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Como é sabido as biciletas, com duas ou três rodas, têm múltiplas aplicações na China.
Veja AQUI um conjunto de fotografias que realizei em Pequim no passado mês de Setembro.
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Como é sabido as biciletas, com duas ou três rodas, têm múltiplas aplicações na China.
Veja AQUI um conjunto de fotografias que realizei em Pequim no passado mês de Setembro.
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Hora da publicação: 14:19 0 comentários
Etiquetas: china, Fernando Penim Redondo, fotografia-imagem, viagens2009
Hora da publicação: 10:34 0 comentários
Etiquetas: china, economia-crises-ciclos, Fernando Penim Redondo, globalizações-estratégias

Tenho a impressão de que a Saramago falta a compreensão da diferença entre os livros que escreve e os grandes meios de comunicação de massas onde opina.
Ele não pode supor que quem o ouve na TV vai posteriormente ler os seus livros para compreender o alcance daquilo que ele disse. Na verdade só uma escassa minoria dos milhões de espectadores que o vêem no ecran lê os livros dele.
Esta distinção é muito importante dada a justa fama que rodeia o autor de Caim.
O surgimento de uma estrela mediática como José Rodrigues dos Santos, com o seu livro "Furia Divina" vai, pela coincidência temporal, contribuir ainda mais para depreciar as declarações avulsas de Saramago sobre a Bíblia. De repente as opiniões bombásticas de Saramago vêem-se enredadas com uma bomba atómica da Al-Qaeda e o público deixa de perceber onde termina a dissertação ensaística e começa o sensacionalismo ficcional.
Quando alguém alcança um estatuto como o de Saramago tem que gerir um difícil equilibrio comunicacional. As suas falas são como os remédios que têm que ser tomados em pequeníssimas doses porque, de outro modo, convertem-se em venenos.
Quem tem muito prestígio quando fala, se não tiver em conta a forma e o meio, corre o risco de parecer ter o rei (ou Deus) na barriga.
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Hora da publicação: 21:19 0 comentários
Etiquetas: comunicação-manipulação, Fernando Penim Redondo, livros-revistas
Hora da publicação: 10:15 0 comentários
Etiquetas: exageros-catastrofismo, Fernando Penim Redondo, impostos-fisco, inadmissível-intolerável
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver
Um Adeus Português (Alexandre O'Neil)
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Um amigo alertou-me para que "todo o governo é parido no sector público". Mas se virmos bem é isso que sucede também com os deputados e os dirigentes dos partidos. A "classe política" é cada vez mais constituída por académicos, professores e advogados.
Fazer política, do BE ao CDS, é cada vez mais um hobby de funcionários da Administração Pública. Nesse sentido pode dizer-se que vivemos numa espécie de socialismo, dada a presença bastante exígua de pessoas do sector privado, quer empresários quer trabalhadores assalariados, nas cadeiras do poder.
Interrogo-me se as pessoas que nos governam, nascidas e criadas a gastar o dinheiro de um orçamento que parece cair do céu, poderão algum dia ter uma ideia, que não seja vaga, dos mecanismos económicos essenciais. Se algum dia entenderão que a discussão política não pode, como vulgarmente acontece, incidir apenas em como gastar os impostos sem cuidar de saber quando, como e com quem se assegura a criação de riqueza.
O governo não existe para resolver os problemas dos funcionários mas sim os do país. O que é bom para os funcionários não é necessáriamente bom para o país.
Quando temos uma ministra da educação que é funcionária professora , uma ministra da saúde que é funcionária médica e uma ministra do trabalho que é funcionária dos sindicatos dá-nos a impressão de que Sócrates abandonou neste mandato qualquer veleidade de impôr o primado do conjunto dos cidadãos.
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Hora da publicação: 12:31 10 comentários
Etiquetas: estado-governo, Fernando Penim Redondo, publico-privado
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A grande maioria dos portugueses não leu, e nunca lerá, os livros de Saramago mas ouviu-o na TV. A discussão em curso é, ou devia ser, sobre as afirmações desgarradas de Saramago que, essas sim, quase toda a gente ouviu.
