terça-feira, junho 17, 2008

Praça das Flores


Há um ano o Diário de Notícias titulava dramáticamente Câmara de Lisboa sem dinheiro para crematórios . Estava-se em plena campanha eleitoral para a Câmara de Lisboa, cujas eleições ocorreram a 15 de Julho de 2007. A nova Câmara tomou posse a 1 de Agosto do mesmo ano.

Passado todo este tempo os lisboetas continuam a não saber o que realmente se apurou das acusações (dezenas) que indiciavam negociatas e corrupção do executivo anterior e que foram a causa directa da realização das eleições.

Assim se faz justiça, e política, em Portugal.

Também continuamos a não saber como se resolveu afinal o problema das dívidas astronómicas da Câmara de Lisboa que tanto afligia a nova Câmara. António Costa pediu um empréstimo que não foi autorizado, isso sabemos, mas o que aconteceu depois é um mistério para o público.

Assim se faz comunicação, e política, em Portugal.

Os problemas de Lisboa parecem agora resumir-se à gestão que Sá Fernandes faz dos canteiros da Praça das Flores...






segunda-feira, junho 16, 2008

O meu conselho que Sócrates ignorou

Esta imagem do primeiro-ministro "a fazer uma viagem virtual pelo interior do Corpo Humano", ocorrida recentemente no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, pode simbolizar a fuga à realidade e o retorno ao próprio umbigo que costuma acontecer aos políticos que vêem o chão a fugir-lhes debaixo dos pés.
Em Março de 2008, no auge da contestação dos professores, sugeri neste post a possibilidade de Sócrates aproveitar o pretexto para provocar eleições antecipadas e aumentar, dessa forma, a probabilidade de uma maioria do PS. Na altura quase ninguém concordou comigo.
Passados poucos meses, tal como previ, o PSD renovou-se, o PCP e o BE reforçaram-se com o aprofundar da crise e Alegre é um espinho nas garganta de Sócrates.
O governo arrisca-se a chegar às eleições sem trunfos: a reforma do Estado foi-se esboroando em cedências consecutivas, o desemprego é galopante, a economia deixou de crescer e até a redução do défice orçamental, que seria a sua coroa de glória, está em risco de descambar.
Como se não bastassem os ventos adversos que vêm do exterior (preços do petróleo, crise alimentar, subprime), e cuja força não tende a abrandar, agora o governo enfrenta uma nova ameaça. Os camionistas provaram o seu poder, provaram a maçã tal como Eva no paraíso.
Isso significa que o governo pode, a qualquer momento, até mesmo numa fase pré-eleitoral, ser obrigado a ajoelhar perante um golpe de misericórdia logístico.
Sócrates deve estar arrependido de não me ter dado ouvidos...

domingo, junho 15, 2008

Separação de águas (turvas ?)





António Vitorino, um homem com as ideias bem arrumadas, produziu no DN de 6/6/2008, um texto intitulado "Separação de águas". Referindo-se à "crise energética", à "crise alimentar" e à "crise do subprime" diz, entre outras coisas, o seguinte:

É evidente que, nos três casos, estamos perante crises típicas do sistema capitalista que dão origem a leituras distintas e efectivamente contrapostas em vários quadrantes políticos.

Há quem nelas identifique a entrada numa fase terminal do sistema capitalista, logo centrando as suas preocupações e o seu discurso na procura de um outro modelo económico alternativo.

Por contraste, há quem nelas veja a convergência de três bolhas do sistema que crescem e explodem, gerando uma crise de macrodimensão que vai determinar a entrada num novo ciclo de transformação do próprio sistema capitalista.

Há nestas duas visões uma clara separação de águas não apenas na perspectiva das orientações políticas a prosseguir no quadro da resposta à crise mas também no plano ideológico mais geral.

O sistema capitalista tem a inegável vantagem comparativa de ser o único até hoje que passou a prova dos factos, contemplando ao mesmo tempo liberdade e desenvolvimento económico. Mas isso não o isenta de perversões e excessos, que estão na base de ciclos de crise onde as contradições conhecem momentos de explosão que conduzem à reconfiguração de variáveis essenciais do próprio sistema.
...
A este dilema uns respondem com a exigência de mais liberdade de mercado, vendo a crise como um momento de "destruição criativa" do próprio sistema e outros colocam o acento tónico na necessidade de reformulação e refinação dos mecanismos regulatórios à escala planetária. Aqui se separam os liberais puros dos socialistas e sociais-democratas.

