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Li ontem dois artigos muito interessantes no Jornal I. Um de Pedro Lomba "A sua classe? Ex-classe média" e outro de Paul Krugman "Encanar a perna à rã".
Pedro Lomba faz uma excelente abordagem de um problema que, como Paul Krugman no outro texto, ilustra bem a dificuldade que temos em reagir a desgraças que, gradual e insidiosamente, nos espreitam.
"Leio na "Time" desta semana uma reportagem sobre a nova geração dos 20 anos na Europa. O local: Espanha, após o apogeu dos últimos anos (mas bem podia ser França ou Portugal, porque a realidade não é muito diferente). As personagens: jovens com menos de 30 anos, uns no desemprego, outros com trabalhos mal pagos na economia dos serviços. O argumento: de filme negro, série B, sem nenhum final feliz. Um longo cardápio de queixas, desilusões, frustrações. Ou, traduzindo em palavras mais directas, os novos vintões e vintonas, mesmo cheios de mestrados e doutoramentos, podem vir a ser a primeira geração desde há décadas a descer de classe social. "
...
"A ex-classe média viverá em casa dos pais até tarde e, muito provavelmente, girará entre empregos, apartamentos arrendados ou relações amorosas sem se agarrar a nada e sem construir nada. Vai ser uma geração cínica e desenraizada, cutucando no Facebook para aplacar a solidão. "
Há um certo paralelismo entre os artigos de Pedro Lomba e de Paul Krugman. Diz este:
"Actualmente, porém, a crise aguda deu lugar a uma ameaça muito mais insidiosa. Para muitos dos que fazem previsões em economia, o crescimento do produto interno bruto está para acontecer em breve, se é que não aconteceu já. Mas tudo aponta para uma "recuperação sem empregos": em média, os analistas sondados pelo "The Wall Street Journal" estão persuadidos de que a taxa de desemprego vai continuar a aumentar no próximo ano e no fim de 2010 será tão alta como a actual. "
A falta de horizontes profissionais das novas gerações tem muito a ver com a recuperação económica que está a verificar-se sem que haja criação de empregos. Em minha opinião esta tendência não é conjuntural e explica-se pelo advento da sociedade tecnológia e do primado da informação.
Perante tão graves ameaças à ordem social vigente soa paradoxal o que vem sendo noticiado sobre a comparação entre os salários na administração pública e no sector privado.
Um estudo recente revela que, para trabalhos equivalentes, se ganha muito mais na função pública (para além de se disfrutar de uma segurança de emprego muito maior).
Este paradoxo é social e económicamente insustentável.
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Sábado, Julho 18, 2009
Um paradoxo sem classe nenhuma
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Sexta-feira, Julho 17, 2009
PIB chinês acelera para 7,9 por cento no segundo trimestre
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O produto interno bruto da China aumentou 7,9 por cento, face ao mesmo período de 2009. Os dados divulgados hoje pelo instituto de estatística chinês mostram que a China é a primeira das dez maiores economias a recuperar da crise financeira mundial.
O país que mais contribui hoje para o crescimento económico global, ultrapassou também ontem o Japão no poder bolsista, ao passar a ter a segunda bolsa de valores mais poderosa do mundo.
Grande parte da valorização das acções chinesas ficou a dever-se ao plano de estímulo económico de quatro milhões de milhões lançados pelo governo de Pequim para impulsionar o investimento.Para além do pacote de recuperação económica, o crescimento acelerado do PIB ficou a dever-se ao investimento em imobiliário para 35,3 por cento em Junho, o aumento da produção industrial em 10,7 por cento no mês passado e a subida de 15 por cento das vendas a retalho.
Também ontem as agências noticiaram que as reservas em moeda estrangeira que a China possui aumentaram para 2,132 biliões de dólares (1,51 biliões de euros).
No entanto o porta-voz do instituto de estatística chinês alertou em declarações divulgadas pela Bloomberg que a recuperação da economia chinesa ainda não é “firme”, face à contracção da procura externa queda dos lucros corporativos e declínio da receita fiscal.
Público 16.07.2009
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Hora da publicação: 10:05 0 comentários
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Quinta-feira, Julho 16, 2009
Émulo de Pinho lançado para o espaço
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Quarta-feira, Julho 15, 2009
Ciberdúvidas
(recordação das eleições para a CML em 2007)[Pergunta] Minha mãe e meu pai são portugueses e costumam falar a expressão: «cocó, ranheta e facada». Podem explicar-me qual o significado dessa expressão?
