quarta-feira, dezembro 03, 2008

Uma imagem, uma revolução

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"Não se sabe o que pensa o rei Bhumibol Adulyadej sobre a PAD e a sua reivindicação de proteger a monarquia de um alegado golpe do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra para transformar o reino numa república. Mas o Rei já criticou as políticas económicas do Governo e a sua mulher foi ao funeral de um manifestante morto em confrontos com a polícia, em Outubro, fazendo recear que a neutralidade do Palácio estivesse em perigo.
Esperava-se que ontem, numa cerimónia militar por ocasião do seu 81º aniversário, se referisse à crise - como fez há um ano quando pediu a união nacional para as legislativas - mas acabou não dizer nada sobre o assunto.
Os tailandeses interrogam-se se o Rei, considerado um semideus, vai tentar tirar os seus súbditos desta perigosa situação. Quem sabe se amanhã, no discurso ao país."
PÚBLICO 03.12.2008
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Tenho muita dificuldade em compreender o que se passa na Tailândia mas há uma coisa que me parece evidente: uma fotografia destas é suficiente para justificar uma revolução.
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Uma esquerda de guichet

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"Incomodado com o fórum sobre serviços públicos e democracia que volta a juntar diversas esquerdas a 14 de Dezembro, o secretário geral do PS acusou a oposição de esquerda de dividir os socialistas em bons e maus, "sendo os maus aqueles que estão em cada momento na direcção do partido". As declarações foram proferidas este sábado na Comissão Nacional do PS.
Para as correntes de esquerda "os maus são sempre aqueles que estão na direcção do PS", declarou Sócrates, citado por um dos presentes na reunião da Comissão Nacional do PS, de acordo com a Agência Lusa.


Segundo o semanário Sol, o Fórum das Esquerdas - que junta Manuel Alegre, Carvalho da Silva, Francisco Louçã, entre muitos outros - está a causar celeuma na direcção do Partido Socialista, dado que "pode criar uma dinâmica de alternativa ao Partido Socialista".

O Fórum sobre democracia e serviços públicos realiza-se a 14 de Dezembro na Cidade Universitária e pretende debater políticas alternativas para a educação, os direitos do trabalho, a saúde e as cidades. " ESQUERDA.NET


Penso que a irritação fingida de Sócrates tem outra explicação. Sendo o referido Forum dedicado aos "Serviços Públicos" Sócrates percebe que se estão apenas a imiscuir na organização e administração interna das repartições, e das verbas atribuídas a cada ministério.
Com isso pode ele bem.

Ora o papel das oposições não é esse mas sim o de criar alternativas de governo, se não mesmo de regime. É verdade que hoje a maioria dos militantes sindicais e políticos são funcionários públicos em vez de operários mas devíamos evitar converter-nos numa esquerda de guichet.

Jerónimo bem clama por uma "definição" e por uma "ruptura" mas, neste particular, não creio que possa reivindicar grandes louros.
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terça-feira, dezembro 02, 2008

A crise de 1983

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Há precisamente 25 anos estava eu, na minha empresa, a lutar contra o imposto retroactivo que se preparava para levar 28 % do nosso subsídio de Natal.
O IX Governo Constitucional, dito do Bloco Central, capitaneado por Mário Soares e pelo líder do PSD, Mota Pinto, tinha sido empossado por Eanes a 9 de Junho de 1983.
Marcado pela política de austeridade, imposta pelo FMI, tinha a seguinte composição: António de Almeida Santos (ministro de Estado), Rui Machete (defesa nacional), Eduardo Pereira (administração interna), Jaime Gama (negócios estrangeiros), Mário Raposo (justiça), Ernâni Lopes (finanças e plano), João de Deus Pinheiro (educação), Amândio de Azevedo (trabalho e segurança social), Maldonado Gonelha (saúde), Álvaro Barreto (agricultura), José Veiga Simão (indústria e energia), Joaquim Ferreira do Amaral (comércio e turismo), Coimbra Martins (cultura), Carlos Melancia (equipamento social) e José de Almeida Serra (mar).

O escudo, que era então uma moeda fraca, desvalorizou de uma só vez em 12% e depois foi decaindo 1% por mês. Aumentaram as taxas de juro, os impostos e os preços de combustíveis e cereais, e a saída de divisas passou a ser mais “controlada”.
A despesa pública caiu e a contenção salarial foi marcante. Foi ainda decretado um imposto extraordinário, retroactivo, sobre o 13º mês. Uma medida que muitos defendiam anticonstitucional e que se tornou numa das medidas mais impopulares das últimas décadas.
Os efeitos foram violentos: um crescimento negativo do PIB, uma inflação recorde de 29,3 % em 1984, subida em flecha da taxa de desemprego.
O número de falências cresceu, os salários em atraso chegaram a números nunca antes vistos, entre outros sintomas de crise. A contestação ao governo esteve ao rubro mas Portugal acabou por ultrapassar a crise.