O que está em causa não é a liberdade de expressão de Saramago, que ninguém pode retirar-lhe mesmo que queira. Saramago é até um dos poucos portugueses que terá eco nos meios de comunicação diga o que disser. (Infelizmente nos dias que correm é raro que as discussões sejam realmente sobre o tema aparente; estamos sempre a discutir outras coisas, por interposto pretexto, ou a tentar levar a água a algum moinho que não tem nada a ver com o caso em apreço).
O que está em causa também não é saber se Saramago tem ou não tem razão. Aquilo que Saramago disse já o disseram incontáveis intelectuais e artistas. Pode-se, como eu, achar que as teses dele são perfeitamente defensáveis e no entanto ter dúvidas sobre a bondade das afirmações feitas no lançamento do novo livro.
O que devia estar a ser discutido era por que razão decidiu Saramago, neste momento, começar a gritar coisas que estão fartas de ser ditas. Houve alguma modificação importante na sociedade portuguesa ? estamos em risco de ser manietados por algum tipo de fanáticos religiosos ? Parafraseando "Vêm aí os russos?" apetece dizer "Vêm aí os talibãs?"
Aquilo que eu observo é o que todos podemos ver: a esmagadora maioria dos cidadãos vive o seu dia a dia como se Deus não existisse e tem com a igreja uma relação institucional e rotineira. Na vida social são raras as referências à religião e às suas práticas e não tenho detectado qualquer proselitismo militante excepto da parte das Testemunhas de Jeová.
Por isso eu considero que a actuação de Saramago é surpreendente e difícil de interpretar, uma espécie de "vem aí o lobo" pela milésima vez.
Considero "O evangelho segundo Jesus Cristo" uma obra prima e admito que "Caim", que não li, seja também um excelente livro. Não tenho qualquer dúvida sobre a validade e importância de produzir tais obras literárias.
Já outro tanto não posso dizer desta recente campanha eleitoral contra Deus iniciada em Penafiel. Depois das europeias, das legislativas e das autárquicas não precisamos de umas "presidenciais trancendentais" entre Saramago e Deus. E muito menos que sejam uma espécie de primeira volta das verdadeiras presidenciais.
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Hora da publicação: 12:33 2 comentários
Etiquetas: comunicação-manipulação, exageros-catastrofismo, fanatismo-sectarismo, Fernando Penim Redondo, livros-revistas
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Se defendemos, justamente, que Saramago tem o direito de expressar as suas opiniões sejam elas quais forem, então há uma coisa que não podemos fazer: negar esse mesmo direito a quem o critica.
Mas é isso que têm estado a fazer muitos críticos dos críticos de Saramago.
Se Saramago pode dizer: “Deus é vingativo, rancoroso e não é de confiança" então, para sermos coerentes, os seus críticos podem igualmente usar adjectivos pesados para qualificar o escritor.
Não podemos defender a liberdade de expressão, por um lado, e pretender limitá-la, por outro.
Se assim não fosse, se negássemos a possibilidade de o criticar, então Saramago gozaria de um estatuto superior às igrejas e a Deus.
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Hora da publicação: 12:39 4 comentários
Etiquetas: cidadania-civismo, crenças-religiões, Fernando Penim Redondo
Hora da publicação: 10:34 2 comentários
Etiquetas: dar-que-pensar, Fernando Penim Redondo, inadmissível-intolerável, medio oriente
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No DN de hoje Ferreira Fernandes invoca o Jean Barois a propósito da polémica que envolve Saramago.
Hora da publicação: 21:10 1 comentários
Etiquetas: anos 60, crenças-religiões, Fernando Penim Redondo, livros-revistas, memorias-biografias
Hora da publicação: 19:17 8 comentários
Etiquetas: crenças-religiões, Fernando Penim Redondo, livros-revistas, teses-textos
Hora da publicação: 12:42 0 comentários
Etiquetas: citações-coincidências, exageros-catastrofismo, Fernando Penim Redondo
O metro de Pequim, que eu não usara quando em 2006 visitei a cidade, presta um excelente serviço. Nos primeiros dias de Setembro de 2009 usei o metro intensivamente para me deslocar pela imensa cidade.
