sexta-feira, outubro 27, 2006

Darwin online



O espólio completo do cientista britânico Charles Darwin está a ser compilado e disponibilizado gratuitamente na Internet. O projecto da Universidade de Cambridge conta já com vários manuscritos e diários nunca antes publicados ou recentemente transcritos, assim como imagens e arquivos de áudio, que relatam as ideias do naturalista que desenvolveu, ao longo de décadas, a teoria da evolução através da selecção natural.

Veja em:

http://darwin-online.org.uk

quarta-feira, outubro 25, 2006

Para levantar "o moral"



Parece que está na moda lembrar aos portugueses que vivem num país "do caraças" (toma, vai buscar...). Por acaso eu até concordo mas não pelas razões que são invocadas ultimamente...

Começou com um texto do Nicolau Santos, "Eu conheço um país..." (ver), que circulou na net e ocorreu no meu mail uma data de vezes.

AQUI fica mais um exemplo, um Power Point que nos mostra facetas desconhecidas "do nosso querido Portugal". Se não tem banda larga é capaz de esperar um bom bocado.

quarta-feira, outubro 18, 2006

As 7 Maravilhas do Mundo


Está em curso uma votação mundial para determinar a versão actualizada das "7 maravilhas do mundo". A cerimónia final terá lugar em Lisboa a 7 de Julho de 2007.
Vote AQUI

segunda-feira, outubro 16, 2006

Valha-nos S. António



A propósito da estranha existência e manutenção de um estranho Instituto Português de Santo António em Roma (IPSAR), a associação cívica República e Laicidade remeteu ao Sr. Ministro das Finanças a seguinte carta:

Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado e das Finanças,

Sr. Professor Doutor Fernando Teixeira dos Santos,

Na Associação Cívica República e Laicidade, tomámos conhecimento, há algum tempo, da existência de um Instituto Português de Santo António em Roma (IPSAR), entidade pública directamente tutelada pelo Ministério das Finanças do Governo da República Portuguesa.

Constatámos ainda que o referido instituto promove, como suas actividades principais, o «exercício de actos do culto católico» e a realização de «actividades culturais», onde, frequentemente, também se pode constatar um idêntico e forte cariz religioso.

Desse modo,

Considerando o princípio constitucional de separação entre Estado e Igrejas e o entendimento daí decorrente de que a República Portuguesa – aparte as excepções, em nosso entender lamentáveis, também legalmente consignadas na Lei (nomeadamente as capelanias) – não deve sustentar o culto religioso, seja de que religião for, nem remunerar membros do clero, nessa sua qualidade, pelo exercício de actividades de culto;

Constatando que o IPSAR não tem a sua contabilidade facilmente acessível à consulta pública e uma vez que, a partir de 2004, o Ministério das Finanças deixou de disponibilizar, designadamente nos mapas «Receitas Globais dos Serviços e Fundos Autónomos» do Orçamento do Estado, o quantitativo dos dispêndios que a manutenção daquele estabelecimento acarreta para o erário público nacional;

Considerando que, em deliberação recentemente tomada pelo Conselho de Ministros da República Portuguesa (resolução 39/2006, DR, I-B, de 21 de Abril), no âmbito do «Programa para a Modernização da Administração Central do Estado» (PRACE), o IPSAR não só é mantido – em confronto com uma inexorável extinção de outros institutos –, como ainda, no processo de redefinição organizacional de estruturas e recursos da administração central, é feito transitar para a dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE);

Considerando ainda que estamos em véspera da entrega na Assembleia da República, para análise e debate pelos Deputados da República, da proposta de Orçamento de Estado para 2007;

Vimos solicitar a Vossa Excelência, Senhor Ministro das Finanças, que nos esclareça detalhadamente sobre as seguintes matérias:

O volume das verbas públicas que, nos últimos anos, têm sido dispendidas para sustentar a existência daquele Instituto Português de Santo António em Roma, bem como a discriminação das diferentes rubricas e actividades em que elas têm sido aplicadas;
As razões que serviram de fundamento, quer à opção da manutenção em funcionamento do referido Instituto Português de Santo António em Roma, quer à da sua transferência para a tutela do MNE;
O volume das verbas públicas que o actual Orçamento de Estado consigna ao referido Instituto Português de Santo António em Roma, bem como a discriminação das diferentes rubricas e actividades em que elas serão aplicadas.