Comparada com a de 1983 a crise actual até parece suave.
Mário Soares, o primeiro ministro de então, diz hoje no DN:
"O neoliberalismo implodiu, pela mesma forma inesperada e radical, com que, há quase duas décadas, caiu o "muro de Berlim", a Cortina de Ferro e implodiu o totalitarismo soviético".
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segunda-feira, dezembro 01, 2008

China se torna o maior financiador do déficit dos EUA

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PEQUIM - Com o maior volume de reservas internacionais do mundo, a China ultrapassou o Japão e se tornou o principal financiador do déficit norte-americano, acumulando um total de US$ 585 bilhões em títulos do Tesouro em setembro.
A consolidação da China como maior credor dos Estados Unidos evidencia a enorme dependência entre os dois países desenvolvida ao longo desta década e que é o elemento central dos "desequilíbrios globais" que levaram à crise atual.
Os norte-americanos só puderam gastar além de seus recursos nos últimos anos porque os chineses estavam dispostos a financiá-los por meio da compra de títulos do Tesouro. O déficit em conta corrente dos Estados Unidos foi acompanhado da explosão do superávit chinês, que no ano passado atingiu 10% do PIB.
Até o fim do ano, as reservas internacionais da China vão atingir US$ 2 trilhões e terão crescido US$ 500 bilhões apenas em 2008. O valor é mais que o dobro do total de US$ 200 bilhões das reservas brasileiras.
No mês de setembro, a China aumentou em US$ 43,6 bilhões o volume de títulos do Tesouro em seu poder, para US$ 585 bilhões, ultrapassando o Japão, que detém US$ 573,2 bilhões. De acordo com dados do Tesouro norte-americano, o Brasil manteve o quarto lugar entre os principais financiados dos Estados Unidos, com US$ 141,9 bilhões, abaixo da Inglaterra.
A participação da China será crucial para os Estados Unidos obterem recursos para financiar o pacote de US$ 700 bilhões de socorro ao sistema financeiro aprovado no mês passado.
O superávit comercial do país asiático com o restante do mundo é a principal fonte do crescimento de suas reservas internacionais. Em outubro, a diferença entre exportações e importações atingiu o recorde de US$ 35 bilhões.
No ano passado, o superávit da China cresceu 48% e chegou ao recorde de US$ 262 bilhões. Os Estados Unidos são o país com o qual o desequilíbrio é maior: só em 2007, o déficit norte-americano com os chineses somou US$ 256 bilhões.
ESTADAO.COM.BR
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Quanto ? como ? e com quem ?

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"Os dados disponíveis sobre a execução orçamental do Serviço Nacional de Saúde (SNS), incluindo os Hospitais EPE, indicam uma avaliação positiva: equilíbrio nas contas e melhoria nos indicadores de produção. Os resultados finais de 2008 confirmarão a tendência. Os indicadores financeiros mostram o controlo do crescimento da despesa de consumos (medicamentos), mas no pessoal há o risco de se voltar a valores elevados. O objectivo de crescimento zero terá sido exigente, mas seria alcançável com uma mudança de atitude, hoje exigível aos administradores dos hospitais. "
Público, 01.12.2008

Aqui está um bom exemplo da linguagem eufemística habitualmente usada quando se fala do "orçamento da saúde". Este estilo impede a generalidade dos cidadãos de ter uma noção, ainda que aproximada, do volume de recursos públicos gastos com a saúde.
Ninguém duvida de que a saúde é um bem inestimável mas todos ganharíamos em perceber bem quanto gastamos com ela.
É que nas gigantescas verbas dispendidas pelo estado com o "serviço público de saúde" acoitam-se fabulosos negócios privados, muito desleixo, muitas ineficiências e muitos exageros que podiam ser evitados.
Correia de Campos, que tentou passar do diagnóstico à prevenção, teve o destino conhecido. A nova ministra, que não parece lidar bem com números, diz que o segredo dela é explicar tudo muito bem aos interesses envolvidos, como faz com os seus pacientes infantis.
Talvez devesse começar por explicar muito bem aos cidadãos portugueses quanto gasta, como gasta e com quem gasta os rios de dinheiro que gere.
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sábado, novembro 29, 2008

Somos todos "chineses"

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Serralves mostra uma fascinante retrospectiva de Juan Munoz, artista espanhol falecido em 2001. A peça mais importante é uma "instalação" denominada "Many times".

Imagine-se um átrio grande onde grupos de pessoas se encontraram e conversam. Acontece que, como em muitos outros trabalhos de Munoz, todas as pessoas representadas são como que uma só; um "chinês" de um metro e quarenta que ostenta um sorriso enigmático e que veste roupas incaracterísticas. Cinzento dos pés à cabeça.

Os visitantes podem circular por entre os grupos como se em S. Apolónia, num passe de mágica, todos os passageiros ficassem "congelados" de repente e nós circulássemos entre eles, observando as suas expressões sem que eles nos vissem a nós.

É uma experiência muito interessante de aproximação a uma essência humana que se repete sem fim. As expressões, todas iguais, dos rostos só adquirem significado pela pose do resto do corpo e pela posição que cada figura ocupa dentro do grupo.

Recomendo vivamente.

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sexta-feira, novembro 28, 2008

Uma praga muito para além dos pinheiros

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"A erradicação do nemátodo do pinheiro em Portugal "já não será possível" e na região Centro estão afectados mais de cem mil hectares, foram ideias hoje defendidas no âmbito de um seminário, em Coimbra.
Na opinião do presidente da Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais, Vasco Campos, a situação "é muito preocupante e não tem merecido a devida atenção".
"Na região Centro (onde foram detectados dois novos focos), são centenas de milhares de árvores, seguramente mais de cem mil hectares", declarou Vasco Campos aos jornalistas, após intervir no seminário sobre "Nemátodo da Madeira do Pinheiro - Que futuro para a floresta de pinho em Portugal". O nemátodo da madeira do pinheiro é uma doença causada por um verme microscópico transportado por um insecto que contamina as árvores por onde passa, afectando sobretudo a copa e os ramos. "
PÚBLICO, 26.11.2008

Quem, como eu, tem acompanhado desde 1999 a evolução deste problema e a inépcia dos "organismos competentes" não pode deixar de se sentir revoltado.
Há nove anos havia casos isolados, no distrito de Setúbal, que foram encarados com desleixo quando ainda era possível a erradicação da praga se se adoptasse medidas imediatas.