A organização da rede é muito intuitiva e tira partido da orientação norte-sul de Pequim, definida pela linha Torre do Tambor-Cidade Proibida-Praça Tian An Men-Qian Men. Mesmo para os turistas mais desorientados a rede é muito amistosa pois os sinais dentro das estações estão escritos em mandarim e inglês e, dentro das carruagens, o percurso do combóio é representado pelo acender de luzinhas no diagrama da rede e os altifalantes anunciam o nome da estação seguinte também em inglês.
Outra coisa que facilita a vida dos passageiros é o acesso aos combóios ser feito a partir de um cais central. Há bilhetes recarregáveis que nos dispensam de comprar em cada viagem (o bilhete normal custa o equivalente a 40 centimos de euro).


Hora da publicação: 13:07 0 comentários
Etiquetas: china, Fernando Penim Redondo, fotografia-imagem, viagens2009
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A ideia é comparar os resultados para a CML, no dia 11 de Outubro, com o resultado nas legislativas de 27 de Setembro no Concelho de Lisboa.
A primeira nota importante é que os 322.192 votantes de Setembro se reduziram para 280.310 passados 15 dias. Pode cojecturar-se que a realização simultânea das autárquicas e legislativas teria provavelmente evitado 41.882 abstenções na capital.
Mas estes números também nos dizem que os votantes para as autárquicas em Lisboa correspondem a 87% do votantes para as legislativas. Se partirmos do princípio que todos os partidos sofreram de forma idêntica com a debandada dos votantes é possível determinar qual seria a votação "normal" para cada partido.
O PS, por exemplo, teve nas legislativas 112.076 votos. Se calcularmos 87% desse valor chegamos à conclusão de que "normalmente" deveria ter tido para a CML 97.507. A verdade é que teve 123.372, portanto mais 25.865 do que seria "normal".
Aplicando a mesma lógica aos outros partidos podemos verificar o seu comportamento relativamente ao "normal":
O PCP perdeu 1.352 votos (partindo de 27.557)
O BE perdeu 14.709 votos (partindo de 31.613)
A direita (PSD+CDS) perdeu 4.737 votos (partindo de 130.107)
A esquerda (PS+PCP+BE) ganhou 9.804 votos (partindo de 171.246)
Visto deste ângulo conclui-se que houve um partido muito acima do espectável (PS) e um partido muito abaixo do espectável (BE). Os outros não se desviaram significativamente do resultado espectável à luz da muito maior abstenção.
Pode-se evidentemente especular sobre quem teria ganho Lisboa se em 11 de Outubro tivessem votado mais 41.882 lisboetas.
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Hora da publicação: 00:35 14 comentários
Etiquetas: autarquicas-2009, Fernando Penim Redondo, votações
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Por aquilo que os jornais divulgaram, o Estudo para a Politica Fiscal, não toca em quase nenhum dos problemas que as pessoas e as empresas realmente sentem.
Limitando-nos ao caso do IRS, apenas a hipótese de declaração individual para casados vai no sentido de uma maior justiça (e mesmo assim haveria que ver se o regulamento das deduções familiares não anula o eventual benefício).
Não há proposta de subir os limites superiores dos escalões para deixar de tributar como ricas as pessoas da classe média.
Não se propõe uma actualização das deduções relativas ao criar os filhos e ao cuidar dos idosos.
Em França, p.ex. existe o sistema C.E.S.U. para pagar serviços prestados por particulares: amas, mulheres- a-dias, enfermeiros, auxiliares domésticos para acompanhamento de crianças ou idosos. Com a vantagem de assegurar automaticamente os descontos obrigatórios para o prestador do serviço e permitir ao pagador o desconto de 50% no seu imposto.
Em Portugal, quem tiver uma empregada doméstica tem todas as obrigações financeiras de um empresário, sem nenhuma das facilidades fiscais! A mensalidade de um lar de 3ª idade é dedutível, o salário de quem presta cuidados no domicílio não é...
Continua-se a englobar as rendas no rendimento colectável dos senhorios enquanto as aplicações financeiras têm taxas liberatórias. E querem dinamizar o mercado de arrendamento?
Propõem aumentar a tributação das mais-valias, nomeadamente em Bolsa, com a desculpa de que é imoral que os especuladores paguem tão pouco.