Sem outro assunto, subscrevemo-nos

a bem da República

Luis Mateus (presidente), Ricardo Alves (secretário)

sexta-feira, outubro 13, 2006

Museu da Tapeçaria de Portalegre


A propósito de um texto publicado pelo DoteCome acerca do Museu da Tapeçaria de Portalegre recebemos a seguinte mensagem que passamos a divulgar:

A vossa notícia sobre o Museu da Tapeçaria de Portalegre dá a entender que o museu é uma coisa morta "ficou como depositário de grande parte do espólio da empresa".
A manufactura de tapeçarias de Portalegre não acabou. Continua a laborar e a tecer novas obras de pintores contemporâneos, portugueses e estrangeiros.
A exposição de tapeçarias do museu é uma exposição viva em constante mudança de acordo com as necessidades do museu e as disponibilidades da manufactura.
quem visitar o museu várias vezes de cada uma encontrará sempre novos motivos de interesse.

Cumprimentos

Vera Fino
Directora da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre

terça-feira, outubro 10, 2006

Memórias das Bodas



AQUI ficam as memórias fotográficas de "As Bodas de Fígaro" levadas à cena, no Teatro da Trindade, em Setembro de 2006. As fotografias são de Clementina Cabral.

sábado, outubro 07, 2006

Fogo sem fumo



A imprensa publicou, há meia dúzia de anos, alguns artigos alertando para a importação, involuntária, de um infestante dos pinheiros oriundo da América do Norte de seu nome "nemátodo do pinheiro bravo".

Na altura tinham sido encontradas árvores afectadas no distrito de Setúbal e, correctamente, alertava-se para o perigo de disseminação da doença.

O nemátodo fura o tronco até ao interior e, uma vez instalado, perturba a circulação de nutrientes e as árvores vão amarelecendo e ao fim de alguns meses acabam por morrer.

Quem como eu percorre regularmente a costa alentejana, por exemplo entre a Comporta e Medides, não pode deixar de constatar o aumento cada vez mais acelerado do número de pinheiros doentes ao longo das estradas. Diria mesmo que nesta região o nemátodo terá já destruído muito mais árvores do que os fogos florestais, sem abalar a passividade das autarquias, o que parece ser contraditório com os mega-projectos turísticos de que tanto se tem falado.

O ataque a esta "praga", que consiste no corte e remoção dos pinheiros doentes antes que o bicho salte para outra árvore, é da responsabilidade da Direcção Geral dos Recursos Florestais. Aparentemente as burocracias necessárias para a adjudicação dos abates impedem que o ataque ao nemátodo se desenvolva a um ritmo superior ao do avanço da praga e os resultados estão à vista. Conheço casos em que mais de um ano transcorreu entre a detecção da doença e o abate da árvore.

Gostava de perceber porque é que esta questão foi totalmente esquecida pelos jornais e outros meios de comunicação enquanto que os fogos, que só destroem no Verão, gozam de enorme projecção.

Se é verdade que não há fumo sem fogo também é verdade que o nemátodo é, para a floresta, uma espécie de fogo sem fumo.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Uma vítima da publicidade


Após o interrogatório do homem que procedeu a um sequestro numa dependência do Banco Espírito Santo, em Setúbal, a polícia concluiu que se trata de mais uma vítima da publicidade:


Não tem pais ricos
Não ganhou a lotaria
Foi ao BES

segunda-feira, outubro 02, 2006

UMA VERDADE INCONVENIENTE


É uma chamada de atenção para o grande publico, tem fotografias impressionantes e gráficos que fazem pensar.

Pessoalmente, gostava de ter visto os aspectos científicos tratados com mais profundidade, até porque algumas vezes tenho sido tentada pela posição dos cépticos: “O planeta tem passado por períodos de aquecimento e arrefecimento globais, isto é mais do mesmo, etc. etc.”
Por exemplo, achei muito interessante o gráfico que mostrava a coincidência das curvas de nível de CO2 e dos períodos glaciares e inter glaciares; mas gostaria que me explicassem de onde, nessas épocas sem a influência nefasta do Homem, poderia ter vindo esse anidrido carbónico em tal quantidade e tão concentrado no tempo.