Depois, ao longo dos anos, foram aparecendo árvores afectadas cada vez mais a Sul pelo concelho de Grândola, até Sines pelo menos. Os abates das árvores "doentes", que deviam ter sido coordenados pelo Ministério da Agricultura, faziam-se com grande atraso e de forma errática.
Sei do que estou a falar pois vi pinheiros no meu próprio quintal na zona de Melides adoecer, definhar e morrer sem que as "entidades responsáveis", entretanto alertadas, tivessem reagido.

Quando a área afectada já era muito grande surgiu um plano para a isolar abatendo todos os pinheiros à volta da zona infectada numa faixa de pelo menos três quilómetros para inviabilizar a propagação. Era de tal maneira vasto e oneroso, este plano, que nunca mais se ouviu falar dele.

Depois foi o surgimento da praga no centro do país onde existem pinhais gigantescos. Agora parece já não ser possível qualquer acção eficaz e as consequências são brutais no plano económico e ambiental.

Anda toda a gente preocupada com assuntos que, quantas vezes, não valem um caracol e este crime é remetido para as páginas secundárias dos jornais.
Não me conformo com esta praga da impunidade.
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quinta-feira, novembro 27, 2008

A esquerda actual

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Aparentemente sem que haja vontade suficiente e consequente para que apareça um novo partido político à esquerda, várias personalidades com filiação partidária no PS, no PCP e no BE envolvem-se em debates e iniciativas públicas para buscar respostas para a crise social e económica.
Assim, a 14 de Dezembro, um domingo, decorre na Aula Magna, em Lisboa, um debate sobre Democracia e serviços públicos, que junta o deputado do PS Manuel Alegre, o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, a deputada do BE Ana Drago, e a militante socialista e presidente do conselho executivo da Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra, Maria do Rosário Gama. No dia seguinte, dia 15 de Dezembro, à noite, no Hotel Zurique, também em Lisboa, realiza-se um debate plural sobre o tema Crise, oportunidade de viragem. Para onde queremos ir?, que reúne o ex-Presidente da República e enviado da ONU para luta contra a tuberculose, Jorge Sampaio, o deputado do PS António José Seguro, o ex-secretário-geral do PCP Carlos Carvalhas e o economista Ricardo Pais Mamede.
Já na segunda-feira passada o deputado socialista Paulo Pedroso e o líder do BE, Francisco Louçã, estiveram juntos no lançamento do livro de Celso Cruzeiro, intitulado A Nova Esquerda - Raízes Teóricas e Horizonte Político.
O debate de dia 14 de Dezembro vem na sequência da iniciativa que juntou, em Junho, no Teatro da Trindade, em Lisboa, Manuel Alegre e o líder do BE, Francisco Louçã. Agora os proponentes do debate garantem que mantêm a vontade de "quebrar tabus" e querem debater com todos os que entendem que "a defesa de serviços públicos modernos e de qualidade é um valor essencial da responsabilidade da República".
Esta sessão decorre durante todo o dia e estará organizada em vários painéis. De manhã os temas são Economia e Educação. O primeiro é moderado por José Castro Caldas e tem como oradores João Rodrigues, André Freire, Alexandre Azevedo Pinto e Jorge Bateria. Já sobre Educação Paulo Sucena modera as intervenções de Cecília Honório, Nuno David, José Reis e Jorge Martins. À tarde, o painel sobre Cidades é moderado por Helena Roseta e tem a participação de Manuel Correia Fernandes, Pedro Soares, Pedro Bingre e Fernando Nunes da Silva. O debate sobre Trabalho tem moderação de Manuel Carvalho da Silva e conta com Jorge Leite, Elísio Estanque e Mariana Aiveca. Por fim, o painel sobre Saúde é moderado por António Nunes Diogo e tem a participação de Cipriano Justo, João Semedo, Mário Jorge e Manuel Correia da Cunha.
PÚBLICO, 27.11.2008
Perseguindo uma miragem ?
A referência ao lançamento do livro de Celso Cruzeiro, em que estive presente, parece-me descabida (ver no "brumas").
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Quem resiste à crise, e como.

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Eric Schmidt, CEO da Google Inc.'s eKai-fu Li, presidente da Google China

"Pequim, 25 Nov (Lusa) - O crescimento da economia chinesa em 2009 deverá descer para 7,5 por cento, o nível mais baixo dos últimos 18 anos, segundo as previsões divulgadas hoje pelo Banco Mundial. No último relatório trimestral sobre a economia chinesa, o Banco Mundial prevê que o crescimento, este ano, será de 9,4 por cento, (menos 2,5 pontos que em 2007), interrompendo um ciclo de 5 anos consecutivos acima dos 10 por cento. Segunda aquela previsão, a descida vai acentuar-se no primeiro semestre de 2009, acompanhando o abrandamento das exportações chinesas. A última vez que o Produto Interno Bruto chinês cresceu abaixo dos 7,5 por cento foi em 1990, um ano após a sangrenta repressão movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, que isolou internacionalmente o país."

