segunda-feira, agosto 08, 2011
G20 ou G40 ?
O comunicado foi publicado na Coreia do Sul após as fortes baixas registradas nas bolsas asiáticas nesta segunda-feira. Os Estados membros permanecerão em contato estreito e atuarão para "garantir a estabilidade financeira e a liquidez dos mercados financeiros".
Estas reuniões das 20 maiores economias já não correspondem ao mundo actual, em que os maiores estados nacionais empobrecem ao mesmo tempo que as suas empresas enriquecem.
Estas reuniões deviam ter a participação dos 20 maiores estados mas também das 20 maiores empresas globais, digamos um G40. Os estados deviam então indagar onde é que as corporações criam emprego e onde é que pagam impostos. Se a resposta não fosse satisfatória deviam apertar com elas.
Presumo que os 20 maiores estados, quando se encontram, jogam uns com os outros um xadrez muito complexo de retaliações e de transferências de poder. A próxima fase, suponho, terá como centro o dolar.
Greenspan disse recentemente qualquer coisa como: "Os Estados Unidos têm meios para pagar qualquer dívida. Trata-se apenas de imprimir mais dólares".
Esta ideia de uma moeda que tem sido emitida, ao longo de décadas, de forma descontrolada, fascina-me. É um factor de crescimento inesgotável, mesmo que ilusório. Será que alguém sabe quantos dólares estão realmente em circulação, mesmo ignorando os milhões de dólares falsos?
Penso que é uma questão de tempo até que toda a gente fuja dos dólares por terem perdido a mais elementar credibilidade.
Nas reuniões do G20 encontram-se muitos países que têm os seus pés-de-meia em dólares. Têm portanto que gerir a transição de forma muito cautelosa para não perderem tudo o que amealharam.
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sábado, agosto 06, 2011
sexta-feira, agosto 05, 2011
Serviço público serve quem?
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A televisão pública beneficiou de uma subida de 2,7 milhões de euros, o equivalente a quase mais 2%, na indemnização compensatória para este ano. O valor de 145,9 milhões de euros já estava previsto no acordo complementar do contrato de concessão de serviço público de televisão para o quadriénio 2008-2011. Ao mesmo tempo, e até ao terceiro trimestre, a RTP tinha recebido 88,15 milhões de euros em dotações de capital. Tudo junto dá 234 milhões de euros de transferências do Estado, o que compara com os 205,5 milhões de euros pagos à RTP o ano passado. Em causa está uma subida de quase 14% nas transferências, ou de 28,5 milhões de euros.
A estes números serão ainda somados os 134,4 milhões de euros de receita da taxa audiovisual paga na factura eléctrica. O acordo entre a RTP e o governo contempla também uma subida de 2,3 milhões de euros na contribuição audiovisual em 2010, face a valores de 2009. Na resolução do Conselho de Ministros (presidido por José Sócrates) ontem publicada, o governo justifica os valores pagos à RTP com o cumprimento dos compromissos decorrentes do contrato de concessão assinado entre o Estado e a empresa para o cumprimento do serviço público de televisão, em particular no que respeita ao acordo de reestruturação financeira da RTP assinado em 2003.
Jornal "I", 15.12..2010
A privatização da RTP vai ficar para melhores dias ou, como avisadamente escreveu o primeiro--ministro no programa do governo, para "tempo oportuno". Se, de facto, o "tempo oportuno" é um eufemismo usado e abusado em Portugal para atirar um problema para as calendas gregas, a recente intervenção do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, em que nomeou expressamente a RTP como alvo a privatizar rapidamente, voltou a criar pânico nos "mercados".
Mas, segundo apurou o i, podem os "mercados" (as outras televisões privadas, as rádios e os jornais) ficar mais descansados: a privatização da RTP não será acelerada de maneira nenhuma e acontecerá, tal como prometeu o primeiro-ministro, "em tempo oportuno" - na melhor das hipóteses nunca; na pior das hipóteses na próxima legislatura, se o PSD voltar a ganhar as eleições.