De qualquer modo, acho que o filme deve ser divulgado: Al Gore é um bom comunicador, e tem estatuto para se fazer ouvir. Não nos fará mal nenhum reflectir sobre estas questões, e embora não acredite que o mundo se muda por iniciativas individuais sei que as grandes medidas não vingam se não forem acompanhadas de mudanças de atitude de cada um e da sociedade.
Foi pena que um homem familiarizado com a politica internacional não tenha referido a responsabilidade do mundo desenvolvido em relação ao tipo de “ajudas” dadas ao terceiro mundo e ao modelo de vida apresentado aos países em desenvolvimento.
Se uma fracção da população do globo já causa tais estragos, o que acontecerá se todos os milhões de asiáticos, africanos, etc tiverem um automóvel à porta?!!!!

Bom, recomendo o filme. E para terem uma ideia do que lá se vê, “jast luke ete de treila” em www.climatecrisis.net.

quinta-feira, setembro 21, 2006

O Paraíso, Agora!


Parti para este filme de Hany Abu-Assad , como a maior parte dos espectadores, numa atitude de voyeur.

Aquilo que mais me intriga no fenómeno dos bombistas suicidas não é o facto de tantos estarem dispostos a perder a vida mas sim a pobre “administração” do seu sacrifício.
Quando alguém está disposto a morrer dispõe de um poder enorme o que, em minha opinião, não se reflecte nos resultados dos atentados que muitas vezes se limitam a matar meia dúzia de pessoas sem qualquer valor “estratégico”.

Nesse aspecto o filme ajudou-me muito pois fornece um quadro em que nos é proposta uma reflexão sem maniqueísmos.

O ritual suicida, tal como é mostrado, constitui um acto de “libertação” individual ancorado na religiosidade em vez de constituir uma assumida forma de luta com objectivos claros e perpectivas de futuro. Os atentados são fundamentalmente uma saída para o insuportvel individual e não o sacrifício de alguns para uma libertação colectiva.

Constituem uma atitude emocional servida “a quente” (as horas cruciais que precedem as acções são milimetricamente controladas e encenadas) em vez de uma pensada e maquiavélica construção com vista a provocar efeitos desvastadores ao inimigo.
Em contrapartida a acção do exército israelita parece muito mais “fria” (no filme é referido um episódio em que o exército israelita invade uma casa e pergunta ao propritário qual das pernas quer que lhe partam).

Dos dois candidatos a suicidas aquele que revela firmeza até ao fim não é aquele que se quer vingar da violência dos israelitas mas sim aquele que não pode mais suportar o fardo de ter tido um pai colaboracionista.

A exploração desta faceta emocional pelos “responsáveis” políticos, que recorrem complementarmente à manipulação das crenças religiosas, acaba afinal por se revelar uma fraqueza, uma forma fácil mas limitada de manter as aparências de resistência.

Como fica patente no filme, esta estratégia inviabiliza qualquer tentativa de usar a inteligência para combater um inimigo tenaz e muito mais poderoso.

Um grande e corajoso filme.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Musica, musica, musica...



Vejam este video fabuloso

quarta-feira, setembro 13, 2006

"As Bodas de Fígaro" em português

Estreia na próxima sexta-feira dia 15, no Teatro da Trindade, a ópera "As Bodas de Fígaro" numa versão em português.
O espectáculo será levado ao Porto e a várias outras cidades até ao fim de 2006.



música
Wolfgang A. Mozart
libreto
Lorenzo da Ponte
direcção musical
Cesário Costa
encenação
Maria Emília Correia
cenografia
Rui Francisco
desenho de luz
João Paulo Xavier
figurinos
Rafaela Mapril
adaptação musical
Nuno Côrte-Real
fotografia e design gráfico
Clementina Cabral
Interpretação
José Corvelo, Lara Martins, Mário Redondo, Teresa Gardner,
Sónia Alcobaça, Bruno Pereira, João Sebastião, Eduarda Melo,
Raquel Camarinha, Job Tomé
orquestras Metropolitana de Lisboa | Clássica de Espinho
coro de Câmara de Lisboa Cantat
produção
Teatro da Trindade/INATEL | Coliseu do Porto
co-produção
Orquestra Metropolitana de Lisboa
com o Apoio do Ministério da Cultura | Instituto das Artes

quarta-feira, setembro 06, 2006

O "sucesso" de Israel no Líbano


Há quem diga que Israel não teve sucesso na guerra do Líbano mas eu penso essa é uma abordagem simplista já que não existe vitória militar definitiva de Israel que possa ser sériamente equacionada.