[Resposta] O Dicionário de Expressões Correntes, de Orlando Neves, editado pela Editorial Notícias, regista a expressão «Cocó, Ranheta e Facada (os três da vida airada)», com esta explicação: «Diz-se de três pessoas que andam sempre juntas.»
Cocó (nome/substantivo) quer dizer, na linguagem infantil, «excremento; fezes»; significa, ainda, «anel do cabelo» e «raça de galos e galinhas». Como adjectivo uniforme ou nome (substantivo) de dois géneros, é termo coloquial e significa «que ou pessoa que é muito susceptível ou vulnerável» ou «que ou pessoa que é afectada, presumida».
Ranheta significa, popularmente, «ranho»; no Brasil, é «pessoa impertinente, rabugenta». Facada é «golpe de faca» e, em sentido figurado, «surpresa dolorosa»; «ofensa grave»; e «pedido de dinheiro feito por mau pagador».
[in Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora]
Texto obtido no site "Ciberdúvidas da Língua Portuguesa"
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Hora da publicação: 22:33 0 comentários
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O vírus suíno da comunicação
Jornais e televisões insistem em nos dizer que já há mais de cem infectados com a gripe A em Portugal. Já encontrei várias pessoas que pensam que os primeiros infectados, em Maio salvo erro, ainda estão a padecer da doença.
Consciente ou inconscientemente propaga-se a ideia, errónea, de que neste momento temos cem pessoas doentes com a gripe A.
Porque é que não dizem nunca quantos casos estão por resolver neste momento ? dos cem que foram infectados ao longo dos últimos meses a quase totalidade já se curou e está a fazer a sua vida normal. Porque se oculta isto ?
Este e outros casos de distorção tornam-me muito pouco receptivo à informação de massa, à qual aplico uma desconfiança constante.
Um outro exemplo: os acontecimentos de Urumqi, capital de Xinjiang, na China (o DN situava Xinjiang na Ásia Menor).
Tal como no caso da gripe os jornais adoram mencionar o número de mortos e feridos mas esquecem-se de explicar quem matou quem e porquê.
Foram os da etnia han que mataram os da etnia uigure, ou foi ao contrário ?
Foi a polícia que matou os uigures e os han ou matou só um dos grupos ?
Os uigures foram reprimidos pela polícia por se estarem a manifestar ou por estarem a matar pessoas han ? Os han foram reprimidos pela polícia por estarem a matar uigures ou por se estarem a manifestar ?
Quem esclarece estas dúvidas ? Ninguém parece interessado em que estas dúvidas se esclareçam pois isso permite propagar a versão mais útil em cada momento ou que vende mais.
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Terça-feira, Julho 14, 2009
Uma equipa vencedora em Lisboa
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Domingo, Julho 12, 2009
A mentira das imagens (3)
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O jornal New York Times retirou do seu site imagens de um trabalho fotográfico de Edgar Martins, por alegadamente terem sido manipuladas digitalmente, uma decisão que o galerista do autor português diz ser «um mal-entendido».
«Eu acho que tudo não passa de um mal entendido. O Edgar Martins não é um fotojornalista», disse José Mário Brandão, da galeria Graça Brandão, que tem sido galerista do autor português nos últimos cinco anos.
Edgar Martins, 32 anos e vencedor este ano do Prémio BES Photo, foi convidado pelo jornal New York Times para um projecto editorial sobre a recessão económica nos Estados Unidos.
O artista português percorreu 19 cidades dos Estados Unidos em 21 dias e o resultado deste trabalho foi publicado no passado domingo na revista do New York Times e numa fotogaleria no site oficial do jornal.
Na quarta-feira, o diário nova-iorquino decidiu retirar o trabalho jornalístico, intitulado Ruins of the Second Gilded Age, da Internet, alegando que Edgar Martins manipulou as imagens digitalmente.
Diário Digital
Edgar Martins passou 21 dias a fotografar 19 cidades norte-americanas, a convite da New York Times Magazine. O trabalho, com mais de uma centena de fotografias sobre os efeitos da crise económica no país, foi publicado no passado fim-de-semana, em seis fotografias. E retirado na terça-feira, depois de um leitor ter identificado nas imagens alterações feitas em computador.
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Nas fotografias imperam imagens de casas inacabadas, vazio e destruição deixados para trás por famílias e empresas norte-americanas arruinadas pela crise. Mas o que foi detectado por um leitor do Minnesota, programador informático, que confessa nem perceber de fotografia, foi que, em pelo menos um caso, onde se via o interior vazio de uma grande casa em madeira, havia manipulação digital da imagem: um dos lados era literalmente o espelho do outro, uma imagem simétrica só conseguida com recurso a um editor de fotografia, como o conhecido programa Photoshop.
