.
No presente, há enormes discussões sobre quanto vai ser o défice, mas no futuro não só saberemos de quanto foi o défice, como de quem foi a culpa de andarmos a chamar orçamento redistributivo a um orçamento que é rectificativo. Enfim, numa palavra, ao passo que o presente é difuso, nevoento e com contornos mal definidos, o nosso futuro colectivo é risonho, desafogado e radioso.
Vejamos: os sacrifícios que agora fazemos são em nome desse futuro, por isso é que ele tem de ser bom. É verdade que aqueles que são mais velhos já fizeram na década de 70, na década de 80, na década de 90 e noutras décadas, imensos sacrifícios no então presente de modo a que o futuro — que é o que temos hoje — fosse muitíssimo melhor!
É certo que não é! Mas a culpa não pertence àqueles que nos pediram tais sacrifícios.
A culpa, meus caros amigos, é que o futuro está atrasado! Ficou preso nalgum esconso, num desvão, numa curva apertada do tempo... Mas há-de chegar!
E quando chegar esse futuro vai ser tão bom. O défice baixinho, o investimento na maior, o TGV a andar a 300 à hora, o aeroporto cheio de turistas e homens de negócios, as auto-estradas apinhadas de TIR que levam as nossas exportações para todo o mundo... e arredores! E tudo isto com os impostos mais baixos, o país sem corrupção, o Governo dialogante e o Presidente da República feliz e contente.
Sofro de ansiedade em relação a esse futuro em que apenas uma pequena mágoa subsistirá na cabeça de todos nós. Uma ínfima sensação de desconforto, que porém afastaremos como quem afasta uma insignificante mosca com a mão. Esse sentimento mínimo de desconforto será o nosso passado. E o nosso passado, visto desse futuro, é o nosso presente (não sei se acompanham esta reflexão assaz inteligente).
Nesse futuro de leite e mel, de ouro sobre azul, de jóias e veludo, de riqueza e felicidade, apenas a nuvem do passado (o que hoje vivemos) será infeliz. Os tempos em que os miseráveis estavam desempregados; o tempo em que alguns políticos não pareciam sérios; o tempo em que a economia não exportava, o TGV não andava e o avião não tinha aeroporto de jeito...
Mas contentemo-nos com este pensamento: tudo o que estamos a fazer é para que tenhamos um futuro decente. Tudo o que fizemos nos últimos 10, 20, 30, 40, 50 ou mesmo 60 anos tinha esse objectivo. Para mim, o presente não é claro, está cheio de dúvidas. Mas o futuro dissipá-las-á!
E digo mais, o futuro seria absolutamente fantástico não fosse ter por passado este presente miserável.
Aguentemos, ó povos!
Expresso 28.11.2009."Reflexões assaz inteligentes sobre o facto de o presente ser o passado do futuro" do Comendador Marques de Correia
Domingo, Novembro 29, 2009
Para alegrar um Domingo tristonho
Hora da publicação: 14:15 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: citações-coincidências, Fernando Penim Redondo
Quinta-feira, Novembro 26, 2009
Fora o árbitro
As semelhanças entre a política e o futebol vêm sendo notadas por qualquer pessoa atenta. Na política, como no futebol, os penaltis são sempre contra o adversário e tal como no futebol as pessoas não sabem muito bem por que são do partido A ou B.
Na política, como no futebol, os dirigentes e jogadores despertam paixões que não esmorecem mesmo quando se confirma que eles são crápulas.
Recentemente deu-se um novo desenvolvimento. A justiça passou a desculpar as más exibições, tal como os árbitros. No fim do jogo, ou da sessão do tribunal, já é possível atirar com as culpas para o juiz. Nas bancadas chama-se filho da puta quer ao árbitro quer ao juiz (no caso das ofensas aos árbitros há, apesar de tudo, quem seja castigado).
Assim se fecha o círculo e deve estar para breve o caso "Martelo Doirado". Tal como o "Apito", o "Martelo" não terá quaisquer consequências.
