quinta-feira, março 18, 2010

Equação ruinosa

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Governo pondera excepção na aplicação da regra "2 por 1" para as áreas da educação, saúde e forças de segurança, que empregam 347 mil pessoas. Cortes serão noutras áreas.
Jornal I, 19.03.2010

Com a regra "saiem dois e entra um" não há nenhum "corte". O que acontece é um aumento da despesa do Estado.
Em vez de dois o Estado passa a pagar três funcionários; as pensões dos dois que se aposentaram mais o salário daquele que foi admitido para os substituir.
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15 comentários:

Vitor M. Trigo disse...

Oh, oh, só pode ser brincadeira.
A equação está errada. Não é váliada para NENHUM valor da incógnita.
Mas, ignorando a imagem dada, se se considerar que os dois que saem vão para a reforma, continuando assim a onerar as contas públicas, só vejo as seguintes alternativas:
1. Os que saem renunciam à reforma. Assim se poupariam salários e reformas. Uma pipa de massa.
2. O que entra, dado que é inexperiente e precisa de aprender, deveria pagar pelo serviço prestado (como se fazia em muitas profissões durante o estado novo).
E, se fosse possível o 1+2 então seria de grande benefício para o País.
Já agora - a fórmula imposta á Grécia pelos beneméritos capitalistas internacionais foi de 5 para 1.
Acho que os Helvéticos se vão ver Gregos para suportar tal ajuda.
Oxalá não nos aconteça nada de semelhante.

F. Penim Redondo disse...

Vitor,

a equação é propositadamente "impossível" para chamar a atenção para um equívoco bastante comum.

A maior parte das pessoas, quando ouvem a retórica dos ministros, pensam que a regra "2 por 1" representa uma redução dos gastos dos Estado. É uma ilusão de óptica.
Mesmo que não entrasse ninguém para substituir os reformados só a prazo haveria uma redução dos gastos do Estado pois, ao contrário dos trabalhadores "do privado", muitas reformas do Estado têm ainda valor muito próximo do último vencimento .

Não estou a discutir se era possível fazer de outra maneira, isso é outro problema.
Deixo isso para outro post.

Vitor M. Trigo disse...

É claro que percebi a tua intenção, Fernando.

Por isso disse que iria ignorar a imagem.

No entanto, é preciso alertar que esta questão não pode ser abordada pelas regras da pura álgebra elementar.

O que está aqui em causa são indicadores de gestão, reservas matemáticas, perspectivas de anos de vida dos intervenientes (os que saem e os que entram), contenção de potenciais distúrbios sociais (em especial entre os jovens), etc.

Esta a razão que levou a Europa a impor 5 para 1 à Grécia e Teixeira dos Santos a dizer que 3 para 1 seria o ideal para Portugal. Os economistas sabem bem o que querem…

É por isso que, concordo contigo, abordar assuntos desta importância tão sumaria e levianamente é muito delicado.

Anónimo disse...

-Não falta nada no enunciado da sua equação?

Manuel Vilarinho Pires disse...

A redução da despesa do estado com o funcionalismo tem uma única solução: é eles morerrem!

Esta solução matemática foi enunciada pelo Doutor Cavaco Silva durante o governo do Dr. Durão Barroso, quando estas equações começaram a ser estudadas.

Analisando com mais cuidado, é verdade que a longo prazo estas soluções tipo "saem n, entra 1" acabam por permitir a despesa do estado, comparativamente com a regra "sai 1, entra 1".

Há uma regra correcta para reduzir a despesa já, mas nenhum político tem coragem para a enunciar, quanto mais implementar: morrem 2 (activos ou reformados), entra 1.

F. Penim Redondo disse...

Manuel,

a tua solução para o problema é bastante dificultada pelo facto de os funcionários públicos terem uma cobertura das despesas de saúde muito melhor do que os cidadãos "normais". Assim a probabilidade de morrerem reduz-se bastante.

Para começar a resolver o problema talvez o Governo pudesse deixar de nomear observatórios que não observam nada e altas autoridades que não têm autoridade nenhuma. Mas é difícil pois há uma data de amigos que precisam de emprego.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Agora, para repor a verdade matemática, é de facto um sistema de duas equações, em X (número de funcionários no activo) e Y (número de funcionários aposentados), que descreve o fenómeno.
O sistema de equações é pois o seguinte:

X-2+1=X-1 (activos)
X-2+Y+2=X+Y (despesa pública)

Esta equação é válida para TODOS os valores das incógnitas.
Encantos da matemática...

