Domingo, Janeiro 29, 2012

Banalização e umbigo

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Os políticos podiam economizar algumas asneiras que fazem se andassem de vez em quando de autocarro. Esse talvez tenha sido o erro de Cavaco Silva. Meia hora no 758 da Carris (Cais do Sodré - Portas de Benfica) e teria percebido que quem tem reformas com cinco algarismos não é a pessoa mais adequada para se queixar num país com reformas de três algarismos. Dito isto, estamos perante uma tolice, e só. Uma tolice todos podem dizer, até o Presidente da República. É certo que se errar é humano, nos políticos é bom motivo para cair-lhes em cima com críticas e Cavaco mereceu as críticas generalizadas. Mas depois milhares de pessoas assinaram uma petição para que o Presidente se demita, e isso é uma tolice sobre a tolice da frase presidencial. É uma censura ao inalienável direito de um Presidente dizer uma tolice impedir que ele a diga - tão grave quanto seria impedir o inalienável direito de dezenas de milhares de portugueses pedirem a demissão do Presidente por delito de opinião. Os assinantes da petição perderam uma boa oportunidade para não se igualarem ao Presidente em matéria de tolices. Já os promotores de levar moedinhas ao Palácio de Belém só são coerentes se forem bota-abaixistas do regime. Defendo o direito de eles exercerem essa ação, mas sou contra a intenção: preciso de um Presidente da República não amesquinhado. E forte para garantir as liberdades todas, incluindo as já ditas nestas linhas.


FERREIRA FERNANDES no DN 28.01.2012




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Concordo totalmente e acrescento: o recurso irresponsável a petições e outras formas de luta, por tudo e por nada, é a melhor forma de esvaziar as suas potencialidades. Será que esta malta não percebe que a banalização os reduz ao seu círculo de amigos, totalmente isolados da massa do povo?


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Sábado, Janeiro 28, 2012

Previsões para o Ano do Dragão

 

Veja AQUI as previsões para 2012


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Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

O Arquivo do Planeta

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Em 1909 o banqueiro francês Albert Kahn decidiu documentar, fotográficamente, os povos do mundo. Gastou parte da sua fortuna para enviar equipas a mais de cinquenta locais onde recolheram 72.000 "autochromes".
O crash de 1929 levou Kahn à falência e provocou o fim deste ambicioso, e maravilhoso, projecto.
(veja mais aqui)

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Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

ANO DO DRAGÃO

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Este texto do Expresso desta semana é dedicado a todos aqueles que ainda não perceberam a enorme evolução da China nos últimos 40 anos.
Curiosamente são muitas vezes os mesmos que têm na manga uma qualquer "verdade de classe" para nos iluminar.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Memórias fotográficas (2)

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Em 1996, apenas há 15 anos, comprei esta RICOH em Nova Yorque. Foi a minha primeira digital que fazia fotografias com 768X576 pontos. Como se pode ver eram armazenadas num cartão com estonteantes 10 MB. Ver mais aqui: http://www.ricoh.com/r_dc/past/rdc/2e/

Sábado, Janeiro 21, 2012

Já lá vai o tempo da cassette

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XANGAI — Inspirado no iPad e em seu grande sucesso de vendas, o "Red Pad" acaba de ser lançado na China para clientes muito especiais: os integrantes do alto escalão do governo comunista.
A imprensa oficial chinesa apresentou nesta semana o "Red Pad", um caro artigo de luxo de 9.999 iuanes (1.225 euros) de cor vermelha, a mesma do Partido Comunista, no poder.
Como outros tablets, o "Red Pad" permite com sua tela touchscreen navegar na internet, graças ao wi-fi ou 3G, mas conta com "aplicativos" especiais: base de dados do governo, acesso a documentos oficiais ou transcrições dos pensamentos dos líderes de alto escalão.
Alguns compararam o "Red Pad" ao famoso Pequeno Livre Vermelho, publicado pela República Popular nos anos 1960, onde eram recolhidas frases dos discursos e textos do grande líder Mao Tsé-Tung.
A fabricante, a empresa Red Pad Technology, que estaria vinculada ao poderoso ministério chinês da Informação, venderá seu produto apenas aos funcionários de alto escalão do governo comunista, informou a imprensa local.