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"Soubessem os editores que as fotografias tinham sido manipuladas digitalmente e o trabalho não teria sido publicado. Por isso foi retirado", pode ler-se numa mensagem deixada no lugar do portfólio.
Edgar Martins, vencedor do prémio BES Photo 2009, responde à polémica: "Já esperava esta discussão, o que não esperava era a forma como aconteceu", disse ao PÚBLICO. "O problema foi o New York Times ter vendido a história como vendeu", disse, negando a acusação de manipulação. "Sou crítico do fotógrafo como turista, que produz um trabalho factual, recuso ser um mero intermediário, que dá uma visão fragmentária", acrescenta o autor, referindo que nunca lhe foi dito que o objectivo era uma abordagem factual, apesar de conhecer "as ansiedades da editora" sobre trabalhos conceptuais que permitem todo o tipo de liberdades estilísticas."Sabia que ia desafiar as convenções do jornalismo. Eu não fui para observar, fui para comentar", admite Edgar Martins, que frisa que nunca colocou de lado o uso do computador e que fala de "um desencontro" sobre o modo como cada parte assumiu o ponto de partida para o trabalho.
..."Não foi uma alteração para servir a estética. É uma mensagem que eu quero passar da dualidade entre a aspiração e o excesso, a ruína e a decadência."O autor, que já falou sobre este assunto com críticos de arte norte-americanos, e que está em negociações para publicar o trabalho integral com uma editora norte-americana, felicita-se sobre a abertura de um debate sobre um assunto que há muito deveria ter sido lançado, sobre o factual e o conceptual na fotografia.
Jornal Público 11.07.2009
Esta discussão veio para ficar. Qual é a definição de fotografia e quais são os limites aceitáveis à sua manipulação/transformação digital ?
No caso em apreço penso que o autor devia ter explicitado o carácter da sua abordagem. Na medida em que se tratava de endereçar jornalisticamente um tema de "realismo social" era expectável uma leitura não conceptual por parte do público leitor.
Por isso, embora se respeite a liberdade do autor na produção da obra também se percebe a atitude do jornal que necessita de garantir a "credibilidade" das imagens que publica, no contexto em que actua.
Sobre este tema:
A mentira das imagens (1)
A mentira das imagens (2)
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Sábado, Julho 11, 2009
Caracóis simplex à borlix !
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Aqui está uma iniciativa com profundo significado. Os caracóis são o símbolo da lentidão, que aflige tantos dos nossos serviços, e os tachos um tradicional desporto português.
A originalidade consiste em juntá-los e mostrar como são compatíveis.
Em Loures demostraremos que, em tachos para caraóis, ninguém nos ultrapassa.
A campanha para as autárquicas já começou.
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Hora da publicação: 09:34 0 comentários
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Sexta-feira, Julho 10, 2009
As virtualidades da gripe
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A "Fragata Bartolomeu Dias em quarentena por se ter confirmado um caso de Gripe A".
Como costuma dizer-se os perigos são simultâneamente oportunidades. Quem sabe se este episódio não constituirá uma revolução na arte da guerra. Para além do poder de fogo convencional a nossa marinha passa também a poder espirrar para cima do inimigo.
Há que dotar todas as unidades da armada, por inoculação voluntária do pessoal, desta arma demolidora.
Mas este não é um efeito isolado da "gripe A". O Plano de Contingência da Justiça promete evitar "as diligências adiadas e os processos atrasados".
Mais um problema que nos afligia há tantos anos e que só através da "gripe A" conseguiremos solucionar.
Um sector após o outro, todos beneficiarão do seu plano de contingência. Até nas prisões, onde os doentes estão automáticamente de quarentena, já se trabalha afanosamente num plano.
A "gripe A" é a revolução redentora por que todos esperávamos.
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Hora da publicação: 09:01 2 comentários
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Quarta-feira, Julho 08, 2009
A Audição
Hora da publicação: 10:02 0 comentários
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Segunda-feira, Julho 06, 2009
Ninguém se demite ?
