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terça-feira, julho 14, 2015

Um dia teremos saudades da Merkel



Um dia teremos saudades da Merkel
Aquilo a que estamos a assistir, dia após dia, é ao lento declínio da Europa em termos da economia globalizada e da influência geopolítica.
À medida que a riqueza atávica vai sendo delapidada vão surgindo os despiques, as indisciplinas e as aberrações típicos das famílias decadentes.
Deixou de haver dinheiro para sustentar parentes ociosos ou viciados e as jóias da família vão sendo vendidas a árabes ou chineses, tanto faz.
A Europa, e o seu estilo de vida incomparável, caminha para o desastre inexorável perante adversários que não têm escrupulos económicos, nem sociais, nem ambientais, nem sequer humanitários (vidé o ISIS, por exemplo).
Mas todos estes riscos, já de si gigantescos, são potenciados pela tibieza do poder político. Basta comparar a autoridade e o poder da Comissão Europeia do senhor Junker com os seus concorrentes como Putin, Obama ou Xi Jinping.
À falta de um governo europeu politicamente legitimado é à senhora Merkel que tem cabido a ingrata tarefa de pôr ordem na casa e de impedir que proliferem os escapismos que a pobreza faz crescer por todo o lado. Por causa disso a Merkel converteu-se no bode expiatório de todas as frustações.
Convinha, no entanto, que aqueles que a acusam de ser mandona percebessem que a Europa não padece de autoritarismo mas sim da vertigem das forças centrífugas.
O que nos espera não é uma Europa idílica, próspera e humanitária; o que aí vem é a proliferação dos populismos à Syriza ou à Le Pen, com vários tons e matizes.
À medida que a decadência se aprofundar veremos substituir os partidos socialistas por populismos “de esquerda” e os partidos liberais por populismos de extrema direita.
A Grécia é um daqueles microcosmos que ajudam a perceber o cosmos.
A dívida “impagável” da Grécia não assusta a não ser como prólogo das dívidas “impagáveis” de Portugal, da Espanha, da Itália ou da França.
A rebeldia infantil do Tsipras não assusta a não ser como prólogo da rebeldia da senhora Le Pen, ou dos Verdadeiros Finlandeses ou do senhor Victor Urban (para falar só dos que já emergiram).
Do ponto de vista da sobrevivência do nosso modo de vida é preferível uma Merkel musculada à balcanização da europa pelos fanatismos e pelos nacionalismos.
Quando o empobrecimento e as suas sequelas levarem ao poder no Norte da Europa os partidos de extrema direita e proliferarem no Sul da Europa os demagogos pseudo-revolucionários podemos estar certos de que uma nova guerra se aproxima.

quarta-feira, janeiro 01, 2014

A decadência actual do Ocidente e a queda do Império Romano



A decadência actual do Ocidente e a queda do Império Romano

Este paralelo podia ensinar-nos muito sobre as causas profundas das nossas crises, que são muito mais complexas do que as versões simplistas da luta de classes. O Império, na sua decadência, não sofria de hiperexploração esclavagista mas sim da falta de escravos.

Durante o seu auge nos séculos I e II, o sistema económico do Império Romano era o mais avançado que já havia existido e que viria a existir até a Revolução Industrial. Mas o seu gradual declínio, durante os séculos III, IV e V, contribuiu enormemente para a queda do império.
A massiva inflação promovida pelos imperadores durante a crise do terceiro século destruiu a moeda corrente, anulando a prática do cálculo económico a longo prazo e consequentemente a acumulação de capital, que somada ao controle estatal da maioria dos preços teve efeitos desastrosos.
A falta de condições financeiras e a falta de escravos para uso de mão-de-obra em todo o império geraram tais quedas.
Com quase todos preços artificialmente baixos, a lucratividade de qualquer empreendimento comercial foi anulada, resultando num colapso completo da produção e do comércio em larga escala e da relativa e complexa divisão do trabalho que existia durante a Pax Romana.
A população das cidades caiu por todo império devido ao colapso comercial e industrial.
Os trabalhadores desempregados fixaram-se no campo e tentaram produzir eles mesmos os bens que queriam, desmonetizando a economia e acabando com a divisão do trabalho, ocorrendo uma drástica redução da produtividade da economia.
Esses fenómenos resultaram na criação do primitivo sistema feudal baseado na auto-suficiência de pequenos territórios economicamente independentes.
Com seu sistema económico destruído, a produção de armas e a manutenção de uma força militar defensiva se tornaram infinanciáveis, o que facilitou enormemente as invasões dos bárbaros. 
(Extraído da Wikipédia)

sexta-feira, julho 13, 2012

O dilema da Alemanha



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Ranking de vendas de automóveis, em maio, por países, segundo a JATO Dynamics:

1º - China: 1,339 milhão
2º - Estados Unidos: 1,334 milhão
3º - Japão: 391 mil
4º - Alemanha: 308 mil
5º - Brasil: 274 mil
6º - Rússia: 260 mil
7º - Índia: 243 mil
8º - França: 197 mil
9º - Grã-Bretanha: 183 mil
10º - Canadá: 175 mil

É por isso que a Alemanha não está muito preservar os seus os mercados europeus.







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terça-feira, fevereiro 28, 2012

Governo chinês vai privilegiar carros de fabrico local

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O governo da China vai suspender a compra de carros de marcas estrangeiras para uso oficial. A decisão tira fabricantes como a Audi da competição para atender autoridades e funcionários e fecha a porta de uma verba estimada em 13 mil milhões de dólares.
Segundo a proposta apresentada hoje pelo Ministério da Indústria chinês, todos os 412 modelos aprovados para compra por órgãos governamentais serão de marcas chinesas.
Entre as maiores beneficiadas pela medida estão as fabricantes locais Dongfeng e Great Wall. A intenção do governo é proteger a indústria interna da competição de produtores internacionais.
Segundo analistas, o mercado chinês pode estar a entrar num processo de fecho inclusive para investimentos externos. O primeiro passo ocorreu com a suspensão dos incentivos a investimentos estrangeiros este ano, motivados pelo excesso de capacidade produtiva da indústria no país.
As marcas estrangeiras detinham cerca de 80% de participação no fornecimento de veículos ao governo, com a Audi a equipar perto de um terço das frotas estatais. No mercado total do país, as marcas estrangeiras vendem sete de cada dez carros vendidos.

(transcrito do Dinheiro Digital online)


Esta notícia pode ser muito importante. Pode significar que os anos dourados da indústria automóvel ocidental na China estão a chegar ao fim. 
As consequências, tremendas, não são difíceis de imaginar.


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sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Smarter City

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Este pequeno filme mostra, indirecta mas eloquentemente, a escala do que está a acontecer na China. Mas há outra lição talvez mais importante; enquanto os cidadãos e os estados ocidentais sofrem com o desenvolvimento e a competitividade do Império do Meio, há grandes multinacionais que continuam a beneficiar muito com esse fenómeno.
Talvez isso explique por que é que as nações ocidentais não se prepararam em tempo útil para o impacto da esperada, e legítima, ascensão económica da China.

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sábado, dezembro 31, 2011

PAX SÍNICA

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Muitos questionam-se como é que uma Pax Sinica [paz chinesa] mundial pode parecer: como é que a influência mundial da China se manifestaria? Como é que a hegemonia chinesa diferiria da variedade americana?
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Enquanto os americanos levam a sua bandeira bem alto, os chineses trabalham arduamente para serem invisíveis. As comunidades chinesas, no mundo inteiro, conseguiram tornar-se influentes nos seus países de acolhimento, sem serem ameaçadas; conseguiram ser fechadas e não transparentes, sem provocarem a ira; conseguiram ser uma ponte de ligação com a China, sem parecerem ser uma “quinta coluna”.
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A América, pelo menos em teoria, prefere que os outros países partilhem os seus valores e ajam como americanos. A China só pode recear um mundo onde toda a gente aja como os chineses. Deste modo, num futuro dominado pela China, os chineses não definirão as regras, mas procurarão tirar o maior proveito possível das regras que já existem.


Leia este interessante artigo de Ivan Krastev no Público




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sexta-feira, dezembro 23, 2011

"Estados de direitos" e "Estados de deveres"



Grande parte dos mal-entendidos nas relações com a China resultam de não se assumir que o estado chinês é um estado de outro tipo.
Digamos que há os "estados de direitos", que se ocupam de garantir o exercício de direitos, e os "estados de deveres".