Quarta-feira, Janeiro 18, 2012

O TERRAMOTO DE LISBOA

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Enquanto nos distraíam, à esquerda e à direita, com a nomeação do Catroga para a EDP, estava em gestação a mais profunda transformação da legislação laboral de que me recordo. 
Nos jornais, e no FB, Catroga quase monopolizou as atenções, deixando na penumbra uma revolução no paradigma das relações de trabalho. Os dirigentes sindicais negociaram o assunto nos gabinetes sem que tivesse havido uma verdadeira discussão nacional sobre o tema.
É curioso ouvir o ex-ministro Vieira da Silva, do PS, afirmar que o presente acordo é muita "flexi" e pouca "segurança"; é caso para perguntar por que não concretizou a "flexisegurança" quando estava no poder e havia margem para isso.
Também está na hora de lembrar os retóricos que fizeram belos discursos sobre a recusa da substituição constitucional da "justa causa" pelas "razões atendíveis" de despedimento.
Agora que novas razões para despedimento se vão mesmo contretizar, sem alteração da Constituição, não os tenho ouvido perorar sobre o assunto.
As energias de alguns esgotam-se com os Catrogas e com uma ou outra questão mais filosófica.



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Terça-feira, Janeiro 17, 2012

EDP (m-l)

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Depois de tudo o que já foi dito sobre a ida de Catroga para a EDP há um ângulo que ainda continua por explorar.
Se há quem se possa queixar das escolhas dos chineses das três gargantas são, sem sombra de dúvida, os ex-maoistas. Dizem que o Rocha Vieira foi escolhido apenas por ter passado uns tempos em Macau; quanto mais não mereciam aqueles que em tempos bem difíceis defenderam ardorosamente a China?
Os chineses não podem dizer que não sabiam. Ainda recentemente o Público teve o cuidado de publicar um ípsilon dedicado a potenciais candidatos ao conselho de supervisão.

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Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

Memórias fotográficas (1)

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Em tempos tive uma maquineta, que guardei, e que me parece ter sido uma tecnologia com carreira muito curta. A KODAK Tele Disc. 
Caracterizava-se por um engraçado negativo circular, com as fotografias dispostas à roda do centro (como se pode ver na imagem). 
Já pouco sei sobre o local da sua aquisição. Sei que a usei para documentar uma viagem a Berlim Leste em 1986, três anos antes da queda do muro (ver aqui).  

Sábado, Janeiro 14, 2012

COMO É POSSÍVEL ?




Como é possível o PS fazer uma campanha contra a nomeação de Catroga para um orgão consultivo da empresa privada EDP apenas meses depois do escândalo de Rui Pedro Soares na Administração da PT, por inequívoca indicação do governo de Sócrates ? Palavras para quê ? É preciso não ter vergonha na cara e querer fazer do povo estúpido.

Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

Tudo bons rapazes

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António Neto da Silva, um dos fundadores da loja maçónica Mozart, afirma, em entrevista exclusiva ao PÚBLICO, que a loja e Jorge Silva Carvalho são alvos colaterais de uma ofensiva contra a Ongoing.
O antigo secretário de Estado de Cavaco Silva entende que o “ataque contra a Mozart” e as “suspeitas” lançadas sobre um dos seus membros, Jorge Silva Carvalho, ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), servem um único propósito: “Destruir um determinado grupo económico.” 

O empresário e militante do PSD nota ainda que as recentes notícias sobre as ligações entre a Maçonaria, o poder político e os serviços de informação, traduzem uma “tentativa de dizer que a Maçonaria é toda boa, mas a Mozart é um conjunto de bandidos”.

Sublinhando que Jorge Silva Carvalho “não está acusado de nada”, Neto da Silva garante que não existem “irregularidades” na loja Mozart e que os seus elementos são “homens de bem”. Admite, contudo, que “na Maçonaria, como em qualquer organização humana, há sempre desvios”. 

“Há sempre pessoas que vão para lá com intenções que não eram as que nos convenceram a convidá-las”, afirma, assumindo que isso já aconteceu na Mozart. Mas esses membros, acrescentou, acabaram por participar em apenas uma ou duas reuniões e depois “adormeceram”. 



