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sexta-feira, março 27, 2020

O COVID deu-nos dois meses de avanço


O COVID deu-nos dois meses de avanço
O primeiro caso na China foi em 31/12/2019 e em 4/1/2020 já tinham 44 infectados.
A 13 de Janeiro o COVID saltou a fronteira e apareceu na Tailândia e no Japão.
A 21 de Janeiro apareceu na Coreia do Sul e nos Estados Unidos. A 24 de Janeiro surgiu em França.
O primeiro caso em Portugal ocorreu a 2 de Março, com pessoas chegadas de Itália e de Valência.
É pena que todos estes epidemiologistas que aparecem agora nas televisões com ar magistral não tenham, em tempo útil, insistido com o governo para adquirir ventiladores e máscaras, aprovisionar testes, criar procedimentos de segurança nos lares de idosos e controlar nas fronteiras quem chegava de países onde a pandemia já grassava.
Esperavam que, por milagre, o vírus nos poupasse?

quarta-feira, setembro 12, 2018

Os mitos dos eucaliptos


Os mitos dos eucaliptos
Hoje estive no interior do país, na zona dos Passadiços do Paiva. Ao longo do caminho vi constantemente cabeços, colinas e serras cobertas de eucaliptos de alto a baixo.
Apesar de toda a retórica da "limpeza das matas" do Cabrita, um cretino alçado a ministro, há eucaliptos e outras árvores ao longo das estradas. Em certos sítios os eucaliptos jovens, nas bermas, só faltava entrarem pela janela do carro.
Só alguém que vive num ministério em Lisboa pode falar do "ordenamento da floresta" como uma coisa económicamente viável. Milhares de hectares ocupados pelos eucaliptos, em encostas íngremes e pedregosas, dificilmente terão a sua ocupação modificada, até porque o eucalipto é uma árvore que depois de cortada, ou ardida, renasce a breve trecho de forma ainda mais caótica. Vêem-se vastas zonas ardidas há um ou dois anos em que os eucaliptos já crescem de novo sem qualquer intervenção humana.
O eucalitpto veio tornar produtivos muitos territórios que nada rendiam e, ainda por cima, reconstitui-se depois das catástrofes sem onerar os proprietários.
Para o bem e para o mal o eucalipto está para ficar, e todo o planeamento estratégico terá de partir desta realidade.

sexta-feira, agosto 10, 2018

Sempre no pódio


sexta-feira, novembro 17, 2017

Pego do Altar




Uma ponte que já não se avistava 
há 17 anos 
mostra a gravidade da seca 

quarta-feira, setembro 06, 2017

O país dos peditórios


O país dos peditórios
somos tristemente famosos pelo sucesso na adesão aos peditórios; em contrapartida somos desleixados e trapalhões com o dinheiro generosamente dado pelos portugueses.
Fazendo peditórios uns atrás dos outros vamos fechando os olhos à incompetência de quem devia evitar as catástrofes.
O caso actual dos donativos para as vítimas dos fogos é uma vergonha em vários aspectos:
1. As pessoas fizeram donativos a certas instituições e os donativos foram acabar nas mãos de outras instituições que agora decidem da sua aplicação
2. O governo, sempre pronto a meter o bedelho em tudo, neste caso não esboça sequer uma coordenação das várias organizações que gerem donativos. Quanto mais não seja para assegurar a eficácia e equidade das intervenções.
3. Os donativos, que tinham como destinatários as vítimas dos fogos, estão a ser usados para realizar acções que competiam ao Estado. Em vez de servirem para reconstruir casas, obrigação do Estado, deviam ser entregues às pessoas para reconstruirem as suas vidas.
4. Apesar de tudo o que foi dito nos pontos anteriores o governo faz propaganda partidária com o auxílio às vítimas dos incêndios quando os meios utilizados para o efeito na maior parte dos casos têm origem nos donativos de particulares.

segunda-feira, setembro 04, 2017

Recordistas da Europa



Isto prova que as "mudanças climáticas", 
tantas vezes invocadas a propósito dos fogos, 
só acontecem em Portugal?