Num momento de crise gigantesca nos media, abrir a RTP aos privados seria comprar uma guerra de proporções devastadoras. Até aqui, a mais visível face dessa guerra em curso é a oposição do militante número 1 do PSD, Pinto Balsemão, dono do grupo Impresa e feroz opositor da privatização do canal público que ameaça roubar receitas à SIC, neste momento já em perda.
Jornal "I", 01.08..2011
Ao que parece este autêntico sorvedouro de dinheiros dos contribuintes vai continuar a prestar o tal "serviço público" que ninguém consegue perceber qual seja, se o governo não tiver a coragem de afrontar os interesses instalados nas televisões privadas que querem manter as suas posições no mercado da publicidade.
Enquanto os cidadãos são forçados a apertar o cinto as televisões gastam rios de dinheiro a produzir conteúdos de baixo nível. Também elas só ganhavam com o emagrecimento, em qualidade e em lucros, se produzissem mais com menos.
Talvez não seja coincidência a mudança de tom por exemplo da SIC que, nas últimas semanas, desembestou furiosamente contra o governo de Passos Coelho.
Para bom entendedor meia palavra basta.
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A televisão pública beneficiou de uma subida de 2,7 milhões de euros, o equivalente a quase mais 2%, na indemnização compensatória para este ano. O valor de 145,9 milhões de euros já estava previsto no acordo complementar do contrato de concessão de serviço público de televisão para o quadriénio 2008-2011. Ao mesmo tempo, e até ao terceiro trimestre, a RTP tinha recebido 88,15 milhões de euros em dotações de capital. Tudo junto dá 234 milhões de euros de transferências do Estado, o que compara com os 205,5 milhões de euros pagos à RTP o ano passado. Em causa está uma subida de quase 14% nas transferências, ou de 28,5 milhões de euros.
A estes números serão ainda somados os 134,4 milhões de euros de receita da taxa audiovisual paga na factura eléctrica. O acordo entre a RTP e o governo contempla também uma subida de 2,3 milhões de euros na contribuição audiovisual em 2010, face a valores de 2009. Na resolução do Conselho de Ministros (presidido por José Sócrates) ontem publicada, o governo justifica os valores pagos à RTP com o cumprimento dos compromissos decorrentes do contrato de concessão assinado entre o Estado e a empresa para o cumprimento do serviço público de televisão, em particular no que respeita ao acordo de reestruturação financeira da RTP assinado em 2003.
Jornal "I", 15.12..2010
A privatização da RTP vai ficar para melhores dias ou, como avisadamente escreveu o primeiro--ministro no programa do governo, para "tempo oportuno". Se, de facto, o "tempo oportuno" é um eufemismo usado e abusado em Portugal para atirar um problema para as calendas gregas, a recente intervenção do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, em que nomeou expressamente a RTP como alvo a privatizar rapidamente, voltou a criar pânico nos "mercados".
Mas, segundo apurou o i, podem os "mercados" (as outras televisões privadas, as rádios e os jornais) ficar mais descansados: a privatização da RTP não será acelerada de maneira nenhuma e acontecerá, tal como prometeu o primeiro-ministro, "em tempo oportuno" - na melhor das hipóteses nunca; na pior das hipóteses na próxima legislatura, se o PSD voltar a ganhar as eleições.
Num momento de crise gigantesca nos media, abrir a RTP aos privados seria comprar uma guerra de proporções devastadoras. Até aqui, a mais visível face dessa guerra em curso é a oposição do militante número 1 do PSD, Pinto Balsemão, dono do grupo Impresa e feroz opositor da privatização do canal público que ameaça roubar receitas à SIC, neste momento já em perda.
Jornal "I", 01.08..2011
Ao que parece este autêntico sorvedouro de dinheiros dos contribuintes vai continuar a prestar o tal "serviço público" que ninguém consegue perceber qual seja, se o governo não tiver a coragem de afrontar os interesses instalados nas televisões privadas que querem manter as suas posições no mercado da publicidade.
Enquanto os cidadãos são forçados a apertar o cinto as televisões gastam rios de dinheiro a produzir conteúdos de baixo nível. Também elas só ganhavam com o emagrecimento, em qualidade e em lucros, se produzissem mais com menos.
Talvez não seja coincidência a mudança de tom por exemplo da SIC que, nas últimas semanas, desembestou furiosamente contra o governo de Passos Coelho.