"A porta voz do Google, Jane Penner, afirmou que a companhia planeia reduzir significativamente o número de trabalhadores em outsourcing, mas não prevê a redunção de funcionários directos.
«Estamos a pensar, há algum tempo, antes da fase mais grave da crise económica, em reduzir significativamente o número de contratações outsourcing», anunciou Jane Penner.
O Google recusou-se a especificar quantos trabalhadores serão dispensados,e também não informou o ritmo a que a companhia irá empreender tal acção.
A companhia terminou o terceiro trimestre com 20 123 empregados e cerca de 10 mil trabalhadores em outsourcing.
SOL 27.11.2008"

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quarta-feira, novembro 26, 2008

Ainda o Congresso Internacional Karl Marx (3)


Resolvi divulgar que a CULTRA disponibiliza online (aqui) os resumos das comunicações apresentadas no Congresso e que tinham sido publicadas também em papel para os congressistas.
Ao fazê-lo, e ao rememorar a experiência vivida no Congresso, ocorrerem-me sabe-se lá porquê as seguintes ideias interligadas:

- não vale a pena perder muito tempo a discutir se é possível, ou em que medida é possível, prever o futuro. Seja qual for a resposta a essa pergunta a verdade é que, todos os dias, cada um de nós tem inevitavelmente que tomar decisões que envolvem alguma antecipação de como o futuro será.

- alguém, não recordo quem, disse que os humanos se dividem em dois tipos base: os que acham que nada muda nunca, mesmo quando as transformações são profundas, e os que estão sempre a detectar mudanças mesmo quando estas são só epidérmicas ou cosméticas. Isso leva-me a pensar que o mais importante é sempre tentar perceber quais são as modificações que têm realmente importância.
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Manuela "Ferrero" Leite

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terça-feira, novembro 25, 2008

O que a TV me ensinou ontem

" Já tem dois anos, não foi motivo de contestação e as federações sindicais de professores assinaram. É o modelo de avaliação de desempenho dos professores do ensino particular e cooperativo que está previsto no contrato colectivo de trabalho firmado com a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular.
Este modelo prevê uma avaliação que pode ser anual ou de dois em dois anos, se assim for acordado com a entidade patronal. Prevê a auto e a hetero-avaliação.
Os professores são avaliados tendo em conta as suas competências para leccionar, mas também as competências profissionais, de conduta, sociais e de relacionamento. No caso dos trabalhadores com funções de coordenação ou chefia, é ainda objecto de avaliação as competências de gestão.
A direcção pedagógica é a única que não é avaliada, enquanto estiver em funções "o serviço é bom e efectivo", diz a lei.
Primeiro é pedido aos docentes que preencham um conjunto de 11 páginas de grelhas, em que auto-avaliam os seus conhecimentos científicos e didácticos, a promoção da aprendizagem pela motivação e responsabilização dos alunos, a capacidade de adaptação, comunicação, planeamento, se procuram informação e actualizam os seus conhecimentos.
O docente é ainda questionado sobre a avaliação dos alunos, se trabalha em equipa, o envolvimento com a comunidade educativa e a relação com os estudantes e pais. De seguida, inicia-se a avaliação, feita pela direcção pedagógica da escola. Pode haver uma reunião com o professor para esclarecer a classificação e fundamentá-la.
No final, o seu nível de desempenho pode ser "insuficiente", entre 1 e 2; "suficiente" com nota 3; "bom" com 4 e 5 valores. Se não for considerada suficiente para efeitos de progressão ou se o professor não concordar, pode recorrer." Público 22.11.2008


Curiosamente esta questão da avaliação dos professores no ensino privado, com anuência dos sindicatos, nunca é referida nos debates. No mínimo devia-se tentar perceber se teve alguma consequência nos resultados dos alunos.

Ontem no "Prós e Contras" para mim ficou claro que há uma questão de fundo que transcende a guerra contra a avaliação. Chama-se Estatuto da Carreira Docente, ECD para os amigos.
A tentativa de diferenciar os professores com base no desempenho e de estruturar a carreira com a criação da figura do professor titular são os grandes "crimes" do ECD.
Contra esses "crimes", num processo que se compreende embora seja um pouco irracional, convergiram todos os motivos de insatisfação que as precárias condições de trabalho e os complexos desafios do ensino provocam.

Os professores estão habituados a um tratamento em massa. São realmente a única profissão onde as pessoas são colocadas a partir de uma lista como se constituíssem um reservatório único (imagine-se o que seria a colocação dos pedreiros, médicos, em suma todas as profissões, feita desta forma). Claro que se sucedem os protestos nestas tentativas de fazer uma justiça impossível.

Este igualitarismo infantil estende-se ao repúdio dos professores titulares e de ser avaliado por eles. Os potenciais avaliados declaram a incompetência dos avaliadores procedendo portanto, eles próprios, a uma avaliação ad-hoc de quem os devia avaliar.
Os eventuais erros na nomeação dos professores titulares não são a causa do problema; se os titulares fossem outros a recusa seria justificada de outra maneira.

A grande questão subjacente é a negação de qualquer sistema hieráquico por parte dos professores. Tal negação, como se tem visto, vai até ao nível da ministra.
E eu pergunto: como é que estas pessoas para quem a autoridade e a responsabilidade hierárquica são repugnantes podem exigir o bom comportamento dos alunos ?
Talvez seja essa a explicação para a indisciplina que aflige as escolas.
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25 de Novembro - o prólogo e o epílogo

