Mostrar mensagens com a etiqueta velhice-reformas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta velhice-reformas. Mostrar todas as mensagens

domingo, janeiro 22, 2017

O Pai


No Teatro Aberto
João Lourenço e João Perry construíram um espectáculo soberbo.
A estrutura da peça, de Florian Zeller, dá-nos a perceber uns laivos do que é perder as memórias e, por tabela, a identidade. A cenografia dá também um enorme contributo.
Mas em cima do palco está um gigante chamado João Perry que faz a via sacra com uma sobriedade espantosa e convincente.
Perante o caos do mundo, que a velhice em qualquer caso torna ainda mais incompreensível, podemos todos ver-nos ao espelho na Praça de Espanha.

sábado, outubro 08, 2016

Os "nórdicos"




Os "nórdicos" costumam ser dados como exemplo quando se trata de direitos sociais.
Infelizmente somos incapazes de copiar também as suas práticas políticas. Cinco partidos, da direita à esquerda, puseram-se de acordo para a reforma do sistema de pensões.
A partir daí os pensionistas deixaram de ser arma de arremesso eleitoral e sabem sempre quanto vão receber.
E sabem sempre que vão receber.
Por cá os partidos preferem as decisões casuísticas, para poderem aparecer como benfeitores, tratando o povo como uma massa dependente e não como cidadãos.

segunda-feira, outubro 03, 2016

O senhor Matias



O senhor Matias é alentejano há 76 anos.
Começou a guardar porcos quando tinha 11 e a sua vida foi uma sucessão de rebanhos, parelhas e juntas.
Está sentado em frente à casa, com as costas apoiadas na taipa. Anoitece.
A mulher foi a Grândola, "ao tratamento". Cortaram-lhe uma perna há semanas. Foi diabetes, parece.
Só volta lá para a meia-noite, quando vier a ambulância dos bombeiros.
O senhor Matias ouve os cães ladrar por trás da casa, mas não vê bem as ovelhas que mordiscam as poucas ervas verdes do fim do Verão. Tem os olhos embaciados pelas cataratas.
O senhor Matias podia ir enxotar as ovelhas, que talvez tenham fugido para a estrada, mas a ciática não deixa.
O senhor Matias já não a sentia há trinta anos e pensava que escapava mas, há uns meses, ela voltou com redobrada força.
A noite vai caindo e já tremelicam umas luzitas para os lados da aldeia mas o senhor Matias não as vê. A ambulância dos bombeiros ainda tarda e os sacanas dos cães nunca mais se calam.
Podia ir lá atrás dar-lhes um berro mas não se atreve a cair, ao tropeço de uma pedra.
Não há aumento de pensões que resolva esta tristeza, que o problema do senhor Matias nem é económico. Que o digam as ovelhas e os porcos que chafurdam no fim do quintal.
Não há geringonça de esquerda, ou de direita, capaz de acabar com esta tristeza quando a noite cai.
Talvez algum chaparro.

quinta-feira, janeiro 14, 2016

45



45
fui ver o filme. Conta a história de um casal, mais ou menos da minha idade, que se prepara para festejar os 45 anos do casamento e é supreendido por um facto do passado, que estivera literalmente congelado.
Não excedeu as minhas expectativas excepto num ponto: ouvir a ainda belíssima Charlotte Rampling lamentar-se por não ter fotografias que ilustrem o percurso da sua vida.
Há sempre um momento, com a idade e alguma outra crise, em que de repente as nossas memórias tremelicam e toda a nossa história nos parece inverosímil.
Devo fazer-vos uma confissão muito pessoal; eu preparei-me bem para essa eventualidade. No meu computador posso, em qualquer momento, invocar imagens de praticamente qualquer época da minha vida.
A obsessão pela fotografia que sempre me afligiu, algum sentido de organização e a maravilhosa tecnologia actual permitem-me esse luxo.
Daqui resulta um novo desafio.
É sabido que, mesmo sem querer, vamos sempre rescrevendo a nossa história de vida. No meu caso, ou em casos como o meu, a ficção em que o passado se converte acaba por ter como base não só a memória mas também umas centenas de milhares de imagens digitalizadas.