Nesta conformidade mais valia substituir as eleições por um campeonato, trocar os votos pelos jogos da bola de uma "Liga Partidária". Pode-se desde já imaginar a emoção do derby "PS-PSD", apitado pelo PGR, num estádio perto de si.
Hora da publicação: 13:00 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: cartoons2009, estado-governo, face oculta, Fernando Penim Redondo, justiça-leis
Quarta-feira, Novembro 25, 2009
Gandhinjustiçado
Hora da publicação: 12:21 1 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: cartoons2009, face oculta, Fernando Penim Redondo
A Casa das Histórias
.
Belíssimo edifício. Pirâmides que se transformam em chaminés por obra e graça do génio de Paula Rego, que arde lá dentro. É a "Casa das Histórias" em Cascais, de visita obrigatória.

.
Hora da publicação: 08:52 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: arquitectura-urbanismo, artes plásticas, Fernando Penim Redondo, museus-patrimonio, sugestões
Terça-feira, Novembro 24, 2009
O "segredo da justiça".
. 
Para hoje está anunciado mais um episódio da novela Face Oculta. O Conselho Superior de Magistratura vai também meter a sua colherada.
Como ontem se viu no "Prós e Contras" perdeu-se o pejo de revelar o verdadeiro "segredo da justiça": que a mítica neutralidade e independência das magistraturas está realmente a saque e minada pela partidarite.
Mesmo "entidades oficiais" como o Bastonário da Ordem dos Advogados, ou ministros do Governo em funções, referem-se aos magistrados sem cerimónias e claramente classificam as decisões judiciais como boas ou más conforme servem ou não os seus interesses.
Por isso a intervenção do Conselho Superior de Magistratura, cuja composição também se encontra bastante "politizada", faz temer uma nova escalada do clubismo partidário.
Já ninguém parece duvidar de que a Lei está mal feita e é, ela própria, uma fonte de confusões.
A protecção dos detentores de altos cargos do Estado devia estar virada para a protecção da informação previlegiada a que eles, por inerência das funções, têm acesso. Devia impossibilitar qualquer divulgação de escutas onde constassem segredos de Estado ou coisa equivalente.
Em vez disso trata-se a protecção das escutas aos detentores de altos cargos como se se tratasse de uma regalia do tipo carro de serviço com motorista.
Para além do mais a lei, que não previu as "escutas por tabela", é de aplicação impossível já que só depois de ouvirmos as escutas sabemos que não as devíamos ter ouvido. Uma "pescadinha de rabo na boca" a que nem o PGR escapou, como se sabe.
Toda esta trapalhada ganha em ser analisada por comparação com o caso das "escutas a Cavaco" que tanto emocionou a opinião pública em Setembro.
Aqueles que agora se arrepiam com as quebras do segredo de justiça e com a falta de respeito pelos detentores dos altos cargos são os mesmos que há dois meses elogiavam o DN pelo "acto cívico" de publicar um email roubado que mencionava Cavaco.
Portanto, se as escutas a Sócrates tivessem sido feitas por um tipo qualquer em vez de um juiz e depois publicadas pelo DN, essas mesmas pessoas deviam certamente regozijar-se.
Nesse caso vigoraria, como vigorou em Setembro, o interesse público e ninguém falaria do segredo de justiça nem haveria intervenção do PGR ou o STJ.
Um verdadeiro absurdo.
.
Hora da publicação: 12:32 2 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: face oculta, Fernando Penim Redondo, justiça-leis
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
USA 1974

Passei o mês de Agosto de 1974 nos Estados Unidos. Percorri a costa Leste desde Cape Cod, na zona de Boston, até Orlando na Flórida.
Pode ver AQUI uma parte das imagens recolhidas durante essa viagem.
.
Hora da publicação: 12:52 1 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: anos 70, Fernando Penim Redondo, fotografia-imagem, memorias-biografias, USA, viagens1974
Domingo, Novembro 22, 2009
A impagável trama dos dois Silvas
A conspiração começou com um agente da PJ de Aveiro. Sentou-se num café, olhou em volta, pediu a tradicional bica e perguntou a si mesmo:
— Como é que vou tramar o Sócrates, que isto do Freeport já está a arrefecer?