Os "estados de deveres" consideram que a sua missão essencial é a prossecução estratégica daquilo que definem como interesse da sua nação. 
Os interesses particulares, mesmo que económicamente poderosos, são calibrados pelo estado à luz do objectivo primordial. Esse objectivo é tão relevante que faz qualquer dissenção aparecer como indesejável, quando não criminosa. 
Por isso os "estados de deveres" assumem formas ditatoriais mais ou menos violentas.
O "estado de deveres" existe para proibir ou condicionar e não para garantir a sustentabilidade dos modos de vida ou a subsistência das famílias. 


Os "estados de direitos" correspondem normalmente a nações que, por razões históricas, consideram estar ultrapassada a questão da sobrevivência ou independência da nação. Ou nunca foram colonizados ou as experiências de subordinação nacional já se perderam na memória colectiva.
Os "estados de direitos" converteram-se em meros gestores das poupanças nacionais, ou do endividamento nacional, e declaram como sua principal missão a promoção da "justiça social". 
Funcionam normalmente como democracias. A concessão de direitos e garantias constitui o mecanismo básico das mensagens eleitorais em que geralmente é omitida a questão da sustentabilidade das propostas. 
Restrições ou limitações impostas pelo estado são, em geral, mal vistas.
Concedem enorme liberdade aos agentes empresariais poderosos na modelação da estratégia económica, sejam quais forem as consequências sociais, mas depois montam um esquema complexo de redes de "solidariedade" para socorrer as vítimas.


Qualquer pessoa pode fácilmente imaginar as diferenças entre os comportamento dos cidadãos que vivem nos "estados de deveres" e os que vivem nos "estados de direitos"; tais diferenças são notórias no que toca ao trabalho, às poupanças, às reivindicações, às expectativas, à organização das suas vidas etc.


Temos razões para nos vangloriar da nossa qualidade de vida ocidental e do conforto de que disfrutamos (que só foi possível através da pilhagem de outros continentes) mas só um tolo pensa que tais vantagens estão garantidas independentemente da riqueza dos nossos "estados de direitos". 


Na conjuntura actual o "estado de deveres" chinês surge como protagonista de um enorme sucesso económico que, para além do mais, por comparação, serve para tomarmos consciência da precariedade do nosso modo de vida.


Num mundo instável e perigoso levanta-se a questão de saber se o método chinês é exportável, nomeadamente para outros países "emergentes".
Mas a verdade é que a China não é um país qualquer. Embora subalternizada no fim do século XIX e na primeira metade do século XX pelas "potências ocidentais", a China é um colosso populacional e detentora de uma cultura complexa e antiquíssima que sobreviveu a todos os acidentes da sua história milenar.


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sexta-feira, dezembro 16, 2011

O Portugal comunista

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Por muito que me esforce tenho dificuldade em imaginar um caminho que nos tire da decadência anunciada, no quadro político actual em que os partidos, os grupos de interesses, e em geral todo o bicho careto, se obstinam em perseguir os seus próprios desígnios egoístas.
Mesmo arrepiando as consciências mais sensíveis só uma solução me ocorre; um Portugal comunista, à chinesa, com todos a remar como um só homem na mesma direcção. Só um partido comunista estaria em condições de levar tal tarefa a cabo.
A China é uma demonstração viva de que os slogans que opõem a austeridade ao crescimento estão errados; austeridade, a um nível que nós nem sequer imaginamos, redundou ali num crescimento prolongado de 10% ao ano.
Significa isto que a ascensão ao poder de esquerdas mais radicais, se tal viesse a tornar-se realidade, se assumida consequentemente, levaria a sacrifícios muito mais intensos do que aqueles hoje rejeitados por muitos dos que militam em tais movimentos (claro que nessas circunstâncias, para sossegar as consciências, nos diriam que os sacrifícios pedidos já não se encontravam manchados pela sombra das injustiças de classe).
Eu, por mim, acho que pode chegar o dia em que, por desespero, não enjeitaremos essa forma de patriotismo.
Nessa altura, muitos dos radicais anticapitalistas de hoje saltarão pela borda fora.

