domingo, julho 12, 2020

Mário de Carvalho



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
Estou a publicar um depoimento por dia.
Hoje é o dia do Mário de Ca
rvalho, a quem agradeço.
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sábado, julho 11, 2020

Luiz Carvalho



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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Luísa Costa Gomes



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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quinta-feira, julho 09, 2020

Luís Tinoco



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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quarta-feira, julho 08, 2020

Lauro António



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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terça-feira, julho 07, 2020

Lara Martins



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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segunda-feira, julho 06, 2020

Júlio Isidro



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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domingo, julho 05, 2020

José Manuel Castanheira



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
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sábado, julho 04, 2020

Jorge Silva Melo



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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sexta-feira, julho 03, 2020

Jorge Leitão Ramos



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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quinta-feira, julho 02, 2020

João Miguel Tavares



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
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quarta-feira, julho 01, 2020

João Lourenço



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
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terça-feira, junho 30, 2020

João Cayatte



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
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segunda-feira, junho 29, 2020

Herman José


No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
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domingo, junho 28, 2020

Filipe Faísca



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
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O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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sábado, junho 27, 2020

Fernando Gomes




No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
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O Mário escolheu as fotografias tendo em conta as supostas idiossincrasias de cada convidado. Poucas ou nenhumas informações foram dadas sobre a data, e o local, da captação das imagens.
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Eurico Carrapatoso



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
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quinta-feira, junho 25, 2020

António Avelar de Pinho



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quarta-feira, junho 24, 2020

Ana Quintans


No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
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terça-feira, junho 23, 2020

Alberto Gonçalves



No meu 75º Aniversário, há cerca de um mês,
o meu filho Mário resolveu dar-me uma prenda, em forma de supresa. Pediu a um conjunto de 27 pessoas, artistas e outras figuras públicas, que relatassem as impressões que lhes causavam algumas fotografias minhas.
Nesse grupo estão alguns velhos amigos meus mas também pessoas que só conheço pelas suas obras ou actuações.
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Anúncio, propaganda, etc.


Anúncio, propaganda, etc.
Mais uma grande ideia do Mário Redondo
Grato a todos os que me deram os parabéns de forma tão bonita

sexta-feira, junho 19, 2020

A Memória das Prateleiras (50/50) - Já fui



A Memória das Prateleiras (50/50)
Já fui

Chegámos à prateleira número 50. É tempo de parar.
Nos últimos dois meses, desde 15 de Abril, publiquei 50 crónicas de confinamento, neste tempo em que todos fomos forçados a olhar para o interior.
Quando percorro a casa os objectos vão sugerindo temas, que gravitam sempre à volta das minhas manias; fotografia, política, poesia, tecnologia, filmes, livros, viagens, música...
Até eu me surpreendi, tão numerosas as sugestões me pareceram. Tive a sensação de que poderia continuar eternamente às voltas pela casa, com coisas a saltar-me das prateleiras. Ainda por cima tenho prateleiras em duas casas.
Visto de outro ângulo o conjunto dos escritos resulta autobiográfico; somos todos, de certa maneira, novelos de histórias e obsessões.
Agora que estamos a desconfinar cada vez mais resolvi parar ou, digamos, suspender estes escritos (talvez haja uma segunda vaga de Covid).
Vou acrescentar algumas coisas à definição de mim próprio, feita há tempos, com base naquilo que já fui. Depois do Covid ficaram a faltar-lhe as palavras confinado, desconfinado, desinfectado, mascarado, distanciado.
Felizmente não tenho que acrescentar a palavra "contagiado" à lista que se segue:

JÁ FUI
Já fui criança, adolescente, adulto, maduro, cota e velho.
Já fui caixeiro, e fiz inquéritos a domicílio.
Já fui empresário, tecnólogo, dos sistemas engenheiro,
analista, programador e sindicalista.
Já fui poeta, marinheiro, combatente, tenente e fuzileiro.
Fui repetente, caminheiro, doente, paciente, mal da vista,
atleta, maratonista.
Já fui director, articulista, melómano, coralista, professor,
cineclubista, fotógrafo e artista.
Já fui amigo, inimigo, traído, embarretado e vivaço.
Já fui pobre, remediado, e abastado.
Já fui empregado, patrão, cliente, fornecedor, accionista,
reformado e distribuidor.
Já fui clandestino, fanático, militante, orador e talvez Irritante.
Já fui prisioneiro, conspirador, clubista, por mundo distante.
Já fui viajante, turista e navegante.
Já fui escritor, filatelista e coleccionador.
Já fui vizinho, proprietário, senhorio, condómino e arrendatário.
Já fui filho e neto, irmão e primo, tio e sobrinho, padrinho e afilhado.
Já fui marido, namorado e apaixonado.
Já fui pai e avô.
Ainda me falta ser defunto, mas o tempo
resolverá também esse assunto.
Poderei então dizer, em todos os sentidos,  e definitivamente
JÁ FUI

quinta-feira, junho 18, 2020

A Memória das Prateleiras (49/n) - Fábula para 2050



A Memória das Prateleiras (49/n)
Fábula para 2050

Alguém disse que os 1.300 milhões de chineses são, neste momento, o mais importante recurso natural do planeta e que o século XXI será, em grande medida, o resultado da forma como tal recurso vier a ser usado. 
Resistindo ao mecanicismo de tal opinião prefiro dizer que o futuro da sociedade humana será brutalmente influenciado por aquilo em que se tornarem os incontáveis chineses (e também os indianos). 
Estamos a redescobrir a China como se fosse um novo planeta, não só pelo seu gigantismo mas também pela estranheza que sentimos perante a sua cultura milenar, a sua caligrafia impenetrável e o ineditismo das suas soluções económicas e políticas.
Um partido comunista, com poderes quase absolutos, aceitou fazer singrar a economia com base num receituário que parecia, à partida, ideologicamente inaceitável. Vendeu a única coisa que tinha, uma gigantesca força de trabalho. Mas vendeu barato, como chamariz, para construir uma classe média.
Agora usa essa gigantesca classe média como forma de pressão sobre todos aqueles que dependem de tão enorme mercado para escoar os seus produtos. E a pouco e pouco vai aprendendo a substituir essas importações muitas vezes comprando as próprias empresas a quem adquiria os produtos.
Só que ninguém consegue perceber o que o que fará a China, para lá da tarefa hercúlea de tirar da miséria extrema centenas de milhões de homens e mulheres.
Esse enigma paira sobre as nossas cabeças: estarão apenas congelados os grandes princípios do comunismo, aguardando as condições económicas e tecnológicas para se realizar? ou aquilo a que estamos a assistir é um mero sonho nacionalista que apenas pretende vingar as humilhações históricas da China através do domínio económico do mundo globalizado?
Como não sou adivinho prefiro escrever uma fábula com horizonte em 2050:

Foi em 2020 que a tendência começou a ser notada.
Algumas empresas, médias e grandes, com antigas tradições europeias, transferiram as suas sedes para a China. Em certos casos encerraram as operações na Europa.
Por volta de 2030 o processo tinha-se tornado comum e alastrara aos Estados Unidos.
Só cá ficaram os pequenos comércios, fabriquetas e oficinas sem capacidade económica para partir.

Instalou-se um sentimento de perplexidade, de perda, perante esta nova emigração.
Muitas destas grandes empresas que partiam já anteriormente não pagavam impostos nos seus países de origem mas, enquanto tiveram empregados nesses países, os Governos tinham, ao menos, podido taxá-los para acorrer aos enormes gastos sociais.
Os sindicatos mostravam uma certa desorientação, não sabendo muito bem o que fazer sem capitalistas e sem os grandes grupos económicos..

