quarta-feira, novembro 05, 2008

O "casamento gay" rejeitado em três estados USA

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Já fora referida aqui a votação referendária na Califórnia, em simultâneo com as presidenciais, da "Proposition 8" que tinha como objectivo banir os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

A Califórnia acabou por aprovar a proposta com 52 % dos votantes a dizer "sim".
A “Proposition 8”, agora aprovada, propõe-se, através do voto popular, anular a decisão do Supremo Tribunal da Califórnia, que legalizou em Maio os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

A Florida (62 %) e o Arizona (58 %) também tiveram os seus referendos e baniram igualmente os casamentos entre pessoas do mesmo sexo (ver aqui).

A vitória da "Proposition 8", e das outras propostas equivalentes, encerra uma lição que todos devíamos ter a modéstia de aprender.
Independentemente do que se pense sobre a "validade" dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo não parece ser admissível, nem inteligente, querer impôr essa solução à sociedade sem cuidar de atender às opiniões dos cidadãos.
Persuasão sim, para mudar as opiniões se fôr caso disso. Mas são erradas as pressões sobre o executivo para aprovar, sem um debate profundo e convincente, uma lei liberalizadora sem aceitação popular.

Se na liberal Califórnia, onde Obama teve mais de 60% dos votos, é esta a opinião dos cidadãos imaginemos o resultado do referendo na América como um todo. Também podemos fazer um exercício de imaginação relativamente ao resultado de um referendo em Portugal.

A iniciativa liberalizadora de Zapatero em Espanha foi um típico vanguardismo tolerado mas que, estou certo, não corresponde ao "sentir" da maioria dos espanhóis.

Estes referendos na América mostram como o tema está longe de ser pacífico e contrariam a imagem que se tem pretendido criar de uma tendência liberalizadora imparável a nível internacional.

Em suma, quem defende o casamento de pessoas do mesmo sexo tem ainda muito trabalho pela frente se quiser modificar a opinião dos cidadãos. Mas é esse o caminho correcto.

A democracia não pode valer só às vezes.
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4 comentários:

paulo (tuga) disse...

Todos os cidadãos são iguais nos deveres para com o Estado, porque não ter os mesmos direitos???Afinal a questão da não aceitação do casamento homossexual passa unica e exclusivamente por imposição moral de algumas religiões. E Estado e religião são instituições diferentes, ou não?

F. Penim Redondo disse...

Caro Paulo

O impedimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo aplica-se a TODAS as pessoas independentemente da sua "orientação sexual".

Se eu, que não sou gay, quiser casar com outro homem (por exemplo para herdar os bens dele) também não o posso fazer.

paulo (tuga) disse...

Caro Fernando,

Acho que o casamento independentemente da orientação sexual implica em primeiro lugar a existência de um sentimento profundo que leva 2 pessoas a quererem ter uma vida em comum (preferencialmente) e o desejo de ver esse relacionamento reconhecido e com plenos direitos perante a sociedade.

F. Penim Redondo disse...

Caro Paulo,

o casamento é um contrato que a sociedade criou porque lhe resolvia, a ela sociedade, alguns problemas. Tem pouco a ver com os sentimentos.

A versão "romantica" do casamento é muito recente e históricamente datada.

Imagine o que seria se, quando alguém pretende casar-se, tivessemos que aplicar um medidor de amor para o contrato poder ser celebrado.

As pessoas cada vez casam menos (eu por ex.tenho dois filhos e nenhum se casou) pois tal não é necessário para viver o amor conjugal. Agora só os homossexuais parecem querer ressuscitar o moribundo casamento.

Acho que fazem mal.