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quinta-feira, dezembro 08, 2011

De cimeira em cimeira









Nestes dias que antecedem a Cimeira europeia de 8 e 9 de Dezembro as análises sucedem-se (ver por exemplo o novo blogue "No reino da Dinamarca")
Em muitos casos padecem de um pecado muito comum no pensamento de esquerda actual; pensar que tudo se explica e se resume à luta de classes, neste caso representada pela luta entre os países ricos e os pobres.
A raiz dos problemas da Europa, não é o excessivo e generalizado endividamento dos países da UE. Isso são os sintomas, as consequências.
Por trás dessas dificuldades, a gerá-las, está o desfasamento entre o modelo social e económico da Europa e o curso da globalização que as grandes multinacionais promoveram.
Há muito que o esse modelo está a degenerar pois não consegue reproduzir-se organicamente, como costumava fazer através da propagação do assalariamento e da geração das mais valias que lhe estão inerentes.
Onde essa propagação ainda é possível (nos países emergentes) as grandes multinacionais conseguiram um balão de oxigénio mas, ao mesmo tempo, ao fazê-lo, socavaram o domínio global do Ocidente.
A saída, durante algum tempo, foi a especulação financeira que acabou por explodir. 
Nada de consistente se fará como alternativa sem perceber este processo. E sem perceber que não se pode meter no mesmo saco do capitalismo coisas contraditórias como por exemplo: crise dos países ocidentais em contraposição ao desenvolvimento dos países emergentes – crise do estado nação em contraposição à mobilidade global das corporações – a perversidade dos mercados financeiros em contraposição à necessidade absoluta dos mercados reais.


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domingo, novembro 27, 2011

A invenção chinesa

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Yongzheng quinto imperador da dinastia Qing (1644-1911)

Ainda há quem pense que a vantagem competitiva da China está na mão de obra barata mas trata-se de uma visão ultrapassada. 
Agora a China vive principalmente da dimensão do seu mercado interno, que funciona como um buraco negro na atracção de investimentos de todo o mundo.
E quanto mais crescem esses investimentos mais cresce o mercado interno chinês o que motiva novos investimentos.
Por outro lado eles fizeram uma invenção muito importante.
Mercados regulados por um Estado, e um partido, que têm poder absoluto.
Isso dá-lhes uma vantagem enorme já que a regulação dos mercados em democracia é um quebra-cabeças insolúvel.
A luta de classes,ela própria, tem na China as formas e as dimensões que convêm à construção de um maior poder do Estado.



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A propósito da imagem:
D. João V tratava o homólogo chinês por “muito caro e amado amigo”, mas o protocolo da época exigia ainda mais cerimónia: “Muito poderoso imperador da China”, escreveu também o rei português numa carta a Yongzheng. 
Curiosamente o início e o fim da dinastia Quing são quase coincidentes com a dinastia Bragança em Portugal.


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sábado, setembro 24, 2011

Regresso impossível

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O capitalismo, o sistema em que sempre vivemos, o modelo económico que se espalhou pelo mundo, debate-se com uma crise imensa que transforma o futuro de milhares de milhões numa incógnita aterradora.
É revelador que, mesmo nestas circunstâncias, ninguém se atreva a propor novas regras para o jogo, novos modos de funcionar em sociedade. O máximo que ambicionam, mesmo as contestações mais radicais, é um regresso ao mundo de ilusões que existia antes de a crise começar.

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sexta-feira, agosto 12, 2011

O fim de um outro império

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O que é preocupante é estes artigos insinuarem que a decadência da Europa é causada pela crise recente. Ora a crise recente é apenas um sintoma agudo de uma "doença" que há muito, subrepticiamente, se tornou crónica.


A Europa encontra-se em acentuada decadência por não ter sabido encontrar novas "vantagens competitivas", para usar uma terminologia do business. 


A maior parte dos europeus ainda não percebeu mas, mais grave ainda, milhões de pessoas dos outros continentes também não. Continuam a tentar desesperadamente chegar a um eldorado que está em vias de se converter num pesadelo. 


À medida que a situação for piorando por falta de capacidade de perceber o tipo de transformações que se impõem, enquanto se apela aos dirigentes políticos alemães como se eles tivessem uma varinha de condão, o espaço para todo o tipo de fascismos tenderá a crescer.


