
Este quadro com as taxas de inflação nos últimos 37 anos, publicado no dia 25 no jornal SEXTA, é bastante interessante para quem se interessa por números.
Também permite, de alguma maneira, comparar os desempenhos dos governantes. Cavaco fica muito bem neste retrato.
O problema destas taxas é que, como qualquer outro valor obtido por média, não têm a mesma validade para todos os cidadãos.
O cabaz de produtos considerado na média, independentemente da sua adequação geral, não afecta da mesma forma os vários estratos e sectores da sociedade.
Como se tal não bastasse tem sido prática corrente os governos fazerem previsões de inflação que são sempre superadas pela realidade económica. O problema é que os rendimentos dos cidadãos trabalhadores e reformados são aumentados com base nas previsões...
(resolvi acrescentar, mais abaixo, a evolução do salário mínimo e dos preços de alguns bens essenciais)

terça-feira, janeiro 29, 2008
A inflação desde 1970.
Hora da publicação: 12:44 1 comentários
Etiquetas: economia-crises-ciclos, estado-governo, estatística-números, Fernando Penim Redondo, velhice-reformas
domingo, janeiro 27, 2008
As grandes transformações do mundo
Hora da publicação: 17:18 1 comentários
Etiquetas: continente asiático, economia-crises-ciclos, trabalho-desemprego
sábado, janeiro 26, 2008
A mulher do
Hora da publicação: 15:18 0 comentários
Etiquetas: cartoons2008, curiosidades, Fernando Penim Redondo, género-sexo
sexta-feira, janeiro 25, 2008
"Humanismo" irresponsável
Um grupo de associações de imigrantes anteciparam para hoje a manifestação inicialmente agendada para sábado, no Porto, para protestar contra a forma como o Governo está a tratar os 23 cidadãos marroquinos que em Dezembro desembarcaram em Olhão.
As associações Que Alternativas, Casa Viva, SOS Racismo, Olho Vivo, Solim, GAIA, Terra Viva e AACILUS emitiram hoje um comunicado no qual consideram que a expulsão destes cidadãos "condena-os à miséria e a arriscar a vida novamente".
Segundo José Soeiro, deputado do Bloco de Esquerda que denunciou a situação, os imigrantes ainda detidos em Portugal estão "muito revoltados com esta decisão, que classificam de cruel e de uma espécie de pena de morte".
Será que estas alminhas não conseguem ver mais longe ? não conseguem perceber as consequências da sua mania infantil de "salvar desgraçadinhos" ?
A única maneira de desencorajar novas travessias suicidas é convencer os candidatos de que não vale a pena tentar. É repatriar todos, mas todos, os que chegarem às nossas praias.
Aqueles que defendem a permanência em Portugal deste punhado de imigrantes, com o seu aparente humanismo, estão a criar condições que podem levar à morte, por naufrágio, de centenas de outros.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
UNCYCLOPEDIA

Uncyclopedia, "the content-free encyclopedia" ou, como se diz na versão portuguesa, a Desciclopédia, livre de conteúdos (apesar de já ter 8.322 entradas).
Uma loucura saudável nos dias que vão correndo sob a obsessão da informação.
Algures em 2004 um senhor chamado Gideon Haigh tinha publicado um livro com o mesmo nome, sub-titulado "Tudo o que você nunca soube que gostava de saber".
Hora da publicação: 21:19 0 comentários
Etiquetas: cartoons2007, curiosidades, Fernando Penim Redondo, livros-revistas
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Capital

Entre 1965 e 1967 fui professor do ensino secundário, numa "Escola Comercial", e tive como manual de Economia Política o livro oficial retratado mais acima. Continha um exemplo bastante original, para não dizer pior, do conceito "capital". Nunca mais o esqueci. Há dias fui dar com ele durante umas arrumações.
Como tinha aderido ao marxismo há pouco tempo fiquei estarrecido. Eu na altura estava até mais inclinado a pensar no polícia como uma força repressiva do Capital.
.
Hora da publicação: 19:07 0 comentários
Etiquetas: anos 60, curiosidades, economia-crises-ciclos, Fernando Penim Redondo, memorias-biografias
terça-feira, janeiro 22, 2008
Era uma vez uma fábrica (2)
.
Onde está agora este buraco existia, em tempos, uma fábrica com uma história.
Em abril de 2007 referi-me a este assunto AQUI.