Já para os que vêem nesta tripla crise o "canto do cisne" do capitalismo global, sendo prudentes na formulação de um tal modelo económico alternativo, por forma a evitarem identificações embaraçosas com outros bem recentes que levaram à implosão da União Soviética, colocam o acento tónico numa "cidadania global" que deveria fundar a prevalência dos valores de solidariedade e de coesão sobre os valores da liberdade de circulação dos capitais e da iniciativa económica privada. Mas no meio da nebulosa deste posicionamento político e ideológico, as águas também se separam entre os que procuram sobretudo respostas globais (do tipo "taxa Tobin" para as transacções financeiras internacionais em nome de valores de redistribuição global) e os que preconizam pura e simplesmente o retorno ao proteccionismo nacional (reforçado pela nacionalização dos sectores económicos estratégicos).

E é aqui que também as águas se separam entre as esquerdas... Mesmo entre as esquerdas da esquerda!


A "taxa Tobin" vem sempre à baila nestas situações como a ideia mais radical apesar de não passar das cócegas ao sistema.

É natural que António Vitorino não fique chocado com a inexistência de alternativas claras para quando ocorrer o tal "canto do cisne" do capitalismo, como o texto explica não é essa a opção dele.

Mas nas "esquerdas da esquerda" não há mesmo ninguém que se revolte contra estas águas turvas ?

P.S. Na mesma linha Ver aqui como Rui Tavares confessa que "a verdadinha é que toda a gente é hoje mais ou menos reformista e social-democrata"

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sábado, junho 14, 2008

Quanto custa comer ? quanto custa pensar ?

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1 - Germany: The Melander family of Bargteheide
Food expenditure for one week: 375.39 Euros or $500.07

2 - United States: The Revis family of North Carolina
Food expenditure for one week $341.98

3 - Italy: The Manzo family of Sicily
Food expenditure for one week: 214.36 Euros or $260.11

4 - Mexico: The Casales family of Cuernavaca
Food expenditure for one week: 1,862.78 Mexican Pesos or $189.09

5 - Poland: The Sobczynscy family of Konstancin-Jeziorna
Food expenditure for one week: 582.48 Zlotys or $151.27

6 - Egypt: The Ahmed family of Cairo
Food expenditure for one week: 387.85 Egyptian Pounds or $68.53

7 - Ecuador: The Ayme family of Tingo
Food expenditure for one week: $31.55

8 - Bhutan: The Namgay family of ShingkheyVillage
Food expenditure for one week: 224.93 ngultrum or $5.03

9 - Chad: The Aboubakar family of Breidjing Camp
Food expenditure for one week: 685 CFA Francs or $1.23

sexta-feira, junho 13, 2008

A miragem do referendo

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Apesar dos apelos que tanto apoiantes do "Sim" como do "Não" fizeram aos irlandeses a abstenção no referendo ao Tratado de Lisboa foi elevada. Os resultados oficiais só são conhecidos hoje, mas a taxa de participação não terá ultrapassado os 40%, de acordo com a imprensa irlandesa. A contagem dos votos começa hoje às nove da manhã e, a julgar pelo que admitem os dois lados da corrida, a luta será renhida até ao fim.

Eu bem dizia que o verdadeiro problema não é o Tratado mas o desinteresse dos cidadãos relativamente à Europa. Insistir no referendo é uma "habilidade" política que só convence os que já estão convencidos.
(ver mais informações no Público)

quinta-feira, junho 12, 2008

O mundo real e as estatísticas



Um dia destes, a propósito da nossa dependência do petróleo, vi num jornal uma referência ao estudo do EUROSTAT, feito em 2006, que colocava Portugal entre os países da Europa com mais automóveis por cada mil habitantes.
"Portugal está no pelotão da frente dos países da União Europeia (UE) com mais automóveis por habitante, revelou hoje um relatório do Eurostat."
"Em 2004 existiam, em média, 472 carros por mil habitantes na UE25"
"O país com mais automóveis por habitante é o Luxemburgo (659), seguido da Itália (581) e depois por Portugal, com os seus 572 carros".
Fiquei imediatamente com a sensação de que tal estatística estava errada pois contraria as mais elementares regras da razoabilidade. Os automóveis custam muito dinheiro e Portugal não é própriamente um dos países mais ricos da Europa.
Ontem tropecei no que parece ser a explicação para o absurdo. O Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) cancelou num mês mais de 900 mil matrículas de carros destruídos ou desmantelados antes de 2000 e que não foram inspeccionados nos últimos cinco anos, avança a Lusa. Ou seja havia nas estatísticas 943.000 carros que afinal já não existiam.
Feita esta correcção às estatísticas portuguesas o nosso país passa a ter 477 automóveis por mil habitantes, perto da média europeia, e não os estrondosos 572 anunciados pelo EUROSTAT.
Vem isto a propósito da utilização imponderada de números e estatísticas tão em voga no nosso país. Especialmente quando os números vêm do estrangeiro, sob uma capa de isenção e seriedade, tende-se a esquecer que esses números podem ter partido das estatísticas nacionais que estão em estado calamitoso.
Ainda recentemente, a propósito da pobreza em Portugal, os estudos que estiveram na origem dos discursos inflamados de Mário Soares e Manuel Alegre foram sujeitos a críticas por neles terem sido detectadas uma série de incongruências.
Esta minha desconfiança em relação às estatísticas não significa que os carros em Portugal não sejam excessivos e que a pobreza não seja um fenómeno relevante e preocupante. Significa apenas que devemos ser rigorosos se queremos ser eficazes, que não se ganha nada em deturpar a realidade. Por isso vou continuar a lê-las de forma crítica, sempre tentando matizá-las com a minha experiência de vida em sociedade.