Público online, 13.01.2012 

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

Maçonaria e "barrigas de aluguer"







Maçonaria e "barrigas de aluguer" são dois temas que têm estado na actualidade dos últimos dias e que acabam por ter a ver um com o outro.
De certa forma a Maçonaria é um partido, que não se revela nem sujeita aos votos, mas que realiza os seus fins através de outros partidos que funcionam como "barrigas de aluguer".
A questão não é portanto de saber se os maçons, enquanto cidadãos, têm o direito de intervir políticamente mas sim se respeitam o princípio da não filiação simultânea em mais do que um partido.
Uma organização como a Maçonaria, detentora de uma ideologia, de uma concepção do mundo (que se propõe transformar por meios políticos), de uma militância e de uma liturgia, em que é que se distingue de um partido?
Por que é que esse "partido" não enuncia públicamente os seus fins e objectivos e não pede ao povo que vote neles em vez de parasitar outras organizações para o efeito?

Um prólogo genial

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O fabuloso prólogo do filme Melancolia, ao som do Prelúdio de Tristão e Isolda

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Segunda-feira, Janeiro 09, 2012

Um século a expropriar




A reforma do regime de arrendamento é um dos assuntos mais adiados da democracia portuguesa. Aliás, o problema tem mais de 100 anos: congeladas pela primeira vez em 1910, as rendas habitacionais só seriam submetidas a atualização condicionada a partir de 1948, com a exceção de Lisboa e Porto, voltando a ser congeladas em todo o País após o 25 de Abril de 1974.
A atualização com base na inflação é permitida a meio da década seguinte, com aplicação de um coeficiente extraordinário nas rendas mais antigas, e nos anos 90 acabam os contratos vitalícios - mas só nos novos arrendamentos, que são de celebração livre. Em 2004, o Executivo Santana tem pronta uma reforma que inclui negociação da renda entre proprietário e inquilino (como a atual) quando cai. O de Sócrates exara um diploma que permite atualizar as rendas antigas com base em avaliações oficiais dos imóveis, solicitadas e pagas pelos proprietários. Mas essa avaliação, além de poder implicar a obrigatoriedade de obras, implica também atualização do IMI. Mais: além de condicionadas ao estado do imóvel - não raro resultado do baixo valor das rendas pagas durante décadas -, as atualizações também dependem da idade e do rendimento do inquilino (a idade e o rendimento do senhorio nunca vêm ao caso).
Havendo versões díspares sobre o número de contratos de arrendamento em atualização com base na anterior lei, é evidente que ainda não foi esta a restituir aos proprietários o que é seu. Quanto ao diploma agora apresentado, apesar de propagandeado como uma alteração total das regras, mantém muitas das perversões dos regimes que o antecederam. O primordial é o entendimento do proprietário de um imóvel, que paga por ele impostos e é responsável pela sua manutenção e conservação, como acumulando ainda a obrigação de assistencialismo. Não existe, em todo o panorama jurídico português, uma tutela semelhante sobre um bem privado. E note-se que nem sequer se pode justificar a exceção com o facto de se estar a falar de habitação: no crédito bancário, quando as pessoas incumprem não há tratamentos diferenciados em função da carência económica ou da idade; o Estado não fixa o valor das prestações consoante o rendimento disponível. E decerto ninguém discute que quem não paga as prestações tem de sair da casa que pagou com juros - já a ideia de "facilitar o despejo" do inquilino incumpridor cria engulhos generalizados.
A ideia de que estar do lado do bem e dos fracos é "defender os inquilinos" e de que "defender os senhorios" é alinhar com os fortes e ricos sorri a muita gente, sobretudo à esquerda. Mas que ideia de igualdade sustenta um apartheid do mercado de arrendamento baseado na data dos contratos? Que noção de justiça aclama a expropriação extrajudicial de bens de privados para poupar dinheiro ao Estado e aliviar-nos as consciências, enquanto ao lado se perdem casas por não se poder pagá-las à banca?
Fernando Câncio, DN 06.01.2012

Quarta-feira, Janeiro 04, 2012

Peçam um resgate ao planeta Marte



"Não é só na Europa que as necessidades de financiamento dos Estados atingem neste ano valores sem precedentes, num teste exigente à sobrevivência do euro. Lideradas pelo Japão, as maiores economias mundiais vão ter de ir buscar aos mercados montantes gigantescos para continuarem a funcionar sem rupturas.
As contas foram feitas pela agência Bloomberg e resultam num número astronómico: as maiores economias mundiais precisam de angariar 7,6 biliões de dólares (5,8 biliões de euros) para "tapar" os défices orçamentais de 2012 e refinanciar dívida que se vence."
Jornal de Negócios 04.01.2012

Então afinal é o próprio planeta que está falido? 
Peçamos então um resgate urgente ao planeta Marte

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Terça-feira, Janeiro 03, 2012

Porgy and Bess

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Há muito que conheço a banda sonora do "Porgy and Bess", de Otto Preminger, realizado em 1959.
Considero aliás que esta é a mais encantadora realização musical da obra-prima de Gershwin.
Só hoje descobri no youtube imagens do filme que nunca vira. Sinto-me obrigado a partilhar.