Imagem sacada no entreasbrumasdamemoria


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segunda-feira, agosto 08, 2011

G20 ou G40 ?



SEUL, Coreia do Sul — Os países do G20 anunciaram nesta segunda-feira, em um comunicado, estar prontos para atuar em conjunto com o objetivo de estabilizar os mercados financeiros e proteger o crescimento.
O comunicado foi publicado na Coreia do Sul após as fortes baixas registradas nas bolsas asiáticas nesta segunda-feira. Os Estados membros permanecerão em contato estreito e atuarão para "garantir a estabilidade financeira e a liquidez dos mercados financeiros".

Estas reuniões das 20 maiores economias já não correspondem ao mundo actual, em que os maiores estados nacionais empobrecem ao mesmo tempo que as suas empresas enriquecem.
Estas reuniões deviam ter a participação dos 20 maiores estados mas também das 20 maiores empresas globais, digamos um G40. Os estados deviam então indagar onde é que as corporações criam emprego e onde é que pagam impostos. Se a resposta não fosse satisfatória deviam apertar com elas.
Presumo que os 20 maiores estados, quando se encontram, jogam uns com os outros um xadrez muito complexo de retaliações e de transferências de poder. A próxima fase, suponho, terá como centro o dolar.
Greenspan disse recentemente qualquer coisa como: "Os Estados Unidos têm meios para pagar qualquer dívida. Trata-se apenas de imprimir mais dólares".
Esta ideia de uma moeda que tem sido emitida, ao longo de décadas, de forma descontrolada, fascina-me. É um factor de crescimento inesgotável, mesmo que ilusório. Será que alguém sabe quantos dólares estão realmente em circulação, mesmo ignorando os milhões de dólares falsos?
Penso que é uma questão de tempo até que toda a gente fuja dos dólares por terem perdido a mais elementar credibilidade.
Nas reuniões do G20 encontram-se muitos países que têm os seus pés-de-meia em dólares. Têm portanto que gerir a transição de forma muito cautelosa para não perderem tudo o que amealharam.
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quinta-feira, agosto 04, 2011

Volta Catroga, estás perdoado

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Via Henricartoons

O mundo vê espantado o presidente Obama a equilibrar-se num fino arame financeiro e a Europa desorientada a lamber  as feridas que os "mercados" lhe provocam. Todos tememos que sobre nós se abata a maior hecatombe económica e social de que há memória.

E o que fazem os nossos deputados? decretam uma economia de guerra? distribuem capacetes e máscaras de gás? tentam preparar o país e os cidadãos do tsunami que se perfila no horizonte?
Não.

Preferem perder o seu tempo a discorrer sobre o súbito eclipse do Bairrão, ou sobre o buraco BPN agora que já não tem remédio possível, ou sobre os titulares convocados pelo treinador para a equipa da Caixa, ou sobre uma determinada chamada telefónica que foi feita para o INEM.
Em suma, pintelhos.

Volta Catroga, estás perdoado.

quinta-feira, junho 23, 2011

Uma potência que compra em segunda mão

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A China, sempre parcimoniosa, comprou um porta-aviões, o Variag, em segunda mão (eu também faço o mesmo com os automóveis para não sofrer a desvalorização à saída do stand). 
O Varyag - (em russo Варяг) - era um porta-aviões soviético multifacetado da Classe Kuznetsov, conhecido como Riga, e foi lançado a 4 de Dezembro de 1988, sendo renomeado para Varyag no final da década de 1990.
Em 2002, foi vendido pela Ucrânia a uma pequena companhia turística chinesa que pretendia transformá-lo em um casino flutuante. Mas boatos dão conta que na realidade a China deseja usá-lo como modelo para a construção de seus futuros próprios porta-aviões.
Aplicou-lhe a sua abundante mão-de-obra e está pronto para navegar. Vai iniciar os seus primeiros testes em águas abertas a 1 de Julho, coincidindo com os 90 anos do Partido Comunista da China. 
Assim se começa a cumprir o sonho da China; transformar-se também numa potência marítima e não apenas continental.



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sexta-feira, abril 29, 2011

Espelho meu, espelho meu, há alguém mais rico do que eu?