sexta-feira, janeiro 09, 2015

terça-feira, abril 29, 2014

Eu vou nos 16790



Fiz ontem as contas e foram mais de trinta mil os dias em que adormecemos e acordámos juntos, na cama onde agora te escrevo e de onde espero sair para ir de novo até ti. Trinta mil dias a olhar-te dormir, a saber o frio ou o calor do teu corpo, a perceber o que te doía por dentro, a amar cada ruga a mais que ia aparecendo. Trinta mil dias de eu e tu, desta casa que um dia dissemos que seria a nossa (que será de uma casa que nos conhece tão bem quando já aqui não estivermos para a ocupar?), das dificuldades e dos anseios, dos nossos meninos a correr pelo corredor, da saudade de nos sabermos sempre a caminho de sermos só nós. Trinta mil dias em que tudo mudou e nada nos mudou, das tuas lágrimas tão bonitas e tão tristes, das poucas vezes em que a vida nos obrigou a separar (e bastava uma tarde longe de ti para nem a casa nem a vida continuarem iguais). Trinta mil dias, minha velha resmungona e adorável. Eu e tu e o mundo, e todos os velhos que um dia conhecemos já se foram com a velhice. Nós ainda aqui estamos, trinta mil dias depois, juntos como sempre. Juntos para sempre. Trinta mil dias em que desaprendi tanta coisa, meu amor. Menos a amar-te.

Pedro Chagas Freitas,
in "Prometo Falhar"


Encomenda de exemplares autografados exclusivamente através do e-mail
pedrochagasfreitas1@gmail.com

segunda-feira, janeiro 13, 2014

A minha pensão e a do meu pai.

.


A minha pensão e a do meu pai.

Resolvi comparar o efeito da crise 2010-2013 na minha pensão e o efeito da crise 1982-1985, praticamente há 30 anos, sobre os arrendamentos imobiliários do meu pai, que então desempenhavam para ele o papel de pensão de reforma. Ele, tal como eu, com cerca de 70 anos.

1. Tomei o valor (líquido) das reformas recebidas cá em casa em 2010 como referência (100) e calculei os valores recebidos em 2011, 2012 e 2013 em percentagem de 2010.
2. Abati-lhes a inflação.
3. Comparei o valor potencial dos quatro anos se tivesse recebido durante esse período sempre o valor líquido de 2010 (400) com aquilo que realmente recebi (353).
4. Perdi portanto 11.75% do valor potencial

O mesmo tipo de raciocínio aplicado às rendas, fixas, recebidas pelo meu pai entre 1982 e 1985 leva à conclusão de que ele perdeu 23.38% do seu valor potencial, ou seja o dobro.

Acresce que eu já estou a falar de pensões depois do IRS e ao rendimento das rendas ainda haveria que aplicar impostos vigentes à época, que não sei precisar.
Acresce ainda que os preços nunca mais baixaram e portanto o rendimento perdido pelo meu pai continuou pelos anos fora. Eu ainda posso ter a ilusão de um dia deixar de haver a taxa de solidariedade, ou uma baixa de IRS.

A geração do meu pai, que em muitos casos se dedicava ao pequeno comércio ou serviços, e que fazia do arrendamento imobiliário uma espécie de pensão de reforma, viu os seus rendimentos fortemente amputados. O mesmo aconteceu aliás aos trabalhadores no activo que não conseguiram aumentar os seus salários e com todos os rendimentos fixos.

Na altura ninguém se ralou com isso.


______________________________

Mas o quadro apresentado acima pode ser mais correcto se o rendimento de cada ano aparecer afectado pela inflacçao dos anos anteriores, de forma a poder ter realmente o ano de 2010 como referência da comparação. Os rendimentos 100 de 1983, por exemplo, não são iguais aos 100 de 1982, e assim sucessivamente.


sexta-feira, maio 10, 2013

Números que descrevem um país




 
Estes números, publicados hoje pelo DN, mostram que mais de 80% de todas as pensões acima de 2500 euros são auferidas por funcionários públicos, enquanto que os pensionistas originários do sector privado representam apenas cerca de 20% do total.
Ou seja, todos os milhares de empresas privadas, nacionais e multinacionais, dos bancos às cervejeiras, da loja da esquina ao potentado económico, não conseguem produzir senão um quinto dos pensionistas que auferem um rendimento confortável.
Se ainda é preciso demonstrar o peso sufocante do Estado na nossa sociedade estes números são eloquentes.