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Uma entidade idónea a "Intercampus", considerada competente, conduziu para a SEDES um inquérito onde entre outras coisas se conclui:
- só 5% dos inquiridos acham que os "governantes têm muitas vezes em conta as opiniões dos cidadãos"
- só 12% dos respondentes pensa que "as pessoas como eu têm influência sobre o que o Governo faz"
- só 9% declaram "os políticos preocupam-se com o que pensam as pessoas como eu"
- só 8% considera que "quem está no poder não busca sempre os seus interesses pessoais"
Confirmando a validade destas opiniões os visados, a chamada "classe política", assobiou para o lado como se nada tivesse acontecido.
É caso para perguntar: ninguém se demite ? ninguém tem vergonha na cara ? quando é ao povo não faz mal acenar com os corninhos ?
Esta olímpica indiferença radica na convicção de que o povo é uma espécie de receptáculo para onde se atiram doses sucessivas de "esclarecimento" até que se porte bem. O povo acabará por perceber os altos desígnios, quer queira quer não.
Ainda recentemente os partidos insistiram em prolongar as campanhas eleitorais através do desfasamento das datas das legislativas e das autárquicas. Ninguém cuidou de saber qual era a opinião dos destinatários.
Como este inquérito mostra as pessoas comuns não pretendem ser mais "esclarecidas" por quem consideram incompetente para o fazer. Estão fartas de campanhas que se parecem demasido com a venda de sabonetes e de querelas entre exaltados "magos" que têm sempre na manga a solução redentora até lhes ser dada oportunidade de a pôr em prática.
Depois da abstenção em massa viremos talvez a assistir, num futuro próximo, à proliferação de autocolantes amarelos desesperados. Talvez assim eles percebam que está na hora de refundar a nossa democracia.
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Hora da publicação: 07:53 10 comentários
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Sexta-feira, Julho 03, 2009
PETRA, o abstraccionismo das rochas

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Quarta-feira, Julho 01, 2009
Uma imagem ou mil palavras ?
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Uma imagem vale mais do que mil palavras. É velha esta forma de comparar a força cognitiva e comunicativa das imagens e dos textos mas, para além de velha, ela é também inadequada.
Um texto, e antes dele a linguagem em que se expressa, é uma pura convenção. Mesmo quando os idiomas são ideográficos os símbolos que os integram resultam de regras ou de tácitos sociais.
As imagens, pelo contrário, estão tão longe de ser convencionadas que nem sequer percebemos bem quais as regras que usamos para as interpretar. São menos sociais mesmo quando incluem objectos que socialmente têm algum significado.
Raramente nos damos conta de que interpretar imagens, e tomar decisões com base nelas, é um dos actos que praticamos mais frequentemente nas nossas vidas, pelo menos no período em que estamos acordados.
O mundo entra-nos naturalmente pelos olhos e muito antes de saber ler qualquer texto, ou até entender qualquer palavra dita, já essas imagens nos permitem conhecer e actuar sobre o espaço e a comunidade à nossa volta.
Se caíssemos num planeta desconhecido mas iluminado, onde não entendessemos mesmo nada dos símbolos, ainda assim seriam os olhos e as imagens que eles captam a nossa única hipótese de sobreviver.
Quer o pensamento quer a interpretação do mundo podem existir mesmo sem palavras mas isso não significa que, por exemplo, as ideias deste texto fossem facilmente transmitidas recorrendo apenas a imagens.
Também não costumamos pensar que um texto escrito, quando se apresenta a um potencial leitor começa por ser, para esse leitor, “apenas” uma imagem.
Antes de chegar ao sentido de um texto temos que passar por várias fases; (1) reconhecer que estamos perante a imagem de um livro, (2) abrir uma página e nessa imagem localizar os caracteres, (3) verificar se os caracteres são conhecidos (podem ser chineses ou árabes e, portanto, meras imagens para a maior parte de nós), (4) determinar a língua/convenção que devemos usar para a descodificação do texto e depois, só depois, (5) estaremos perante um texto e começaremos a ler.
Muitos pensam que o aforismo “uma imagem vale mais do que mil palavras” significa que não conseguiríamos descrever com mil palavras o conteúdo de uma imagem o que, em muitos casos, até pode ser verdade. Mas esse não é o sentido mais profundo do ditado.
Mesmo que nos seja possível descrever uma imagem com mil palavras demoramos muito mais tempo a ler as mil palavras, e a captar o seu significado, do que a interpretar a imagem que lhes deu origem.
Imaginemos por instantes que conduzimos um automóvel com os olhos vendados e baseados em explicações verbais sobre a estrada e o comportamento de cada veículo ou peão que nos rodeia e teremos um vislumbre da enorme diferença de velocidade entre imagens e textos.
