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quinta-feira, dezembro 10, 2015

A minha mãe


A minha mãe
é um filme sublime que Nanni Moretti realizou depois da sua experiência pessoal de perda da mãe.
Isso, só por si, não garantiria nada já que tal sentimento é o mais comumente sofrido por quase todos os seres humanos. 
Moretti foge ao sentimentalismo e oferece-nos uma profunda reflexão sobre a incansável busca da identidade e de sentido, busca essa que se torna mais pungente em momentos como a morte da mãe.
Ele apaga-se, enquanto personagem, e entrega à espantosa actriz Margherita Buy a tarefa de nos mostrar como é dramática a distância entre o que fazemos e o que somos.
Margherita, que interpreta uma realizadora cinematográfica, passa o tempo a pedir aos seus actores que façam o papel mantendo-se, enquanto pessoas, ao lado da personagem.
John Turturro, que encarna precisamente um actor do filme realizado por Margherita, joga também com as questões da identidade e da memória.
Grita a certo passo: "levem-me de volta para a realidade"

sábado, outubro 17, 2015

TIMBUKTU



Perdi este filme no cinema, o que lamento, mas tive a sorte de comprar o DVD.
É belíssimo e comovente, um depoimento contra o ridículo e o absurdo dos fanatismos.
Ao contrário do que é habitual esta crítica não tem nada de teórico nem de grandes princípios. Limita-se a mostrar como vidas simples e modestas podem ser invadidas pela mais revoltante irracionalidade.

quinta-feira, abril 09, 2015

O Sal da Terra



O Sal da Terra
hoje fui ver o comovente filme que descreve a carreira do grande Sebastião Salgado. Mais do que fotografia trata de um percurso de vida impressionante.
Salgado esteve, durante décadas, em locais incríveis e viu/fotografou acontecimentos arrepiantes.
Quando começava a desesperar com a espécie humana foi salvo por uma focagem mais ampla, no espaço e no tempo.
Esse olhar sobre o planeta terra, com as suas imensidões intocadas e com os seus ritmos milenares, ajudou-o a relativizar os absurdos e as barbáries que persistem na sociedade humana.
O projecto GENESIS, resultado destas viagens pelo planeta, vai estar em exposição na Cordoaria a partir de amanhã.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

SNIPER AMERICANO




prepare-se para uma experiência emocionalmente dolorosa. E também para se sentir culpado por viver o seu dia a dia como se estas coisas não estivessem a acontecer.
Mergulhamos na retórica do Charlie Hebdo mas, ao mesmo tempo, omitimos os dramas e as amputações dos que metem a mão na massa. Quer pensemos que nos estão a defender ou que são apenas o braço do imperialismo. Mas lá longe.
Desde que o filme acabou não parei de pensar sobre qual das coisas é mais penosa; lutar contra um inimigo que se compreende e respeita, como fizemos na Guiné, ou contra um inimigo que repugna e se odeia.
Não consigo decidir.

sábado, janeiro 17, 2015

Je suis Birdman


Je suis Birdman

Não gostei do famoso "Babel" do mesmo Alejandro González Iñárritu, por excesso de folclore e coincidências. Mas este Birdman tocou-me, com a angústia e a esquizofrenia de quem, como artista, quer ser reconhecido em vez de famoso. E também a contradição insanável entre os que vivem num mundo de teorias e aqueles que dão o litro mesmo quando só têm sete decilítros e meio. 
É realmente a sina dos actores, mas não só. Está no cerne das nossas vidas.