sexta-feira, dezembro 26, 2008

E nós ?

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"A previsão confirmou-se, o ano ainda não chegou ao fim e só nos Estados Unidos já foram feitos mais de mil milhões de downloads legais de músicas. Até ao final de Dezembro, estima-se que o número ascenda aos 1040 milhões.A Nielsen SoundScan, um sistema de informação que segue as vendas de música e vídeos nos EUA e no Canadá, já tinha previsto em Abril deste ano que 2008 ia ver ultrapassada a barreira psicológica dos mil milhões de downloads (o billion inglês).A cada ano que passa, o formato físico de venda de músicas – o Compact Disc (CD) –, vai sendo cada vez menos comprado. Entre 2000 e 2007 a venda de CDs caiu 45 por cento, e prevê-se que a queda vá continuar ao ritmo de oito por cento a cada ano. Ao mesmo tempo o negócio virtual de música aumenta sete por cento anualmente.Segundo o El País, em 2007 as vendas de música digital nos Estados Unidos alcançaram 1275,5 milhões de dólares (892 milhões de euros) de um negócio total de 10.370 milhões de dólares (7250 milhões de euros), apenas 12,3 por cento das vendas. Mas, de acordo com as tendências, estima-se que em 2011 esta percentagem passe para metade."
Público 19.12.2008

Aqui está mais um exemplo da galopante desmaterialização das mercadorias. Com ela vem também a infinita replicação sem necessidade de trabalho humano vivo adicional.

Em tempo de retorno a Marx há que convir que isto nunca lhe passou pela cabeça (que era sem dúvida brilhante).

E nós ? e as novas esquerdas ? que consequência teóricas extraímos destes novos factos ? Eis uma questão para respondermos em 2009.

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1 comentário:

JMC disse...

Os produtos do tipo informacional, provenientes da criação científica, tecnológica e artística, expandem-se. E um destes dias conheceremos (ou alguém por nós) o teletransporte de produtos materiais, o que ainda será mais fabuloso: a pizza ou o rosbife a saltarem do supermercado, ou da fábrica, directamente para o prato, mal acabamos de esticar a toalha da mesa.

Tenho fundadas dúvidas que vós, e as novas esquerdas, tirem quaisquer consequências teóricas desses factos maravilhosos. Se mesmo em época de retorno ao Marx ainda não compreendem as suas análises do capitalismo das prosaicas mercadorias materiais, dá para imaginar o que daí virá em 2009.

O Marx que é festejado é o da política, da revolução social sob a forma de revolução política ou, ainda mais soft, sob a forma de reivindicação da estatização da economia, ou dos seus sectores básicos (restritos aos monopólios naturais ou aos "sociais"), para assim, julgam, acabar de vez com as chatices do desemprego, das crises cíclicas, da economia de casino e da incerteza do futuro. Haja quem cuide do pessoal!

Para os que assim pensam, o que o Marx disse é mais do que profecia, está ao alcance das vontades. Elucubrações teóricas sobre a realidade, são puro enfado desnecessário, porque na vida tudo se resume à política e ao seu folclóre.

JMC.