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A economia chinesa vai passar de 11,2 biliões de dólares este ano para 19 biliões daqui a cinco anos. Em comparação, os Estados Unidos verão o seu produto interno bruto (PIB) subir dos 15,2 biliões atuais para 18,8 biliões de dólares.
Finalmente, a China ultrapassa os EUA na "corrida" do poder económico, anos antes das famosas previsões da  Goldman Sachs para os BRIC (acrónimo criado por aquele firma financeira para o grupo das grandes potências emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China). As contas foram feitas pela Market Watch, com base nas estimativas do relatório de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI). Um "detalhe" a que ninguém ligou.

A Market Watch baseou-se nas estimativas fornecidas pelo FMI em termos de paridade de poder de compra (PPC), ou seja o que realmente cada povo ganha e compra na economia real em que vive.

O FMI reagiu, de imediato, à "bomba" lançada pela Market Watch, afirmando que opta por fazer as comparações com base nas taxas de câmbio, e não em PPC.Comparando, segundo o critério recomendado pelo FMI, a economia americana, em 2016, ainda terá um PIB 70% superior ao chinês.
Neste pequena "guerrilha" de critérios, a MarketWatch ressaltou, em resposta, que as comparações com taxas de câmbio têm um problema -  baseiam-se em fluxos monetários internacionais com flutuações regulares de valorização e desvalorização das divisas, que nada têm a ver com o produto real.

Expresso online, 29.04.2011

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quarta-feira, abril 06, 2011

Eppur si muove

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O salário mínimo mais baixo da China vai aumentar 24,9 por cento em abril, para 750 yuan (80 euros) por mês, anunciou hoje um responsável pelo Gabinete de Recursos Humanos da Região Autónoma de Ningxia (noroeste).
Trata-se do último de uma série de aumentos salariais incentivados pelo Governo central chinês para responder às crescentes preocupações da população acerca do aumento da inflação, que em fevereiro passado foi de 4,9 por cento.
O aumento dos preços foi especialmente acentuado nos produtos alimentares: mais 11 por cento.
“Grave escassez de mão-de-obra, greves esporádicas e subida do custo de vida suscitaram uma vaga de aumentos salariais em todo o país”, assinalou a agência noticiosa oficial chinesa.
Além de Ningxia, região de maioria muçulmana, com 6,5 milhões de habitantes, outras províncias e grandes cidades como Pequim e Xangai anunciaram este mês aumentos salariais, acima dos 15 por cento.
O salário mínimo, cujo valor varia de região para região, foi introduzido na China em meados na década de 1990, quando o país se converteu à “economia de mercado socialista”.

O mais elevado – 1.320 yuan (cerca de 140 euros) – é o que entrará em vigor na próxima sexta-feira em Shenzhen, uma Zona Económica Especial adjacente a Hong Kong.
Pequim e Xangai, as maiores cidades chinesas, com estatuto de província, também aumentaram o salário mínimo, para 1.160 yuan (125 euros) e 1.280 yuan (138 euros), respetivamente.
Em Cantão, capital da província de Guangdong, que confina com Macau e Hong Kong, o salário mínimo subiu 18,2 por cento, para 1.300 yuan (140 euros).
Pelas estatísticas oficiais, o rendimento anual per capita nas zonas urbanas aumentou 81 por cento nos últimos cinco anos, atingindo 19.109 yuan (2.100 euros) em 2010.
Nas áreas rurais, onde a maioria dos cerca de 1.340 milhões de chineses ainda vive, o rendimento aumentou 82,1 por cento, para 5.919 yuan (652 euros).

O número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, com menos de 1,274 yuan por ano (140 euros), baixou 25,3 por cento em 2010, para 26,8 milhões, mas pelos padrões da ONU (um dólar por dia), seriam cerca de 150 milhões.
Diário Digital /Lusa


segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Uma explicação (de novo tipo) para a crise - Cap.1

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Estamos fartos de ouvir dizer que tudo começou com o “sub-prime” nos Estados Unidos. Mas isso como explicação não é muito convincente.
Alguém acredita que a mera incapacidade dos americanos para pagar os empréstimos contraídos foi suficiente para lançar esta crise enorme que fez tremer todas as economias desenvolvidas do planeta?
Não parece possível mesmo que o número de faltosos seja muito grande. Até porque os bancos americanos, os tais que teriam vendido na Europa os activos tóxicos, afinal também tiveram graves problemas.
Têm que ser consideradas causas mais sistémicas para uma explicação credível da enorme crise do “mundo ocidental”.

