica com o ar de já não se poder mexer em qualquer direcção inicia-se a segunda fase que consiste em glosar a inoperância dos ministros, as contradições detectadas nas suas declarações, e em geral trata-se da preparação do funeral político.

Uma vez feitas as eleições, sempre apresentadas como grandes viragens decisivas para o futuro do país, os partidos que foram imolados no governo do ciclo anterior passam ao papel de oposição e, dada a violência e irracionalidade com que foram tratados, sentem-se no direito de ser ainda mais demagógicos do que os seus adversários.

Como os adversários são sistematicamente diabolizados e as suas tentativas de realizar algo sempre apresentadas como absolutamente injustificadas e prejudiciais segue-se que cada novo governo começa, em regra, por destruir ou ignorar as obras do anterior. A intenção de destruir as decisões dos governos em funções inicia-se aliás ainda durante a fase de oposição e é prometida para o ciclo seguinte da “alternância” assegurando-se assim que os cidadãos não possam considerar “estável” qualquer legislação mesmo que regularmente aprovada e publicada.

Não é claro quando, nem como, a esquerda se deixou resvalar para esta desgraçada situação mas a “superioridade moral dos comunistas” ou a seriedade “laica e republicana” tendem a converter-se em fórmulas de que só os mais velhos se recordam ainda.

Hoje, mesmo à esquerda, impera o fulanismo, os “fait-divers”, os golpes de teatro mediáticos, os trocadilhos, a dramatização ou exagero das situações numa verdadeira versão tablóide da política.
A reacção de Ana Gomes à decisão de Sampaio de empossar Santana, a maior parte das declarações de Louçã sobre o caso Marcelo, o estilo de Bernardino Soares ao comentar as questões orçamentais, são apenas alguns exemplos em que a demagogia, a falta de sentido de Estado, e mesmo as graçolas de baixo estofo tornam a esquerda irreconhecível para aqueles que, como eu, sempre acreditaram que ela se distinguia pela nobreza e elevação quer dos propósitos quer dos comportamentos.

A história mostra que os comportamentos descritos levam à destruição da democracia. Tem que tocar algures um sino a rebate para que se verifique uma mudança radical de atitude por parte daqueles que querem preservar a liberdade.

É preciso acreditar que a dignidade dos comportamentos também acabará por fazer a diferença e “render” politicamente. Quando um jornalista rasteiro vem com uma pergunta rasteira, verdadeiramente tentadora para entalar o adversário mas irrelevante do ponto de vista do interesse público, é preciso recusar o engodo, reduzir a intriga às suas diminutas proporções, falar de outra coisa.

Só quando se mostrar coragem para rejeitar a chicana política, para perder as eleições se for esse o preço das verdades incómodas, para tirar o chapéu ao adversário quando as suas acções são positivas é que poderá começar um novo ciclo na política portuguesa.

Para isso faltará talvez encontrar uma alternativa para os partidos como base em que assenta a democracia. Os partidos, pela sua própria natureza, geram clubismo, cegueira sectária e distribuição de favores.

Não seria muito mais natural as pessoas associarem-se a causas e projectos, de acordo com as suas inclinações, do que filiarem-se em instituições com as quais nunca se identificam completamente. Quem, por exemplo, seja simultaneamente contra a liberalização do aborto e contra o pacote laboral não encontra nenhum partido com que se identificar.

Virá o dia, estamos certos, em que as pessoa serão militantes de causas e projectos e não de partidos. Em que os boletins de voto pedirão a cruzinha não em bandeiras partidárias mas sim em causas e projectos.


quarta-feira, dezembro 22, 2004

Repensar radicalmente uma alternativa de esquerda (1)






Repensar radicalmente uma alternativa de esquerda (1)


Porque é tão importante repensar hoje uma alternativa de esquerda ?

Assistimos neste momento pela primeira vez no Portugal de Abril, se exceptuarmos o caso restrito da Madeira, a um braço de ferro entre a esquerda e o populismo ou, para sermos mais rigorosos, entre o populismo e um conjunto de influentes interesses corporativos enquadrados pela esquerda.

É preciso encarar com seriedade esta ameaça; a guerra contra o populismo, com Santana ou sem Santana, é sempre uma guerra perdida a prazo se a política não souber responder aos problemas sociais de fundo.

A emergência aqui e agora deste afloramento populista é, ela própria, um sintoma da falência continuada do sistema político que já se vinha manifestando na evolução do abstencionismo eleitoral.