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Domingo, Janeiro 01, 2012

Três imagens para 2012

optimista


hesitante


pessimista





Sábado, Dezembro 31, 2011

Na despedida de 2011

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Vermelho Rumor




Nos últimos dias do ano tive oportunidade de assistir a dois espectáculos teatrais. Primeiro "Rumor", de Mário de Carvalho, na Barraca e depois "Vermelho", de John Logan, no Teatro Aberto.

Embora não seja óbvia existe uma coincidência no que respeita ao tema; a dificuldade em lidar coerentemente com o establishment (político num caso e artístico no outro).

Os textos são ambos excelentes mas a concepção geral dos espectáculos serve muito melhor o texto de Logan do que o de Carvalho. Fica-se a pensar que talvez o texto de "Rumor" nos desse mais prazer se fosse lido.

Em "Vermelho", porque se trata da história de um artista plástico, a experiência física das cores, e do cozinhar das cores, desempenha um papel determinante.
Uma actuação notável dos actores, que deixam a pele em palco, conduz-nos pelos meandros e perplexidades da criação artística e do seu papel na sociedade humana.

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PAX SÍNICA

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Muitos questionam-se como é que uma Pax Sinica [paz chinesa] mundial pode parecer: como é que a influência mundial da China se manifestaria? Como é que a hegemonia chinesa diferiria da variedade americana?
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Enquanto os americanos levam a sua bandeira bem alto, os chineses trabalham arduamente para serem invisíveis. As comunidades chinesas, no mundo inteiro, conseguiram tornar-se influentes nos seus países de acolhimento, sem serem ameaçadas; conseguiram ser fechadas e não transparentes, sem provocarem a ira; conseguiram ser uma ponte de ligação com a China, sem parecerem ser uma “quinta coluna”.
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A América, pelo menos em teoria, prefere que os outros países partilhem os seus valores e ajam como americanos. A China só pode recear um mundo onde toda a gente aja como os chineses. Deste modo, num futuro dominado pela China, os chineses não definirão as regras, mas procurarão tirar o maior proveito possível das regras que já existem.


Leia este interessante artigo de Ivan Krastev no Público




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Terça-feira, Dezembro 27, 2011

O paradoxo de maldizer

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Pedro Lomba no DN de hoje


Quem disser mal deste texto confirma a tese do autor mas quem disser bem, como eu, nega-a. 

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Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

O fim da URSS há vinte anos

Em Setembro de 1980, 11 anos antes, em plena era Brejnev, visitei a URSS. As fotografias que pode ver AQUI foram recolhidas em Moscovo, Sibéria (Bratsk, Irkutsk e Lago Baikal) e na capital do Cazaquistão, Alma-Ata.
Mas não foi esse o meu primeiro contacto com os “países de leste”.
A minha estreia ocorrera em 1979 na Hungria. 
Meses depois da ascensão de Gorbatchov, em 1985, percorri de automóvel durante um mês, e em campismo com os meus filhos, a RDA, a Checoslováquia e a Hungria.
No ano seguinte, 1986, aproveitando uma viagem profissional a Berlim, usei a estação de metro em Friedrichstrasse como porta de passagem para Berlim Leste e, em 1987, fiz parte de uma delegação sindical numa visita de estudo do desenvolvimento informático da Bulgária.
Finalmente, mas não menos importante, visitei a parte ocidental da URSS (Leninegrado, Kiev e Moscovo) no Verão de 1988, em plena abertura política lançada por Gorbatchev e com as ruas cheias de discussões e manifestações.