Para bom entendedor meia palavra basta.
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quinta-feira, agosto 04, 2011
Volta Catroga, estás perdoado
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O mundo vê espantado o presidente Obama a equilibrar-se num fino arame financeiro e a Europa desorientada a lamber as feridas que os "mercados" lhe provocam. Todos tememos que sobre nós se abata a maior hecatombe económica e social de que há memória.
E o que fazem os nossos deputados? decretam uma economia de guerra? distribuem capacetes e máscaras de gás? tentam preparar o país e os cidadãos do tsunami que se perfila no horizonte?
Não.
Preferem perder o seu tempo a discorrer sobre o súbito eclipse do Bairrão, ou sobre o buraco BPN agora que já não tem remédio possível, ou sobre os titulares convocados pelo treinador para a equipa da Caixa, ou sobre uma determinada chamada telefónica que foi feita para o INEM.
Em suma, pintelhos.
Volta Catroga, estás perdoado.
Via Henricartoons
O mundo vê espantado o presidente Obama a equilibrar-se num fino arame financeiro e a Europa desorientada a lamber as feridas que os "mercados" lhe provocam. Todos tememos que sobre nós se abata a maior hecatombe económica e social de que há memória.
E o que fazem os nossos deputados? decretam uma economia de guerra? distribuem capacetes e máscaras de gás? tentam preparar o país e os cidadãos do tsunami que se perfila no horizonte?
Não.
Preferem perder o seu tempo a discorrer sobre o súbito eclipse do Bairrão, ou sobre o buraco BPN agora que já não tem remédio possível, ou sobre os titulares convocados pelo treinador para a equipa da Caixa, ou sobre uma determinada chamada telefónica que foi feita para o INEM.
Em suma, pintelhos.
Volta Catroga, estás perdoado.
quarta-feira, agosto 03, 2011
Uma catástrofe a menos
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Luiz Carlos Molión, professor da Universidade Federal de Alagoas, no Brasil, e representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Metereológica Mundial (OMM), não acredita no aquecimento global provocado pela actividade humana.
Polémico, com um discurso simples e claro, o metereologista brasileiro defende que a subida das temperaturas nos últimos anos está relacionada com a actividade do Sol e com os oceanos, que ele considera os dois grandes reguladores do clima global da Terra. Por isso, afirma que o planeta vai arrefecer nos próximos 20 anos.
Defende que as emissões de dióxido de carbono de origem humana são incapazes de causar o aquecimento global da Terra. Porquê?
Luiz Carlos Molión, professor da Universidade Federal de Alagoas, no Brasil, e representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Metereológica Mundial (OMM), não acredita no aquecimento global provocado pela actividade humana.
Polémico, com um discurso simples e claro, o metereologista brasileiro defende que a subida das temperaturas nos últimos anos está relacionada com a actividade do Sol e com os oceanos, que ele considera os dois grandes reguladores do clima global da Terra. Por isso, afirma que o planeta vai arrefecer nos próximos 20 anos.
Defende que as emissões de dióxido de carbono de origem humana são incapazes de causar o aquecimento global da Terra. Porquê?
Quando verificamos a variação do dióxido de carbono ao longo dos últimos 150 anos, percebemos que não se relaciona com a temperatura. Por exemplo, entre 1925 e 1946, houve um aquecimento muito forte, principalmente no Árctico. A temperatura subiu no Árctico mais de 4 graus centígrados. Mas em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, as actividades humanas lançavam apenas 6% do carbono que lançam hoje para a atmosfera.
...
Então o CO2 nunca controlou o clima global?
Exactamente. Os cilindros de gelo mostram muito bem isso: a temperatura sobe antes e só cerca de 800 a 1.200 anos depois é que o CO2 sobe.
Porquê?
Quando os oceanos estão frios, durante as eras glaciares, a produtividade do plâncton e das algas é muito grande e, por isso, tendem a fixar o CO2. Quando ocorre um aquecimento, há maior libertação do CO2 que estava dissolvido na água do mar, o que significa que o CO2 que está hoje na atmosfera não é necessariamente de origem humana, muito pelo contrário: o carbono que a actividade humana lança na atmosfera é apenas 3% de todos os fluxos naturais que saem dos oceanos, dos solos e da vegetação.