domingo, junho 25, 2017

Os dois debates possíveis




A propósito de Pedrogão Grande são possíveis dois debates distintos

1. As políticas nacionais de prevenção e combate aos fogos, a questão do ordenamento da floresta, a questão da quatidade e qualidade dos meios de combate, a questão da aquisição do SIRESP e a sua vida contratual, etc.2. O que desencadeou aquele incêndio em concreto, o que é que no dia do grande incêndio podia ter sido feito nas condições atmosféricas presentes no local e com os meios técnicos e humanos existentes no país. Comparando obviamente com o que realmente se passou.
Misturar estes dois debates é quase sempre uma forma de lançar a confusão no segundo.
É verdade que aquilo que se passou no dia 17 de Junho pode vir a gerar recomendações para modificar as políticas nacionais de prevenção e combate aos fogos mas, mesmo que tal aconteça, as medidas a adoptar não vão desfazer aquilo que já aconteceu. Muitas delas até só darão resultados ao fim de vários anos.
Todos nós temos opiniões sobre tais políticas mas quem arcou com a responsabilidade de responder ao incêndio, quer a nível técnico quer a nível político, só podia fazê-lo nas circunstâncias físicas do próprio dia e com os meios existentes nesse momento.
O debate do ponto 2, destina-se portanto a determinar se houve falhas, erros ou descoordenações tomando em consideração os meios e circunstâncias existentes e disponíveis e não aqueles que poderiam idealmente existir. Não tem qualquer interesse, nesse contexto, falar das decisões que se tomaram ou deixaram de tomar nas últimas décadas. Essa é outra discussão.

sábado, agosto 30, 2014

Os dados e as teorias


Uma arreliadora "interrupção" no aquecimento global, que está a ocorrer desde o início do século XXI, está a levar alguns cientistas a inventar explicações para o fenómeno.
Partilho há muito, sem saber, a fundamentada opinião de João Corte-Real (publicada no Expresso de hoje)

quarta-feira, agosto 03, 2011

Uma catástrofe a menos

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Luiz Carlos Molión, professor da Universidade Federal de Alagoas, no Brasil, e representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Metereológica Mundial (OMM), não acredita no aquecimento global provocado pela actividade humana.
Polémico, com um discurso simples e claro, o metereologista brasileiro defende que a subida das temperaturas nos últimos anos está relacionada com a actividade do Sol e com os oceanos, que ele considera os dois grandes reguladores do clima global da Terra. Por isso, afirma que o planeta vai arrefecer nos próximos 20 anos.


Defende que as emissões de dióxido de carbono de origem humana são incapazes de causar o aquecimento global da Terra. Porquê?
Quando verificamos a variação do dióxido de carbono ao longo dos últimos 150 anos, percebemos que não se relaciona com a temperatura. Por exemplo, entre 1925 e 1946, houve um aquecimento muito forte, principalmente no Árctico. A temperatura subiu no Árctico mais de 4 graus centígrados. Mas em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, as actividades humanas lançavam apenas 6% do carbono que lançam hoje para a atmosfera.  
...
Então o CO2 nunca controlou o clima global?
Exactamente. Os cilindros de gelo mostram muito bem isso: a temperatura sobe antes e só cerca de 800 a 1.200 anos depois é que o CO2 sobe.
Porquê?
Quando os oceanos estão frios, durante as eras glaciares, a produtividade do plâncton e das algas é muito grande e, por isso, tendem a fixar o CO2. Quando ocorre um aquecimento, há maior libertação do CO2 que estava dissolvido na água do mar, o que significa que o CO2 que está hoje na atmosfera não é necessariamente de origem humana, muito pelo contrário: o carbono que a actividade humana lança na atmosfera é apenas 3% de todos os fluxos naturais que saem dos oceanos, dos solos e da vegetação.  
...
Há cientistas que têm manipulado os dados para forçar o aquecimento global? 
Sim, no caso do Instituto Godard de estudos espaciais da NASA, onde trabalha James Hansen, o pai do aquecimento global, ele publicou um gráfico de temperaturas em 1999 e outro em 2008 em que se vê claramente que, sem justificativa científica alguma, as temperaturas das décadas de 1930 e 1940 foram rebaixadas. E as mais baixas, relativas às décadas de 1950 e 1960, foram elevadas, para dar a impressão de que a tendência é de um aumento contínuo das temperaturas globais da Terra, quando na realidade não é. 