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Foi o dia em que o Almirante Pinheiro de Azevedo, bichanado por Mário Soares qual ponto num teatro, disse ao povo que o fumo "é só fumaça".
Os mesmos, e mais o Sá Carneiro, também disseram que "o povo é sereno" e, para o bem e para o mal, talvez excessivamente, a verdade é que nunca mais deixou de ser (com excepção dos professores que substituíram a ditadura do proletariado pela impunidade do professorado).
A 25 de Novembro eu e os meus companheiros esperámos quase toda a noite, nas imediações de um certo quartel, que nos distribuíssem as armas. Conforme o planeado.
Alta madrugada vieram dizer-nos qualquer coisa que me soou a "a Revolução falhou" ou "o 25 de Abril acabou", o que para nós era quase a mesma coisa.
Só me lembro das lágrimas a correr-me na cara enquanto conduzia pela segunda circular.
Eu estaria certamente tentar uma revolução impossível, eu estaria talvez equivocado mas aquelas lágrimas não.
Nunca mais as esquecerei.
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segunda-feira, novembro 24, 2008

China, a nova revolução

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No dia 29 de Novembro, pelas 16 horas, serão inauguradas duas exposições de fotografia no Palácio da Relação, no Porto. Trata-se de uma iniciativa do Centro Português de Fotografia.

Esta prestigiada instituição trouxe a Portugal o acervo de um grande fotógrafo chinês, Li Zhengsheng, que documentou os conturbados anos 60 na China. Esta exposição, denominada "O Livro Vermelho de um Fotógrafo Chinês", que já foi apresentada nos mais importantes museus e centros de arte em todo o mundo, chega assim a Portugal pela mão do CPF.

Vou também colaborar nesta iniciativa mostrando, num hipotético contraponto, imagens que recolhi na China em 2006. A exposição intitula-se "China, a nova revolução".

Partilhar o espaço com um fotógrafo como Li Zhengsheng constitui para mim uma grande honra e motivo de satisfação.



clicar nas imagens para ampliar
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1000

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Este é o milésimo post do DOTeCOMe_Blog. Ocorre cinco meses depois de o blog ter festejado o seu quarto aniversário. É ocasião para agradecer aos que aqui têm escrito, mesmo que só através de citação, e aos que aqui têm vindo ler.

Não foram própriamente 1.000 golos à Pélé mas, enfim, faz-se o que se pode...

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domingo, novembro 23, 2008

CARA Left

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"Por sobre tudo isto há um murmúrio de vozes a que ninguém liga quase nada. São as vozes dos jornais, da política, as nossas vozes, que contam muito menos do que imaginamos. São pouco mais do que um murmúrio, visto de baixo como alheio e hostil - no fundo somos "nós" que governamos - e visto de cima como decisivo e importante.
Vale muito pouco para a vida comum da maioria das pessoas e valerá muito menos se se afundar em irrelevâncias, se engolir tudo o que o Governo quer que engula, se se tornar numa patrulha política do pensamento - será que fui racista ao falar do ucraniano? Será que posso descrever os "jovens" assim? Será que estou a favor da evasão fiscal das pequenas e médias empresas? Será que tenho que fazer a rábula da "esperança"? Há de facto muito pouca paciência para estas patrulhas do pensamento que proliferam em tempos de crise."
Público 22.11.2008

Este desabafo, pungente, de Pacheco Pereira é um sinal inequívoco do aprofundamento da crise.

Se um VIP dos jornais, um membro do "Jet Set" mediático e do "beautiful people" dos comentadores se queixa da "patrulhas do pensamento" que diremos nós !?
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EURO piano, piano...


"A Europa lança sua biblioteca virtual e, impulsionada pela França, quer acabar com a supremacia da Google na Internet. Nesta quinta-feira, 20, Bruxelas colocou no ar seu site que pretende ter, em dois anos, mais de 10 milhões de obras digitalizadas e disponíveis a todos de forma gratuita. O projeto tem uma ambiciosa meta de ser o que a biblioteca de Alexandria foi no passado: o maior acervo de obras de todo o mundo."
Afinal parece que a popularidade foi fatal para a EUROPEANA, o nome do ambicioso projecto.
Uns meros dez milhões de acessos por hora deram cabo do site.
Assim não vamos lá. Enfim, uma anedota.
Lá para as bandas do GOOGLE foi concerteza uma barrigada de riso...

Vá ver para crer em: http://www.europeana.eu/portal/
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sábado, novembro 22, 2008