P.S. Já depois de ter publicado isto verifiquei que Vital Moreira, no CAUSA NOSSA, parece estar convencido da bondade dos números do EUROSTAT.

quarta-feira, junho 11, 2008

Os camionistas são um "tigre de papel"

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Ao contrário do que possa parecer, à luz das ameaças que enfrentamos, a paralisação dos camionistas não é muito negativa. De certo ponto de vista pode até ser benéfica porque nos ajuda a tomar consciência das dificuldades que vamos ter num futuro próximo.

O fim da paralisação dos camionistas representará apenas o alívio temporário de quem não estava realmente preparado para este esboço de caos. Se o preço dos combutíveis tiver a trajectória prevista dentro de pouco tempo estaremos numa situação tão má, ou pior, do que aquela que estamos a viver.

Os preços muito altos dos combustíveis levarão à falência, ou tornarão inviáveis, muitas actividades económicas e, como tenho dito desde o início da crise, modificará de forma brutal o nosso padrão e estilo de vida.

Como venho dizendo, o que mais me espanta é a aparente inconsciência do governo e demais autoridades públicas. Não anteciparam a gravidade da situação actual e continuam a tratar este problema como se fosse apenas mais uma luta reivindicativa que é necessário gerir.

Neste momento devia estar em curso a nível nacional uma acção de planeamento intensivo e de redimensionamento do sistema público de transporte de passageiros, de reconfiguração do sistema logístico de abastecimento de mercadorias e de reconsideração dos investimentos projectados.

Ao mesmo tempo o governo devia estar a equacionar uma redução brutal de despesas, com eventual eliminação de departamentos do Estado cuja actividade não é essencial, por forma a libertar recursos para cobrir suspensão do imposto sobre combustíveis durante uma fase de transição, com o objectivo de garantir a mobilidade custe o que custar.

A nível internacional a UE devia estar a usar todo o seu peso e influência económica para forçar uma negociação vantajosa dos preços do petróleo. Continuo a não perceber a passividade europeia e a sua aparente subordinação à estratégia americana.

Os americanos ocuparam o Iraque por causa do petróleo e não, como alguns dizem, por uma tolice de Bush. Dominam o médio Oriente e ameaçam o Irão provavelmente por ser fonte de abastecimento da China e não por causa da ameaça nuclear (lembram-se das armas de destruição maciça ?).

A China pactua com Chavez e com regimes africanos de duvidoso mérito para assegurar o seu abastecimento. Alia-se com a Rússia e infiltra-se no Cazaquistão.

Estamos aparentemente numa corrida estratégica ao petróleo que pode muito bem acabar numa nova guerra mundial.

E a Europa vê os "combóios passar" ? Nós somos apenas os peões que pagam as despesas ?


(ver mais informações no Público)

TOSCA salva a temporada do S. Carlos

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Depois de uma temporada algo conturbada, com muita contestação da crítica, o S. Carlos encerrou com a Tosca, sob a direcção musical deLothar Koenigs, em produção da Vlaamse Oper de Antuérpia . Em geral foi bem recebida, com destaque para o elenco integrado pela grande cantora portuguesa Elizabete Matos, que contava também com Evan Bowers (Cavaradossi) e Vladimir Vaneev (Scarpia) nos principais papéis.

Mário Redondo como Angelotti

Os agradecimentos finais. Além dos já mencionados podem ver-se Luís Rodrigues, Carlos Guilherme, João Merino e João Oliveira. (fotografias de Alfredo Rocha)

terça-feira, junho 10, 2008

Aniversário

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Há precisamente quatro anos nasceu este blogue.

A partir de agora vou ser o único responsável pelos conteúdos publicados já que o DOTeCOMe Blog deixou de ter vários autores. Aqui fica um agradecimento a todos os que, durante estes quatro anos, contribuiram com os seus textos e ideias.