O populismo de Santana (com réplicas em Paulo Portas) não soube (ou não teve tempo) para negociar certos apoios e viu-se acossado de forma violenta pelos media, pela classe política, por certos interesses poderosos do sector financeiro e acabou por ser travado “administrativamente”. A esquerda não deve embandeirar em arco pois esta vitória, obtida “na secretaria”, está longe de eliminar a ameaça se a esquerda não souber repensar e executar o seu novo projecto numa janela de oportunidade bastante estreita.

Para se entender a gravidade da situação basta considerar que ao reagir a Santana como a um “corpo estranho” à “política normal”, ao atacá-lo pelo lado picaresco e processual, ao deixá-lo privado de apoios que não sejam os resultantes de uma quase impossível vitória eleitoral, está-se em verdade a pôr na panela todos os ingredientes venenosos; imagine-se o cataclismo que se abateria sobre o sistema político caso ocorresse uma vitória de Santana, agora ou após um novo fracasso, perfeitamente previsível, do PS.

Precisamente por ser um “outsider”, por ter sido atacado e rejeitado por quase todos, desde o Presidente até aos seus amigos íntimos, se algum dia alcançar uma vitória eleitoral ela significará, nessa mesma medida, a derrota de quase todos e projectará o seu poder numa escala muito maior.

Para aqueles que pensam que este cenário é impossível eu sugiro que recordem o que pensavam quando Cavaco foi finalmente derrotado e parecia ter acabado para a política; agora é citado com reverência até pela esquerda, e perfila-se como um candidato muito forte à Presidência.
Até o Guterres, que abandonou o Governo e abriu caminho à maioria de direita, vilipendiado por quase todos há tão pouco tempo, aparece agora como principal opção da esquerda para Belém. Como dizia alguém o tempo reabilita as prostitutas e os prédios feios e, diria eu, também os políticos.

Como se tal não bastasse a direita tem ainda outras opções mais ou menos polidas, mais ou menos prestigiadas nos meios académicos ou empresariais, o que significa que pode articular a sua resposta de acordo com as circunstâncias.

O desafio para a esquerda é, como desenvolveremos em próximas ocasiões, passível de enunciação em três planos:

- o que é ser de esquerda hoje ?
- como responder à erosão da imagem da política e dos políticos ?
- quais as grandes linhas de um projecto de esquerda para poder ser uma verdadeira alternativa política e não uma mera plataforma eleitoral ?

Sem uma resposta adequada a estas questões qualquer vitória eleitoral do Partido Socialista, coligado ou não, terá um carácter transitório, será apenas mais um ciclo da espiral descendente que pode acabar com o nosso sistema democrático.

(clique aqui para ver o texto completo)

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Gigantesca biblioteca virtual

O motor de busca na Internet Google anunciou na terça-feira ter chegado a acordo com as principais universidades e instituições de investigação norte-americanas e britânicas para pôr à disposição dos internautas 15 milhões de livros.

Trata-se do projecto mais ambicioso apresentado até agora pela Google Inc. constituir uma gigantesca biblioteca virtual com volumes das universidades de Harvard, Stanford, Oxford e Michigan, e da Biblioteca Pública de Nova Iorque.. Isto significa que qualquer utilizador de um computador com acesso à rede poderá, em qualquer parte do mundo, aceder instantaneamente aos enormes recursos daquelas instituições e consultar, por exemplo, um texto original do sec. XVII. O catálogo inclui trabalhos de investigação, colecções especiais e edições esgotadas, além de livros de todo o mundo.

O financiamento ficará por conta da Google que, por sua vez, receberá publicidade extra.

O principal motor de busca da Internet já começou a usar a sua tecnologia para digitalizar centenas de milhar de páginas por dia.

A direcção da empresa não revelou o custo do projecto, mas peritos estimam em 10 milhões de dólares o custo da operação de digitalização de 15 milhões de livros, uma tarefa que poderá demorar dez anos a concluir. Susan Wojcicki, uma das directoras da Google, confirmou que o projecto se desenvolverá ao longo de vários anos.

O acordo varia segundo as instituições. Harvard, a maior instituição académica norte-americana, porá à disposição da Google 40 mil volumes da sua colecção de 15 milhões, segundo o director de publicações da universidade, Peter Kosewski. A Google digitalizará a maior parte dos oito milhões de exemplares de Stanford e sete milhões de livros da biblioteca da Universidade de Michigan.

Um dos problemas que o projecto enfrenta refere-se aos direitos da propriedade intelectual. Por agora, o acordo só permite à Google publicar na íntegra o texto dos livros já não sujeitos a direitos de autor. A universidade de Oxford, por exemplo, só permitirá que a Google digitalize os seus livros publicados até 1900. Quanto a obras mais recentes, a Google digitalizará integralmente os textos mas, devido às restrições dos direitos de autor, só disponibilizará fragmentos.