Agora já não resta nada. Se quer ver uma reportagem que fiz em 12 de Fevereiro 2007, que documenta o que então existia, clique AQUI.
.
Hora da publicação: 15:06 0 comentários
Etiquetas: cidadania-civismo, cidade-autarquias, Fernando Penim Redondo, fotografia-imagem, queixas-petições
segunda-feira, janeiro 21, 2008
A César o que é de César
Li algures que Akbar, Imperador Moghul do século XVI, disse qualquer coisa como: "As religiões estão todas erradas mas devem ser respeitadas" (cito de memória).
Concordo absolutamente. Akbar tinha nesta questão motivações que eu não tenho pois entre os seus súbditos contavam-se hindus e muçulmanos que lhe competia governar em harmonia.
Em desespero de causa tentou criar uma nova igreja, Ibadat Khana, respigando peças de cada uma das outras, mas os crentes nunca foram numerosos pois eram apenas os seus cortesãos mais próximos.
Convenhamos que a fé, qualquer que ela seja, ao introduzir entidades ou verdades indiscutíveis, acima e para além das regras da convivência civil, assume o carácter de ameaça à sociedade humana. Esse tipo de lógica só funciona quando há unanimidade o que, na sociedade humana, é anti-natural.
Todos sabemos que, por vezes, os crentes podem passar por longos períodos de tolerância para com os "gentios" mas, lá bem no fundo, a predisposição para a exclusão continua a existir e pode sempre reacender-se.
Nos últimos tempos tem havido uma certa agitação mediática acerca de quem persegue quem, se são os cristãos se são os ateus. Também se discute muito a tolerância da Europa para com as crenças intolerantes.
Entendo que se pode perfeitamente respeitar as crenças dos nossos concidadãos sem nunca omitir que as religiões são fontes de equívocos e de violências. Fingir que se considera o fenómeno religioso uma coisa positiva e desejável seria ceder ao oportunismo para evitar ser acusado, injustamente, de intolerância religiosa.
Do que ficou dito tem que resultar a subordinação das religiões, enquanto viverem no seio da sociedade, às regras de convivência que a sociedade tiver por estabelecidas.
Hora da publicação: 12:08 0 comentários
Etiquetas: crenças-religiões, fanatismo-sectarismo, Fernando Penim Redondo
sexta-feira, janeiro 18, 2008
As palavras dúbias de um comentador de direita
Hora da publicação: 21:51 2 comentários
Etiquetas: crónicas, ditadura-nazismo-fascismo, esquerda-direita, Jorge Nascimento Fernandes, socialismo-comunismo, URSS-países de leste
Young Global Leaders

Jovens de menos de 40 anos, seleccionados em todo o mundo pelas provas dadas na liderança de actividades importantes para as suas sociedades,fizeram um exercício de prospectiva, "The 2030 Initiative".
A experiência, desenvolvida sob a égide do Forum Económico Mundial, vale o que vale mas eu nestes casos não resisto à curiosidade.
Pelo menos permite perceber o que vai naquelas cabecinhas ou o que pensam que devem fingir que vai.Veja os resultados a que chegaram clicando na imagem acima.
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Afinal era enxofre

Mais um episódio grotesco.
A empregada da limpeza encontra um frasco rachado no frigorífico da Faculdade de Farmácia. Não está com meias medidas, como cheira mal toca a lançá-lo para a rua no primeiro sítio que lhe apareceu.
A gestão dos reagentes e outros produtos químicos da Faculdade parece portanto, a julgar por este exemplo, estar a saque.
Depois, perante o mau cheiro que se espalhou, à porta da Faculdade de Farmácia circularam as mais fantasiosas hipóteses, chamou-se os bombeiros, acorreu a judiciária.
Ninguém se lembrou de pedir aos catedráticos da Faculdade de Farmácia que procedessem à identificação do produto ? Ninguém pensou que poderiam estar, aquelas instituições todas, a fazer uma figura triste ?
Hora da publicação: 21:12 1 comentários
Etiquetas: ciência-tecnologias, Fernando Penim Redondo, queixas-petições
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Precariedades
Em tempos, quando ainda me conseguia escandalizar com os desperdícios do consumismo, pensei num estratagema para castigar os consumidores irreflectidos.
Os aparelhos, quando não fossem usados suficientemente, deixariam de funcionar; a máquina fotográfica imponente que só dispara no Natal, o bólide que só anda duas vezes por ano e a estereofonia que a televisão nunca deixa ouvir parariam simplesmente de funcionar.