.

domingo, março 24, 2013

Contribuição Extraordinária de Solidariedade



Contribuição Extraordinária de Solidariedade
Muito se tem escrito sobre a provável declaração de inconstitucionalidade desta medida e dos efeitos que isso terá sobre o governo.
Mas pouco se tem falado sobre a coisa, em si, e o seu significado social e político.
Esta "contribuição extraordinária" não difere muito das propostas do BE para se taxar "a riqueza". O património quantificado pelo BE para definir um rico era. aliás, uma pechincha para os rendimentos de certas pensões (como por exemplo a do Filipe Pinhal)
A esta luz é fácil perceber a quem serve realmente a esperada decisão do Tribunal Constitucional. Não é certamente aos reformados pobres.

terça-feira, março 19, 2013

Neo-liberalismo ?

.




E pergunta o Filipe Pinhal: isto é neo-liberalismo ?
Só se for neo-liberalismo social ou então socialismo neo-liberal.


,

domingo, março 10, 2013

APRE !!




Maria do Rosário Gama, líder da recém formada organização de reformados e pensionistas, esteve no último programa "Expresso da meia noite".
Durante o debate recusou-se a reconhecer que os aposentados da administração pública tiveram, durante décadas, um cálculo do valor das pensões muito mais favorável do que os reformados do sector privado.
Isto apesar de ter sido repetidamente alertada para essa inadmissível diferença de tratamento (de que ela própria foi certamente beneficiária).
Dessa forma projectou uma imagem que só pode ter duas leituras: ou incompetência (que não é provável) ou desonestidade intelectual. Perante centenas de milhares de tele-espectadores.
Um mau serviço à causa que diz defender.


.

sexta-feira, janeiro 18, 2013

2250-1175=1075



1075 euros é a diferença entre as pensões de dois trabalhadores, um da função pública e outro do sector privado.
Com a mesma carreira contributiva no privado obtem-se uma pensão que é cerca de metade da pensão na administração pública.
Pode ler-se hoje no Jornal de Negócios:

"As simulações solicitadas pelo Negócios ao professor Jorge Bravo, especialista em Segurança Social da Universidade de Évora, têm como referência um funcionário público e um trabalhador do privado com carreiras contributivas idênticas: entrada no mercado de trabalho em 1970 e saída para a reforma em 2005, com 36 anos de serviço e um salário de 2.500 euros. No caso analisado, a taxa de substituição (que traduz a relação entre o valor da pensão e o último salário bruto) é de 47% na Segurança Social, subindo para 90% no regime dos funcionários públicos admitidos até 2006.
Esta diferença é em grande parte explicada pela existência de diferentes idades de reforma nos dois regimes: 65 anos no privado e 60 no público, até há poucos anos. Se o pensionista do sector privado tivesse trabalhado mais cinco anos para compensar essa diferença, reformando-se à idade legal de 65 anos, a sua taxa de substituição subiria para 75% – teria uma diferença de quinze pontos percentuais em relação ao aposentado da Função Pública, mas teria que trabalhar mais cinco anos."

sábado, dezembro 22, 2012

A propósito de equidade

.



Embora tímidamente esta questão começa a esclarecer-se, embora este texto do Expresso seja incompleto, confuso e impreciso.
Eu ando a falar disto há muitos anos.

Tem existido nesta matéria uma desigualdade entre os cidadãos do nosso país.
Apesar da falta de transparência que tem rodeado este assunto espero que ainda venhamos a conhecer a verdadeira extensão do problema.
Se o Expresso tivesse querido fazer um trabalho bem feito tinha calculado as pensões de dois trabalhadores com o mesmo salário e número de anos de desconto, um do público e outro da privada. E podia fazê-lo com referência a várias datas de passagem à reforma para mostrar como é que o sistema tem evoluído.


