segunda-feira, setembro 08, 2008

Não há imagens inocentes

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"Kevin Carter, um free-lancer sul-africano, ouviu um gemido. Era uma menina, quase um esqueleto, que tentava chegar ao centro de distribuição de comida onde uma multidão se apinhava, numa aldeia do Sudão. Quando se agachou para a fotografar, um abutre pousou ao fundo, à espera. Fez a imagem, afugentou o abutre e foi-se embora. Sentou-se debaixo de uma árvore, fumou um cigarro e chorou.


A foto foi publicada pelo «New York Times» em Março de 1993 e, depois, em jornais de todo o mundo. Mas a maioria das centenas de cartas que o «Times» recebeu por causa desta imagem perguntavam o que tinha acontecido à menina e a razão por que o fotógrafo não a tinha ajudado. Conforme continuou o seu trabalho, Carter era perseguido pela imagem do Sudão, com cartas e telefonemas de quem não lhe perdoava ter virado as costas à criança.


A imagem que o assombrava valeu-lhe a imortalidade, ao receber o prémio Pulitzer em 1994. Tinha 33 anos, mas não sobreviveu ao passado. Suicidou-se dois meses após receber o prémio."


EXPRESSO, 06.09.2008


Uma história comovente, em especial para quem se dedica à fotografia.
A força e os limites da imagem na transformação do mundo.

2 comentários:

Anónimo disse...

sim, não passa de uma história comovente...

josé simões disse...

impressionante!
desconhecia a história.

j simões