Depois de pensar um pouco, teve uma revelação: escutar um sucateiro de nome Godinho.
A razão pela qual escutando um sucateiro de nome Godinho teria de conduzir directamente as escutas ao primeiro-ministro, ninguém sabe ao certo. Pode ter sido Deus a inspirar o agente, mas pode ter sido qualquer outra coisa. De provado, dá-se que através do sucateiro se apanha um senhor banqueiro feito à pressa, mas de enorme mérito em certas praças, pracetas, largos, ruas e becos, de nome Vara. E deste se passa ao primeiro.
Certos senhores, que têm por nobre missão defender o Governo na blogosfera (não dando a cara nem o nome, por pura modéstia e certa prudência na passagem de recibos verdes) já aventaram a hipótese de as escutas a Vara terem sido uma manobra que tinha por único objectivo chegar a Sócrates! Eu creio que foi isso mesmo! Segundo me têm dito (e lamento se violo o segredo de Justiça, mas o bom nome impõe-mo) nas escutas ao senhor da sucata só se ouvem, da parte do banqueiro Vara, conselhos sensatos: paga o que deves ao fisco; vê lá se não apanhas mais contra-ordenações por questões ambientais, e, sobretudo, eu ia lá pedir dinheiro a alguém por lhe apresentar um amigo.
A mesma beatitude e candura se passa — diz-me quem está bem informado — nas escutas entre Vara e Sócrates. Falam do tempo, das rosas, da chuva e parece que um deles elogia os seus adversários políticos, nomeadamente o Presidente, e refere que não gosta particularmente de uma telenovela da TVI.
A artimanha (que já transformara injustamente Vara em arguido, acarretando-lhe a infelicidade de se sujeitar a ganhar o salário sem dar a compensação devida do trabalho) não resultou, pois! E, irritados por não terem encontrado nada para incriminar o primeiro-ministro, o agente, juntamente com o procurador distrital e um juiz de instrução mandaram tudo para o PGR e para o Supremo, na esperança que estes, mais experientes, pérfidos e sabedores, encontrem ali crime que lhes tenha escapado. Os dois vértices da conspirata bem se esforçam, mas têm de reconhecer, ao fim de uns meses, que nada se pode fazer sobre o assunto.
E assim se desmontou a conspiração e a espionagem. Vejam lá, meus amigos, de que são capazes magistrados, inspectores, polícias, só para dar cabo do chefe do Governo, esse Santo!
Felizmente, os Silvas, que estavam com um pó à Justiça que nem a podiam ver, tiveram a coragem de denunciar. E eu, já se vê, subscrevo-os inteiramente. O resto que ouvem dizer não passa de mentira pegada!
COMENDADOR MARQUES DE CORREIA
Hora da publicação: 17:03 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: citações-coincidências, face oculta, Fernando Penim Redondo, justiça-leis
Porreiro, pá...
Hora da publicação: 01:53 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: cartoons2009, estado-governo, face oculta, Fernando Penim Redondo, justiça-leis
Sábado, Novembro 21, 2009
LO FRATE 'NNAMORATO

Depois do sucesso alcançado com La Spinalba, Os Músicos do Tejo apresentam Lo Frate Nnamorato (“O Irmão Enamorado”) de G. B. Pergolesi, ópera estreada em 1732 no Teatro Fiorentini de Nápoles e nunca antes apresentada em Portugal.
.
Hora da publicação: 00:38 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: espectáculos, Fernando Penim Redondo, sugestões, teatro-opera
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Sócrates e a TINA
.
.
.
.
.
.
.
Margaret Thatcher cunhou uma expressão famosa, "There Is No Alternative", mais conhecida por TINA, para sintetizar aquilo que ela pensava ser a inevitabilidade do neo-liberalismo perante a falência do socialismo no seu tempo.
