terça-feira, novembro 12, 2019

Rua do Benformoso



Rua do Benformoso
ontem percorri esta paralela à Almirante Reis, em Lisboa, desde o Martim Moniz até ao Intendente.
Assim tomei contacto com uma realidade pouco visível para quem anda nas ruas principais. Lojas, oficinas e habitações parecem estar quase todas ocupadas por imigrantes maioritáriamente asiáticos.
Temos a sensação de voltar a uma sociedade medieval, de pequenos artesãos e comerciantes, que "empregam" na maior parte dos casos membros da própria família.
Mesmo quando aparece a tecnologia moderna ela é aparentemente resultado de circuitos industriais e comerciais alternativos, baseados em trabalho manual e em clonagem do design.
Aqui está um tema interessante para estudos sociológicos; as comunidades de imigrantes a criar "modos de produção" arcaicos, bolsas alternativas aos grandes potentados do capitalismo.

sábado, novembro 02, 2019

Dia de chuva em Nova York



Dia de chuva em Nova York
a frase chave do novo filme de Woody Allen é:
"Reality is for those who cant do better"
O velho Woody mostra, com mestria, que na ficção, como no mundo dos ricos, tudo é possível. Possibilidades infinitas mas cheias de alçapões.

quarta-feira, outubro 23, 2019

A Herdade



A Herdade
é um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos. Uma interligação muito interessante de factos históricos e de relações pessoais e familiares ao longo do tempo (décadas). O protagonista é excelente e a fotografia também (atenção fotógrafos). Tudo tem um ar credível e autêntico. O mundo rural do Sul e as vicissitudes da Revolução, primeiro, e das mutações económicas do capitalismo, depois. Sem concessões ao romantismo e ao panfleto.

Novos sinais de trânsito



Um dos novos sinais de trânsito
assinala "zona com forte influência do Chega"

quarta-feira, outubro 16, 2019

AC25A de Toronto fez 25 anos

AC25A de Toronto fez 25 anos e nós fomos convidados para a festa

sábado, outubro 12, 2019

É justo


quinta-feira, setembro 26, 2019

Azeredo


segunda-feira, setembro 23, 2019

sexta-feira, setembro 13, 2019

Dor e Glória


Há artistas cujas obras são sempre, de alguma forma, autobiográficas. 
Em "Dor e Glória" Almodôvar encara esse touro de frente e faz uma chicuelina

quinta-feira, setembro 12, 2019

segunda-feira, setembro 02, 2019

Foi este o "petróleo" que salvou a Geringonça



Foi este o "petróleo" que salvou a Geringonça

segunda-feira, agosto 19, 2019

Dia Mundial da Fotografia



Em vez de balas

No dia 1 de Maio de 1968, o Tenente largou do Tejo, rumo à Guiné, a bordo da fragata Corte Real. Era então um jovem fuzileiro, de 22 anos, recém casado, que interrompera os estudos de Economia na Universidade de Lisboa. 
Subiu e desceu os principais rios da Guiné comandando as missões a partir das lanchas da Armada. Navegou no Cacheu até Farim, no Mansoa, no Geba e no Rio Grande de Buba. Ligou por mar a foz desses grandes rios e também foi a Catió, a Bolama e aos Bijagós.
A guerra era uma realidade penosa para quem como ele, jovem militante comunista, se opunha ao domínio colonial e defendia a independência das colónias. Partilhou esse drama pessoal com a sua mulher, que trabalhou como professora de História no então Liceu Honório Barreto.
A fotografia constituiu um paliativo. Ao fotografar a dignidade do povo guineense, a beleza das suas mulheres, o porte dos seus homens e o encanto das suas crianças, ele tinha a impressão de estar a fazer um gesto de amizade no contexto da guerra.
Quase não fotografou a guerra e os aparatos militares.
Dedicava-se a registar as gentes da tabanca, dos campos do arroz, os pescadores, e a garotada negra.
Felupes com os seu cachimbos, balantas em trajes de fanado, mandingas com as suas longas vestes. Rostos, corpos e gestos impressos a preto e branco.
No contexto da guerra estas eram coisas preciosas, que corriam perigo, mas que um disparo da câmara fotográfica dava a ilusão de resgatar para sempre.
Fotografias em vez de balas.
A fotografia, para o Tenente, ficaria definitivamente marcada por aquele momento inicial na Guiné. A fotografia como forma de viver, ou de sobreviver. Afirmação íntima contra a inevitabilidade do tempo e contra as inevitabilidades de cada tempo.
A fotografia não mais o abandonou. E aos setenta anos, como aos vinte, continua a desempenhar o seu papel de argamassa interior, lingando os tijolos da memória.