O cinema tira partido dessa velocidade na interpretação das imagens e constrói a sua narrativa com base num vertiginoso “descubra as diferenças” que nós jogamos nas calmas enquanto somos bombardeados com imagens sucessivas. Como dizia Godard “O cinema é a verdade a 24 imagens por segundo”.
Dir-se-á que o texto é sempre de autoria humana e que, portanto, só deve ser comparado com as imagens feitas por homens, quer eles sejam pintores, arquitectos ou fotógrafos. Ao contrário dos textos, que são combinações particulares dos componentes da língua, aceites como um resultado intelectual, íntimo, das experiências vividas, as pinturas e fotografias são vistos como pedaços arrancados, mesmo quando sofrem tranformação, do rosto visível da realidade envolvente. Por outro lado tais pedaços, fotografias ou quadros, são sempre inevitavelmente lidos por quem os observa como mais um objecto presente no vasto palco imagético do mundo.
O que acabamos de dizer não significa que não seja dado um tratamento especializado a tais objectos. Nomeadamente à fotografia que ainda é, para muitos, a representação mais fidedigna do “mundo real”.
Mas as razões do fascínio que a fotografia desperta e a particular leitura de que os objectos fotográficos disfrutam ficará para outra ocasião.
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Terça-feira, Junho 30, 2009
Pepinos curvos e cenouras nodosas - uma nova era
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Eu não podia deixar em claro que amanhã, transcorrido menos de um mês sobre as eleições europeias, teremos o "início de uma nova era para os pepinos curvos e as cenouras nodosas".
A alteração da legislação que entre amanhã em vigor é mais uma prova da utilidade e clarividência das regras comunitárias.
"... está previsto o grande regresso: pepinos curvos, alhos pequenos, cenouras nodosas vão voltar a conquistar o seu lugar nas bancas. Entram em vigor as novas regras que permitem a venda de frutos e produtos hortícolas “deformados”.As regras comuns de calibragem na União Europeia foram impostas há várias décadas pelos Estados-membros. Mas no final do ano foi anunciado que as normas de comercialização específicas para 26 produtos iam ser revistas. Os couves-repolho já não têm que ser perfeitas. Os damascos, alcachofras, espargos, abacates, também não... beringelas tortas também têm direito a ser compradas. Mariann Fischer-Boel, comissária europeia responsável pela agricultura e pelo desenvolvimento rural, não poupou nas palavras quando, no dia 12 de Novembro, foram revistas as imposições que arredavam dos mercados estes produtos: “Esta decisão marca o início de uma nova era para os pepinos curvos e as cenouras nodosas. Trata-se de um exemplo concreto dos nossos esforços para eliminar burocracia desnecessária”Boel justifica a mudança com a actual conjuntura económica de “preços elevados dos produtos alimentares e de dificuldade económicas generalizadas” – “Não tem qualquer sentido eliminar produtos de perfeita qualidade apenas porque têm uma foma ‘errada’.”
Público 26.06.2009
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Segunda-feira, Junho 29, 2009
Duas exposições na Baixa
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No depuradíssimo espaço Chiado 8, da Companhia de Seguros Fidelidade, está a exposição "Pinóquio", de Jorge Molder. As obras, que versam o tema da máscara que esconde mas revela, estabelecem com o espaço um belíssimo diálogo.
Um pouco mais abaixo, até 30 de Junho, é na Galeria do Governo Civil de Lisboa que expõe José Manuel Simões. Uma série dedicada à manipulação cromática das geometrias urbanas.
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Domingo, Junho 28, 2009
Futilidades
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António Barreto (Retrato da Semana no Público, 28.06.2009)
Um conjunto de argumentos põe em relevo as vantagens partidárias. Se os votos forem separados, ganham uns partidos, se forem no mesmo dia, ganham outros. A mesma coisa, ou parecida, se as legislativas se realizarem antes ou depois das autárquicas. Quer isto dizer que ninguém tem legitimidade para preferir uma data ou uma ordem: imediatamente lhe saltam em cima com acusações de interesses ilegítimos e de oportunismo. Quem assim faz esquece-se de que os argumentos são totalmente reversíveis.
Outro argumento é o dos custos. Nem sempre se percebe se estamos a falar de custos directos para os votantes, despesas para os partidos ou encargos públicos. De qualquer modo, quem alude aos custos está em geral a pensar nos interesses dos partidos. Com efeito, quem quer as eleições separadas garante que a democracia bem merece um punhado de euros, enquanto os que desejam actos conjuntos referem a poupança assim obtida. É, no entanto, certo que a despesa ou a poupança não parecem um argumento muito forte.