Lembrei-me disto por causa das vitórias eleitorais de Sócrates e da invulgar resistência que ele tem demonstrado a várias suspeitas e escândalos que sobre ele têm caído.
É altura de a oposição compreender que o homem continuará a ganhar e a governar, aconteça o que acontecer, enquanto os cidadãos não acreditarem numa qualquer alternativa. Escreva ele o que escrever no Programa Eleitoral que aliás quase ninguém lê.
O homem pode não ser bem engenheiro, falar um inglês de anedota e ter amigos foleiros envolvidos em negociatas inacreditáveis que isso pouco conta quando se chega às urnas. O homem podia até ser um serial killer mas, para ser corrido, precisaria sempre que alguém se mostrasse capaz de o substituir convenientemente.
O que as urnas têm mostrado é que, para a mairia dos portugueses, "There Is No Alternative" a Sócrates. O resto é conversa.
.
Hora da publicação: 16:41 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: face oculta, Fernando Penim Redondo, politica2009
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
URSS 1980
.

Em Setembro de 1980, há 29 anos, em plena era Brejnev, visitei a URSS. As fotografias que pode ver AQUI foram recolhidas em Moscovo, Sibéria (Bratsk, Irkutsk e Lago Baikal) e na capital do Casaquistão, Alma-Ata.
O recente vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, e as discussões acerca do Bloco Soviético que se seguiram, motivaram-me para a recuperação destas memórias.
.Hora da publicação: 00:05 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: anos 80, Fernando Penim Redondo, fotografia-imagem, memorias-biografias, URSS-países de leste, viagens1980
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
Os cumes da Justiça em Portugal
.
Hora da publicação: 11:55 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: face oculta, Fernando Penim Redondo, justiça-leis
Terça-feira, Novembro 17, 2009
Varejando
Hora da publicação: 18:41 2 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: face oculta, Fernando Penim Redondo, justiça-leis
2012
.

"2012 Bem nos tinham avisado" é um filme cheio de enfeites especiais sobre uma profecia catastrófica da Abelha Maia. Era uma vez um Sol que, sem mais nem menos, se transformou num micro-ondas.
Podemos ver Obama anunciar o Apocalipse aos americanos pouco antes de levar com um porta-aviões no toutiço à porta da Casa Branca.
O que resta da humanidade inscreve-se então num cruzeiro ao cume do Himalaia em paquetes comprados na loja do chinês.Já depois de embarcar descobrem que afinal o cruzeiro é a arca de Noé e rumam todos a África sem perceber porque é que salvaram as girafas.
Imperdível. Ao ver o "2012" percebemos toda a mesquinhez da "Face Oculta".
.
Hora da publicação: 07:52 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: cinema 2009, exageros-catastrofismo, Fernando Penim Redondo
Segunda-feira, Novembro 16, 2009
A dupla face da Face Oculta
.
Para se poder compreender o real significado dos episódios recentes que envolvem Sócrates, indirectamente, na Face Oculta é preciso pôr este caso em paralelo com a “crise das escutas” a Cavaco tão discutida em Setembro e Outubro.
1- Em ambos os casos os jornais revelaram de forma ilegítima o conteúdo de documentos: num caso, o de Cavaco, foi publicado um email privado trocado entre jornalistas do jornal Público e agora foram divulgados “extractos” de certidões enviadas por um juiz de instrução criminal ao PGR. Quer Cavaco quer Sócrates são envolvidos em consequência de actos cometidos por terceiros.
Mas enquanto que no primeiro caso o PR era apenas mencionado agora Sócrates é, ele próprio, interveniente nas conversas telefónicas.
Enquanto que Cavaco, a serem confirmadas as suspeitas, teria tentado obter a publicação de uma notícia, Sócrates tratava de subverter a completa linha editorial de uma estação de televisão.
No caso de Sócrates houve mesmo um procurador e um juiz que, ao extrair a certidão das escutas, consideraram que o seu comportamento punha em causa o Estado de Direito.
Pode portanto concluir-se que o grau de envolvimento e a gravidade do comportamento de Sócrates é muito maior.