No princípio de 1990, já em plena preparação do XIII Congresso do PCP, elaborei um texto intitulado “Do Socialismo Prematuro para o Socialismo do Futuro” que desenvolvia as ideias apresentadas em S. Francisco. A minha principal preocupação era conceber um conjunto de argumentos e raciocínios que permitissem a qualquer militante lidar racionalmente com o descalabro do sistema político do leste europeu. Essa preocupação resultava de me sentir politicamente responsável por tantos militantes que recrutara, ou dirigira, no decurso da minha actividade política.O texto referido foi discutido na célula de empresa mas não foi encontrada uma fórmula para o usar no quadro dos “contributos” para as Teses do Congresso, tal era a distância que o separava do texto “oficial” proposto.
18 anos depois, ainda se escrevia desta forma acerca do desabamento da URSS:

A “traição de altos responsáveis do partido e do Estado” é um dos motivos apontados para a “derrota” do socialismo na União Soviética de acordo com as Teses ao XVIII Congresso do PCP que hoje são divulgadas com o jornal partidário “Avante!”.
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O socialismo, alternativa necessária e possível pode ler-se, na página 15: “Perante os complexos problemas que se manifestaram na construção do socialismo na URSS, assim como noutros países do Leste da Europa, o PCP expressou compreensão e solidariedade para com os esforços e orientações que proclamavam visar a sua superação, alertando simultaneamente para o desenvolvimento de forças anti-socialistas e para a escalada de ingerências imperialistas, confiando em que existiam forças capazes de defender o poder e as conquistas dos trabalhadores e promover a necessária renovação socialista da sociedade.
Mas certas medidas tomadas agravaram os problemas ao ponto de provocar uma crise geral. O abandono de posições de classe e de uma estreita ligação com os trabalhadores, a claudicação diante das pressões e chantagens do imperialismo, a penetração em profundidade da ideologia social-democrata, a rejeição do heróico património histórico dos comunistas, a traição de altos responsáveis do partido e do Estado, desorientaram e desarmaram os comunistas e as massas para a defesa do socialismo, possibilitando o rápido desenvolvimento e triunfo da contra-revolução com a reconstituição do capitalismo”.
PÚBLICO, 25.09.2008



Quando em 1990 me insurgi, no XIII Congresso do PCP, contra a pobreza das explicações encontradas pelas Teses para explicar a "derrota do socialismo no Leste da Europa" nunca me passou pela cabeça que, passados tantos anos, a mesma fórmula continuasse a ser repetida.
Em 2003 publiquei o livro “Do Capitalismo para o Digitalismo” para defender que a queda do “socialismo real” não tornou o capitalismo insuperável. É esse o pântano ideológico em que a esquerda se tem atolado nos últimos anos.
Não se trata de inventar, à pressa, novos “amanhãs que cantam”. Os amanhãs cantarão inevitavelmente façamos nós o que fizermos; trata-se de saber se ainda queremos participar na escolha da melodia e do poema.
Sem compreender profundamente o que aconteceu e que afectou ideológicamente muitos milhões de pessoas em todo o mundo,  nunca mais se fará o luto por uma experiência que devemos superar.




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A indústria da caridade é imparável


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IPSS do Porto usa 'utentes-fantasma' e lesa Estado


Instituição é acusada de forjar listas com falsos utentes, para ter dinheiro do Estado. Ex-responsáveis dizem ainda que crianças do centro infantil almoçavam ao lado de doentes mentais instáveis.
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O Estado retirou este ano o estatuto de Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) a 34 entidades, alegando "motivos de inactividade ou desvio dos fins da solidariedade social".


A indústria da caridade é imparável. 
Usando os bons sentimentos dos cidadãos e, como pretexto, os "mais necessitados".
Em muitos casos o que pretende é sacar subsídios ao Estado, que todos pagamos, isentar-se de impostos e proporcionar empregos aos amigos e familiares.
Dado o carácter repugnante deste negócio espero que o Estado fiscalize adequadamente e tenha a mão pesada para os infractores..


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Sábado, Dezembro 24, 2011

Natal

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BOAS FESTAS para todos, mesmo para os meus inimigos 
(que eu felizmente não sei quem são)
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Sexta-feira, Dezembro 23, 2011

Quem é que nos fecha a torneira?