.

domingo, dezembro 16, 2012

Areia para os olhos




Isto, que tem circulado na net, é uma forma capciosa de ocultar uma injustiça gritante.
O que esá em causa é que durante décadas as regras de cálculo das pensões foram diferentes para pessoas nas mesmas circunstâncias... 
Basta comparar o valor das pensões de duas pessoas, uma do público e outra do privado, com o mesmo salário e o mesmo tempo de serviço. 
Claro que isso ninguém faz.
Lamento que pessoas que se dizem de esquerda pactuem com tais injustiças.
A questão resolvia-se muito simplesmente. Todas as reformas seriam recalculadas de acordo com a regra que funcionou para os privados durante décadas: o número de anos de serviço, vezes 2%, vezes a média dos cinco melhores vencimentos dos últimos dez anos descontados. 
Ninguém poderia portanto ter uma reforma superior a 80% (com 40 anos de descontos) da média dos melhores cinco anos dos últimos dez. 
Havia de ser bonito... 
mas foi isso que me aconteceu, e a muitos outros, e fiquei com uma reforma que é 60% do meu último vencimento.
Na função pública acontecia muitas vezes as pessoas reformarem-se com pensões superiores ao seu último vencimento.

.

sábado, dezembro 08, 2012

É este o resultado

.





Durante várias décadas houve uma enorme disparidade, e injustiça, no cálculo das pensões do sector público e do sector privado.
No público, através de vários esquemas como, por exemplo, a promoção fictícia e o respectivo aumento na véspera da reforma, havia muita gente que se reformava com pensões maiores do que o seu último ordenado.
No privado o máximo que se podia obter era 80% da média dos melhores vencimentos dos últimos anos. Em condições normais a pensão oscilava entre os 60 e 70% do último vencimento.
Qualquer moralização deste sector implicaria "ajustar" as pensões ao valor realmente descontado durante a carreira contributiva.
(os números vêm publicados no Expresso de hoje)

.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Diga adeus à sua reforma

.




A transferência para o Estado da responsabilidade pelo pagamento das pensões de reforma aos empregados bancários, bem como dos montantes de reserva acumulados pelos bancos para satisfazer essas obrigações, significa o quê?



1. Funciona como se fosse um empréstimo que disponibiliza hoje 6.000 milhões de euros em troca de pagamentos futuros. 
2. Como a obrigação de pagar as pensões cabe à Segurança Social esta operação consiste numa espécie de empréstimo desta ao Ministério das Finanças.
3. Estes 6.000 milhões, que em condições normais deveriam dar entrada nos cofres da Segurança Social, vão ser gastos como? Como é que uma operação destas pode ser aceite para efeito da redução do défice quando se trata claramente de um artifício?
4. Passos Coelho propõe-se gastar 2.000 milhões em pagamentos a credores, o que será menos mau admitindo que tais pagamentos teriam sempre que ser feitos e que talvez promovam alguma dinamização da economia. Já outro tanto não se pode dizer da aplicação proposta por Seguro que consistia em "aliviar os sacrifícios dos portugueses neste Natal". Ou seja, comprar prendas a crédito, mais uma vez.

Paulo Baldaia escreveu recentemente no DN considerações extremamente pertinentes sobre esta matéria (ver mais abaixo) mas os partidos, mesmo os da oposição, pouco se referiram ao assunto. 

Diga adeus à sua reforma (II) 
- Paulo Baldaia 
DN, 11.12.2011 


O que me incomoda é que os seis mil milhões de euros que a banca entregou ao Estado, e que deveriam servir para pagar as reformas de milhares de bancários, desapareceram num abrir e fechar de olhos. A maioria para tapar buracos e pagar dívidas. Perante este assalto, estranho que nem o ministro da Segurança Social se incomode, nem o líder da oposição tenha uma palavra a dizer. E os senhores de Bruxelas, que tanto rigor exigem nas cimeiras, pactuam afinal com uma aldrabice em que aceitam uma receita extraordinária sem terem em conta os encargos futuros.
Retomo o que escrevi há dois meses: "Mais cedo que tarde, vão dizer- -nos que o nosso sistema de Segurança Social já não é sustentável e explicar-nos que, por mais descontos que tenhamos feito, o Estado não poderá dar-nos mais do que um rendimento mínimo." Nessa altura, vão tentar convencer-nos de que o sistema de Segurança Social que construímos era irrealista, que fazíamos vida de ricos, sendo pobres. Os governantes que nas últimas décadas desbarataram fundos de pensões, nacionalizados para pagar erros de governação, estarão a assobiar para o lado.
No meio desta desgraça que se abate sobre as futuras gerações de pensionistas, temos o primeiro-ministro a falar de um excedente de dois mil milhões de euros e o líder da oposição a encher-se de razão porque, afinal, havia uma almofada. Nem um nem outro se dão conta de que nos estão a empobrecer para todo o sempre. Ficar mais pobre agora para pagar erros do passado e preparar o futuro é aceitável, mas não podemos aceitar que estejam a utilizar o dinheiro que lhes confiámos, para nos devolverem na velhice, sem sequer nos darem uma explicação.



segunda-feira, dezembro 05, 2011

O Teatro de Estado







.