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segunda-feira, junho 09, 2008

É tudo uma questão de postes

Agora que este blogue está quase a fazer quatro anos
resolvi ir espreitar o meu arquivo dos postes
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E concluí que, se é verdade que produzi ao longo do tempo alguns

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postes didáticos,

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postes que abriram horizontes,
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postes sofisticados,

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postes electrizantes,

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e até postes excitantes,

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a verdade é que a maior parte foram

postes exibicionistas,
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postes complicados,
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postes inconvenientes,
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postes ambíguos,
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postes rasteiros,
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postes lunáticos,
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postes fora de época,
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postes infantis,
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postes sobranceiros,
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postes espampanantes,
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postes sem qualquer fundamento.
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Em suma temos que admitir que os postes são uma forma
de obtermos reconhecimento,
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e delimitarmos o nosso território.
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O pior é que na blogosfera, ao fim e ao cabo,
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cada um fica na sua, ou seja, no seu poste.
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Paciência, ao menos tenho a certeza de ter feito hoje o meu maior poste de sempre.

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domingo, junho 08, 2008

O iceberg





"Camionistas de todo o país vão paralisar, a partir da meia-noite de hoje, por tempo indeterminado, até conseguirem apoios do Governo para fazer face ao aumento do preço do gasóleo, que, segundo a associação nacional do sector, representa 50 por cento dos custos das transportadoras e já provocou a falência de várias empresas."
As movimentações dos camionistas são a ponta do iceberg que aí vem. O governo, qual Titanic, continua a pensar que o aumento dos combustíveis é um "problema social" que se trata com abonos de família.
Quer se goste quer não, o impacto da paragem dos transportes de mercadorias assusta muito mais o governo do que o desfile de 200.000 manifestantes na Avenida. As manifestações sindicais têm-se repetido ao longo dos anos, já não impressionam. A entrada na dança dos pescadores e dos camionistas tem um significado muito diferente e o governo sabe-o.
Como eu disse AQUI e AQUI , as garantias de mobilidade são uma condição da sobrevivência económica e até das liberdades individuais. Não se resolvem com paliativos.

sábado, junho 07, 2008

As asas do pedal

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"Vem de bicicleta da Avenida 24 de Julho, onde mora, atravessa a Praça do Município e pára na Rua do Ouro, onde fica o seu gabinete - um andar que a Câmara Municipal de Lisboa ocupa no prédio da Caixa Geral de Depósitos e onde "depositou" os seus vereadores independentes, Helena Roseta e Carmona Rodrigues." DN, 07.06.2008

O DN fez uma maldade a Helena Roseta publicando esta fotografia. Para cumprir a agenda politicamente correcta ei-la montando a bicicleta, com notória instabilidade, pronta para provocar vários acidentes no seu curto percurso entre a residência e o emprego (não faria melhor indo a pé ?).

Espero que ela tenha ao menos o bom-senso de não invocar o seu exemplo quando tentar catequizar os cidadãos que vivem em Massamá e em S. Iria da Azóia.

sexta-feira, junho 06, 2008

Falemos claro



Falemos claro a propósito dos participantes no comício-festa do Trindade. Às portas do segundo semestre de 2008, atribuir identidade política, e a consequente legitimidade representativa, a ex-pintasilguistas é pelo menos caricato.


Quanto à Renovação Comunista, a outra ficção arregimentada para enfeitar o palco e que eu conheço bem, é uma organização que neste momento, infelizmente, está reduzida a um grupo de amigos que não representa ninguém. Quando surgiu, ainda nos tempos do saudoso João Amaral, despertou enormes esperanças e movimentações mas tudo isso se foi esvaindo por causa do sectarismo e vedetismo de meia dúzia de "dirigentes". Não será num táxi, mas num autocarro cabem certamente todos os dirigentes e as bases, que se conformaram em ser um apêndice do apêndice do BE.

Por isso são mais do que justas as análises que apresentam o comício do dia 3 como uma construção do BE, encenada como era hábito do PCP, com aliados que não têm existência própria e que obtêm, em troca, um destaque público completamente injustificado.
Em vez de procurar com trabalho e com afinco novos caminhos para a esquerda (unida, porque não ?) vive-se de parasitar influências e cargos com base numa fachada que nada tem por trás.
O facto de ainda ter na RC amigos, como o Jorge Nascimento Fernandes, não me obriga a pactuar com manobras políticas irresponsáveis.
O facto de ter rompido nos anos 90 com a militância no PCP não me leva a considerar correcta toda e qualquer actuação só porque é contra esse grande partido histórico.

quinta-feira, junho 05, 2008

Ainda a propósito de uma troca azeda de palavras


Não se passaram mais do que 24 horas sobre a minha resposta ao Vítor Dia garantindo-lhe que não alimentaria mais troca de palavras azedas entre os dois, quando vi o seu post sobre alguma desinformação que reinava na comunicação social a propósito da participação do PCP na tal festa-sessão do Trindade.