As máquinas revoltam-se e, na sua ingenuidade, chegam a planear a eliminação de toda a raça humana para se livrarem da opressão. Depois acabam por concluir que, sem as pessoas, as máquinas deixariam de fazer sentido. E acaba tudo em boa harmonia.
Não sei se, no caso dos humanos, o problema será resolvido com a mesma facilidade.
Hora da publicação: 15:36 0 comentários
Etiquetas: cartoons2008, espectáculos, Fernando Penim Redondo, teatro-opera
terça-feira, janeiro 15, 2008
Sabedoria
Querido filho, estás a cometer no Iraque o mesmo erro
que eu cometi com a tua mãe: não retirei a tempo...
.´(autor desconhecido)
Hora da publicação: 01:38 1 comentários
Etiquetas: cartoons2008, continente americano, Fernando Penim Redondo, guerras-batalhas
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Uma bela folha para colher ainda verde ?

O partido nacionalista Kuomintang (KMT) venceu as eleições parlamentares em Taiwan por uma ampla margem de acordo com os resultados divulgados no sábado.
O partido, que é favorável ao estreitamento das relações com a China, conseguiu 81 (72%) dos lugares no Parlamento.
O partido do governo, Democrático Progressista (DPP), obteve apenas 27 lugares (24%).
Eu tinha tido, já em Abril de 2006, um pressentimento acerca desta evolução.
Hora da publicação: 00:35 0 comentários
Etiquetas: china, continente asiático, Fernando Penim Redondo
domingo, janeiro 13, 2008
Não confundir os locais
Hora da publicação: 11:04 0 comentários
Etiquetas: cartoons2008, curiosidades, Fernando Penim Redondo
sábado, janeiro 12, 2008
Ficções Estatísticas

Ao ler, recentemente, um texto de Eugénio Rosa sobre as pensões de reforma deparei com estes quadros que me provocaram uma sensação de incredulidade.
Como é possível que as pensões com valor inferior ao salário mínimo constituissem 85% dos casos ocorridos até 2005 ? Como podem 74% dos reformados no ano de 2005 ter pensões inferiores ao salário mínimo ? Só os muito pobres é que se reformam ? Tudo isto contraria o senso comum e a mera observação da sociedade em que vivemos.
Para obter uma pensão inferior aos 374,7 euros, que era o valor do salário mínimo em 2005, é preciso ter descontado sobre salários muito baixos, cuja ocorrência não afecta uma parte tão grande da população, ou então ter uma carreira contributiva muito curta.
Dei comigo a pensar em situações concretas que ajudassem a explicar este paradoxo:
- Empresários do comércio ou da indústria que, sendo embora proprietários das empresas de onde auferiam lucros, se declararam assalariados das mesmas (gerentes, directores, etc) com salários muito baixos. Em muitos casos aplicaram a mesma lógica ao conjuge que, na prática, era aquilo que se costuma designar por "doméstica".
- Tabalhadores por conta própria (artesãos, profissões liberais, prestadores de serviços, etc) que descontaram toda a vida como se ganhassem o salário mínimo independentemente do seu rendimento real.
- Imigrantes que descontaram apenas alguns anos em Portugal, tendo passado a maior parte das suas vidas a trabalhar no estrangeiro de onde recebem as suas verdadeiras pensões de reforma.
A lista não se pretende exaustiva mas, apesar disso, indicia algumas centenas de milhares de pensionistas que não são necessáriamente pobres e que, em muitos casos, passaram as suas vidas a "enganar" o sistema.
Deste tipo de estatísticas resulta uma percepção social do problema das pensões de reforma que corre o risco de estar distorcida. Eugénio Rosa afirma com base nos referidos quadros: "Portanto, pode-se com verdade afirmar que a esmagadora maioria dos pensionistas recebia pensões que os atiravam para uma situação de miséria".
Antes de fazer afirmações deste tipo conviria perceber quantos destes pensionistas que auferem menos do que um salário mínimo têm apenas esse rendimento e quantos vivem, realmente, dos rendimentos de bens (por exemplo imóveis) que acumularam ao longo da vida na medida em que se auto-dispensaram do sistema público.
Isto é especialmente importante quando se trata de desenhar políticas sociais pois o peso daqueles que não necessitam pode estar a inviabilizar medidas que muito beneficiariam os mais carenciados. Um bom exemplo deste inconveniente são precisamente as percentagens anuais de aumento das pensões de reforma.