2 – Posto isto é legítimo comparar as consequências dos dois casos.
Os críticos de Cavaco, em que pontificava ainda que cinicamente o Partido Socialista, louvaram a divulgação de correspondência privada pelo DN com base na relevância social do caso. Mas em relação a Sócrates, cujo caso tem relevância social ainda maior, decide-se ocultar e destruir as provas.
A Cavaco toda a gente exigia que desse esclarecimentos sobre uma conversa em que não estivera presente e em relação à qual se conhecia apenas a versão de um dos intervenientes. A Sócrates, em contrapartida, permite-se que escude o silêncio relativamente às escutas em argumentos formais.
Cavaco foi crucificado em público na sequência da sua inábil intervenção televisiva sem preocupações relativamente à dignidade do cargo. Mas Sócrates aparece na televisão a fazer exigências ao Presidente do STJ e ao PGR, falando em tom de ameaça aos procuradores e juízes que tiveram a ousadia de o escutar.
Enquanto Cavaco era ridicularizado por recear ser escutado, durante a campanha eleitoral em Setembro, o PGR já tinha na sua secretária as escutas que envolviam Sócrates e também o despacho do STJ a mandar destruí-las. E nada disse.
A Face Oculta veio mostrar, de forma irónica, que afinal os receios do Presidente estavam longe de ser absurdos. A ocultação da existência das certidões e dos despachos à opinião pública constituiu sem dúvida uma interferência grave no processo eleitoral e condicionou sem dúvida os seus resultados.
Mostrou também quem é que realmente tem influência na comunicação e na justiça.
Hora da publicação: 11:40 3 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: comunicação-manipulação, estado-governo, face oculta, fanatismo-sectarismo, Fernando Penim Redondo, justiça-leis
Domingo, Novembro 15, 2009
Política e negócios sobre rodas RONAL
O empresário socialista Sobral de Sousa, acusado nos casos da Escola de Condução de Tábua e da mala de dinheiro entregue ao social-democrata António Preto, foi sócio de José Sócrates, Armando Vara e Rui Vieira (dirigente do PS e marido de Edite Estrela) na empresa Sovenco nos anos 90. António Preto conheceria Sobral mais tarde, em 1997, e garante: “Nunca me disse que conhecia Sócrates ou Vara”.
António Simões Costa, fundador do PS/Lisboa, foi o mentor da empresa e explica como nasceu a Sovenco e o que o aproximou dos demais sócios: “Conheci-os nas campanhas do partido e estivemos todos com Guterres”. No ano da fundação da Sovenco, 1989, Sócrates e Vara já eram amigos. E porquê entrar nos negócios? Simões lembra uma conjugação de factores: “Cavaco governava com maioria e os suecos, com quem tinha relações, pediram-me alguém que representasse os pneus Jislaved e as jantes Ronal”. Expresso 14.11.2009
Pode ser que me engane, mas o potencial de danos que Armando Vara pode vir a causar a José Sócrates é bem maior do que todos os outros casos ou pretensos casos que tanto desgastaram a imagem do primeiro-ministro e tão decisivamente contribuíram para a perda da maioria absoluta do PS. Armando Vara (e não a ‘Face Oculta’) tem a capacidade de, por si só, arrastar Sócrates para a queda num poço de que se desconhece a profundidade. Há amizades que matam, quando se misturam com outras coisas que não são misturáveis. Foi José Sócrates quem, em nome da amizade (porque competência ou qualificação para o cargo ninguém a conhecia, nem ele), fez de Armando Vara administrador do banco do Estado, três dias depois de este ter adquirido uma espécie de licenciatura naquela espécie de Universidade entretanto extinta — e porque uma licenciatura era recomendável para o cargo. E foi José Sócrates quem, indisfarçadamente, promoveu a transferência de Santos Ferreira e Vara da Caixa para o BCP, numa curiosíssima operação de partidarização do maior banco privado português, sobre as ruínas fumegantes do escândalo em que tinha acabado o case study da sua gestão ‘civil’.