Então o CO2 nunca controlou o clima global?
Exactamente. Os cilindros de gelo mostram muito bem isso: a temperatura sobe antes e só cerca de 800 a 1.200 anos depois é que o CO2 sobe.
Porquê?
Quando os oceanos estão frios, durante as eras glaciares, a produtividade do plâncton e das algas é muito grande e, por isso, tendem a fixar o CO2. Quando ocorre um aquecimento, há maior libertação do CO2 que estava dissolvido na água do mar, o que significa que o CO2 que está hoje na atmosfera não é necessariamente de origem humana, muito pelo contrário: o carbono que a actividade humana lança na atmosfera é apenas 3% de todos os fluxos naturais que saem dos oceanos, dos solos e da vegetação.
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Há cientistas que têm manipulado os dados para forçar o aquecimento global?
Há cientistas que têm manipulado os dados para forçar o aquecimento global?
Sim, no caso do Instituto Godard de estudos espaciais da NASA, onde trabalha James Hansen, o pai do aquecimento global, ele publicou um gráfico de temperaturas em 1999 e outro em 2008 em que se vê claramente que, sem justificativa científica alguma, as temperaturas das décadas de 1930 e 1940 foram rebaixadas. E as mais baixas, relativas às décadas de 1950 e 1960, foram elevadas, para dar a impressão de que a tendência é de um aumento contínuo das temperaturas globais da Terra, quando na realidade não é.
Vale a pena ler na íntegra esta entrevista publicada no Expresso (Única) da semana passada.
No meio de tantas catástrofes eminentes é reconfortante não se confirmar que, com os nossos gestos mais inocentes, estamos a provocar mais outra.
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Vale a pena ler na íntegra esta entrevista publicada no Expresso (Única) da semana passada.
No meio de tantas catástrofes eminentes é reconfortante não se confirmar que, com os nossos gestos mais inocentes, estamos a provocar mais outra.
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domingo, julho 31, 2011
A esquerda e Sísifo
O capitalismo é o único sistema que temos e não temos nada que o substitua. O que precisamos é que seja ético.
Mário Soares ao Expresso, 30.01.2011
Mário Soares faz desta vez um diagnóstico correcto embora conclua pela resignação. A esquerda em Portugal está refém desta ideia mesmo quando se recusa a reconhecê-lo, mesmo quando usa uma linguagem radical para o encobrir.
O capitalismo, tomado como um monstro de mil cabeças, remete a acção política para o campo da mitologia, e a história eleitoral portuguesa mostra que a esquerda está condenada, como Sísifo, a carregar o pedregulho desde o sopé uma e outra vez.
Melhor seria usar uma definição mais operativa do capitalismo. Trata-se simplesmente de um modo de produção que se baseia na produção de mercadorias em troca de um salário.
Marx dizia já em 1865, dirigindo-se à classe operária: Em vez do motto conservador "salário diário justo para um trabalho diário justo" deverá inscrever na sua bandeira a palavra de ordem revolucionária "Abolição do sistema de salários!".
Não faz qualquer sentido exigir um capitalismo com ética.
Enquanto a esquerda não recusar a inevitabilidade da empresa capitalista como forma de produzir, e não deixar de exigir emprego assalariado, nunca conseguirá sair do círculo vicioso.
Mas não se consegue detectar nenhum esforço da esquerda para propor novas formas de organização dos trabalhadores no acto de produzir.
Em alternativa ao capitalismo a esquerda actual só concebe a omnipresença do Estado como empregador universal. Mas o Estado, como a história mostra, não é o zelador mítico do "interesse comum"; em cada momento é apenas uma mistura conjuntural de clãs ideológicos, grupos de interesses e mafias burocráticas.
sexta-feira, julho 29, 2011
Para dançar el tango son precisos dos
Ontem à noite tive uma experiência perturbante.
Resolvi ir ver uma exposição de fotografia em Lisboa.
Dirigi-me ao local, por sinal muito pouco frequentado, e procurei a sala que me interessava.