Ao tratar todos estes pensionistas "por igual" está-se na prática a prejudicar aqueles que cumpriram as suas obrigações cívicas e são realmente pobres.
Hora da publicação: 14:22 2 comentários
Etiquetas: burocracia-estatismo, Fernando Penim Redondo, velhice-reformas
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Um Camelot du Roi à portuguesa
Hora da publicação: 21:59 2 comentários
Etiquetas: crónicas, ditadura-nazismo-fascismo, esquerda-direita, Jorge Nascimento Fernandes, media-jornalismo, PCP, socialismo-comunismo
quinta-feira, janeiro 10, 2008
O primeiro acidente em Alcochete
. Despenhou-se hoje, em Alcochete, o voo PS2005 alegadamente por erro humano. O piloto, já com dois anos de voo rasante, parece ter sido enganado por uma miragem como as que são habituais nos desertos; por causa da refracção os cidadãos apareciam-lhe como se fossem uma cambada de camelos.
Só depois de encontradas as urnas (normalmente designadas por caixas pretas), o que não deve acontecer antes de 2009, é que saberemos quais foram as causas e, principalmente, as consequências
.
Hora da publicação: 16:27 0 comentários
Etiquetas: cartoons2008, estado-governo, Fernando Penim Redondo, gaffes-broncas
Estreia já no Sábado
.jpg)
_________________________________________
Não é bem um musical, não é bem uma ópera... preferimos chamar-lhe uma fantasia musical. A música, essa, é de Luís Tinoco, e a história saiu da pena de Terry Jones - sim, o lendário Monty Python - que também encenou esta aventura.
Batedeiras, telefones, motas, bombas de gasolina, fogões e despertadores, tudo fala e canta neste desvario cómico onde as máquinas se revoltam contra os humanos. No fim, claro, tudo acaba em bem, obra do amor... e de uma boa chávena de chá, pois então!
Hora da publicação: 09:08 0 comentários
Etiquetas: espectáculos, Fernando Penim Redondo, sugestões, teatro-opera
quarta-feira, janeiro 09, 2008
SIM ao Referendo, mas outro !

Toda esta guerra acerca da ratificação do Tratado de Lisboa por referendo é simplesmente deplorável.
O Sócrates, como se viu hoje no Parlamento, recebe uma oportunidade para brilhar.
Os portugueses em geral estão-se nas tintas para o assunto, e Sócrates sabe-o, por várias razões:
- têm mais que fazer do que participar em votações pró-forma cujo resultado já se conhece antecipadamente.
- não acreditam que a campanha de tal referendo os viesse a esclarecer já que seria apenas mais um pretexto para dirimir as querelas partidárias habituais.
O que seria realmente interessante era fazer um referendo para consultar os portugueses sobre as várias medidas concretas que são apresentadas como de "inspiração europeia", a saber:
- a lei do tabaco tal como existe
- a fiscalização dos produtos alimentares pela ASAE da forma como é feita
- a proposta de limitar a 30 km/h a velocidade nas povoações e de encher o país de lombas e radares
Esse sim, seria um referendo interessante e talvez muito frequentado...
Não cairão daí abaixo.
.
Hora da publicação: 15:18 0 comentários
Etiquetas: cidadania-civismo, estado-governo, fanatismo-sectarismo, Fernando Penim Redondo, transportes-transito
Uma luta que vale a pena...

Fico espantado com o activismo dos partidos da oposição no caso, ridículo, da distribuição dos aumentos das pensões em suaves prestações mensais. É uma coisa que, para o cidadão, roça o irrelevante.
Em contrapartida assiste-se calmamente a aumentos das pensões, abaixo da inflação real, que ameaçam os cada vez mais velhos com a miséria progressiva.
Muita gente desconhece que um diferencial de 1,5% entre a percentagem do aumento das pensões e a percentagem de inflação realmente verificada, durante 25 anos, supondo que se viva até aos 85 tendo-se reformado aos 60, reduz a pensão para 68% dos seu valor inicial em termos de poder de compra.
Isto é completamente inaceitável seja qual for o nível de rendimento do pensionista já que este fez uma poupança forçada (pelo Estado) durante a vida e agora está, pelo menos em teoria, a receber de volta aquilo que poupou.