Como já disse neste blog (ver) penso que a destruição do estado de Israel pelos seus inimigos é apenas uma questão de tempo mas, no curto prazo, penso que Israel conseguiu algo importante:
pôs os cidadãos europeus a pagar um exército de interposição que, no essencial, assegurará o patrulhamento da fronteira norte de Israel.

Claro que esta é uma medida que visa apenas adiar o agravamento intolerável da situação militar de Israel mas, em contrapartida, pode vir a acelerar os anti-corpos da opinião pública europeia.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Ao que isto chegou...



"A visita do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, à Festa do Avante! resultou num dos momentos mais originais de um dia que também foi aproveitado por Marcelo Rebelo de Sousa para a sua segunda visita de sempre à festa comunista. Trazido à presença de Jerónimo de Sousa, secretário-geral do "partido de todos os trabalhadores", Vieira fez logo questão de sublinhar que se sentia em casa. "É a festa do povo e eu também sou do povo. Eu não sou o homem de gravata que as pessoas pensam", afirmou o presidente benfiquista, que ontem surgiu sem gravata, com uma t-shirt e sapatos de vela sem meia. Ao seu lado, o outro homem do povo, o líder comunista, explicava que a presença de Vieira era um exemplo de que a Festa estava aberta a todos e dizia que o responsável desportivo era recebido "com grande satisfação".
Público, 3 de Setembro de 2006
_________________________________________

Com o futebol português no lamaçal esta recepção toscamente oportunista do sr. Vieira, um dos dirigentes desportivos ao mais baixo nível, é verdadeiramente inconcebível num partido com a história do PCP.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Antonioni 75 - já não se fazem filmes assim


Não percam "Profissão: Reporter" de Michelangelo Antonioni, uma obra prima de 1975. Enquanto nós vivíamos o "verão quente" Antonioni filmava esta história de desistência e fuga.
Tenho a sensação (passe o saudosismo) de que já não há filmes assim. A textura dos lugares e das coisas, a densidade das "histórias" e o enigma do desenlace impressionaram-me profundamente.

A ver enquanto é tempo.
Se não for possível pode sempre visitar o site do filme



terça-feira, agosto 22, 2006

«Sonhar com Xangai»


Mais uma sugestão para quem optou por um Agosto lisboeta.
Não sei se será um grande filme, mas é, com certeza, mais uma achega para continuar a tentar perceber o percurso dos chineses.

Ainda "O Nariz"


Em Julho 2006 o Teatro Nacional de S. Carlos levou à cena, com assinalável sucesso, a ópera "O Nariz" de Chostakovitch.

Aqui ficam dez fotografias dessa produção.

terça-feira, agosto 15, 2006

Colecção Rau

Retrato de uma jovem, B. Luini, 1525


Nestes dias em que Lisboa está deliciosamente deserta aproveite para ir ao Museu Nacional de Arte Antiga ver, antes que termine, a belíssima Colecção Rau.
Gustav Rau, médico que dedicou a sua vida a acções humanitárias, legou esta valiosíssima colecção à UNICEF e nós, ao visitá-la, estamos também a contribuir para os meritórios fins dessa organização.


S. Domingos em oração, El Greco, 1600-1610

sexta-feira, agosto 11, 2006

Silly Season



Em plena "silly season" aqui vai um link para encontrar boas sugestões de...


domingo, agosto 06, 2006

Costa Rica: um país pintado de verde


Ao sétimo dia, antes de descansar, Deus pegou numa paleta, só com tons de verde, e divertiu-se a pintar um pedaço de terra entalado entre o Atlântico e o Pacífico. Isto podia ser uma lenda sobre a origem de um país que foi baptizado por Cristóvão Colombo e onde passei agora alguns dias.

O olhar do turista sofre sempre de um certo estigmatismo, mas não deixa por isso de ser legítimo. E foi com ele que gostei de ver a Costa Rica. Passei por cinco das suas sete províncias e parece que fiz cerca de 1.300 km por terra e por rio, o que já dá para ter algumas opiniões.