Vale a pena ler na íntegra esta entrevista publicada no Expresso (Única) da semana passada.
No meio de tantas catástrofes eminentes é reconfortante não se confirmar que, com os nossos gestos mais inocentes, estamos a provocar mais outra.


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domingo, abril 17, 2011

Bancarrota (pré)anunciada

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Os ministros Silva Pereira e Teixeira dos Santos pertencem ao mesmo Governo que transformou Portugal num pedinte de mão estendida à solidariedade europeia. Mas enquanto o primeiro se amofina porque a oposição — e, decerto, a maioria dos portugueses — quer conhecer toda a verdade sobre as contas públicas, o segundo diz à Reuters quase tudo o que há para saber: em junho já não haverá dinheiro para satisfazer os compromissos do Estado.
Nesta frase simples e lapidar, Teixeira dos Santos fez todo o balanço que interessa dos governos de José Sócrates — muito diferente do que foi projetado no Congresso de Matosinhos — e, em especial, o do seu próprio trabalho como ministro das Finanças: o pior de sempre, visto que nenhum outro deixou o país numa situação tão miserável.
Ao anunciar a falência, Teixeira dos Santos ajudou os especuladores a ganharem mais uns milhões com os juros da nossa dívida soberana; mas, sobretudo, tornou claro que o Governo iludiu a situação real do país nos últimos meses e que a oposição falhou no seu papel fiscalizador. Não é por fazer 30 perguntas agora, quando sabemos que elas serão respondidas pelos técnicos estrangeiros instalados no Ministério das Finanças, que as oposições e, em particular, o PSD, se redimem do seu rotundo fracasso.
A confissão de Teixeira dos Santos veio confirmar que quando José Sócrates rejubilava com os primeiros dados da execução orçamental de 2011, a bancarrota já estava iminente. E não seria o PEC 4 a impedi-la, dado que as principais medidas que ele consagrava só produziriam efeitos em 2012 e 2013. Ao retardar o pedido de ajuda e ao proclamar, ainda hoje, que Portugal não precisaria dela se não tivesse sido precipitada uma crise política, Sócrates apenas tenta justificar o injustificável.
No ponto em que nos encontramos, o que se exige de todos — do Governo, das oposições e de um Presidente desaparecido em parte incerta — é que tenham a lucidez e a humildade de trabalhar em conjunto, fazendo cada um o que lhe compete. E que nos poupem, todos eles, às pequenas manobras de desresponsabilização, que nos ridicularizam ainda mais no exterior e que ofendem a inteligência dos portugueses.
Fernando Madrinha, Expresso 17.04.2011

Concordo. Palavra por palavra.

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terça-feira, outubro 07, 2008

O vil metal

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O que mais perturba, neste ponto da crise mundial, é percebermos que ninguém tem uma ideia que seja alternativa ao primado do dinheiro, ou melhor, ao primado de quem possui dinheiro em espécie ou sob outra forma qualquer.

A tão incensada intervenção do Estado consiste, no essencial, em usar o nosso dinheiro para restaurar os mecanismos que tanto criticamos. Não precisamos de mais Estado, precisávamos de um "homem novo" que, ao contrário do outro, não esperasse pelo Estado para lançar mãos a uma nova economia.

Em certo sentido têm razão aqueles que dizem que "este é o nosso mundo", aquele que talvez venhamos a recordar com saudade apesar das suas taras e injustiças.
As ilusões e os virtuais em que temos vivido, de forma crescente, nas últimas centenas de anos, permitiram criar um "castelo de cartas" em que muitos de nós, apesar de tudo, gozávamos um relativo conforto. Talvez faça até sentido perguntar se não faz parte da condição social do homem a permanente criação de "castelos de cartas", sejam eles religiões, utopias ou mercados. Viveríamos melhor sem eles ?