Isto porque eu próprio denunciei uma desinformação deliberada, porque foi repetida diversas vezes, promovida pela SIC Notícias e que não é referida pelo nosso bloguista. Provavelmente, não era esse o objectivo do seu artigo, mas era bom que de vez enquanto também se preocupasse com ela. Outra, num estilo que está a ser característico do Avante, encontra-se no artigo Ai que Alegria , de Anabela Fino, que denuncia com um sectarismo, invencionice e desinformação arrepiante a tal festa-sessão. Reconheço que não é esse o estilo do Victor Dias, mas não lhe ficaria mal, que de quando em vez também criticasse os seus amigos do Avante que escrevem prosa como aquela que referi.

Mas não é só por isto que volto ao comentário do Vítor Dias. Reconheço que citei a despropósito uma pessoa já falecida que não pode confirmar aquilo que me disse, nem defender-se dos ataques do Vítor Dias. Por esse motivo e em sua memória, lamento os inconvenientes daquela referência, que servia de justificação, para quem leu o meu texto , de ter passado a chamar Vítor Dias a todo os intervenientes no fórum, que vinham com prosas antigas de alguns renovadores.

Quanto, aos casos das declarações de Manuel Alegre ao Expresso, em 1996, e da votação do BE na Assembleia Municipal, são formas de ataque político de que eu discordo. Algumas chegam mesmo a ser de carácter, outras de desinformação política, como é o caso da referência constante à votação sobre a Bragaparques pelo BE, que mais não visa do que acusar o BE de estar a reboque dos interesses capitalistas. E quando na página da ORL do PCP se relatam “factos contra a política de direita na gestão PS/BE da Câmara de Lisboa” está-se mais uma vez em pleno desvario sectário e esquerdizante do PCP, de que nunca o Victor Dias se demarcou, que eu saiba.

Quanto às referências à veia estalinista de cada um de nós é preferível ficarmos por aqui, porque senão corremos o mesmo risco que atacou a discussão entre José Sócrates e Francisco Louçã. Ou seja, José Sócrates já sabendo que Manuel Alegre ia participar numa sessão-festa com Louçã , atiçou este, chamando-lhe mentiroso e covarde. Já se sabe que Louçã caiu na esparrela e respondeu-lhe no mesmo tom. Daí para a frente foi fácil passar a dizer que Manuel Alegre participava numa sessão ao lado de um inimigo do PS. Por isso, para não cairmos no mesmo mal, retiro o que lhe chamei, até porque as opiniões expressas no seu blog, no seu conjunto, não podem levar a esse epíteto.

Mas não gostaria de terminar sem um pouco de discussão política. Acaba o seu comentário com esta afirmação: “Inebriem-se JNF, o BE etc. quanto quiserem com Manuel Alegre. E depois, na próxima campanha eleitoral para as legislativas, quando ele voltar a fazer o papel que sempre tem feito nas campanhas eleitorais para o Parlamento - que é o ser a luva de esquerda para a mão de direita do PS - não se queixem nem se admirem.”
Só lhe gostaria de perguntar, num tempo em que as posições do PCP eram mais sérias e menos sectárias, o que foi que nós andámos a fazer com Ramalho Enes e o seu PRD? Nessa altura e bem considerou-se que havia um espaço entre o PS e o PCP que devia ser preenchido por um partido com as características do PRD. Não nos importámos de poder perder não sei quantos por cento de votos a favor dele e depois foi o que se viu, transferência directa para o PSD, de Cavaco Silva. São os riscos da unidade e da necessidade da reorganização das forças partidárias à esquerda do PS de Sócrates. Por isso não sejamos tão taxativos com aquilo que dizemos a propósito de Manuel Alegre. Já o vi ser muito bem recebido na Festa do Avante.

PS.: já o post ia a meio, quando vi o seu último comentário, daí ter introduzido algumas respostas que não pensava dar-lhe.
A imagem que acompanha o texto refere-se ao nome do Blog do Vítor Dias o Tempo das Cerejas.
Este texto foi publicado igualmente em http://trix-nitrix.blogspot.com/