A oligarquia das corporações

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Esta imagem, publicada em 1911 pelo Industrial Worker mostra como, naquela época, era vista a pirâmide social. Talvez esteja na altura de a reformular por forma a integrar o fenómeno actual das corporações.
As corporações são grupos sociais que se caracterizam pela uniformidade de interesses profissionais ou económicos e pela influência determinante em serviços ou actividades sensíveis ou críticas. Encontram-se nesta categoria os farmacêuticos, os médicos, os militares, os professores, os magistrados e os camionistas por exemplo.
A influência das corporações não tem necessáriamente a ver com poder económico. As classes burguesas tradicionais continuam sem dúvida a exercer na sociedade o poder da sua riqueza. A limitação e controle desse poder, sem dúvida insuficientes, não são objecto deste texto mas esse facto não deve ser invocado para desculpar as corporações.
As corporações conseguem para os seus membros uma influência nos centros de decisão, e as consequentes vantagens profissionais e económicas, que não estão ao alcance da generalidade dos cidadãos. E conseguem-no através da ameaça, mesmo que velada, de fazer perigar os serviços ou actividades cuja realização delas depende.
Nos últimos anos a sociedade portuguesa assistiu a um sem número de querelas, manifestações, greves e boicotes desencadeados pelas corporações contra as decisões do Governo e do Estado ao mesmo tempo que desapareciam as notícias sobre as lutas dos trabalhadores contra os seus patrões privados, estas sim as formas por excelência da luta de classes. Sem correr o risco do despedimento, aproveitando a proximidade dos centros de decisão, tirando partido da sucessão dos governos, as corporações vêm acumulando privilégios enquanto que o grosso da população empobrece e se afasta da democracia.
No espaço público as corporações têm tratamento de luxo. De tal forma que por vezes criam a ilusão de que não há povo para além delas. A educação é discutida pelos professores e a saúde pelos médicos, por exemplo, como se esses serviços não interessassem ao conjunto da população e como se a opinião dos outros portugueses fosse dispensável ou mesmo indesejável.
Estamos assim perante um sistema duplamente viciado. Não só os serviços são enviesados por forma a responder, em primeiro lugar, aos interesses das corporações que os prestam como se obriga o conjunto dos cidadão a pagar, com os seus impostos, toda a sorte de ineficiências, regalias e condições excepcionais.
O caso recente da avaliação dos professores como antes o da saúde, que acabou na demissão de Correia de Campos, excedem em muito a sua importância imediata. Revelam uma contradição do sistema democrático que urge esclarecer sob pena da sua destruição. A "corporação dos deputados", a única que o conjunto dos portugueses, bem ou mal, realmente escolhe, está cada vez mais impotente para resistir à chantagem das corporações "não eleitas" e, como se tem visto, usa frequentemente tais chantagens como arma de arremesso na luta partidária.
A discordância e oposição às decisões de orgãos de soberania são legítimas mas não se podem eternizar. Têm que obedecer a regras muito claras que não tolerem a desobediência a partir do momento em que as leis tornem as decisões políticas definitivas. Tais leis terão então que ser incondicionalmente acatadas sob pena de esboroamento da autoridade democrática do Estado.
Façam-se as alterações legislativas que for necessário e tenha-se a coragem de responder sem hesitar, seja qual for o preço eleitoral a pagar, a qualquer desafio das corporações à autoridade do Estado democrático.
Se tal não acontecer caminharemos para a ingovernabilidade, a oficialização de castas e a oligarquia das corporações.
Depois o caos e uma nova ditadura.
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sexta-feira, novembro 21, 2008

Suspensão da democracia ou democracia da suspensão ?

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A Dra. Manuela escorregou numa frase e "caíu o Carmo e a Trindade". Há vários dias que só se ouve falar na "suspensão da democracia".
Todos os partidos da oposição, do bolorento CDS ao fracturante BE, reclamam a suspensão da avaliação dos professores. É a "democracia da suspensão" em que se propõe a um governo democrático, legítimo, que submeta o Estado a uma classe profissional.
Qual das duas suspensões será mais grave ?
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quinta-feira, novembro 20, 2008

Ainda o Congresso Internacional Karl Marx (2)


O meu amigo Jorge Nascimento Fernandes teve paciência, como é habitual, para escrever no Trix-Nitrix uma extensa apreciação do Congresso Internacional Karl Marx que intitulou "Um marxista perdido num Congresso sobre Marx ". Recomendo a sua leitura.
Com isso motivou-me para dar ao que ele escreveu algumas achegas de ordem pessoal. Aqui vão.
Penso que não foi surpresa para ninguém que "por trás" do Congresso havia uma grande influência do BE e não me parece que isso fosse um problema. É de saudar que o BE tenha tido capacidade e visão para realizar uma iniciativa de indiscutível interesse e que captou as atenções muito para além do seu raio de acção habitual.
Pessoalmente considero a minha participação como uma experiência bastante interessante e estimulante embora em certos momentos, especialmente no primeiro dia, eu tenha duvidado de que tal acontecesse. Porquê ?
1. Algumas sessões decorriam em ambientes inadequados, com as pessoas sentadas pelo chão, que me faziam rejuvenescer até aos meus já longínquos tempos de universidade de meados dos anos 60. Não creio que isso ajude a ser mais marxista embora pareça haver quem tal pensa.
2. Formalmente as comunicações eram quase todas lidas em tom mais ou menos monocórdico, agravado em muitos casos pelo fraco domínio da língua utilizada. Quase não houve recurso à projecção de imagens ou tópicos o que obrigava os participantes a um esforço enorme de atenção.
3. No plano dos conteúdos havia uma larga maioria de comunicações que consistiam em trabalhos académicos, num plano de mera especulação teórica, que abordavam questões bastante laterais ou remotas relativamente ao plano da transformação da realidade. Comparações entre filósofos eram a modalidade mais comum.
4. Os debates no fim de cada painel cosntituíram uma extraordinária montra sobre a diversidade existente no terreno e sobre os inenarráveis anacronismos que teimam em não desaparecer (por exemplo, ouvi um participante, com um ar saudavel e instruído, dizer que o socialismo se teria realizado em Portugal se os operários da construção que cercaram a Assembleia da República durante o PREC a tivessem tomado de assalto).
5. Muitos dos temas dos painéis obedeciam à agenda fracturante que está na moda e só com muito boa vontade se conseguia estabelecer uma ligação com Karl Marx. Em contrapartida o tema "Transição" não existia o que não deixa de ser revelador.
Concluindo: mesmo com todos os seus defeitos o Congresso foi importante e constitui uma novidade no nosso panorama político, tão dado a concentrar o esforço teórico na análise da última gaffe da Dra. Manuela, que importa continuar.
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A Nova Esquerda

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"O essencial da resposta a dar por uma esquerda nova, na difícil hora que atravessamos, passa pois pela questão de saber ler os sinais que a realidade de hoje lhe aponta: a urgência da construção de um programa emancipatório que constitui a sua identidade matricial, mas agora despido da certeza, do determinismo e da universalidade, tão só passível de ser desenhado no quadro da probabilidade, da contingência e da historicidade. Tal implica uma revisão do projecto ou horizonte de transformação social, uma disponibilidade para o estudo, identificação e caracterização dos actuais agentes sociais e dos critérios da sua dinâmica de confronto, uma reponderação dos contextos onde se criam e desenvolvem as situações de exploração e de dominação e a descoberta das formas instrumentais dos novos sentidos emancipatórios."