Muitas discussões sobre a vinda dos capitais chineses para empresas portuguesas, nomeadamente quando se trata de fornecedores de serviços básicos, são claramente alarmistas.
Falam como se passámos a estar à mercê de uma arbitrariedade qualquer e devêssemos temer que secassem as torneiras e deixassem de funcionar as tomadas eléctricas. É um exagero alarmista.
Trata-se de sectores regulados pelo estado que, para impôr as suas regras, não necessita de ser accionista das empresas; basta-lhe fazer as leis adequadas.
Mas há quem fale de algo ainda mais grave, a utilização do corte dos serviços como arma quase militar contra o nosso país. 
Convém lembrar que, estando em causa a segurança nacional, não é um qualquer título de propriedade de uma empresa que impedirá o exército português de a ocupar e controlar. Nas últimas décadas houve em Portugal muitas confiscações e nacionalizações.
Por tudo isto acho que se deve evitar a histeria (muitas vezes hipócrita).




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"Estados de direitos" e "Estados de deveres"



Grande parte dos mal-entendidos nas relações com a China resultam de não se assumir que o estado chinês é um estado de outro tipo.
Digamos que há os "estados de direitos", que se ocupam de garantir o exercício de direitos, e os "estados de deveres".


Os "estados de deveres" consideram que a sua missão essencial é a prossecução estratégica daquilo que definem como interesse da sua nação. 
Os interesses particulares, mesmo que económicamente poderosos, são calibrados pelo estado à luz do objectivo primordial. Esse objectivo é tão relevante que faz qualquer dissenção aparecer como indesejável, quando não criminosa. 
Por isso os "estados de deveres" assumem formas ditatoriais mais ou menos violentas.
O "estado de deveres" existe para proibir ou condicionar e não para garantir a sustentabilidade dos modos de vida ou a subsistência das famílias. 


Os "estados de direitos" correspondem normalmente a nações que, por razões históricas, consideram estar ultrapassada a questão da sobrevivência ou independência da nação. Ou nunca foram colonizados ou as experiências de subordinação nacional já se perderam na memória colectiva.
Os "estados de direitos" converteram-se em meros gestores das poupanças nacionais, ou do endividamento nacional, e declaram como sua principal missão a promoção da "justiça social". 
Funcionam normalmente como democracias. A concessão de direitos e garantias constitui o mecanismo básico das mensagens eleitorais em que geralmente é omitida a questão da sustentabilidade das propostas. 
Restrições ou limitações impostas pelo estado são, em geral, mal vistas.
Concedem enorme liberdade aos agentes empresariais poderosos na modelação da estratégia económica, sejam quais forem as consequências sociais, mas depois montam um esquema complexo de redes de "solidariedade" para socorrer as vítimas.


Qualquer pessoa pode fácilmente imaginar as diferenças entre os comportamento dos cidadãos que vivem nos "estados de deveres" e os que vivem nos "estados de direitos"; tais diferenças são notórias no que toca ao trabalho, às poupanças, às reivindicações, às expectativas, à organização das suas vidas etc.


Temos razões para nos vangloriar da nossa qualidade de vida ocidental e do conforto de que disfrutamos (que só foi possível através da pilhagem de outros continentes) mas só um tolo pensa que tais vantagens estão garantidas independentemente da riqueza dos nossos "estados de direitos". 


Na conjuntura actual o "estado de deveres" chinês surge como protagonista de um enorme sucesso económico que, para além do mais, por comparação, serve para tomarmos consciência da precariedade do nosso modo de vida.


Num mundo instável e perigoso levanta-se a questão de saber se o método chinês é exportável, nomeadamente para outros países "emergentes".
Mas a verdade é que a China não é um país qualquer. Embora subalternizada no fim do século XIX e na primeira metade do século XX pelas "potências ocidentais", a China é um colosso populacional e detentora de uma cultura complexa e antiquíssima que sobreviveu a todos os acidentes da sua história milenar.


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Shèng Dàn Jié Kuài Lè

Shèng Dàn Jié Kuài Lè ou, por outras palavras, BOM NATAL

Segunda-feira, Dezembro 19, 2011

O novo mergulho do Tio Patinhas


Vias cicláveis e não cicladas

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O Expresso noticiou que, entre Janeiro e Outubro, foram vendidos em Portugal apenas 138 veículos eléctricos. Um dos piores resultados de vendas da Europa. 
Que peso terá isto tido na decisão da NISSAN de não avançar com a prometida fábrica em Portugal? Mais uma quimera.
Entretanto, até ao final de 2011, estarão instalados 1028 postos de abastecimento. Para abastecer quem? 
Deve ser mais um investimento do tipo "vias cicláveis", onde passa um ciclista de hora a hora.

Por isso se chamam cicláveis e não cicladas.

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