Noite alternativa


Dada a minha já provecta idade começo a chegar à maioria dos eventos com grande antecedência. É o mal dos velhos. Por isso, desta vez, achei que não devia chegar à festa sessão Aqui e Agora, que se realizou no Trindade, com muita antecedência. Tinha-me bastado a experiência de um jantar de comemoração do 25 de Abril, que se realizou na FIL, em que tendo chegado com um quarto de hora de antecedência, encontrei uma sala vazia e senti um desconforto acentuado. O jantar encheu-se, mas só quarenta e cinco minutos depois da hora marcada, típico dos portugueses.
Foi neste estado de espírito que fiz pontaria para chegar à sessão-festa aí com uns dez minutos de antecedência. Quando cheguei vi bicha para entrar no Trindade, o que já me espantou. Quando estava a meio, alguém, por gestos, informa que já não havia lugares. Não desisti, alcancei mesmo a porta principal. Encontrei conhecidos que perguntaram se eu era subscritor do abaixo-assinado. Disse que não, também ninguém me tinha convidado. Então, não podia entrar.
Havia as alternativas possíveis, a tal sala num segundo andar onde se podia seguir o espectáculo por uma televisão gigante, ou então, recorrer à velha prática dos nossos vinte anos, que era esperar que todos desistissem e depois alguém nos permitia a entrada. Não tive paciência para isso. Vim para casa pelo mesmo caminho que fui, de metropolitano.
Nunca pensei que o Trindade só tivesse 490 lugares. Helena Roseta, à porta, justificava, dizendo que não tinham conseguido outra sala. Já ouvi outras versões. A Joana Lopes, e com razão, achou no seu blog que havia pouca ambição (“medroso” foi a expressão que ela utilizou). Eu na altura, um bocado ingenuamente, pensei que o espaço era suficiente. É porque não frequento muito o Trindade.
Chegado a casa sintonizei a SIC Notícias que deveria ser a única estação televisiva que aquela hora mostraria alguma coisa da sessão. Não me enganei, a determinada altura uma locutora, muito agressiva, lá ia interrogando as personalidades da esquerda. Mas o prato forte da noite foi a entrevista, de quase uma hora, ao Miguel Urbano Rodrigues (MUR).
Quanto à SIC Notícias vale a pena referir que a sessão foi sempre apresentada, e isto foi sistemático, e ainda hoje se repetiu, como sendo “promovida pelo BE com a participação do Manuel Alegre”. Ou seja, devia haver ordem expressa do seu actual Director, António José Teixeira, para que fosse essa a denominação que se daria àquela sessão. Desinformação? Que ideia.
Quanto à entrevista ao MUR fiquei um bocado espantado. Qual a razão porque uma televisão do sistema, bem alinhada com a ideologia dominante, convida alguém que se sabe que é simpatizante das FARC e as defendeu na entrevista, quando a simples hipótese delas estarem representadas pelo seu jornal ou por alguém afim na Festa do Avante levanta tanta indignação. Penso até que o Governo chegou a ameaçar intervir se aparecesse um stand com qualquer representação daquela organização. São mistérios, mas como ninguém viu aquela entrevista, ainda não se levantou nenhuma vozearia. Pela minha parte não tenho nada contra, mas que é estranho é.
Já se sabe que o MUR foi insistentemente convidado a pronunciar-se sobre o que se estava a passar no teatro da Trindade e sobre a subida nas sondagens do BE e do PCP. MUR fugiu a esta última pergunta, dizendo que não comenta a pequena vida política nacional, mas sobre a sessão lá foi afirmando que não era com festas que se combatia as desigualdades, mas com as massas e fez referência, não explícita, às manifestações bem participadas da CGTP. Na mesma linha do Jerónimo que teria dito que esta era a esquerda falante enquanto que a do PCP era a esquerda actuante.
Já se sabe que não há contradição entre estes termos, porque não há uns que defendam que a luta seja por palavras e outros por manifestações. De um modo geral os que estiveram no teatro também estão nas acções da CGTP. E quanto a Manuel Alegre, sempre é melhor que esteja com quem fala contra as políticas do Governo, do que com este.
Quanto ao conteúdo da entrevista poupo-me a mais comentários. Já em tempos escrevi muitos posts criticando posições do MUR. Penso que estamos numa maré de unidade e que não vale a pena mais comentários.
Terminaria dizendo que para a próxima gostaria de poder entrar e não ficar à porta a rogar pragas.

Que viva Obama ?

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É com enorme prudência que recebo a notícia da vitória do Senador Obama nas primárias democráticas. Não sei se me devo regozijar ou se me devo lamentar.

Sempre que o vejo na televisão sinto que não alcanço a profundidade do seu discurso e o mesmo acontece com a Hillary; como estou viciado nos nossos debates não consigo perceber qual dos dois está à esquerda (ou à direita) do outro e isso deixa-me deprimido. Ainda por cima se um é negro, e constituiria uma novidade na presidência dos states, a outra é mulher o que não fica atrás em ineditismo.

Estou certo de que os americanos, calhados que estão com os meandros da mais perfeita democracia do planeta, não têm as dúvidas que eu tenho. Aqueles cartazes levantados na ponta de uma ripa, os gestos e poses dos candidatos, os trejeitos dos fans que se amontoam em segundo plano e a forma engenhosa como as palavras "mudança", "novo horizonte" e "política alternativa" são sequenciadas nos discursos já lhes mostraram claramente as diferenças e vantagens de cada candidato. Isto para não falar nas majorettes...