O país tem quatro milhões de habitantes, é pouco maior do que metade de Portugal e cerca de um terço da sua área é protegida ecologicamente. Está na moda como destino turístico (mas ainda se circula sem multidões) e diz-se que é a Suiça da América Latina – talvez porque tem montes e não tem exército, mas não há neve nem relógios de cuco e, sobretudo e felizmente, não há suíços.

Voltando ao verde. Com um clima tropical e subtropical, tem uma selva luxuriante, com uma flora variadíssima. Atinge-se facilmente quase 100% de humidade – aliada garantida de mosquitos devoradores e inimiga de máquinas fotográficas digitais (que deixam rapidamente de funcionar, provisória ou definitivamente).
Gostei especialmente de um dos parques naturais em que estive: Tortuguero, na costa atlântica. Por razões ecológicas, não é acessível por estrada. Tem um aeroporto minúsculo, mas o meio habitual de se chegar é por rio, numa viagem de quase duas horas. É então que se mergulha no verde. Por vezes, caminha-se por trilhos com vegetação tão cerrada que se ouve chover sem que a chuva chegue ao chão. É-se acordado a meio da noite por trovões e chuvadas monumentais e, às cinco da manhã, por simpáticos macacos roncadores. Foi lá que vi a cabeçada de Zidane na final do Mundial – estranha e única imagem de um outro mundo. Bem mais saudável foi ver as tartarugas – também verdes — que vieram desovar na praia em noite de lua cheia. Tudo verde? Nem por isso: vi rãs encarnadas. Confesso que fiquei rendida, eu que nem sequer sou muito dada a expedições ecológicas.

Há muitos outros parques, vulcões, termas paradisíacas em cascatas a várias temperaturas, borboletas azuis, etc., etc. Levaria horas a contar histórias.


Além disso, há um país para tentar perceber minimamente.
A Costa Rica é considerada um caso de sucesso e percebe-se porquê: além do Atlântico e do Pacífico, «entalam-na» o Panamá e a Nicarágua, vizinhos não muito desejáveis. Entre guerrilhas sandinistas de um lado e Noriegas do outro, a Costa Rica mantém uma sólida democracia desde 1949. Entrou nesse ano em vigor uma constituição que atribuiu direito de voto universal aos dezoito anos (inclusive às mulheres e aos negros) e que aboliu as forças armadas. Iniciou-se assim um historial de pacifismo, especialmente significativo no contexto geoestratégico em que o país se insere.
O sistema político é presidencialista, com a presidência da república e a chefia do governo asseguradas pela mesma pessoa. Foi este ano reeleito para o cargo Oscar Arias Sánchez que já o ocupara entre 1986 e 1990. Datam de então a sua firme oposição a que os Estados Unidos utilizassem a Costa Rica como base para atacarem a guerrilha nicaraguense e um Prémio Nobel da Paz que lhe foi concedido, em 1987, por ter conseguido que alguns países da América Central (Nicarágua, Guatemala, El Salvador e Honduras) chegassem a acordo sobre um plano de paz que ele próprio elaborou. O presidente é assessorado por dois vice-presidentes, cargos que, no actual governo, são ocupados por mulheres.

Vários indicadores revelam o sucesso de que se fala. Apenas um e dos mais significativos: o grau de literacia é muito superior ao dos vizinhos mais próximos e ultrapassa também o de Portugal: 96% versus 93,3%, com os mesmos critérios, devido a uma diferença de 5%, no caso das mulheres, a favor da Costa Rica!... Aliás, a aposta na educação desde 1949 é apontada como uma das causas do referido sucesso e faz com que, a par do turismo e da agricultura, a indústria de «microchips» e o desenvolvimento de «software» estejam já entre as principais fontes de receita. As telecomunicações são excelentes (tive cobertura de rede de telemóvel e «roaming» mesmo no meio da selva) e, num dos hotéis em que estive, paguei $12 por uma sopa mas a utilização da Internet era gratuita e ilimitada. A estabilidade política, os elevados níveis de qualificação das pessoas e o turismo atraem cada vez mais investimentos estrangeiros. O índice de pobreza terá diminuído significativamente nos últimos quinze anos e a taxa de desemprego é inferior à portuguesa.

