segunda-feira, julho 16, 2007

Prontos para um demagogo ou o ocaso dos partidos


A votação em Lisboa demonstra também, numa escala nunca antes verificada, a decadência do sistema partidário em Portugal. Vejamos:

1. Os partidos tradicionais da direita são simplesmente arrasados.

2. António Costa "ganha" as eleições com os votos de 10% dos lisboetas inscritos. Tem menos 17.000 votos que o vilipendiado e derrotado Carrilho.

3. O PCP perde 13.500 votos e passa de 11,42 para 9,53 %. Nos anos oitenta chegou a ter 27,5 %.

4. O BE perde 8.900 votos e passa de 7,91 para 6,81 % mesmo depois do "brilharete" de ter conseguido provocar eleições

5. Carmona, o arguido independente, tem sozinho mais votos do que os seus algozes, PCP e BE, juntos.

6. Roseta, com meia dúzia de tretas, arranja em dois meses mais votos do que um partido com uma história gloriosa como o PCP.

7. 62 % dos cidadãos de Lisboa recusam-se a participar na votação.

A isto nos conduziu a guerra sem quartel e sem princípios que os partidos têm conduzido nos últimos anos. Uma guerra em que tem valido tudo para alcançar o poder e em que, mais do que as causas, são os interesses que pontificam.

Ou seja, parecem estar criadas as condições para o surgimento de um demagogo qualquer, um Berlusconi ou um Chavez, que nos conduza finalmente para a "República das Bananas" que julgávamos não ser.
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2 comentários:

adriano gonçalves disse...

Penim Redondo :

Lamento que, com a sua cultura e experiência política,tal como outros, também tenha dado o irreflectido passo de atribuir aos partidos «perdas de votos» que resultam obviamente do considerável aumento da abstenção que obviamente atinge e prejudica as votações de todos os partidos concorrentes porque nenhum deles é imune a um tal fenómeno.
«Perdas de votos» reais e indiscutiveis há sim quando para uma abstenção similar à da eleição anterior, uma ou várias forças têm menos votos do que tiveram nas eleições precedentes.

F. Penim Redondo disse...

Lamento mas discordo.

Em minha opinião um partido tanto perde votos quando esses votos passam para outro partido como quando passam para a abstenção.