Anónimo disse...

Sai 1, saem n => entram n+3 empresas de trabalho temporário = >Vulgo praça de homens .

Aci disse...

Acho que a única solução para mentes tão esclarecidas é mesmo a que Vilarinho já enunciou: MATAR progressivamente todos os funcionários públicos. Assim deixa de haver médicos, professores, enfermeiros, ... homens do lixo, etc. Os restantes (políticos) ficarão enfim felizes.
Quanto à ADSE é uma boa treta. Experimentem marcar uma consulta... Em contrapartida o seguro da IBM funciona na perfeição. É o que vale a alguns funcionários públicos, cônjuges de IBMs... O pior é que não se pode deixar de descontar para a inútil ADSE!

Manuel Vilarinho Pires disse...

Aci(lina?)

Eu não propuz matar funcionários públicos.
Disse que a forma de reduzir a despesa total do estado com funcionários e aposentados é admitir menos funcionários novos do que o número de funcionários e aposentados que morrem, e não que o número de funcionários que se aposentam, como os governos pendularmente decidem, ou dizem que decidem, fazer.

Relativamente à ADSE, posso falar da minha experiência de agregado familiar com ADSE e seguro de saúde privado (do tipo do da IBM), e são muito semelhantes.
Tanto a ADSE como o seguro têm uma rede de prestadores de saúde convencionados onde se paga uma tarifa reduzida, ou comparticipam cuidados externos à rede.
Não é preciso marcar consultas na ADSE, como não o é no seguro de saúde.

Aci disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aci disse...

Manuel Vilarinho disse "A redução da despesa do estado com o funcionalismo tem uma única solução: é eles morerrem!"

Mas eu não me importo... claro que hei-de morrer um dia...

Entretanto tenho a consciência tranquila de contribuir com o meu esforço diário para a produção de novos engenheiros... Sei que faço um trabalho útil, apesar de ser funcionária pública... Alguns até são exportados... tenho tido bons feedbacks...
Felizmente, não me pesa a consciência de receber todos os meses, seja o que for, sem trabalhar e adio o máximo que puder, a situação de reforma, apesar de ficar eventualmente prejudicada financeiramente, por isso.

Quanto à ADSE:
Não é preciso marcar consulta???? Se eu telefonar para um médico convencionado com a ADSE e disser que vou pela dita ADSE só terei vaga daí a muitos meses, se disser que vou particularmente, é muitíssimo mais rápido.
Se usar o seguro da IBM, telefono para o CUF Alvalade e até tenho consulta no próprio dia se eu quiser. Haja Deus!!! Não é preciso marcar consulta????

Por mim, se pudesse, deixava a ADSE.

F. Penim Redondo disse...

Cara Aci,

alguém me disse que é possível renunciar à inscrição na ADSE, será verdade ?

Enquanto a Aci diz "Por mim, se pudesse, deixava a ADSE" eu digo "Por mim, se pudesse, aderia à ADSE".

É que eu tenho que pagar o meu seguro de saúde e é muito mais do que 1,5% da minha reforma.

Aci disse...

Eu não sei quanto desconto, mas certamente é muito mais do que eu gasto. O serviço não funciona! De que vale ser supostamente barato? Pagar pouco, mas não ter o serviço quando faz falta, de que serve?

Manuel Vilarinho Pires disse...

Acilina,
Como eu disse antes, a ADSE comparticipa à posteriori, como o seguro, despesas realizadas fora da rede convencionada, em qualquer prestador escolhido por ti.
Isto, em acréscimo à rede, onde pagas menos logo à partida, tanto na ADSE, como no seguro.
A mim parecem-me francamente semelhantes e, que, como o meu agregado familiar, tem acesso aos dois, tem a vantagem de poder escolher entre duas redes de convenções, ou o sistema cuja comparticipação é mais favorável.
Esta discussão é interessante, mas convido-te a transferi-la para o "post" da Rosa Redondo, sobre este tema mesmo.

PS: Quando te marcam consultas mais tarde por ser pela ADSE, suponho que estão a cometer uma ilegalidade punível. Já te informaste sobreisso na ADSE?