Dei com a porta fechada mas ouviam-se cá fora, distintamente, os acordes de um tango.
Depois de hesitar durante algum tempo, dado que àquela hora a exposição deveria estar aberta ao público, acabei por rodar a maçaneta e espreitar para o interior.
Acorreu uma mulher, que depois concluí ser a professora, e informou-me do encerramento por estar uma aula em curso.
Realmente encontrava-se na espaçosa sala, onde o tango continuava a ecoar, uma outra pessoa que só poderia ser o aluno de uma aula individual.
Apesar de me parecer bizarra esta situação de encerrar uma exposição para usar a sala como pista de dança, tal estranheza passou de imediato para segundo plano. É que o aluno, com ar esfalfado e em mangas de camisa, era nem mais nem menos do que um dos principais banqueiros portugueses.
Voltei para casa a magicar acerca das motivações que podem levar uma pessoa daquelas, com todos os problemas que neste momento afectam os bancos portugueses, a receber aulas de tango.
É verdade que a Argentina é um case study por ter entrado em incumprimento das suas dívidas e, em consequência, ter passado por terríveis apertos. Mas aprender a dançar o tango parece-me uma via demasiado retorcida para exorcizar o mesmo destino.
Também é verdade que ainda há pouco tempo tínhamos um primeiro ministro que explicou a uma plateia madrilena, em castelhano técnico, que "para dançar el tango son precisos dos".
Só não consigo atinar com quem é que um banqueiro de meia idade, com problemas de liquidez, precisa de saber dançar.
quinta-feira, julho 28, 2011
Até os ricos nos faltam
Realmente preocupante esta notícia dos jornais. Os 25 portugueses mais ricos só têm 17.400 milhões de euros, menos de um quarto daquilo que recentemente pedimos à Troika para meter na cova de um dente do Estado.
Mesmo que nacionalizássemos, em novo PREC, estas 25 fortunas isso só dava para pagar 25% deste empréstimo.
Temos que importar mais alguns milionários chineses para ver se nos salvamos.
domingo, julho 24, 2011
sábado, julho 23, 2011
Um festival
Entre os institutos ou entidades com as maiores taxas de ausência está a Direcção- Geral da Administração Interna (DGAI), onde o total de absentismo corresponde em média a 54 faltas por cada funcionário, mais de uma centena de vezes acima dos valores registados na Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), em que esta média não atinge sequer meio dia (0,39). Na DGAI, o i analisou 61 funcionários que constam do quadro de remunerações e onde não estão incluídos quatro elementos das forças de segurança, que recebem pelos serviços de origem.
O recorde contudo só não é ultrapassado pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Cultura (GPEARI) ou pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária por apenas dois dias. Estas duas entidades estão no ranking dos serviços da administração central com os maiores índices de ausências. Logo abaixo vêm a secretaria geral do Ministério da Justiça (47 dias) e a Biblioteca Nacional, com 231 funcionários e uma média de 36 faltas por ano.
Ler o resto do artigo do "i" aqui:
sexta-feira, julho 22, 2011
Morreu Lucian Freud
O pintor inglês Lucian Freud morreu esta quarta-feira à noite, aos 88 anos, em Londres. O artista plástico morreu na sequência de uma doença súbita. Neto do célebre psicólogo Sigmund Freud, Lucian emigrou, com a família, da Alemanha para Inglaterra no início dos anos 30 para fugir ao regime nazi, tendo adquirido naturalidade britânica em 1939.
Vinculado a uma linguagem figurativa, centrada na representação do corpo humano, pintou familiares e amigos no seu atelier durante décadas.
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quinta-feira, julho 21, 2011
A salvação da Grécia
Hoje é dia de stress test para os líderes europeus. Depois de um ano e meio a meter a cabeça na areia, a estratégia de avestruz da União Europeia conduziu-nos à beira do colapso.
Se logo no início se tivesse, com rapidez e com um mínimo de solidariedade, resolvido o problema da dívida grega - de uma economia que não vale senão 2% do PIB europeu, é bom lembrá-lo -, teríamos sido poupados ao calvário por que a Europa tem passado, assim como ao momento extremamente difícil que agora se vive.