Veremos dentro em breve, quando a crise se agudizar, quantos dos críticos do sistema estão preparados para abdicar das mordomias de que usufruem.
Ninguém se preparou para o colapso; se calhar não faz sentido alguém preparar-se para um colapso.

O colapso do sistema

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O sistema cardiovascular ou circulatório é uma vasta rede de tubos de vários tipos e calibres, que põe em comunicação todas as partes do corpo. Dentro desses tubos circula o sangue, impulsionado pelas contrações rítmicas do coração.
O sistema circulatório permite que algumas atividades sejam executadas com grande eficiência:
- transporte de gases: os pulmões, responsáveis pela obtenção de oxigênio e pela eliminação de dióxido de carbono, comunicam-se com os demais tecidos do corpo por meio do sangue.
- transporte de nutrientes: no tubo digestivo, os nutrientes resultantes da digestão passam através de um fino epitélio e alcançam o sangue. Por essa verdadeira "auto-estrada", os nutrientes são levados aos tecidos do corpo, nos quais se difundem para o líquido intersticial que banha as células.
- transporte de resíduos metabólicos: a atividade metabólica das células do corpo origina resíduos, mas apenas alguns órgãos podem eliminá-los para o meio externo. O transporte dessas substâncias, de onde são formadas até os órgãos de excreção, é feito pelo sangue.
- transporte de hormônios: hormônios são substâncias secretadas por certos órgãos, distribuídas pelo sangue e capazes de modificar o funcionamento de outros órgãos do corpo. A colecistocinina, por exemplo, é produzida pelo duodeno, durante a passagem do alimento, e lançada no sangue. Um de seus efeitos é estimular a contração da vesícula biliar e a liberação da bile no duodeno.
- intercâmbio de materiais: algumas substâncias são produzidas ou armazenadas em uma parte do corpo e utilizadas em outra parte. Células do fígado, por exemplo, armazenam moléculas de glicogênio, que, ao serem quebradas, liberam glicose, que o sangue leva para outras células do corpo.
- transporte de calor: o sangue também é utilizado na distribuição homogênea de calor pelas diversas partes do organismo, colaborando na manutenção de uma temperatura adequada em todas as regiões; permite ainda levar calor até a superfície corporal, onde pode ser dissipado.
- distribuição de mecanismos de defesa: pelo sangue circulam anticorpos e células fagocitárias, componentes da defesa contra agentes infecciosos.
- coagulação sanguínea: pelo sangue circulam as plaquetas, pedaços de um tipo celular da medula óssea (megacariócito), com função na coagulação sangüínea. O sangue contém ainda fatores de coagulação, capazes de bloquear eventuais vazamentos em caso de rompimento de um vaso sanguíneo.
Quando a circulação pára, ou se reduz para além de um certo ponto, os membros e os orgãos definham e apodrecem.

sábado, setembro 27, 2008

O caso do "azeite espanhol"

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Em 1981, em Espanha, morreram mais de 45 pessoas e oito mil sofreram intoxicações, por envenenamento alimentar devido à mistura no azeite de óleo de colza, um óleo industrial, não refinado, que é tóxico.
A polícia espanhola acabou por descobrir várias instalações, nos arredores de Madrid, nas quais era engarrafado o azeite falsificado e confiscou grandes quantidades do produto adulterado.
Onze anos depois, alguns dos afectados por aquela doença tóxica vieram a público dizer que continuavam à espera de ser indemnizados e calculavam que o azeite adulterado já tinha provocado a morte de 987 pessoas em Espanha.
Apesar da proximidade geográfica e da muito maior gravidade das consequências o caso do "azeite espanhol", tanto quanto me lembro, não provocou tanta comoção como o actual caso do "leite chinês".
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terça-feira, setembro 23, 2008