"A nova Esquerda", o livro de Celso Cruzeiro editado pela Campo das Letras, será apresentado em Lisboa no dia 24 de Novembro, na Biblioteca Museu República e Resistência, Espaço Cidade Universitária.
Participam na sessão, que se inicia às 18:30, Francisco Louçã, Paulo Pedroso e Paulo Fidalgo.
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quarta-feira, novembro 19, 2008

Ainda o Congresso Internacional Karl Marx




No Congresso Internacional Karl Marx, que teve lugar de 14 a 16 de Novembro na Universidade Nova, apresentámos uma comunicação intitulada "Do Capitalismo para o Digitalismo". Tratava-se de desenvolver as teses do nosso livro com o mesmo nome.

Aqui fica, para quem possa estar interessado, uma reprodução das imagens de suporte da comunicação (para ver em full screen clicar aqui)

MISS MILU


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Ponho-me a pensar sobre como reagirá este professor no dia em que os alunos, que o viram desfilar na televisão, lhe entrarem pela sala de aula com um cartaz em que seja ele próprio o caricaturado (como jumento, por exemplo).
Não sei o que concluir.
Hoje, junto ao Oceanário da Expo, passava uma turma com a sua professora naquilo que seria, penso eu, uma visita de estudo.
Na imediações de uma casa de banho pública existente no local um dos alunos gritou a plenos pulmões:

Stôra vou cagar !!

A mensagem dele, e o significado deste singelo episódio, são ambos brutalmente claros.

Manuela é muito ouvida na China

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"Pequim, 18 Nov (Lusa) - O governo chinês decidiu não subir o salário mínimo para "ajudar as empresas a vencer a crise financeira global", anunciou hoje o jornal China Daily.
A decisão ilustra a crescente preocupação da liderança chinesa acerca dos efeitos da crise, que como reconheceu há uma semana o próprio primeiro-ministro, Wen Jiabao, "são piores do que se esperava".
"O movimento para aumentar o salário mínimo foi suspenso", noticiou o China Daily, citando o Ministério dos Recursos Humanos e Segurança Social chinês. Segundo a mesma fonte, a "primeira prioridade é estabilizar o mercado de trabalho e pedir às empresas para não fazer despedimentos em massa".
O salário mínimo, cujo valor varia de região para região, foi criado na China há apenas uma década e meia.
Em Pequim e Xangai, as principais cidades do país, o salário mínimo é de 800 yuan (cerca de 90 euros) e 960 yuan (110 euros), respectivamente."
LUSA, 18.11.2008

terça-feira, novembro 18, 2008

Thick as a brick

Eu apoiei e assinei a petição "LISBOA É DAS PESSOAS. MAIS CONTENTORES NÃO!".
Ontem o "Prós e Contras" deixou-me insatisfeito. O MST adoptou um estilo em que a facilidade de expressão, e de criar imagens agressivas, se volta contra o próprio autor.
Por vezes quase parecia tratar-se de uma embirração particular.
Por outro lado defender que os contentores, na quantidade actual, podem continuar e até que são absolutamente necessários parece-me que inviabiliza a luta contra a extensão do terminal.

O que mais me chocou foi, no entanto, ter-se passado ao lado do aprofundamento de várias questões que me parecem essenciais:

- qual é o destino dos contentores que desembarcam em Lisboa ?
- qual é a proveniência dos contentores que embarcam em Lisboa ?
- que mercadorias são transportadas nos contentores ?
- quantas empresas e quantas pessoas trabalham para este tráfego ?
- a actividade dessas empresas depende de o terminal ser em Lisboa ou usam tecnologias que também podiam ser aplicadas a um terminal em Setúbal, por exemplo ?
- quanto é que a Administração do Porto de Lisboa recebe de taxas pelo movimento portuário ?
- quanto dessas taxas é aplicado em Lisboa e em favor dos cidadãos da cidade ?

Eu tenho muitas dúvidas acerca da “necessidade de uma actividade portuária em Lisboa”. Cheira-me a chavão mal fundamentado. A maior parte das mais importantes cidades europeias não tem porto e isso não as impede de ser abastecidas e de prosperarem.
A competitividade das cidades agora é de outro tipo, mais soft, como os cruzeiros por exemplo.
O charme romântico dos portos com a sua labuta, com os seus trabalhadores, foi substituído pela maquinaria gigantesca e pelos “paralelepípedos” mas continua no imaginário de muita gente.

Se os contentores se destinassem ao Terreiro do Paço eu aceitaria o terminal em Alcântara mas se, como penso, grande parte dos contentores se destina às plataformas logísticas que rodeiam a cidade então talvez chegassem lá mais depressa (evitando os congestionamentos) e mais barato se desembarcados em Sines ou Setúbal (o Poceirão e o Aeroporto até estão na margem Sul).

O porto de Sines tem condições de acesso excepcionais e está a tornar-se um importantíssimo terminal de abastecimento da Península uma vez que se conclua a ligação ferroviária directa a Espanha. Está ligado por uma descongestionada autoestrada e por comboio ao novo aeroporto e à plataforma logística do Poceirão.

