terça-feira, outubro 09, 2007

Sweeney Todd - Tim Burton e o Teatro Aberto



As primeiras imagens do novo filme de Tim Burton, com estreia mundial marcada para 21 de Dezembro, já foram reveladas. Eis Johnny Depp como o barbeiro britânico que monta loja em Londres e que, com a ajuda macabra da sua vizinha, Mrs. Lovett, corta muito mais do que cabelo. "Sweeney Todd" é a adaptação de Burton do musical "Sweeney Todd - O Terrível Barbeiro de Fleet Street", de Stephen Sondheim, que recupera a história do homem que desde meados do século XIX povoou a literatura britânica.

Mito ou lenda, chegou a especular-se que Todd teria existido e que a sua história inspirara as várias personagens que habitam peças e romances sobre o barbeiro que acumula as suas funções com as de um assassino em série, que escolhe lâminas para cortar as gargantas das suas vítimas e depois as entregava à sua comparsa para que ela fizesse tartes com recheio ao gosto dos mais refinados canibais.

O musical de Sondheim, que também sobe ao palco do Teatro D. Maria II a 10 de Outubro, envolve Sweeney Todd numa trama mais complexa: ele é um barbeiro injustamente condenado ao degredo na Austrália, Benjamin Barker, e que regressa a Londres 15 anos depois, com nome falso, onde descobre que o juiz que o considerou culpado de um crime que não cometeu violou e assassinou a sua jovem mulher e filha. Vingança e sangue são os ingredientes que alimentam a sua vida a partir da terrível descoberta e vão temperar as tartes de Mrs. Lovett, recheadas com os restos dos clientes de Todd, com música à mistura.

É a sexta vez que Depp colabora com Tim Burton e a quarta que Helena Bonham Carter (Mrs. Lovett e, na vida real, também Mrs. Burton), participa em filmes com a marca Burton. Além dos protagonistas-fétiche de Burton, há também Alan Rickman e Sacha Baron Cohen (também conhecido como Borat ou Ali G) no rol de actores. A produção (uma colaboração DreamWorks-Warner) arrancou em Fevereiro e foi interrompida pouco depois devido à doença da filha de Depp, Lily Rose. As alterações de horários provocadas pelo imprevisto obrigaram a mais cortes do que os sofridos pelas vítimas do barbeiro vitoriano: Christopher Lee e outros actores tinham papéis garantidos na diáfana pele de narradores-fantasma, mas os papéis foram eliminados do guião.

Se a versão Burton de "Sweeney Todd" obriga a esperar pelo Natal, a experiência teatral do musical de Sondheim está mais perto em geografia e tempo. O Teatro Aberto e o D. Maria II apresentam, na Sala Azul do Teatro Aberto, em Lisboa, a sua versão, com encenação de João Lourenço e direcção musical do maestro João Paulo Santos. O "thriller" musical vai estar em cena de quarta a sábado às 21h30 e aos domingos às 16h, com Mário Redondo, Marco Alves dos Santos, Sílvia Filipe e Ana Ester Neves, José Corvelo, Carlos Guilherme, Carla Simões, Henrique Feist e Tiago Sepúlveda. Além dos actores, estarão em palco 12 bailarinos, um coro de 16 elementos e uma orquestra de dez elementos.

Público, Ípsilon, 5 de Outubro 2007


8 comentários:

Gerson Steves disse...

Sou um ator e diretor de teatr brasileiro e estive em Lisboa nos últimos 15 dias. Tive a oportunidade de assistir ao espetáculo em cartaz no Teatro Aberto e fiquei bastante decepcionado (pra dizer o mínimo) com a montagem do espetáculo. Confesso que desconhecia o musical e só ouvira falar em função da eminente estréia do filme de Tim Burton, do qual tive notícias. Achei que seria uma boa oportunidade de conhecer texto e música do original e fui na expectativa de um músical que trouxesse a atmosfera lúgubre que o tema propõe. Até certo ponto encontrei: nos figurinos, cenários, maquiagem e até na iluminação. Mas infelizmente, onde se impõe as características de um espetáculo (ou seja, na direção dos atores e no resultado interpretativo dos mesmos) tudo é frágil, diria até infame e covarde. Elenco de bravata, perdido numa cantoria lirica que muitas vezes não comunica. Exceção para Mario Redondo, Ana Ester Neves e Henrique Feist, que parecem entender os personagens e procuram realizá-los com verdade e intensidade, sem perder o humor e com forte pitada do indispensável mau-comportamento que a montagem exige. Apesar dos três atores, o resultado é constrangedor e por vezes pueril...