O aparentemente mais sério argumento é o da abstenção ou da participação. Também neste domínio, a consistência não é visível. Juntar eleições, para uns, significa mais participação; separá-las, para outros, teria o mesmo efeito.
Não consta que haja solidez nas razões apontadas. Nem sequer estudos concludentes. A única dúvida razoável é a que alude ao cansaço: maçados com duas deslocações seguidas à distância de uma ou duas semanas, os eleitores poderiam optar por apenas uma. Mas são meras suposições. Além de que não se sabe muito bem se seria a primeira ou a segunda a sofrer dessa terrível fadiga. Como não se sabe se o cansaço é argumento mais importante do que a natureza das eleições e o que está em causa. Apesar de anónimas e limitadas aos emblemas dos partidos, as legislativas chamam mais eleitores. Mas as "grandes figuras" municipais também têm algum efeito. Reflexão tortuosa é a que se apoia na previsão das intenções dos eleitores. Nas autárquicas, diz-se, os cidadãos querem escolher um presidente de câmara e bater no Governo. É estranho, mas é o que consta. Nas parlamentares, os mesmos eleitores esquecem tão vis desejos e designam racionalmente o Governo que preferem. As estatísticas eleitorais sugerem alguma coisa, nomeadamente o facto de poder haver diferenças na orientação de voto entre as duas eleições, assim como uma maior presença do PSD nas autarquias (o que não é uma regra absoluta). Mas não são constantes que permitam certezas.
O último dos argumentos é o mais brutal. Juntar eleições teria como efeito criar a confusão nos eleitores. Já desorientados com a existência de três boletins de voto (freguesia, assembleia municipal e vereação camarária ou presidente da câmara), ficariam completamente perdidos com a eventualidade de terem de lidar com quatro. Muitos votos ficariam assim perdidos. Brancos e nulos, possivelmente. No partido errado, com certeza.
É comovedor este desvelo dos partidos e de alguns comentadores encartados. O esforço que fazem para cuidar dos pobres cidadãos, tão vítimas de manobras, tão deficientes mentais e tão incapazes de decidir por si! A minuciosa atenção que prestam aos eleitores, tão frágeis e vulneráveis, que perdem literalmente a cabeça perante quatro boletins de voto! Se repararmos bem, quase todos os argumentos conduzem ao mesmo: a incapacidade dos eleitores, a sua falta de discernimento, o seu cansaço fácil e a rapidez com que se confundem. Na verdade, esta discussão ridícula tem um só objectivo, o de começar a arranjar explicações para os fenómenos que os incomodam: derrotas eleitorais e elevadas taxas de abstenção. Na noite (ou nas noites) das eleições de Outubro, já sabemos qual a justificação que mais vezes se vai ouvir: a data das eleições é a culpada.
A propósito das datas e seguramente em consequência da abstenção nas europeias, já começou a ladainha piedosa dos que querem o bem dos cidadãos e a nobreza da democracia. Já se ouvem propostas para "melhorar o sistema" e dar novo "tónus" à democracia. Em vez de se inquietarem com a fictícia democracia europeia e a inutilidade do Parlamento Europeu, propõem que o voto seja obrigatório! Em vez de pensarem na reformulação de alguns processos, designadamente no voto pessoal, sugerem punições para quem escolhe abster-se! Preparemo-nos, pois, para a próxima revisão da Constituição. Lá veremos dispositivos para reforçar a democracia. Sempre com um denominador comum: a cegueira perante as deficiências do nosso sistema e a vontade de resolver os problemas com normas legais e punitivas. Já agora, uma modesta contribuição: as eleições deveriam ser obrigatoriamente em dia de chuviscos. Mas não de mais, que levam as pessoas a ficar em casa, nem de menos, que deixam os eleitores ir à praia.
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Sábado, Junho 27, 2009
A desforra das corporações
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Sexta-feira, Junho 26, 2009
Blue met green in black
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Quarta-feira, Junho 24, 2009
AFARI
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Ocorreu-me tudo isto recentemente quando bebia uma limonada na Rua Nova do Almada, exactamente como há 50 anos, num cafézito junto à Boa-Hora que, dizem os jornais, está em perigo de vida. A limonada, excelente, lembrou-me aquelas que eu bebia quando era mandado entregar uns pacotes mais acima, na Instanta do Chiado (suponho que eram negativos para revelar ou coisa quejanda).
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Segunda-feira, Junho 22, 2009
A loucura dos 'OUTDOORS'
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