Para este atentado contra os idosos tem sido usado o pretexto de existirem reformas muito altas obtidas de maneira pouco ortodoxa. Por exemplo os administradores do Banco de Portugal costumavam obter reformas excelentes ao fim de meia dúzia de anos de trabalho.
Se o problema é esse então apliquem as percentagens reduzidas aos pensionistas que não descontaram proporcionalmente às reformas que recebem.
Aos outros a sociedade tem a obrigação de lhes preservar o poder de compra à medida que envelhecem em vez de os empobrecer.
Hora da publicação: 11:51 1 comentários
Etiquetas: ciência-tecnologias, datas-lutas, estado-governo, Fernando Penim Redondo, politica2008, velhice-reformas
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Os rendimentos dos dirigentes de empresas são desproporcionados em relação aos dos seus trabalhadores - Parte II
Acho que, por razões que se prendem com o aspecto gráfico e com a impossibilidade de corrigir os comentários inseridos, as intervenções relativas aos posts não são de fácil leitura, nem proporcionam uma discussão agradável. Sei que se pode dar a volta a isto clicando no cabeçalho do post e lendo os seus comentários como se fosse um texto corrido. Resta, no entanto, para quem os insere o problema de poder ir corrigindo o seu português, como vulgarmente faço em relação aos post que insiro.
Este intróito maçador visa unicamente justificar porque volto ao local do crime, ou seja, porque insisto num novo post sobre a Mensagem de Ano Novo de Cavaco Silva.
Depois de uma leitura mais atenta das intervenções do F. Penim Redondo (FPR), e para isso fiz aquilo que disse, transformei o post mais os seus comentários em texto corrido, reconheço que lhe respondi um pouco ao lado, apesar de achar que no fundo andamos mais ou menos a dizer o mesmo.
Assim, FPR diz que a parte da Mensagem relativa aos rendimentos desproporcionados dos dirigentes das empresas são mais morais e profissionais do que sociais, como me assaca, citando o último parágrafo do meu texto.
A verdade, é que a minha intenção ao escrever este post foi por um lado criticar as posições ultraliberais dos intervenientes de direita na Quadratura do Círculo e por outro, apresentar uma outra interpretação para aquela parte do discurso, ou seja, a consonância de Cavaco com o discurso da Igreja. Ora este é essencialmente moral: o excesso de dinheiro é uma forma de nos deixarmos tentar pelo Diabo. A que Ela junta igualmente preocupações sociais: os que têm muito devem ajudar os mais desfavorecidos.
Portanto, aquilo que eu referi como preocupações sociais, refere o FPR como morais, mas a ideia parece-me ser a mesma. Por outro lado, como ele sabe a Igreja oficial nunca foi anti-capitalista, por isso seria estultice nossa esperar que Cavaco condenasse os lucros dos accionistas.
Resta as motivações que FPR chamas profissionais. Os gestores estão a ganhar de mais para o trabalho que desempenham, no fundo ele confunde-os com os trabalhadores que estão sob as suas ordens, não passando, tal como estes, de simples assalariados. Ao contrário do que prometi pus-me a consultar a literatura disponível sobre o assunto e irei igualmente fazer um post sobre isso.
Mas antes voltaria a outra interpretação daquela passagem da Mensagem de Cavaco, que eu tinha já aflorado quando citei os argumentos de alguns dos intervenientes no Expresso da Meia-Noite e que hoje António Vitorino, no programa Notas Soltas, desenvolveu mais. Esta crítica aos rendimentos dos dirigentes das empresas começou a ser feita nos Estados Unidos, por causa de uma firma que foi à falência, e foi retomada recentemente pelo Governo alemão. Ou seja, não resulta de qualquer apreciação moral ou social mas sim de tornar mais transparente a gestão das empresas, de modo a que aqueles que compram as suas acções na bolsa tenham a informação clara sobre como as mesmas são geridas. Estamos pois perante um claro programa de melhoria de gestão do capitalismo. E isso também está expresso no meu texto, quando refiro que os nossos liberais de trazer por casa não compreendem estas exigências.
Portanto, apesar do FPR achar que eu me enleio na Mensagem do Cavaco Silva, descobrindo preocupações sociais onde ele julga que elas não existem, eu respondo-lhe que tudo aquilo que ele criticou estava já lá inserido, provavelmente de forma pouco visível.