(Extractos do livro "Crónicas de um Tenente", 2019)
(a fotografia de cima foi feita pelo meu amigo José Carlos Alves Almeida)

segunda-feira, agosto 12, 2019

Em vez de balas



Exposição de Fotografias (Guiné 1968/69)
16 de Agosto a 7 de Setembro
Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana
Dia 7 Setembro, 16 horas, apresentação do livro "Crónicas de um Tenente"

https://www.cascais.pt/evento/em-vez-de-balas-exposicao-de-fotografia-de-fernando-penim-redondo

domingo, agosto 04, 2019

Pedro


O meu sobrinho Pedro Traquina
visitou-nos ao fim de muitos anos nos states

domingo, julho 28, 2019

Nós com a neta Mafalda



Nós com a neta Mafalda

segunda-feira, julho 22, 2019

COLISÃO



COLISÃO (CRASH)
Um filme que é um tratado sobre os estereótipos sociais, 
os medos e as expectativas erróneas. 
Recomendado a quem tenha visões simplistas 
do racismo, da xenofobia e de outras falências da comunicação humana.
Ano 2004, realizador Paul Haggis

quinta-feira, julho 18, 2019

Nem racismo nem o seu aproveitamento partidário


O meu filho mais novo, no seu quarto de dormir, há mais de 40 anos.
Quando hoje vejo os garotos brancos e os garotos negros do infantário, ou do básico, de mão dada, não consigo deixar de me emocionar.
Acho que esse convívio infantil, sem preconceitos, faz mais contra o racismo do que mil discursos retóricos de eleitoralismo partidário.

domingo, julho 14, 2019

quarta-feira, julho 10, 2019

segunda-feira, julho 08, 2019

domingo, junho 30, 2019

Loures Arte Pública


Loures Arte Pública
Quinta do Mocho, 28.06.2019

segunda-feira, junho 24, 2019

S. João no Sobrado


Uma complicada guerra entre os Bugios (cristãos) e os Mourisqueiros, por causa de uma imagem de S. João.

terça-feira, junho 18, 2019

Palácio de Diocleciano


Palácio de Diocleciano em Split
Croácia, 2019

domingo, junho 09, 2019







Este Blog
existe há 15 anos





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sábado, junho 08, 2019

Crónicas de um Tenente





Lançamento das "Crónicas de um Tenente"
Na mesa contei com a presença dos amigos (da esquerda para a direita), Daniel Maymone, Osvaldo Cordeiro, Mário de Carvalho e Fernando Mão de Ferro.





sábado, junho 01, 2019

Máquina de meditar


terça-feira, maio 28, 2019

O resto é conversa


Em 2014 o PS ganhou com 3,5 pontos percentuais 
sobre PSD+CDS, era poucochinho. 
Em 2019 o PS ganhou com 3,5 pontos percentuais 
sobre PSD+CDS+Aliança, agora é uma grande vitória.
O resto é conversa.

sábado, maio 18, 2019

CONFISSÕES DE UM COLECCIONADOR



CONFISSÕES DE UM COLECCIONADOR

A colecção de câmaras fotográficas antigas é uma espécie de lar da terceira idade, uma Babel de olhares desmemoriados.
As máquinas foram chegando dos quatro cantos do mundo, com seus achaques, deixando para trás, sabe-se lá onde, as suas memórias de celulóide.
Umas têm as lentes toldadas pelas cataratas do vidro, outras disparam devagar na dolorosa artrite dos seus obturadores e outras ainda sofrem da incontinência luminosa causada pelos orifícios nos foles.

Mas todos aqueles olhos que tanto viram ao longo do século XX, nos mais desvairados locais e situações, parecem agora pasmados pelo vazio dos seus interiores negros de onde os homens, invejosos e cansados das imagens fátuas do cérebro, arrancaram as películas em que o tempo se suspendera.
Este Alzheimer fotográfico do já visto só pode ser revertido fotografando outra vez.

A cada nova velha máquina que desperto do seu sono, qual bela adormecida, sinto-me um príncipe encantado.
Excita-me imaginar o que elas sentem quando abrem os seus olhos há tanto tempo cerrados. Quase tudo o que eu lhes possa mostrar, quando as disparo, deve ser para elas uma espantosa novidade.
Umas, posso imaginá-las na Chicago elegante dos anos vinte e tento perceber o seu choque quando abrem a lente para a arquitectura vanguardista da Expo.
Outras, podem muito bem ter servido para um fazendeiro boer fotografar as suas orgulhosas plantações, ou para um nababo do Pundjab eternizar o palácio e os seus adornos femininos; mas agora piscam o seu obturador em remotas aldeias transmontanas.
Elas viajaram no tempo e no espaço para, nos meus braços, sair da sua prolongada letargia.

É ao fotógrafo que cabe levar as máquinas a olhar e registar de novo, num reviver de mecanismos e gestos. Reter as suas memórias num enrolar de filme e depois pô-las frente a frente com as suas próprias obras.
Ao fazer isso, o fotógrafo reinventa a sua própria biografia. Repetindo os modos que há muito esquecera ou descobrindo os gestos que nunca tinha feito.

O visor à altura do olho ou da cintura, o avanço da película com alavanca ou com rotação da lente, a focagem por estimativa ou por sobreposição, a medição da luz pelo selénio ou pelo cádmio, o empunhar da câmara com dois dedos ou com as duas mãos, o disparo espontâneo ou encenado, um olho que pisca ou então um olho que arregala, são determinantes do que se pode fotografar e de como se fotografa.

Os desenvolvimentos tecnológicos e ergonómicos que percorreram o século XX não constituem apenas uma parada de tentativas e de abandonos, de sucessos e de fracassos; cada nova realização da técnica e do design transformou o gesto de fotografar de forma irremediável.
Ao reconstituir essa caminhada desvendamos as razões que tornaram incontornável o acto de fotografar.

segunda-feira, maio 13, 2019

Berardo, explicado aos ingénuos


Boneco do Rui Rocha