terça-feira, setembro 28, 2010

Mistificação

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Continuam a distrair-nos com longuíssimas discussões acerca da aprovação do Orçamento de Estado para 2011. Entretanto continuamos a pedir dinheiro a juros, que vão batendo recordes sucessivos, para pagar os empréstimos antigos que se vão vencendo.

Qualquer cidadão sério que visse as suas finanças pessoais passar por um transe idêntico faria os possíveis e os impossíveis para se livrar deste garrote que vai asfixiando o país. Em vez disso, nós falamos do Orçamento e das "metas" do défice sem mencionar, jamais, a data em que começaremos a pagar a enorme dívida que irresponsavelmente deixámos acumular.

A maioria dos portugueses ainda não deve ter percebido que alcançar um défice de 3% em 2013, depois de fazerem inenarráveis sacrifícios, significa apenas que a nossa dívida continuará a crescer, mas mais devagar.
É como se um enforcado ficasse satisfeito só por cair no fosso a 3 metros por segundo em vez de cair a 7 metros por segundo.

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6 comentários:

Manuel Vilarinho Pires disse...

Desta vez a resposta às perguntas é canja, isto parece mesmo um exame de matemática do décimo segundo ano!
1. A data em que podemos começar a abater a dívida do Estado é quando tivermos superavit em vez de déficit.
2. Com déficits de 3%, a dívida cresce mais 100% do PIB em trinta e três anos. E quatro meses, vá lá...

Mais interessante é encontrar a resposta à pergunta: a quem pedimos emprestado?
Aos credores? Errado! Os credores acabarão por receber o que emprestaram.
Pedimos emprestado ao futuro: a nós, quando formos mais velhos, ou aos nossos filhos, ou netos, ou a quem vier a pagar a nossa dívida.
E o preço do empréstimo não é apenas, nem principalmente, constituído pelos juros. É o condicionamento da nossa (sua) liberdade futura, quando viermos (vierem) a ter de pagar o que agora pedimos emprestado.

F. Penim Redondo disse...

Manuel,

falaste como um livro aberto

Manuel Vilarinho Pires disse...

Então deves compreender bem a irritação que me causa a chantagem do Governo sobre os contribuintes, ao sugerir que "sem aumento de impostos é necessário reduzir o estado social", como se o estado social fosse, entre as oportunidades de redução de custos, a mais dispensável, nem a perplexidade perante a estupidez persistente da esquerda parlamentar, ao insistir todos os dias na necessidade da construção do TGV e do aeroporto...

F. Penim Redondo disse...

Compreendo-te muito bem.
O "estado social" tem sido a camapanha eleitoral de alguns há muitos anos. O seu seguro de vida político comprado com dinheiros que pedem emprestados às gerações futuras.

Se os cuidados de saúde "gratuitos" não fossem uma fonte de receitas milionárias para farmaceuticas e empresas de "exames complementares de diagnóstico", se não fossem uma garantia de emprego para médicos e enfermeiros com biscates por fora mas aposentação no estado, bem poderiam os pobres morrer pelas ruas sem qualquer assistência...

candido disse...

Meus caros, este estado está cada vez mais dificil de suportar gastando sistematicamente mais do que recebe. Isto deveria ser gestão danosa!
Investimentos sem quaisquer consensos como se de pessoais se tratasse.! Acima X € devia haver regra de 2/3!
Enfim, governar um Pais não devia ser para curiosos!
Abraço

JP Santos disse...

Para abater a dívida em termos nominais precisariamos de ter um superávite orçamental (ou então vender activos), mas na verdade já seria suficiente estabilizar e depois reduzir o rácio da dívida em relação ao PIB, o que é possível de atingir mesmo mantendo um défice. Na realidade basta que o crescimento da dívida seja igual ou inferior ao crescimento do PIB nominal.