Manuel Maria Carrilho no DN de hoje
Manuel Maria, como muitos outros, dá a entender que os "líderes europeus" são, no seu conjunto, um bando de avestruzes tontas. Tenho alguma dificuldade em imaginar tanta inépcia junta, tanta incapacidade para ver o que é tão evidente para o nosso Manuel Maria. Será que Merkel, para mais uma mulher, chegou a líder num país como a Alemanha apesar da sua tontice? Passemos adiante.
Manuel Maria repete hoje um lugar comum que se estabeleceu na praça com foros de verdade incontestável: a necessidade absoluta de a Europa proceder à "resolução pronta e completa do problema da dívida grega". Confesso que não compreendo o que se pretende, creio tratar-se de uma daquelas ideias a que as pessoas se agarram desesperadamente como os náufragos se agarram às tábuas soltas do casco.
Enquanto a Grécia, tal como Portugal, não forem países económicamente viáveis, que dispensem as mesadas (com juros) dos "tontos" líderes europeus,
mandar-lhes dinheiro é como despejar baldes de água num areal. Ninguém no seu perfeito juízo ficará a despejar baldes de água eternamente mesmo que seja suficientemente rico para sustentar vários destes "rendimentos mínimos" europeus.
Daqui resulta para mim uma conclusão muito simples: a salvação da Grécia só pode ser obra dos gregos.
Todos somos, ou seremos, Gianni
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Com pouco dinheiro, sem efeitos especiais e quase sem uma história é possível fazer um filme de tocante humanismo. Basta ter sensibilidade, olhos que vejam para além do trivial e, é claro, um bom casting mesmo com não-actores.
É um filme delicioso para os "sex-agenários" como eu e um alerta para aqueles que ambicionem vir a sê-lo.
quarta-feira, julho 20, 2011
Enigmas financeiros
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Expresso 20.06.2011
Isto faz uma certa confusão.
Por que é que depois do acordo com a Troika, e do financiamento que ele garante, o Estado português continua a ir buscar dinheiro ao mercado ?
Por que é que as taxas de juro "no mercado" são inferiores às do empréstimo da Troika ?
Por que é que as taxas de juro destas emissões de dívida são muito mais baixas do que as taxas do mercado secundário, que ainda há pouco nos diziam ser superiores a 20% ?
Por outro lado:
Ainda há dias ouvi um comentário que garantia ser um bom negócio para o Estado português "recomprar" dívida emitida, que no mercado secundário é vendida com 20% de desconto, pois isso significaria a eliminação de uma dívida de 100 pagando apenas 80.
Parece evidente que valeria a pena pedir dinheiro a 5%, ou mesmo a 8%, para pagar dívida com desconto de 20%.
Por que é que tal não é feito?
Uma alma caridosa que me explique...
Portugal emitiu esta manhã 750 milhões de euros em dívida de curto prazo, através de bilhetes do tesouro. Tratou-se do valor mais baixo do montante indicativo que tinha sido apontado, entre 750 milhões e 1000 milhões de euros.
A colocação de dívida foi feita através de duas operações com bilhetes do tesouro, uma de 450 milhões a três meses, com uma taxa de juro de 4,982%, e outra a seis meses, no valor de 300 milhões e com uma taxa de juro de 4,96%.
Isto faz uma certa confusão.
Por que é que depois do acordo com a Troika, e do financiamento que ele garante, o Estado português continua a ir buscar dinheiro ao mercado ?
Por que é que as taxas de juro "no mercado" são inferiores às do empréstimo da Troika ?
Por que é que as taxas de juro destas emissões de dívida são muito mais baixas do que as taxas do mercado secundário, que ainda há pouco nos diziam ser superiores a 20% ?
Por outro lado:
Ainda há dias ouvi um comentário que garantia ser um bom negócio para o Estado português "recomprar" dívida emitida, que no mercado secundário é vendida com 20% de desconto, pois isso significaria a eliminação de uma dívida de 100 pagando apenas 80.
Parece evidente que valeria a pena pedir dinheiro a 5%, ou mesmo a 8%, para pagar dívida com desconto de 20%.
Por que é que tal não é feito?
Uma alma caridosa que me explique...
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