Hora da publicação: 23:53 4 comentários
Etiquetas: Jorge Nascimento Fernandes, media-jornalismo, política e negócios, politica2008, publico-privado
Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe

O Público de 30 de Dezembro inseriu um texto de Manuel Gusmão intitulado "O desejo de futuro". O que pode parecer um facto trivial na verdade não o é, já que nem do PCP nem das pessoas a ele ligadas têm vindo, nos últimos anos, muitas referências ao futuro.
Manuel Gusmão faz do futuro o tema da sua dissertação mesmo que quase só para reivindicar o direito a tê-lo na medida em que o vai fazendo.
Tenta situar-se, demarcando-se, entre duas posições. Por um lado dos que defendem que "a experiência social e histórica disponível" secou a nossa capacidade de futurar e, por outro, da visão pós-moderna em que “a evolução das sociedades seria um processo de tal forma multivectorial e complexo que seria de facto incomensurável para a inteligência, a consciência e acção humanas".
É perigoso tentarmos definir-nos pela redução das ideias contrárias a um número finito de caricaturas pois nos intervalos germinam sempre múltiplas variantes e combinações delas. Exemplificando: a "experiência social e histórica disponível" parece mostrar que "as acções humanas são no limite inconsequentes ou, no mínimo, de fraca consequência, quando não perversamente contraproducentes" sempre que ignoram ou menosprezam certos constrangimentos e teimosias do passado. O curso da história pode e deve ser moldado pelos humanos mas isso não significa que todos os futuros sejam possíveis em qualquer lugar e em qualquer tempo.
Um irreprimível optimismo da vontade, que roça o acto de fé, toma conta de Manuel Gusmão em afirmações como "ora nós precisamos do futuro como do ar que respiramos", "o trabalho da esperança que magoa ensina-nos que o que foi possível, e logo derrotado, será possível (de outra forma) outra vez" ou ainda "não somos adivinhos, nem sabemos rigorosamente prever qual será o rosto do futuro, mas isso não nos impede de o desejar". Nestes enunciados sente-se que quando fala de futuro, MG está sim a falar do regresso futuro das suas convicções, como quem pensa torná-las mais prováveis por afirmar que nelas acredita. Como se o futuro fosse um terno retorno.
Ora o povo costuma dizer que o futuro a Deus pertence, numa atitude de prudência que a história lhe ensinou sem ele saber. Mas a perplexidade sobre o futuro é ainda mais forte neste nosso “fim do tempo” e abre campo a todos os catastrofismos, que não se limitam já a equacionar o desmoronamento da nossa civilização pois vão ao ponto de admitir o desaparecimento da espécie. Perante isto o optimismo tem que ser de uma outra natureza.
Eu teria preferido que MG privilegiasse e desenvolvesse a sua outra linha argumentativa como quando diz "E contudo tudo se transforma. Transforma-se o mundo em nós e fora de nós. E da mudança dos tempos e das vontades, nós participamos. Não como animais caminhando para o abate, nem como demiurgos incondicionados. Mas como agentes procurando o máximo de consciência possível, estendendo as mãos e tacteando os possíveis; fazendo de acordo com os tempos a vinda de um outro tempo".
Para tal abordagem ser mais do que um anseio difuso tem que aceitar o desafio dos prognósticos. Não lhe pode bastar, como tem bastado, "tatear os possíveis" já que estes estão ao alcance da mão. Deve meter as mãos na terra em busca do que vai nascer sem descartar os sinais do imprevisto e do impensável.
Quando damos o primeiro passo já estamos a escolher um dos 360 graus da circunferência à nossa volta, se não quisermos fazê-lo na lógica da roleta.
Nesse sentido escolher o azimute do futuro é não só imprescindível como inevitável. Mesmo quando erramos na escolha.
O facto de os navegantes a certo ponto corrigirem o rumo não significa que não tivessem um quando iniciaram a viagem.
A resposta aos que dizem "será sempre assim, porque sempre assim foi" não é que podemos "sem mais garantias, prometer um futuro, uma terra sem amos" mas sim que "não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe".
Hora da publicação: 12:10 2 comentários
Etiquetas: Fernando Penim Redondo, socialismo-comunismo, teses-textos
domingo, janeiro 06, 2008
Tiro o chapéu a VPV
.
Impressiona a unanimidade que se gerou contra as moscambilhas do BCP e da CGD; Pacheco Pereira, António Barreto, Miguel Sousa Tavares, Saarsfield Cabral, Vasco Pulido Valente, e muitos outros.