Como os acordos estabelecidos pela Google não são exclusivos, outros gigantes da Internet como a Amazon, Microsoft ou Yahoo poderão juntar-se ao projecto.

A ideia da iniciativa partiu do Google Print, um serviço que o motor de busca lançou em Outubro e que permite olhar para dentro de um livro e comprá-lo, se o utilizador o desejar.







A "Bibliothéque en Feu" da Vieira da Silva, que ainda ontem estive a olhar na grande exposição de Lisboa, é talvez a imagem adequada para representar o potencial imenso deste projecto.
É por causa de notícias como esta que andamos todos na Internet a dizer "já viram o que eu descobri ?".


Veja mais sobre Vieira da Silva

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Afinal a história repete-se ou não ?


«Fomos outrora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taberna. Compreendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: fizemos muitas revoluções para sair dela. Ficamos exactamente em condições idênticas. O caldo da portaria não acabou. Não é já como outrora uma multidão pitoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, que o vai buscar alegremente, ao meio-dia, cantando o Bendito; é uma classe inteira que vive dele, de chapéu alto e paletó. Este caldo é o Estado.»

Eça de Queirós em "As Farpas"






Será que, em aritmética política, 2005 é igual a 1871 ?

Veja aqui uma descrição da sociedade na página 5 de Maio de 1871


Não há nada como reler "As Farpas" do Eça e do Ramalho Ortigão para chegar a uma conclusão.






Leia AS FARPAS clicando aqui

Visite a Fundação Eça de Queirós

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Guterres 2006 ?

António Guterres foi, até ao momento, o candidato presidencial mais referido pela esquerda, em regime de quase exclusividade.

Em contrapartida a direita parece ter candidatos "para a troca"; o "carismático" Professor Cavaco, o "mediático" Professor Marcelo e o "mal-amado" PM Santana.

Será por isso que o Blog Guterres perdeu o pio em Janeiro de 2004 ?
(clique na foto para ver o Blog)





domingo, dezembro 05, 2004

KVETCH - Uma peça americana sobre a ansiedade

As ansiedades que a todos nos atormentam nascem, em grande medida, de termos sempre um papel para representar e o consequente medo de falhar, de esquecer a deixa, de não estar à altura.

Sendo o lado teatral da vida a fonte de quase todos os medos é irónico usar o teatro para os exorcisar mas garanto que vale a pena observar/dissecar os medos sentado na relatividade da plateia.

(clique na foto para saber mais)




quarta-feira, dezembro 01, 2004

Cosmopolitas de sofá

Cosmopolitas de sofá

por Miguel Poiares Maduro







Diz-se que Salazar teve um grande amor. Chamava-se Christine Garnier, uma jornalista francesa que veio a Lisboa para entrevistar Salazar e acabou por passar um verão na sua companhia. Ao que parece, Salazar ter-lhe-á depois enviado vários e luxuosos presentes (afinal era capaz de gastar dinheiro…) e mantido uma correspondência romântica que, no entanto, nunca passou do amor platónico. Se calhar o amor à pátria não era compatível com o amor por uma mulher…

Do verão que Christine Garnier passou com Salazar nasceu um livro escrito pela jornalista: "As minhas férias com Salazar". Nesse livro, Garnier conta como ficou surpreendida com o conhecimento e actualização de Salazar quanto ao que se passava no mundo. Aí estava um ditador que não saia de Portugal mas tinha lido tudo, encontrando-se a par dos mais recentes debates intelectuais. Salazar parecia um cosmopolita e, no entanto, todos sabemos que a marca que nos deixou foi de provincianismo. Como é possível que um homem intelectualmente tão informado fosse tão provinciano? Salazar julgava poder conhecer o mundo sem sair da sua famosa cadeira. Era um cosmopolita de sofá.

Salazar queria conhecer o mundo mas sem estar disposto a abraçá-lo. A curiosidade intelectual de Salazar nunca se estendeu aos seus próprios preconceitos e pré-compreensões. Ele conhecia tudo mas não aceitava ser desafiado por nada. Quando o conhecimento tem lugar de forma acrítica ou promove a submissão ou reforça a presunção e arrogância. Em vez de nos desafiar e melhorar torna-se meramente instrumental ao reforço das nossas crenças anteriores. Quer promove o nosso cinismo (partimos para o conhecimento do que é diferente apenas para provar o que tem de mau), quer sustenta a nossa falsa autoridade (levando-nos a presumir que sabemos tudo).