Carlos Aguiar disse...

Não concordo com o Gerson.
É verdade que os "coros" se apresentam com um certo défice sonoro mas isso não permite uma crítica tão arrasadora.
A cenografia e o lado musical são excelentes bem como a generalidade dos actores com destaque para os mencionados por Gerson.
A história do Sweeney é demasiado complexa para se esgotar numa "atmosfera lugubre" como Gerson esperava...

Anónimo disse...

Ainda bem para si e para todos nós que voce esteve em portugal... mas já não está...

Tânia Viegas

Francisco disse...

Meu caro Gerson:

Em primeiro lugar permita-me discordar da forma como faz a sua crítica. É que já é a terceira vez que me deparo com o seu comentário em sites que falam do espectáculo em questão, e a sensação com que fico é que andou a procurar todos os locais na internet onde se falasse da peça para aí poder criticar e maldizer sempre da mesma forma. Tal prática considero doentia, e levanta-me muitas dúvidas sobre a sua real intenção e opinião (alguma questão pessoal mal resolvida, algum recalcamento?)
Em relação à crítica propriamente dita, é de senso mais ou menos comum (compositor incluido) que este espectáculo se situa algures entre um bom musical e uma ópera, logo, a "cantoria lírica" que referiu não será assim tão despropositada e "perdida" como acusa, mas sim um ponto de equilibrio em oposição a vozes mais ligeiras como por exemplo a de Henrique Feist. Essa "cantoria lírica" ajuda também muitas vezes a criar e a sustentar a tal atmosfera lúgubre que diz não existir. E mesmo que os argumentos que referi não o convençam, afinal que mal há na cantoria lírica? Trata-se apenas de uma outra forma de colocação e entoação que, se calhar devido a uma espécie de rótulo que existe para algumas pessoas, não devia sair dos teatros de ópera. Mas que comunica, pode crer que comunica, se os ouvidos dos espectadores não estiverem conspurcados de preconceito. Adiante. Diria que frágil é sempre uma crítica que se limita a enumerar adjectivos vagos sem os fundamentar com algo de substancial: "tudo é frágil,(...) infame e covarde. Elenco de bravata(...)". Por favor, importa-se de concretizar o significado que pretende de cada um destes adjectivos? Dito da forma que disse, tudo é vago e sem substância. Podia continuar a desmontar e contradizer a a sua crítica, mas penso que o que escrevi chega para perceber o penso do resto da sua opinião. De resto, é a única crítica tão negativa que encontrei ao espectáculo, e, como disse no início do meu texto, desconfio das intenções que o movem. Mas quem sou eu para dizer seja o que for da opinião de um distinto ator e diretor de teatro brasileiro, eu que não sou nem uma coisa nem outra.

Carlos Almeida disse...

Oh Gerson, deves ter a mania tu. Tavas a espera de quê? É um teatro não um filme, e a actuação não é sempre igual. Do que eu vi gostei e achei o melhor musical que eu já vi. Mas prontos, tu como grande actor e director do brasil lá deves saber (que eu acho que és fraude, mas tasse bem)

Sweeney Todd 4 ever

Jarmando disse...

Caro Gerson, ou direi "O Gordo" (assim se chama ele numa das "suas" séries televisivas) , embora o espectaculo nao seja tao bom como seria de esperar,segundo o meu ponto de vista, nao é preciso uma critica tao dura. realmente o "coro", como ja foi referenciado noutro post, nao é um ponto forte mas é rapidamente diluido na forte representaçao dos actores (eu sei o que estás a pensar, mas cá escreve-se atores com "c"). Sugiro que vá ver o "Sai de Baixo", porque pelo que percebi a sua "musica" é outra. sem mais nada a acrescentar resta-me despedir com o maior respeito que tenho por si. Sinceramente...

Migof disse...

Vão ao meu blog (http://migof.blogspot.com .Este mes (Janeiro de 2008) e inteiramente dedicado a Tim Burton, por ser este mes que estreia o seu novo filme!

N deixem de comentar...

Gerson Steves disse...

Olha... devo devo dizer que sinto-me orgulhoso por fazer tantos pensarem em teatro... questionarem-se e colocarem em cheque aspectos tão importantes da atividade teatral... Obrigado aos detratores e espero encontrar-vos noutras oportunidades!