Car Jaquim e Home Jaquim


O Car Jaquim e Home Jaquim continuam imparáveis. São sem dúvida parentes e tudo leva a crer que não são imigrantes atendendo ao apelido.
É bonito constatar que, nos dias de hoje, ainda há cidadãos que confiam em Rui Pereira de tal forma que se passeiam de automóvel na companhia de um milhão de euros. (ver a história aqui)
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segunda-feira, setembro 08, 2008

Não há imagens inocentes

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"Kevin Carter, um free-lancer sul-africano, ouviu um gemido. Era uma menina, quase um esqueleto, que tentava chegar ao centro de distribuição de comida onde uma multidão se apinhava, numa aldeia do Sudão. Quando se agachou para a fotografar, um abutre pousou ao fundo, à espera. Fez a imagem, afugentou o abutre e foi-se embora. Sentou-se debaixo de uma árvore, fumou um cigarro e chorou.


A foto foi publicada pelo «New York Times» em Março de 1993 e, depois, em jornais de todo o mundo. Mas a maioria das centenas de cartas que o «Times» recebeu por causa desta imagem perguntavam o que tinha acontecido à menina e a razão por que o fotógrafo não a tinha ajudado. Conforme continuou o seu trabalho, Carter era perseguido pela imagem do Sudão, com cartas e telefonemas de quem não lhe perdoava ter virado as costas à criança.


A imagem que o assombrava valeu-lhe a imortalidade, ao receber o prémio Pulitzer em 1994. Tinha 33 anos, mas não sobreviveu ao passado. Suicidou-se dois meses após receber o prémio."


EXPRESSO, 06.09.2008


Uma história comovente, em especial para quem se dedica à fotografia.
A força e os limites da imagem na transformação do mundo.

sexta-feira, maio 30, 2008

O sexo dos anjos



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Continuamos a ver a crise dos combustíveis tratada por gente responsável como se fosse mais um fait divers. Se, pelo contrário, se trata de uma ameaça séria à mobilidade tal como a conhecemos então estamos perante uma ameaça letal à nossa civilização.
São muito famosos os sistemas de abastecimento de água às povoações desenvolvidos durante o Império Romano. Uma marca civilizacional que só foi recuperada e retomada, na Europa, vários séculos depois. Estaremos nós, com a crise dos combustíveis, perante um fenómeno ainda mais grave ?
Em 2007 todos os dias entraram em circulação, só na China, 13.000 automóveis.
Cada vez que entra em circulação mais um automóvel num país emergente as nossas hipóteses de continuar a circular livremente, como costumavamos fazer, reduzem-se mais um pouco.
Será esta a forma actual da "invasão dos bárbaros" ?
Não quero ofender os chineses mas apenas estabelecer um paralelo com a derrocada do Império Romano e com o hiato civilizacional que se lhe seguiu.
Calculo que em Roma também se discutia o orçamento enquanto os bárbaros se acercavam das muralhas, como em Bizâncio se discutiu depois o sexo dos anjos.

domingo, maio 18, 2008

Uma escala inimaginável

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Temos dificuldade em imaginar a escala do desastre ocorrido na China. Dezenas de milhares de mortos confirmados e outros tantos ainda soterrados, quatrocentas barragens afectadas, um milhão de pessoas em fuga para escapar às enxurradas, cinco milhões de pessoas desalojadas.

A sorte dos que sobreviveram foi terem nascido num país como a China. De outro modo o número de vítimas ainda continuaria a aumentar durante muito tempo.


sábado, maio 17, 2008

O gigante tem pés de barro ?



As imagens televisivas do terramoto na China têm-me comovido. Não só pelos dramas pessoais mostrados mas, essencialmente, pela admirável mobilização de meios para o salvamento.

Talvez só a teimosia disciplinada dos chineses permita uma tal dimensão. O regime político chinês, goste-se ou não, também garante uma enorme rapidez, sem controvérsias, na mobilização dos meios que em termos humanos são avassaladores.

A aparente facilidade com que o terramoto destruiu cidades inteiras é um claro sintoma da "pressa" com que a modernização da China tem sido feita. O gigante tem pés de barro ?