Os verdadeiros cosmopolitas não querem apenas conhecer o mundo, querem interagir com ele. Portugal, ao contrário, tem uma longa tradição de cosmopolitas de sofá. Uma das nossas marcas é precisamente a de unir cosmopolitismo com provincianismo. Isto manifesta-se, no entanto, de duas formas totalmente opostas.

Uma forma de provincianismo cosmopolita exprime-se no fascínio por tudo o que é estrangeiro. Se há algo que boa parte das nossas elites intelectuais e empresariais partilham é a concentração na actividade de importação: uns importam conceitos de negócios, outros importam teorias e ideias. O nosso discurso intelectual parece muitas vezes reduzido ao franchising de ideias (em que os principais fornecedores tanto podem ser o Le Monde como a New Yorker…). A isto junta-se a obsessão com o que os outros pensam de nós. Seja uma equipe de futebol ou um politico não há visita ao estrangeiro que não seja acompanhada por um artigo nos jornais sobre o que eles (os estrangeiros) dizem e pensam de nós. Isto até seria positivo se através da nossa imagem nos outros procurássemos saber algo mais sobre nós. Na verdade, lemos os outros apenas para saber o que julgam de nós… È um pouco como aquele amante que se apaixona não para amar mas apenas para ser amado.

Mas há outra forma, igualmente comum e, no entanto, totalmente oposta, de provincianismo cosmopolita. É a recusa a tudo o que vem de fora. O conhecimento do mundo serve apenas para nos ameaçar. As ideias dos outros valem quando são importadas por nós mas os outros não valem nada. Neste caso a autoridade do cosmopolita de sofá serve apenas para proteger a sua exclusividade: o ser detentor de toda a verdade. Eis o "cosmopolita" Salazar: o conhecimento do mundo apenas servia para lhe dar razão ao "proteger-nos" dele. Neste caso, é como o amante que se apaixona apenas à procura da fidelidade.

O nosso equívoco é pensarmos que somos um país aberto ao mundo só porque somos um país de viajantes. Não basta viajar para interagir com o mundo. Há muita gente que viaja e não sai do seu "sofá". Vicente Verdu dizia que havia dois tipos de viajantes: os que viajam para viajar e os que viajam para ter viajado. Os primeiros querem usufruir dos lugares e da viagem. Os segundos procuram histórias para contar. Mas há um terceiro tipo: os que viajam sem querer sair do seu lugar. Os que chegam ao hotel e ficam no quarto a ver a CNN e a ler o Financial Times. Do tipo daqueles portugueses que vão a uma cidade estrangeira e procuram logo um restaurante português para comer. O simples facto de viajarmos não nos faz estar atentos ao mundo e interagir com ele.

O verdadeiro cosmopolita é aquele que se deixa desafiar pelo mundo. Que aceita confrontar-se com outras realidades e ideias sem as querer imediatamente copiar ou rejeitar. Aquele que quer ser um participante do mundo e não um mero espectador. Alguém que sabe que é confrontando-se com a diferença que constrói a sua verdadeira identidade.





Veja também, do mesmo autor, "Confusão ideológica" sobre a distinção direita/esquerda, publicado nos Textos do DOTeCOMe

segunda-feira, novembro 29, 2004

As gotas e o oceano

De nada vale dizer que são vozes minoritárias.
Os três depoimentos deste fim de semana são gotas capazes de subverter um oceano de certezas...
Para quem não queira jogar às escondidas com a realidade.

Intervenção no XVII Congresso do PCP

Fernando Vicente





Aprofundar a Democracia Interna no PCP

Lopes Guerreiro





Uma despedida e um até sempre

Rui Lima Jorge

sábado, novembro 27, 2004

Herramienta

Uma ferramenta que nos chega da Argentina:

"Herramienta, revista de debate y crítica marxista, es una publicación abierta a contribuciones de autores marxistas y del pensamiento científico de distintas disciplinas en general. Su objetivo fundamental es difundir trabajos y debates de actualidad sobre temas políticos, sociales y económicos"






(clique na imagem)

sábado, novembro 20, 2004

Cores Fortes - O Sol de Novembro

Nos ensolarados dias de Novembro nasceu a exposição "Cores Fortes".
Se quer ver clique na imagem







quarta-feira, novembro 17, 2004

Erik Olin Wright




Para quem se interessa pelo estudo e caracterização das classes sociais.
O Prof. Erik Olin Wright, da Universidade de Wisconsin, tem sido muito citado pelo Guilherme Statter do Forum.