É preciso gastar tudo
Antes de mais é necessário estabelecer o que constitui o mecanismo essencial de estabilização das economias nacionais no quadro do capitalismo. Devem ser cumpridas as seguintes condições:

1. As empresas, ou pelo menos um número substancial das empresas de um dado país, devem ser rentáveis
2. Os cidadãos, a esmagadora mairoia dos cidadãos, devem encontrar ocupações remuneradas que lhes permitam viver as suas vidas e, em particular, participar no processo social de produção

Pode parecer que bastaria a realização da primeira condição para garantir a segunda mas tal não é verdade como veremos mais adiante.

Se concebermos a economia como uma sucessão de ciclos podemos então dizer que os rendimentos obtidos pelos cidadãos de um dado país no fim de um ciclo, ao serem gastos em consumo ou investimento durante o ciclo seguinte, permitem realizar as condições que enunciámos anteriormente.

Mesmo que admitamos, por absurdo, que toda a gente que obteve rendimentos os gastou integralmente então teríamos uma roda que rodaria sobre si própria, sem crescer nem decrescer, apenas favorecendo determinadas empresas em detrimento de outras no caso de as preferências dos consumidores se polarizarem de algum modo.
Ora nem os rendimentos obtidos num ciclo são integralmente gastos no ciclo seguinte, nem a roda de que falámos pode ficar eternamente a rodar no mesmo ponto. A roda tem uma tendência incontrolável para se expandir.

Para obviar as dificuldades que acabámos de enunciar é que existe o crédito. Numa primeira fase destinado aos investimentos empresariais e depois, cada vez mais, para permitir o consumo em larga escala.
Para a economia crescer, e garantir as condições 1. e 2. de estabilidade o crédito concedido para consumo deve portanto ser superior ao volume das poupanças (que são, no fundo, diferimentos do consumo).

Como é sabido, quanto mais baixo é o rendimento de uma família maior é a parte desse rendimento destinada ao consumo em detrimento da poupança. As economias dos países desenvolvidos seguiram neste aspecto trajectórias idênticas, embora com ritmos diferentes, durante o século XX.
À medida que ía crescendo a classe média, e a sua capacidade de poupar, foram-se também desenvolvendo os mecanismos de concessão de crédito encorajando a gastar já hoje aquilo que hipotéticamente será ganho só amanhã.

Em paralelo com este desenvolvimento foram também tomadas medidas destinadas a convencer os cidadãos a gastar não só os rendimentos presumidos do futuro mas também os rendimentos obtidos no passado e guardados como “pé-de-meia”.
O Estado Social e as suas promessas de acorrer quando o cidadão for surpreendido pelos “azares da vida”- o desemprego, a doença, a velhice- constituiram um bom alibi para dispensar os hábitos de poupança, tornados aparentemente desnecessários, e conduzir ao consumo desenfreado de que o sistema tanto precisava para funcionar.

Os exageros do crédito e do endividamente, são pois inerentes ao funcionamento do sistema. Não são uma aberração dos tempos actuais, inventada de repente por agentes maléficos, que uma “regulação” virtuosa possa controlar.

É preciso gastar bem
Mas a certa altura surgiram dois novos factores que vieram agravar ainda mais os desiquilíbrios descritos anteriormente: a deslocalização da produção (que cria emprego fora das fronteiras) e a automatização em larga escala.
Não basta já assegurar que os rendimentos auferidos voltam ao circuito através da aquisição de bens e serviços, pois o consumo de certos bens e certos serviços não gera necessáriamente emprego, pelo menos numa escala suficiente.

É claro que a exportação de produtos e serviços tem um efeito de sentido contrário. Mas qualquer país que importa mais do que exporta e que, para além disso, pretende modernizar-se tecnológicamente, está sob uma enorme pressão para conseguir gerar emprego suficiente para a sua população.
Os governos, sob pretexto do “estado social”, começaram então a contratar aquelas pessoas que a “economia real” não conseguia absorver o que levou ao disparar do endividamento público, com as consequências que hoje se conhecem.

