sábado, março 25, 2006

A prosa de José Casanova

"Criminosos de Guerra

A comunicação social dominante, controlada pelo regime de política única que há trinta anos domina Portugal ao serviço do grande capital, dá-nos todos os dias exuberantes exemplos de prática de desinformação organizada - que o mesmo é dizer de um profundo desprezo pela inteligência e pelo direito à informação dos cidadãos. A forma como esses média trataram a morte de Milosevic é um exemplo concreto de como essa prática pode assumir contornos de lavagem colectiva de cérebros. Jornais, revistas, rádios, televisões – todo o poderoso arsenal que integra a referida comunicação social dominante – procederam durante uma semana a uma das mais despudoradas e escabrosas manifestações de desinformação de que há memória. Mentindo e sabendo que mentiam, manipulando e sabendo que manipulavam, falsificando e sabendo que falsificavam, esses órgãos ditos de informação, em coro síncrono, repetiram-se repetindo mentiras e falsidades que já anteriormente haviam divulgado e que, em muitos casos, de há muito haviam sido inequivocamente desmentidas – de tal forma que esta semana de falsificação da verdade ficará assinalada como uma negra e sórdida mancha de indignidade na história da comunicação social portuguesa.E a verdade é que Milosevic foi assassinado por esse monstro a que deram o nome de Tribunal Penal Internacional, autêntico instrumento da nova ordem imperialista de cariz fascizante chefiada pelos Estados Unidos da América. Lendo as actas do julgamento – que nos trazem à memória os tribunais fascistas de Salazar e Caetano - facilmente se conclui que as razões que levaram os EUA a ordenar aos seus homens de mão europeus que prendessem e condenassem Milosevic, têm tudo a ver, não com os crimes de guerra que lhe eram atribuídos mas com o facto de ele ter resistido às ordens do imperialismo, de ter recusado rasgar a Constituição do seu país que jurara defender. Apresentado como um tribunal para julgar criminosos de guerra, o TPI existe, de facto, para condenar quem os criminosos de guerra querem que seja condenado. E os criminosos de guerra são, entre muitos outros, os responsáveis pela morte de centenas de milhar de inocentes, estes que os média portugueses muito bem conhecem: o Bush e Cia., mais o rastejante Blair e todos os servis governantes da maioria dos países da União Europeia - governantes portugueses incluídos. Obviamente."
José Casanova Avante, 23/03/06

Como tinhamos saudades desta prosa. Não há ninguém como o José Casanova para nos restituir o prazer de acreditar nos amanhãs que cantam.

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Ilustração: "Reading Newspaper"
de Atanur DOGAN, aguarelista turco-canadiano.

4 comentários:

Anónimo disse...

Nao é bem um comentário quanto à prosa. É que ainda sou comunista e há uma data de anos que desconfio que me querem insultar com essa dos 'amanhã que cantam' normalmente atirada para o ar na ultima frase sem desenvolvimento.
Mas estupido e ignorante por natureza (como todos os comunas) nao sei a origem nem o significado do insulto. Quer ter a amabilidade de me elucidar?

um comunista disse...

este post parece-me um elogio a josé casanova.
Se a prosa dele dá confiança, esperança nos amanhãs que cantam, ou seja, no socialismo, na luta por uma sociedade mais justa... bravo, bravo Casanova!

Jorge Nascimento Fernandes disse...

Não gostaria de transferir para o blog as discussões que normalmente se travam no fórum. Entendo o blog como um muro das lamentações, para onde os diversos autores transportam os seus estados de alma ou as suas indignações. Quando se pretende discutir ou trocar ideias, o fórum é o órgão mais apropriado. Ultimamente, isto não se tem verificado no fórum, dado que muitos intervenientes, com alcunhas exóticas, fazem intervenções que não passam de grunhidos, ou seja, resumem-se a uma palavra, acompanhada de um ponto de exclamação, ou a sua própria alcunha é a resposta. Assim não vamos lá.
Mas, na medida em que este blog permite comentários às intervenções dos seus autores, é de boa educação responder-lhes.
Ao incluir neste blog o texto de José Casanova pretendia dar um exemplo de uma prosa ao antigo estilo estalinista ou, porque não, maoista. Se quiserem posso ilustrar, com figuras de estilo, aquilo que estou a afirmar. Esta prosa é caracterizada por uma adjectivação tão forte, que dilui o seu conteúdo nos próprios adjectivos que utiliza, tornando-se ridícula e muitas vezes perigosa, ao diabolizar em tais termos os inimigos que a torna ineficaz. Ora eu poderia ter dito isto por estas ou outras palavras, exemplificando com os termos empregues pelo José Casanova, simplesmente pretendi ironizar, o que, por defeito meu, foi logo objecto de críticas, uma porque eu defendia o Casanova e outra porque insultava os Comunistas.
Quanto à defesa parece que estamos esclarecidos. Quanto "aos amanhãs que cantam", lamento se utilizei uma frase a que normalmente a direita recorre. Penso que a frase "os amanhãs que cantam" é de um poema ou de uma canção (alguém mais culto do que eu que informe) escrito numa época em que se tinha a crença que o campo socialista e o movimento comunista internacional iriam transformar o mundo e permitiriam um futuro radioso para a humanidade. Lamentavelmente, nem o campo socialista era o futuro, nem o movimento comunista tinha capacidade para nos permitir acreditar que a felicidade estava ao virar da esquina. Eu sei que muita gente morreu acreditando "nos amanhãs que cantam", mas hoje, com o que sabemos, o nosso projecto de futuro, que tem como meta também o comunismo, não se pode resumir a um simples acreditar nos "amanhãs que cantam". Esclareci?.

um comunista disse...

agora sim.