Consulte a página de Erik Olin Wright

A Teoria e a Tipologia de Classe Neomarxista de Erik Olin Wright

quinta-feira, novembro 11, 2004

17º Congresso do PCP - uma “arrumação” mal arrumada




Acabo de publicar em "Textos" uma análise crítica do "Cap. 3 - Arrumação das forças de classe" do Projecto de Resolução Política do PCP que leva por título "17º Congresso do PCP - uma "arrumação" mal arrumada".

Para ver essa análise e para poder opinar sobre ela clique em:

17º Congresso do PCP - uma "arrumação" mal arrumada

Também sobre as Teses do 17º Congresso do PCP pode ler:

Crítica e Aternativa às Teses Propostas ao 17º Congresso do PCP



domingo, novembro 07, 2004

Acerte-se com um relógio atómico




Se tem a paranóia da precisão e da pontualidade pode ter o relógio do seu sistema, e o do cabeçalho do DOTeCOMe, sempre absolutamente certos ligando-se ao relógio atómico do Observatório Astronómico de Lisboa.


Vá aqui

sexta-feira, novembro 05, 2004

Paula Rego nas 'escolhas' do DOTeCAFé




Paula Rego nas 'escolhas' do DOTeCAFé e muitas coisas mais.
O DOTeCAFé sofreu uma revolução....


Veja as pinturas da Paula Rego

Faça uma visita ao novo DOTeCAFé

sexta-feira, outubro 22, 2004

Memórias do PREC





30 anos depois do 25 de Abril encontrei finalmente coragem para começar a digitalizar a minha colecção de autocolantes.

Esta é apenas uma primeira vaga; a colecção é constituída por centenas.


Veja aqui as Memórias do PREC

quinta-feira, outubro 14, 2004

PARA QUEM AMA LISBOA




O Bairro Alto está a ser vítima de mais um abuso por parte da Câmara Municipal! Depois da demolição de um quarteirão antigo entre a Rua da Rosa e Rua do Trombeta para a construção de um Condomínio Privado, é tempo de proceder a mais uma destruição:
Desta vez o ataque é ao CONVENTO DOS INGLESINHOS!

A sua descaracterização já está em curso, É URGENTE TRAVÁ-LA!


Assine a Petição

Veja fotos de arquivo da representação de "Alma-Mahler" no Convento

segunda-feira, outubro 11, 2004

Verão em Nova York





As fotografias tiradas em Nova York, pelo Mário Redondo, no Verão de 2004.


VEJA AQUI

quinta-feira, outubro 07, 2004

A Comuna de Paris (1870-1871)



Badinier (?), aide de camp du Colonel Henry.

Em recente ronda de actualização e enriquecimento dos

Cultur.Links

e dos

Partidos e Sítios

entre outras coisas passei a incluir o link do espantoso

Acervo documental da Comuna de Paris

sábado, outubro 02, 2004

Los marxistas y el mundo de hoy: invitación al diálogo




II Conferencia Internacional La Obra de Carlos Marx y los desafíos del Siglo XXI
Realizada en La Habana, del 4 al 8 de mayo de 2004

Veja aqui numerosos textos sobre o tema

quinta-feira, setembro 23, 2004

Revistas em revista



Descobri recentemente uma verdadeira "mina" de links para revistas online, portuguesas e estrangeiras.

Aqui fica a dica, divirtam-se clicando aqui...

segunda-feira, setembro 13, 2004

Tem musica


(este é o J.S.Bach, veja a biografia dele)


O DOTeCOMe foi recentemente enriquecido com musica em algumas páginas ( www.dotecome.com e www.dotecome.com/dotecafe-b.htm )

Experimente aqui

e registamos também a nova disponibilidade HTML nos posts do DOTeCOMe Forum
Veja a cábula para os iniciados do HTML

domingo, setembro 05, 2004

Negócios da China




A Janela na WEB publicou um conjunto interessante de textos sobre a "ameaça chinesa":

A miopia ocidental face à China
Recados aos Ocidentais (entrevista com Peter Williamson)
Dicionário geo-estratégico de bolso
Bibliografia
O Século dos Emergentes (comentário a um estudo da Goldman Sachs)

Aceder aos textos da Janela na WEB

Aceder aos textos da VEJA on-line

Made in China

sábado, setembro 04, 2004

17º Concresso do PCP




Já se encontram publicados
o Projecto de Resolução Política
e o Projecto de Alterações aos Estatutos.

Aceder aos documentos do 17º Congresso do PCP