Manda a verdade que se diga, porém, que estes dois golpes de audácia de José Sócrates em abono de um amigo e compagnon de route político foram devidamente medidos: aparentemente, Sócrates contava com o silêncio e aceitação cúmplice com que toda a classe empresarial e financeira recebeu a meteórica ascensão de Armando Vara aos céus da banca e o take-over do PS sobre o BCP, como se de coisa naturalíssima se tratasse. O escândalo não ultrapassou as fronteiras da opinião pública, de modo a perturbar o núcleo duro do regime. E isso foi um primeiro sinal do nível de promiscuidade aceite entre o político e o económico a que estamos agora a assistir. E, em silêncio sempre, toda a classe empresarial clientelar foi assistindo a uma série de notícias perturbadoras sobre operações bancárias a favor de algumas empresas ou investidores que, por acaso certamente, pertencem ao tal núcleo duro do regime, que goza do favor político da actual maioria.
...Junte-se então um governo cujo primeiro-ministro é dado a companhias comprometedoras, um sistema em que se fundem e confundem o político e o económico, o público e o privado, uma justiça que verdadeiramente se tornou cega e surda, mas não muda, um Presidente da República que se desautorizou a si próprio no pior momento, e um país onde as noções de interesse público e serviço público já quase se perderam por completo sem vergonha alguma, e tudo isto começa já a cheirar indisfarçadamente mal. Cheira a fim de regime e só os loucos ou os extremistas é que podem achar isso uma boa perspectiva para o futuro. Expresso 14.11.2009
No mesmo dia, no mesmo jornal, dois textos imperdíveis sobre a caldeirada política e comercial em que vivemos. Deve ser para nos poupar à total desmoralização que o Presidente do STJ quer destruir as cassettes. Bem haja.
.
Hora da publicação: 10:26 1 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: criminalidade-bandos, estado-governo, face oculta, Fernando Penim Redondo, inadmissível-intolerável, justiça-leis, publico-privado
Sábado, Novembro 14, 2009
Sócrates Borda D'Água
Hora da publicação: 10:30 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: cartoons2009, face oculta, Fernando Penim Redondo
Sexta-feira, Novembro 13, 2009
ORDOS
.
China: uma cidade para um milhão de habitantes, prontinha, à espera que se resolvam a habitá-la. Não sei o que mais me espanta. O ineditismo ? a dimensão ?
Esta é uma demonstração impressionante de como a abundância de recursos, combinada com planeamento irrealista, pode gerar enormes "elefantes brancos".
Estão a acontecer coisas a Oriente que não nos passam pela cabeça mas que, um dia, talvez nos caiam na cabeça.
Hora da publicação: 00:28 1 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: china, dar-que-pensar, Fernando Penim Redondo
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
Casamento ou união de facto ?
. 
.
Em Portugal celebraram-se menos casamentos e houve mais casos de divórcio em 2008 do que no ano anterior, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em 2008 realizaram-se 43.228 mil casamentos contra os 46.329 mil celebrados em 2007.
Quanto aos divórcios foram decretados 26.885 mil em 2008 contra os 25.411 em 2007.
Estes dados dos divórcios são provisórios e incluem divórcios realizados nas conservatórias, tribunais e separações de pessoas e bens decretadas pela Justiça.
Apesar deste quadro, em 2008 nasceram mais bebés em Portugal do que no ano anterior: 104.594 mil nados vivos (em 2007 foram 102.492 mil), filhos de mães residentes em Portugal. Isto faz supor que a união de facto é uma solução cada vez mais adoptada.
Os homossexuais, os únicos que parecem ainda querer casar, podem ser a última esperança para a indústria dos trajes e dos "copos de água".
.
Hora da publicação: 15:01 1 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Fernando Penim Redondo, quotidianos-costumes
As medidas em curso
Hora da publicação: 12:46 0 comentários
Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: cartoons2009, Fernando Penim Redondo, justiça-leis
































