Dito isto, a Costa Rica é um país modesto. As estradas são más (péssimas, por vezes), a arquitectura de luxo não passou por ali, as povoações são aglomerados feiosos, as pessoas têm um ar muito simples. Visto a distância, Portugal parece um país de milionários, Lisboa é Paris quando recordada em S. José. Qualquer coisa está errada: ou uns vivem abaixo do que podem, ou os outros acima. De que lado estará o erro? Daqui a alguns anos, alguém verá. Eu tenho a minha opinião – oxalá me engane.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Provença via Barcelona



Memórias visuais de uma viagem à Provença, feita em Junho, via Barcelona. Pode ver aqui

.

terça-feira, agosto 01, 2006

Para um inventário dos males do mundo



Basta abrir a caixa do correio...

sábado, julho 29, 2006

Lopes Graça

Tendo em vista a comemoração do centenário do nascimento de Fernando Lopes-Graça, e correspondendo, aliás, a solicitações de várias entidades, constituiu-se no Ministério da Cultura uma comissão técnica de apoio e coordenação das iniciativas culturais que se encontram em preparação para assinalar o seu centenário. Graças ao empenho do Ministério dos Assuntos Parlamentares, foi possível promover a articulação deste trabalho de coordenação com as actividades a realizar pela Rádio e Televisão de Portugal, que se associa às comemorações.

Veja aqui o site das comemorações

quarta-feira, julho 26, 2006

Hemeroteca Digital

Apresentamos aqui um primeiro esboço deste projecto, que visa a construção duma biblioteca digital de publicações periódicas. Isto é, uma nova ferramenta para entrar no universo fascinante da imprensa periódica portuguesa, desde os seus primórdios até à actualidade.

Disponibilizaremos assim, através da Internet, um vasto conjunto de conteúdos digitais, com destaque para o fundo local, histórico e fontes documentais da maior importância para o estudo e consulta do acervo bibliográfico da Hemeroteca Municipal de Lisboa.

Disponibilizaremos ainda outros recursos informativos, resultantes da actividade cultural e científica da biblioteca, bem como o acesso a serviços electrónicos, que simplificarão sobremaneira o contacto do utilizador com a Hemeroteca.

Visite-nos, dê-nos sugestões, navegue por esta página, ajude-nos a construir e a desconstruir a Hemeroteca Digital. Os dados estão lançados…

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Vale a pena visitar a Hemeroteca Digital em
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/index.htm

sábado, julho 22, 2006

porosidade etérea


Eis "um Pessoa" fotografado no Chiado pela Inês Ramos em 2005.
Vem isto a propósito do lançamento recente, pela Inês, do seu blog "porosidade etérea"


http://porosidade-eterea.blogspot.com/

inteiramente dedicado aos poetas e à poesia.

terça-feira, julho 18, 2006

Se o ridículo matasse...


Sal de Cozinha Grosso Marinho Integral
emb. 1 kg

€ 0,29 / kg

Preço € 0,29 / Unid.


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A Autoridade da Concorrência condenou quatro empresas do sector do sal a uma multa de quase um milhão de euros, após ter detectado um cartel entre estas que provocou prejuízos no valor de 5,6 milhões de euros entre 1998 e 2004.

De acordo com esta entidade reguladora, a Vatel, que integra um grupo multinacional, a Salexpor, a Salmex e a Sociedade Aveirense de Higienização do Sal (Vitasal) organizaram-se num cartel entre 1997 e 2005.

Em 1997, estas empresas, que representam entre 75 e 90 por cento das vendas em Portugal de sal grosso para fins alimentares e industriais, fizeram um acordo de fixação e manutenção das suas quotas no mercado de comercialização por grosso.

A fixação destas quotas era feita com base no histórico das vendas de cada uma das empresas e previa um sistema de penalização ou compensação consoante aumentassem ou diminuíssem as suas vendas

TSF Online

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Esta enorme ferocidade da Autoridade da Concorrência tem o seu quê de ridículo quando nos vem dizer que se destina a proteger os consumidores.

É possível imaginar que um quilo de sal, se não houvesse o cartel, custaria 25 cêntimos em vez dos 29. Será que isso transformaria completamente o orçamento dos portugueses ?
Se a "Autoridade" se ocupasse dos combustíveis, por exemplo, empregaria muito melhor o seu tempo.