Começo a convencer-me de que o projecto de Alcântara se destina essencialmente a evitar que as receitas da Liscont e da APL sejam desviadas para Sines. Toda esta discussão acerca dos panoramas de Lisboa pode não passar da fachada de uma guerra de concorrência entre a Administração do Porto de Lisboa (e a Liscont) e a Administração do Porto de Sines ou de Setúbal (e as empresas que lá operam).

Eram estas questões que eu gostaria de ver esclarecidas...

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segunda-feira, novembro 17, 2008

A Guerra Civil da irresponsabilidade

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Excerto de "Guerra nas Estradas: na berma da antropologia" de Manuel João Ramos no livro "Retóricas Sem Fronteiras", Celta 2003, pp 167-180 (ler aqui o texto completo)

As guerras civis são dos mais horrendos fenómenos sociais. Costumam produzir incontáveis mortos e dar lugar aos actos mais brutais de perseguição e tortura de vizinhos, ex-amigos, parentes e concidadãos.

Por isso sempre me revoltou a forma irresponsável como certas pessoas e instituições, na esteira desta "invenção" da ACAM, comparam os acidentes rodoviários a uma guerra civil.

Pelo texto publicado mais acima é possível perceber que a introdução da expressão "guerra civil nas estradas" foi um acto premeditado de manipulção da opinião pública. Para conseguir passar a sua "mensagem" os autores não se coibiram de induzir a ideia de que os condutores, tal como os combatentes nas guerras civis, matam os seus concidadãos de forma consciente e deliberada.

Mesmo que se considere que o combate à sinistralidade rodoviário é uma questão muito importante não é possível admitir tão repugnante deturpação da realidade e tão doentio ódio aos automobilistas.

Sobre o estado da Escola Pública




Quem possa ter dúvidas sobre a degradação a que chegou a Escola Pública bastar-lhe-á observar as recentes manifestações dos professores.
A imagética, as "mensagens" e os estribilhos seleccionados, a qualidade da linguagem e o teor das declarações da maior parte dos professores entrevistados pelas televisões são absolutamente elucidativos.
É com apreensão que imagino a formação da minha neta a ser entregue nas mãos deste tipo de pessoas.
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Pensamento de Marx continua a ser conhecido por clichés

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No último dia do Colóquio Internacional Karl Marx, que terminou ontem na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, José Barata-Moura elogiou a iniciativa que reuniu 150 investigadores nacionais e estrangeiros ao longo de três dias, notando que ela permitiu ler, debater e analisar o pensamento de Marx, "que continua a não ser bem conhecido ou a ser apenas conhecido por clichés que o deitam abaixo ou que o louvam". "Espero que a prática do estudo se enraíze e se desenvolva", disse ao PÚBLICO o ex-reitor da Universidade de Lisboa, no final da sua comunicação sobre "materialismo e dialéctica".
Na concorrida "lição" de Barata-Moura, professor da Faculdade de Letras, o orador lembrou uma frase de Marx, confidenciada a um amigo em 1843, na qual o filósofo alemão explicava que não era a sua intenção "antecipar dogmaticamente o mundo". "Queremos encontrar, a partir da crítica do mundo velho, o mundo novo", citou. Ao longo de 30 minutos, Barata-Moura "esmagou" a assistência com uma intervenção que sustentou o contraste entre Marx e o idealismo hegeliano. "Os campeões da ideologia, contra os quais Marx e Engels investem, não se convertem em objecto de reparo por serem os produtores de representações da consciência social. São atacados por considerarem o mundo dominado por ideias e por encararem as ideias como princípios determinantes, susceptíveis de revelar o mistério do mundo." Marx rejeita esta "autonomização das ideias em relação à materialidade do viver", uma vez que, explicou, "a consciência é o ser consciente" e "o ser dos homens é o seu processo de vida real".
A elevada afluência de público nos três dias do colóquio acabou por exceder as expectativas dos organizadores, notou o historiador Fernando Rosas, membro da comissão organizadora. Esta adesão reflectiu, afinal, aquilo que se pode encontrar na imprensa mundial, onde a análise das teorias marxistas está na ordem do dia. Mesmo em publicações insuspeitas como o jornal The Financial Times e as revistas Standpoint e The Spectator - foi nesta última, aliás, que o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, escreveu, em Setembro último, um artigo de opinião no qual defendeu que Marx tinha razão, ainda que "parcial", sobre o capitalismo. Numa altura em que os livreiros alemães afirmam ter vendido mais obras de Marx nos últimos dois meses do que nos últimos dois anos, Rosas reiterou que o colóquio pretende ser um "fórum fundador" de debate sobre a actualidade do marxismo. Neste sentido, o Instituto de História Contemporânea (IHC) quer repetir o encontro científico em torno da "galáxia marxista", organizando colóquios bienais. Utilizando a instituição universitária como pólo de ligação a outras iniciativas e organizações, o IHC poderá avançar com a criação de um espaço, semelhante a um think tank mas com uma "participação aberta", que preencha as lacunas da "reflexão teórica à esquerda". "Poderá ser um local de reflexão regular e institucionalizada, regida por uma agenda prática e teórica."

Público, 17.11.2008

João Abel Manta

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domingo, novembro 16, 2008

Um Império embalsamado, ou seja, virtual

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O GOOGLE já nos permitia viajar no espaço sem fazer log off.
Agora vai ainda mais longe e permite-nos também viajar no tempo. Nada mais nada menos do que à Roma imperial (veja o vídeo).

Aproveite para ver o antigo Império antes que o Império actual, e estas maravilhas tecnológicas, se afundem no caos.

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