Os principais influenciadores de opinião desancaram as manobras de accionistas, administradores e ministros.
Vai ser curioso observar o desfecho desta luta entre a opinião pública e a desfaçatez dos poderosos.
Hora da publicação: 23:27 0 comentários
Etiquetas: bolsa-bancos, burocracia-estatismo, esquerda-direita, estado-governo, favores-corrupcao, Fernando Penim Redondo, publico-privado
Os rendimentos dos dirigentes de empresas são desproporcionados em relação aos dos seus trabalhadores
Na sua Mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva resolveu interrogar-se “sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores”.
Foi, sem dúvida, o assunto mais falado da sua comunicação, até porque num discurso cinzento e de meias palavras, foi aquilo que sobressaiu como mais explícito. Assim, e sem referir os múltiplos comentários que foram escritos na imprensa, destacaria os dois programas da SIC Notícias que lhe fizeram pormenorizadas referências: Quadratura do Círculo e Expresso da Meia-Noite.
O primeiro constituído por um grupo de comentadores, todos a puxar para o mesmo lado, referiu-se lhe criticamente, o segundo mais matizado, prestou, quanto a mim, até algumas informações úteis.
Mas passemos aos factos. Na Quadratura do Círculo, António Lobo Xavier, claramente o representante do grande capital e da alta finança, foi muito crítico sobre aquela passagem. Achava que o Presidente da República não tinha nada a ver com isso. E na sequência de intervenções anteriores do mesmo jaez, achou que na vida privada das empresas ninguém se devia meter. Elas são donas e senhoras daquilo que administram. Foi o mesmo personagem que no caso da menina Esmeralda se insurgiu contras as críticas que foram feitas ao Tribunal, que decidiu que aquela deveria ser entregue rapidamente ao pai biológico, sem ter em conta os problemas psicológicos e afectivos que essa decisão iria causar na pequena. Considerou que o Sargento, o pai afectivo, era um raptor e que não havia pais biológicos, havia unicamente pais. Revelando uma insensibilidade típica das gentes bem nascidas, que consideram que têm desde a nascença direito de pernada sobre o comum dos mortais. E isso tanto se aplica aos filhos como às empresas que administram ou de que são consultores.
Pacheco Pereira, mais político, não se indigna tanto com as palavras do Presidente da República, mas considera que elas traduzem a posição ideológica de Cavaco Silva, que não se consegue libertar totalmente da tralha do Estado Social, que para Pacheco Pereira é a raiz de todos os males e a causa do empobrecimento da Nação. E apesar destas afirmações, que são ridículas aplicadas a este Governo, nunca vi Jorge Coelho fazer o mais pequeno esforço para se demarcar delas.
Por fim, este último, usando uma daquelas tiradas demagógicas, que são apanágio do PS, diz que o que está mal é haver tantos a ganharem tão pouco e não os ordenados chorudos dos administradores. Ou seja, neste caso, porque lhe convém, para não destoar dos seus companheiros de debate, quer nivelar por cima, ao contrário dos seus camaradas de Partido e de Governo, que no dia a dia vão nivelando por baixo, afirmando sempre que os que têm umas migalhitas a mais são uns privilegiados e que há pôr todos por igual.
Quanto ao Expresso da Meia-Noite a corrente era outra. Excepto Inês Serras Lopes que no princípio, ainda embalada pela opinião de vários comentadores de direita, criticou aquelas palavras do Presidente da República, todos os outros, apesar de terem posições ideológicas diferentes, se manifestaram favoravelmente em relação a elas. Afirmando, com conhecimento de causa, que este assunto está a ser debatido noutros países.
Na Alemanha, por exemplo, a chanceler pretende até legislar sobre o assunto. Nos EUA é também objecto de discussão. Por outro lado, as empresas cotadas na bolsa devem fornecer o vencimento dos seus dirigentes, dado que quanto maiores eles forem menores serão os lucros dos seus accionistas. Ou seja, traçaram um perspectiva sobre o assunto que foge á tradicional reflexão dos nossos liberais de trazer por casa, que quando se critica a sacrossanta propriedade privada e a gestão das suas empresas, aqui D’el-rei que estão a limitar a liberdade dos patrões.
Por outro lado, chegou-se a insinuar que as palavras de Cavaco Silva se referiam aos ordenados desmedidos dos administradores do BCI, agora que começaram a ser conhecidas as trapaças que aqueles cometeram.