Devo aliás acrescentar que não percebo como é possível alguém produzir um quilo de sal por 0,29 euros (dos quais uma boa parte foi concerteza encher os bolsos dos hipermercados em vez de ir parar aos produtores e aos trabalhadores).
Não pode ser um negócio muito chorudo...

É como diz o povo: "Quem rouba um pão, é ladrão; quem rouba um milhão, é barão"

sábado, julho 15, 2006

As sementes de um novo holocausto ?

Vou já esclarecer ao que venho. Quero alertar para um “novo holocausto” que eu sinto avolumar-se e que considero quase inevitável.
O alerta vale o que vale mas, se não puder evitar as barbaridades, ao menos que nos prepare a todos para as vivermos.

Falo de Israel e dos seus “vizinhos”, claro. O holocausto que prevejo é a destruição de Israel e o massacre de muitos dos seus habitantes.

Não pretendo discutir quem tem razão mas apenas pensar para além dos constantes “braços de ferro” a que assistimos nas televisões.

Não sou, nem me sinto, judeu e também não sou daqueles que absolvem automáticamente as barbaridades terroristas embora compreenda o drama do povo palestiniano.

Aquilo que me interessa aqui compreender é se no quadro geoestratégico presente o estado de Israel tem alguma probabilidade de sobreviver e também se o “comporatmento” dos seus governantes na cena internacional aumenta ou diminui essa probabilidade.

Todos ficamos impressionados com a eficácia militar de Israel, com o enorme poderio que os seus aliados da América lhe permitiram desenvolver, mas não devemos esquecer que a prazo as guerras acabam sempre por ser ganhas em termos “logísticos”. Um contendor que seja inferior em população, recursos naturais e capacidade de produção acabará sempre por perder a guerra.

O suporte dado pelos Estados Unidos ao seu aliado no médio oriente, por enquanto possível e inquestionado pelas outras potências emergentes, tem permitido a Israel uma política de retaliação que excede largamente o famigerado “olho por olho, dente por dente” (uma das imagens mais revoltantes que já vi na televisão foi a de soldados israelitas partindo, com pedras, os braços de palestinianos capturados e indefesos durante a intifada).

Mas o mundo está a passar por uma transformação acelerada, novos polos de riqueza e de poder estão a desenvolver-se e a hegemonia dos Estados Unidos tende a resumir-se cada vez mais ao plano militar.

A situação faz lembrar a da Espanha do século XVII, em que à debilitante redução das remessas de metais preciosos da América correspondia um envolvimento militar cada vez maior em várias frentes.
Também os Estados Unidos ao mesmo tempo que vêm levantar-se formidáveis competidores económicos (China, India,..) são impelidos pelas circunstâncias internacionais a assumir o seu papel de “polícias globais” (Iraque, Afeganistão, Irão, Coreia do Norte,...).

Na feroz competição que se regista a nível internacional em busca das reservas de energia e matérias primas, na intrincada dinâmica dos equilíbrios entre civilizações e credos religiosos, no quadro das transferências de riqueza entre grupos económicos, países e regiões, o Estado de Israel pode de um momento para o outro vir a constituir uma simples “moeda de troca”.

A questão que se coloca é a seguinte: o que acontecerá se, e quando, a superpotência americana deixar de poder, ou querer, ser o guarda-costas de Israel ?


Quando Israel põe dois países a ferro e fogo em retaliação pelo rapto de três soldados coloca-se perante o mundo na situação de agressor e não de vítima que se limita a defender o seu legítimo direito a existir em paz.

Ao abdicar da sua superioridade moral dificulta qualquer iniciativa moderada da outra parte e contribui para reforçar os adeptos do terrorismo. Ao proceder deste modo Israel aliena a opinião pública moderada dos países árabes que deveria constituir a base de uma solução de equilíbrio a longo prazo.

À medida que as condições de vida se forem deteriorando no mundo ocidental (o petróleo atingiu ontem os 78 dolares por barril) ir-se-ão desenvolvendo os velhos fantasmas anti-semitas e chegará o dia em que Israel passará a ser visto com animosidade, como a causa de todas as dificuldades.

A destruição de Israel torna-se dessa forma uma questão de tempo e qualquer pessoa que viva em Israel deverá racionalmente equacionar a sua permanência nestas condições de risco sempre crescente.