Em conclusão e como aperitivo para o que se há-de seguir:

1. a forma aguda de deslocalização, na actualidade, chama-se China.
2. a forma aguda de automatização, na actualidade, chama-se “replicação”.

Dentro em breve, num capítulo 2 deste texto, voltarei ao tema para mostrar como o efeito combinado destes dois factores torna o futuro muito mais complexo.
A crise actual é apenas sintoma de um longo acumulado de erros. As formas convencionais de a tentar resolver não levam a parte alguma.

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quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Chineses espalhados pelo mundo

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Um interessante projecto fotográfico da FP, conduzido pelos jornalistas Heriberto Araújo e Juan Pablo Cardenal, dá-nos a ver aquilo que já suspeitávamos. Chineses espalhados pelo mundo a trabalhar (e não se trata das óbvias lojas de roupa ou bazares).
Ver AQUI

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domingo, fevereiro 20, 2011

China, uma superpotência em construção


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O ano que findou ficou marcado por SEIS factos simbólicos que poderão ser considerados como "pontos de inflexão" do papel da China na geografia económica e política do planeta.
Primeiro: O atual presidente chinês Hu Jintao foi considerado pela Forbes como o homem mais poderoso do mundo, destronando, pela primeira vez, o presidente americano - a decisão da revista de negócios americana surpreendeu, mas não gerou movimentos de protesto entre os leitores. Sinal dos tempos.
Segundo: No confronto do que já se convencionou chamar de G2 (Estados Unidos e China), o poder real de Beijing, como fator condicionante e mesmo de bloqueio da estratégia global americana, ficou patente na cimeira do G20 em Seul, em novembro passado. A decisão recente da Reserva Federal americana de inundar o mundo com "dinheiro quente", ao abrigo de uma nova onda de "alívio quantitativo" (quantitative easing, na designação original), conseguiu que a China formasse uma aliança ad hoc contra a estratégia monetária americana, incluindo aliados tradicionais de Washington, como a Alemanha e os países da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático, envolvendo dez países), que inclusive foram mais "agressivos" nas críticas do que Beijing.
Terceiro: Pela primeira vez, a China chegou ao primeiro lugar em supercomputadores, retirando a liderança aos Estados Unidos. O "Via Láctea", alojado no Centro Nacional de Supercomputação na cidade de Tianjin, destronou em outubro o "Jaguar" do Departamento de Energia americano.
Quarto: Inesperadamente, a China apresentou-se na própria Europa como "bombeiro"-ajudante - a par do Banco Central Europeu - no apagar dos fogos da crise da dívida soberana em vários países da zona euro. Em junho, o gigante chinês COSCO assinou um acordo com o porto grego de Pireu para 35 anos e os chineses prometeram, recentemente, comprar dívida portuguesa, o que revela uma estratégia global que não passa só pelo posicionamento em África ou na América Latina, fora do seu espaço regional asiático, como tem sido mais mediatizado.
Quinto: Num dos despachos revelados pela Wikileaks, há um desabafo da secretária de Estado Hillary Clinton que resume bem o dilema americano: "Como é que se lida com firmeza com o vosso banqueiro?".
Sexto: Finalmente, menos falado é o facto de que, por debaixo do contencioso diplomático aceso entre a China e o Japão sobre águas territoriais e ilhotas em disputa, Beijing procedeu a uma compra massiva de ativos nipónicos, empurrando o iene para um caminho de apreciação e "testando" a capacidade de se impor a Tóquio como a superpotência emergente na região.
Apenas num terreno, Beijing perdeu a cartada - na oposição à atribuição do Prémio Nobel de 2010 ao dissidente político Lio Xaobo, que cumpre uma pena de onze anos de prisão. A China tentou criar uma larga plataforma de boicote à sessão de atribuição do Prémio em Oslo em dezembro, mas falhou redondamente. E mesmo a tentativa de atribuir no mesmo dia, em Beijing, um Prémio da Paz com o nome de Confúcio redundou num flop, em que o próprio premiado, um político de Taiwan, recusou. Este parece ser o mais óbvio calcanhar de Aquiles da China na cena internacional.

Jorge Nascimento Rodrigues, Expresso 19.02.2011 (ler o artigo completo aqui)

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