Comissões  de especialistas nomeadas pelas autoridades concluíram que as empresas tinham deixado de achar interessantes, ou seja rentáveis, as suas operações na Europa.
Os europeus, diziam eles, já não eram atractivos nem como trabalhadores assalariados nem como consumidores. Comparativamente pouco numerosos estavam de tal forma endividados que tornavam penosa a operação de os espremer para tirar algum sumo.

Foi nesse momento, depois de perderem definitivamente o alibi de acusar quem os explorava, que os europeus inventaram uma nova forma de organizar a produção social que suplantou, em produtividade e humanismo, tudo o que o mundo até então conhecera.

quarta-feira, junho 17, 2020

A Memória das Prateleiras (48/n) - DL Juvenil




A Memória das Prateleiras (48/n)
DL Juvenil


Estava para começar este texto com uma referência, de passagem, ao Diário de Lisboa. De repente reparei que os meus leitores que tenham menos de quarenta e cinco anos nunca devem ter tido a oportunidade de comprar um exemplar do jornal.

Convém explicar-lhes que o DL era um vespertino que foi publicado entre 1921 e 1990. Nesses tempos "à atrasado" havia jornais que saíam ao fim da tarde, sim.
O cidadão lia os da manhã, com as noticias da véspera e podia ler também os da tarde, que já falavam de coisas acontecidas no próprio dia.
Convém lembrar que a SIC Notícias e os noticiários permanentes ainda não tinham sido inventados.

Para quem tenha curiosidade, e queira saber mais sobre o DL, informo que todos os números do jornal foram digitalizados e estão disponíveis no site da fundação Mário Soares.

Ora esse jornal tinha, nos anos 60, um suplemento chamado "Juvenil", coordenado pelo Mário Castrim e depois também pela Alice Vieira que se tornara sua mulher. Nesses tempos escuros da ditadura o jornal, em tamanho tabloide, disponibilizava quatro páginas para obras literárias enviadas por autores jovens.

Entre 1965 e 1967 publiquei lá quinze vezes, quase sempre poemas mas também uma reportagem e uma crítica de cinema. Depois, tudo se modificou. Em Setembro de 67 entrei na Escola Naval e passados oito meses estava em guerra na Guiné.

No Juvenil publicaram alguns jovens que vieram a prosseguir uma carreira literária e outros, como eu, que seguiram caminhos mais prosaicos. Em qualquer dos casos a obra de Mário Castrim, como fomentador de talentos, nunca será suficientemente elogiada.

Foi durante esse período em que escrevia no "Juvenil", e ia ansiosamente buscá-lo à Praça do Chile para não ter que esperar pela distribuição nas papelarias do bairro, que fui recrutado para o PCP. Um momento chave para o resto da minha vida.
Quando agora leio os poemas que publiquei no "Juvenil" em 1965, vejo um jovem à procura da sua identidade, mas quando leio os poemas de 1967 já consigo divisar o militante empenhado. Aqui ficam dois poemas que mostram este salto.

POR ENTRE AS GRADES (18 de Maio de 1965)

O meu problema
é nunca saber quem sou
O meu EU é uma multidão de eus
Um monte de máscaras
que se põem ao sabor do momento

Por vezes só vejo para além do que vejo
Outras sinto-me uma pedra entre as pedras
Um bicho no meio dos bichos
inconsciente

Ser lúcido é compreender isto
Se eu fosse só um
não era lúcido era só um
Se eu fosse só um
era um prisioneiro sem poder olhar por entre as grades


SAUDAÇÃO (9 de Maio 1967)

poema para childe, brecht,
komarov, apolinário e
para vós todos astronautas
para todos os que se esmagam
(mas principalmente para os que sobrevivem)
por perseguir horizontes

para todos os astronautas
de todas as fábricas a fazerem
parafusos e chapas e plásticos e ferramentas
com que se sonham as máquinas
que dão novas dimensões cósmicas
à liberdade de movimentos
do homem

para todos vós pescadores do futuro
o meu braço acena
das cavernas primitivas às crateras da lua
pois o mundo é passível de modificação
e eu recebi em plena face
trazida plo vento da tarde
a última mensagem da cápsula que se despenhava
e que dizia em código
que por cada flor estrangulada
há milhões de sementes a florir

terça-feira, junho 16, 2020

A Memória das Prateleiras (47/n) - Confesso que vi...vi!