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quarta-feira, junho 04, 2008

Interlúdio (cómico)

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terça-feira, junho 03, 2008

As provocações e as alfinetadas do costume


Sobre a “festa sessão” promovida por um conjunto de individualidades, todas oriundas da esquerda, em que se destaca Manuel Alegre e gente do MIC, do Bloco de Esquerda e da Renovação Comunista, além de pintassilguistas, se hoje esta designação tem algum significado, e que terá lugar hoje, no teatro da Trindade, já apareceram provocações e alfinetadas. Darei um exemplo de cada uma.

Assim, na edição electrónica do Semanário vem publicada uma intrigalhada sem pés nem cabeça. Para o autor anónimo deste artigo “Manuel Alegre pode estar a trabalhar para dar de bandeja a Sócrates uma solução política para não cair nos braços da direita em 2009”. Ou seja, a sessão não seria mais de que uma conspiração entre José Sócrates e Manuel Alegre, para o PS, se necessitasse e não tivesse maioria absoluta, poder dispor de um apoio à esquerda. E qual era o objectivo desta tramóia: “o PCP, impedindo-o de subir eleitoralmente”.
Já se sabe que esta descrição omite num série de factos que o articulista não publica ou então, isso é mais grave, aldraba deliberadamente. No primeiro caso está esta afirmação: “Também não é certamente por acaso que no PS parece haver ordem para não atacar o poeta e até lhe ir dando palmadinhas nas costas.” Ora isto não é verdade, dada a reacção que já houve de Vitalino Canas, porta-voz do PS, e de António Vitorino, nas Notas Soltas, da RTP I. Mais exemplos são desnecessários.

Para ilustrar o segundo caso, temos a citação que o articulista faz do célebre artigo de Mário Soares, que diz que quer avisar, “como amigo que é do PS, (d)o perigo real de o PC subir muito eleitoralmente se Sócrates não cuidar da vida dos mais desfavorecidos”. Esquecendo deliberadamente que Soares se referia igualmente ao BE. Mas, como isto não se enquadrava nas intenções do artigo foi omitido.

Este artigo escrito anonimamente num semanário de direita parece, no entanto, favorecer o PCP, o que é estranho. Já não nos admiraríamos tanto se soubermos que aqui há provavelmente mão da Soeiro e que este tipo de artigos, com o ar de quererem desmascarar a cabala, mais não pretendem ser do que insinuações rascas para leitores desprevenidos.

Quanto ao exemplo das alfinetadas, o caso fia mais fino, até porque eu tenho uma história passada, que aproveito aqui para contar, com o senhor das alfinetadas.

Vítor Dias no seu blog, por sinal bastante interessante, e muito menos monolítico que a maioria de outros que seguem a mesma orientação, resolveu recorrer aos seus métodos costumeiros, indo buscar ao passado de Manuel Alegre algumas declarações que entram em contradição como que ele teria dito na entrevista que fez para a SIC Notícias a propósito da tal festa sessão. O assunto até era marginal ao que se estava a discutir, referia-se ao tratado de Maastricht , mas o nosso bloguista não se esqueceu da sua veia estalinista – sabe-se que Estaline tinha um dossier completo de todos os seus colaboradores, para em momento oportuno os poder chantagear se eles fugissem da linha – e lá foi buscar à ficha de Alegre umas declarações que este teria feito ao Expresso, em 1996, que contraditavam o que tinha dito na referida entrevista.

Este método é costumeiro. Ainda a propósito das últimas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa, Vítor Dias lá vem com a ficha do Bloco de Esquerda dizendo que este, ainda no mandato de Santana Lopes, tinha votado a favor da permuta de terrenos da Bragaparques e a CDU contra. Bem pôde o Bloco mostrar um vídeo da sessão da Assembleia Municipal, que enquadrava perfeitamente a situação em que aquela votação teve lugar. Mas o Sr. Vítor Dias, na sequência da campanha da CDU, não largava o osso e aproveitava todas as ocasiões para relembrar o facto, nunca tomando em consideração os esclarecimentos prestados.

Ora estas fichazinhas do Sr. Vítor Dias parece que são antigas. Quando da crise entre renovadores e ortodoxo no PCP, estabeleceu-se aqui uma acérrima discussão entre uns e outros. E lá aparecia sempre, uma fichazinha com as posições antigas que Edgar Correia, João Amaral e outros renovadores tinham tomado e em que se provava que eles se contradiziam, ou seja, tinham afirmado uma coisa no passado e diziam outra no presente. Houve ainda outro caso, e essa discussão foi mais assanhada, sobre as posições relativas ao referendo sobre, na altura, a Constituição Europeia, sempre para mostrar as contradições sobre o que se agora dizia e o que se tinha defendido no passado. Eu, sabedor por intermédio do Edgar Correia, já falecido, de que o Victor Dias era pessoa para ter as fichazinhas de toda a gente e ir descobrir o que qualquer um tinha dito anteriormente, comecei a responder a todos os intervenientes e eram vários, chamando-lhes Vítor Dias, que nessa altura, verdade se diga, tinha a responsabilidade da agitação e propaganda, não sei se era este o termo, de todo o PCP. Penso que depois se afastou ou foi afastado dessas lides, o que resultou na feitura de um blog muito mais interessante e, por vezes, verdadeiramente informativo.