Quanto a mim, aquelas afirmações de Cavaco Silva, que, ao contrário do que alguns têm dito, não se converteu à esquerda, vêm na linha, não da social-democracia, de que alguns dizem que Cavaco Silva é um lídimo representante, mas sim do ensinamento social da Igreja, que sempre achou que a riqueza desmedida de alguns, é uma ofensa a Deus e os pobrezinhos” e que os que muito têm devem ajudar os que menos têm e isso se pode desde logo aplicar às empresas que administram.
Reconhecendo que este discurso não resolve nada, tem pelo menos o mérito de opor ao neo-liberalismo vigente, algumas preocupações socais, que hoje estão completamente ausentes do discurso dominante.
Hora da publicação: 02:06 6 comentários
Etiquetas: Jorge Nascimento Fernandes, media-jornalismo, política e negócios, politica2008, publico-privado
sábado, janeiro 05, 2008
PIN UP Girl
"Call Girl", o filme de António Pedro de Vasconcelos, não adianta muito sobre os esquemas de influências, chantagens e negócios à custa do espaço público, embora deva reconhecer-se que os ambientes e as situações são bem recriados e os actores muito credíveis nos seus personagens, com destaque para o consagrado Nicolau Breyner e para a bela Soraia Chaves.
A prostituta de luxo que corrompe um autarca bonacheirão chega a ser uma figura intrigante no seu mecanicismo fingido.
O Senhor Presidente da Câmara de Vilanova mostra bem como uns vagos idealismos preservacionistas são impotentes contra a força avassaladora dos PINs.
Muitos PINs, Projectos de Interesse Nacional, conceito lançado e promovido por Sócrates, desestabilizam hoje o sonolento país real prometendo mundos e fundos às cavalitas dos omnipresentes campos de golfe.
Confesso que me escapa o interesse despertado pelo golfe; se alguém quer deambular pelo campo porque não o faz por entre chaparros e prefere uma versão de relvado pechisbeque para o fazer ?
A traulitada na bola não seria bem mais saborosa se arrancasse polens das gramíneas selvagens e tivesse como objectivo acertar num vetusto sobreiro em vez de decorrer num simulacro campestre cuja manutenção dá uma trabalheira e gasta imensa água ?
Enfim, os gostos não se discutem...
Voltando ao filme eu diria que o mais interessante é, precisamente, trazer para a ribalta uma versão mais realista da sigla PIN: Putas, Influências e Negociatas.
Hora da publicação: 16:33 3 comentários
Etiquetas: ambiente-natureza, arquitectura-urbanismo, burocracia-estatismo, cinema 2008, espectáculos, estado-governo, favores-corrupcao, Fernando Penim Redondo, publico-privado
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Vai ser preciso aumentar os horários de trabalho...
Hora da publicação: 18:50 0 comentários
Etiquetas: ambiente-natureza, cartoons2008, economia-crises-ciclos, Fernando Penim Redondo, sugestões, trabalho-desemprego
Novas oportunidades
Eles reconverteram-se aos apelos do Governo para o aumento da natalidade.
Hora da publicação: 00:10 0 comentários
Etiquetas: cartoons2008, cidadania-civismo, estado-governo, Fernando Penim Redondo
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Ninguém "segura" este PS!
Desenganem-se os que acreditavam que ao fazerem um Seguro estabeleciam livremente um contrato com uma empresa e portanto se presumia que os termos e montantes desse contrato eram exequíveis para ambas as partes.
A vigilãncia omnipresente do Estado lá está para proteger...os mais fracos(?). Neste caso as seguradoras que precisam de aumentar os seus lucros.
Curiosamente, a "explicação" avançada pelo Governo vem na linha do "fundamentalismo higienista" que há-de corrigir os nossos maus hábitos desde a cozinha ao confessionário: impedir que alguns segurados oportunistas se aboletem com "chorudas" indemnizações só porque perderam o pai e a mãe num acidente!
É caso para dizer "Depois da ASAE. o Dilúvio".
Hora da publicação: 18:07 5 comentários
Etiquetas: cartoons2008, estado-governo, favores-corrupcao, Maria Rosa Redondo, partidos, publico-privado
terça-feira, janeiro 01, 2008
2008
Hora da publicação: 23:16 0 comentários
Etiquetas: burocracia-estatismo, cartoons2008, continente europeu, fanatismo-sectarismo, Fernando Penim Redondo, prospectiva-utopia