A Memória das Prateleiras (47/n)
Confesso que vi...vi!
Há muitos anos vi o filme "Falstaff" (Chimes at midnight, 1965) de Orson Welles.
Desde então há uma frase que nunca mais esqueci: "Jesus, as coisas que nós vimos".
No filme Welles usa textos de várias peças de Shakespeare mas a cena que aqui me interessa está em Henrique IV (II), terceiro acto.
Dois velhos rememoram junto a uma lareira:

SHALLOW
Ha, cousin Silence, if only you’d seen what this knight and I have seen!
Ha! Am I right, Sir John?
FALSTAFF
We've seen the clock strike midnight, Master Shallow.
SHALLOW
We sure have, we sure have, we sure have. I swear, Sir John, we sure have. Our slogan was “Down the hatch, boys!” Come, let’s have lunch, let’s have lunch. Jesus, the days that we have seen! Come, come.

O próprio Welles, que além de realizador foi o interprete de Falstaff, considerava que o tema central do filme eram as amizades traídas. A mim, o que mais me tocou foi o peso da velhice, o peso do que foi visto durante uma vida longa (que inclui as amizades traídas, bem entendido).
Não falo genéricamente das memórias que carregamos no fim da vida, falo especialmente de tudo o que vimos com os olhos e o cérebro. A maior parte das nossas percepções e interacções com o mundo faz-se através da visão.
Esse filme que fizemos com os nossos olhos, durante 80 anos, é uma obra descomunal. Se qualquer casamento de uma sobrinha produz um video com dezenas de gigabytes, imaginem o que seria necessário para conter o filme da nossa vida.
É verdade que vamos fazendo a "compressão" da informação, temos muitas "pastas zipadas" na nossa mente (queira Deus que não se perca nunca o softare para as unzipar).
Também temos as câmaras fotográficas e as fotografias, claro.
Não deve ser por acaso que juntei quase quinhentas máquinas e com elas gastei centenas de rolos de filme. Reconstruindo memórias das próprias câmaras. objectos cuja principal função é criar memórias para os outros. Amor com amor de paga.
Esse processo de recuperar e dar sentido ao passado estende-se, no meu caso, a uma outra obsessão: manter organizadas e fácilmente acessíveis centenas de milhares de fotografias que fui fazendo ao longo dos últimos 60 anos. Imagens que nasceram sob a forma de filme, a preto e branco ou diapositivo, mas também as catadupas que o processo digital propiciou.
São imagens de todos os géneros, desde as estritamente familiares até às de viagem ou feitas para projectos de carácter artístico.
Este tipo de acervo, e o estudo do seu significado, fez-me um dia cunhar o termo vitafotologia. Pode ser que pegue.
Desde que nascemos e abrimos os olhos iniciamos um processo que nunca terá fim; interpretar e dar sentido àquilo que vemos. Começa por ser algo desfocado, manchas que se movem, depois rostos que se tornam familiares e o resto do mundo vem por arrasto.
Julgo que o fascínio da fotografia está aí. Na esperança que temos, até ao fim, de encontrar revelações emocionantes em cada imagem.
Se, fisicamente, somos aquilo que comemos, espiritualmente somos aquilo que vemos.
As milhentas imagens que me rodeiam, são uma memória exterior em permanente diálogo com a memória interior. Uma biblioteca imensa onde procurarei sempre, sem encontrar um livro com a minha verdadeira biografia.

Parafraseando Pablo Neruda, e o título da sua autobiografia: Confesso que vi...vi!