Quando já no tempo do seu blog, por impulso de colaboração, resultante dos meus conhecimentos, porque trabalhei muitos anos num cineclube, tentei corrigir-lhe o nome em português de alguns filmes de realizadores que ele publicitava, obtinha sempre como resposta uma troca do meu nome. A princípio pensei que fosse engano, depois percebi que era deliberado. Victor Dias, e com razão, estava-se a vingar de uma maldade que eu lhe tinha feito.

Nunca saberei se todas aquelas intervenções no tal fórum eram ou não dele. Que a prática pelo menos nos dois casos que citei é verdadeira, é um facto. Mas também reconheço que Vítor Dias tem uma boa memória, porque ressuscitou com muito pormenor e, penso, com grande verdade o caso da chegada de Álvaro Cunhal ao aeroporto de Lisboa e o chamado cerco da Constituinte (procurem no seu blog se estiverem interessados nos temas).

segunda-feira, junho 02, 2008

Há muitas maneiras de matar pulgas

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Mais de um quinto das empresas em actividade em 2004 funcionava sem empregar qualquer trabalhador, revela a Confederação Industrial Portuguesa (CIP). “Pelos dados oficiais confirma-se que, nesse ano, houve 81.003 empresas - cerca de 22,29% do tecido empresarial português - que, nas informações legais prestadas regularmente, declararam ter zero trabalhadores”, refere João Mendes de Almeida, director executivo da CIP.
O sector mais expressivo de empresas com zero trabalhadores é o do comércio (21.696 empresas), seguido pelo do imobiliário e serviços (20.183), da construção (11.354), da educação (7.051) e da restauração e alojamento (6.538). Expresso, 24.05.2008
Não é preciso ser muito imaginativo para entrever, nestes números intrigantes, múltiplos esquemas de fuga ao fisco e não só.
Mas há outras leituras que importa fazer, por exemplo a de um capitalismo que explora sem precisar de dar emprego. É disso que eu falo quando insisto para que a esquerda encontre novas maneiras de matar a mesma pulga.

A tomada da Bastilha

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domingo, junho 01, 2008

Alegre defende nacionalizações se for preciso

O Diário de Notícias refere hoje uma intervenção de Manuel Alegre, no Porto, onde terá defendido "se for caso disso, a renacionalização de sectores estratégicos da economia portuguesa".
O debate promovido pela corrente "Opinião Socialista" do PS/ Porto tinha como tema "Nova Esquerda e desigualdade: que políticas?"
Segundo o DN para Alegre, a esquerda só combaterá de forma eficaz as desigualdades se se libertar das ideais e da linguagem do neoliberalismo que a "colonizou" nos últimos anos. O capitalismo, disse, não é a etapa última da História. "Há muita gente a viver mal em Portugal, em dificuldade, e a classe média está a empobrecer. É preciso encontrar soluções" para a crise "deste modelo de sociedade". O grande de combate da esquerda nos dias que correm, segundo Alegre, é saber se é possível ou não outra lógica na economia.Alegre defendeu o direito do Estado a "renacionalizar" algumas empresas estratégicas. "Pode haver situações em que sejam necessárias nacionalizações para a própria sobrevivência da democracia". É uma hipótese, sublinhou, que "a esquerda tem de ter coragem de encarar

Esta luta por uma nova via para a esquerda merece todo o meu apoio, como venho repetindo, mas o que eu não consigo aceitar é que para o efeito Alegre não consiga referir senão as nacionalizações.
Ainda recentemente num post intitulado "E se houvesse um novo 25 de Abril ?" eu tinha afirmado que a esquerda se encontra, deste ponto de vista, onde se encontrava quando o "PREC" acabou. Alegre que na altura tanto combateu Vasco Gonçalves parece, 34 anos depois, querer dar-lhe razão.

Não me refiro apenas à exequibilidade de tais teses que Alegre apresenta como se vivesse na América Latina. O que mais me choca é o retorno a fórmulas datadas, que no mundo globalizado e desmaterializado em que vivemos cada vez fazem menos sentido por não garantirem os resultados que os seus proponentes pretendem.

A "festa/sessão" do dia 3, com Alegre e o Bloco de Esquerda, promete...