Em "Habemus Papam", o mais recente filme de Nanni Moretti, um sumo pontífice recém-eleito, ele próprio um apaixonado do teatro, faz das varandas de S. Pedro uma declaração melodramática sobre a sua incapacidade para suportar o fardo do cargo. 


Agora é uma ministra italiana, nada ficcional, que chora perante as câmaras a sua fragilidade emocional para decidir um simples adiamento da idade de reforma em Itália dos 60 para os 62 anos.


Esta tendência, assustadora para o cidadão comum, está a converter as instituições do nosso edifício social em grupos de arte dramática. 
É verdade que o poder sempre viveu de uma certa teatralidade mas não era hábito o recurso ao melodrama. 


Algum dia chegará a fase da Opera Buffa. 




.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Os mais esquecidos dos indignados

.



A suspensão do subsídio de férias e de natal anunciada com o OE2012 tem sido discutida intensamente no espaço público. Mas na esmagadora maioria dos casos é referido o efeito da medida sobre os funcionários públicos omitindo-se, quase sempre, o facto de ela afectar igualmente os pensionistas. Mesmo Cavaco, ao invocar a falta de equidade, esqueceu que a medida também afecta centenas de milhares de pensionistas "privados".
A suspensão dos subsídios, se a quisermos ver como uma injustiça, é muito mais grave no caso dos pensionistas. A maioria dos pensionistas afectados fizeram descontos durante vidas inteiras, não só eles como as suas entidades patronais, e confiaram no Estado como depositário e gestor desses enormes montantes por forma a garantir a sua velhice.
Os pensionistas já não podem reverter esta situação nem estão já em condições físicas de procurar fontes alternativas de rendimentos. Apesar de tudo os funcionários do estado podem decidir mudar de emprego ou emigrar para fugir à perseguição.
É altura de os pensionistas erguerem a voz como os mais esquecidos entre os indignados.

quinta-feira, julho 21, 2011

Todos somos, ou seremos, Gianni

.



Com pouco dinheiro, sem efeitos especiais e quase sem uma história é possível fazer um filme de tocante humanismo. Basta ter sensibilidade, olhos que vejam para além do trivial e, é claro, um bom casting mesmo com não-actores.
É um filme delicioso para os "sex-agenários" como eu e um alerta para aqueles que ambicionem vir a sê-lo.

sexta-feira, junho 03, 2011

A Troika à margem da campanha

.




O documento da troika prevê o corte das pensões e o congelamento dos salários até 2013. O texto é este:

"No seguimento da redução média em 5% dos salários do sector público neste ano, os salários e as pensões serão congelados até 2013, excepto no caso das pensões mais baixas. Além disso, será introduzida em 2012 uma contribuição especial com incidência sobre as pensões acima de €1.500, ficando isentas as pensões mais baixas.

Sobre isto, como sobre o resto, a campanha eleitoral foi omissa embora importasse saber:

1. Se a "contribuição especial", que segundo alguns pode chegar aos 10%, tem carácter provisório ou definitivo
2. Se vão ser igualmente (mal)tratados os que descontaram fortemente toda a vida e os que têm pensões obtidas, por estratagemas legais, sem ter feito os descontos normais


Como se isto não bastasse ficamos hoje a saber pelo Jornal I que o fundo da Segurança Social perdeu 8% do valor. 
Dados consultados pelo i mostram ainda que no final de Maio deste ano a dívida soberana nacional pesava 58% na carteira do FEFSS, contra 53% no final do ano. 

Afinal o tão badalado "estado social" é não só pretexto eleitoral como bóia de salvação financeira (à custa da segurança futura dos reformados)


.