A comunidade internacional tem que deixar a sua posição de indiferença e encarar enquanto é tempo soluções em larga escala, para as quais ninguém está psicológicamente preparado, se quisermos evitar um desastre humanitário de grandes proporções no século XXI.

quinta-feira, julho 13, 2006

Barcelona e Lisboa



Numa viagem recente a Barcelona, cidade de que gosto imenso, constatei de novo a enorme vitalidade que a caracteriza.

Por razões particulares fui forçado a tomar consciência da importância, para a capital da Catalunha, de ser detentora do porto de partida e de chegada de inúmeros cruzeiros no Mediterrâneo. Por esse facto Barcelona consegue permanências mais longas de todos aquelas que se preparam para embarcar ou que desembarcam no fim do cruzeiro.

Foi por isso que me interroguei sobre o papel que Lisboa poderia vir a ter como ponto de partida e de chegada de cruzeiros que percorressem o Norte de África, as Canárias, a Madeira e os Açores. Tanto quanto sei essa fórmula tem sido pouco explorada.

No meio destas divagações sou sempre levado a comparar Lisboa e Barcelona, tentando compreeder como se distribui o peso dos atractivos turísticos entre elas.

Barcelona conseguiu criar uma imagem merecida de grande urbe turística com base na sua intensa vida cultural, na sua riqueza arquitectónica, nas suas grandiosas avenidas, no seu inteligente aproveitamento da frente de mar, no seu cosmopolitismo e enorme animação de rua potenciados pela realização de grandes eventos desportivos e culturais. É verdade que tudo isso é facilitado pela inserção numa região muito desenvolvida e muito menos periférica do que Lisboa.

Embora eu seja um grande admirador de Barcelona quero, como lisboeta, listar aquelas coisas que eu acho serem as vantagens da minha cidade.

- Se Barcelona é uma cidade com a tónica na "Arte Nova" Lisboa, por seu lado, é uma cidade do barroco com os seus incontáveis palácios, conventos e igrejas.

- Os bairros antigos são muito mais extensos e interessantes em Lisboa (Alfama e o Bairro Alto, por exemplo, quando comparados com o Barrio Gótico)

- Lisboa está implantada num relevo muito mais "dramático" que cria vistas e miradoiros por todo o lado.

- Lisboa possui as calçadas empedradas, os eléctricos, os elevadores e os azulejos que lhe dão um carácter inconfundível (alguém me disse que Barcelona tem muita mais coisas que podiam ser em qualquer outra cidade da Europa central)

- Os monumentos ligadas à espantosa história marítima de Lisboa em Belém, e o que eles representam, têm um encanto sem paralelo em Barcelona.

- Lisboa tem duas pontes que são das maiores do mundo e que contribuem para uma cenografia grandiosa onde é possível olhar a cidade.

Em suma, temos uma excelente "matéria prima" que não pode ser considerada inferior à de Barcelona. Só falta os lisboetas tomarem as atitudes e as decisões correctas para fazer valer a sua cidade.

segunda-feira, julho 10, 2006

"Portugal olé, Portugal olé..."

Em comunicado, a direcção nacional do IPPAR anunciou ao início da tarde que a abertura da sepultura do fundador da nacionalidade, para fins científicos, prevista para as 17h00, foi cancelada por alegadamente não terem sido "cumpridos todos os procedimentos adequados e necessários".



Toda esta trapalhada à volta do túmulo do Afonso Henriques tem contornos paradigmáticos.

Se a ministra não sabia de nada é incompetente, se sabia é irresponsável.
Tomando posição impeditiva quando a abertura do túmulo estava eminente tratou com indiferença os esforços e recursos entretanto investidos.

E no entanto é dificil imaginar algo mais oportunamente planeado do que esta abertura gorada do real túmulo.

A chegada dos "novos magriços" podia, e devia, ter sido saudada por um sonoro "Portugal olé, Portugal olé..." vindo de além túmulo.
Os feitos na Alemanha bem o mereciam ...

Afonso também teria podido indagar acerca da recuperação da espinha do Diogo, o seu biógrafo, que se encontra nas mãos do "indireita".

quinta-feira, julho 06, 2006

Shakespeare na ponta dos dedos



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