O que é imoral é que governantes e especialistas nos tratem como atrasados mentais!
Não sabem que quem paga sobre as mais valias é o pequeno investidor cujo património não justifica o uso de uma “off-shore” ou a criação de uma fundação?
O nosso sistema fiscal continua baseado no “espremer” da classe média; começando logo na ridícula “definição” do que são as grandes fortunas.
Este Estudo que não sugere mais do que dar uma demão de tinta sobre o edifício em ruína, poderia ao menos servir para trazer o assunto à discussão publica.
Hora da publicação: 08:02 0 comentários
Etiquetas: estado-governo, impostos-fisco, Maria Rosa Redondo
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No último dia da campanha para as autárquicas os media precipitaram-se sobre umas patetices de Carmona Rodrigues a propósito do seu apoio a Santana, ansiosos por descobrir mais uma "trapalhada" para animar os noticiários.
Já na noite de contagem dos votos a cobertura da sede de campanha de Santana concentrou-se num facto totalmente irrelevante: o candidato deslocava-se de vez em quando de um edifício para outro. Um jornalista mais arguto chegou mesmo a perguntar a Santana se tais deslocações tinham como objectivo "ir à casa de banho".
Até um defensor acérrimo da liberdade de imprensa como eu é assaltado por perguntas incómodas como "por que raio é dado o privilégio da comunicação jornalística a cidadãos incompetentes, ignorantes ou mesmo imbecis" ?
Outra questão que se coloca é a seguinte: por que é Santana impunemente objecto de achincalhamento público ? Mesmo quem, como eu, não é apoiante de Santana tem dificuldade em perceber por que razão ele é muito pior do que a generalidade dos políticos da nossa praça.
Ele pode ter falado nos concertos de violino do Chopin mas não assinou projectos de arquitectura pimba.
Ele pode ter sido "menino guerreiro" mas jamé fez corninhos no parlamento.
Ele pode ser populista mas não fez carreira académica na Independente à pala de um professor beneficiado na Cova da Beira.
Ele pode ter tido colaboradores corruptos (o que ainda não foi demonstrado) mas nunca ninguém o acusou de corrupção.
Ele pode ter "andado por aí" mas não foi para a Mota Engil depois de ser primeiro ministro. Apenas para dar alguns dos muitos exemplos possíveis.
Mas esta verdadeira moda de achincalhar Santana ataca mesmo em momentos impróprios.
António Costa, na noite da vitória em Lisboa, tendo-lhe sido perguntado por um jornalista matreiro o que pensava de vir a ter Santana como vereador, fez um sorriso alarve e disse "ele anda sempre por aí...".
Não teve portanto pejo de ridicularizar um adversário que nesse mesmo dia obtivera mais de 38% dos votos lisboetas e que, no seu discurso de derrota, usara de grande urbanidade em relação ao vencedor da noite.
Pode, justamente, António Costa queixar-se daqueles que menosprezaram a sua vitória por ele ser goês. Mas, mesmo por isso, como vítima desse racismo, deveria pensar mais sobre a sua atitude relativamente a Santana que sempre tem tratado como se pertencesse a uma casta inferior.
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Hora da publicação: 12:35 5 comentários
Etiquetas: autarquicas-2009, comunicação-manipulação, fanatismo-sectarismo, Fernando Penim Redondo
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Álvaro Pombo é o avô "cool" que o mundo das artes espanhol adoptou. Romancista, poeta, é um homossexual que atravessou décadas de repressão franquista. Onde forjou um caminho para a sua sexualidade que nasceu clandestina. Sente-se perplexo com tanta manifestação do orgulho gay. O romance "Contra- natura" dá voz à sua perplexidade.
"Contra - Natura" é um manifesto?
O livro é muitas coisas ao mesmo tempo, mas é muito grande para ser um manifesto [o romance tem 573 páginas]. É antes de mais uma tomada de posição sobre a homossexualidade, sobre a forma como eu, homossexual assumido, me posiciono na sociedade actual sobre as questões políticas e estéticas que nos dizem respeito. Tudo isto sem deixar de ser um romance.
Inventei duas personagens, um protagonista e um antagonista, ambas da minha idade, que são, simplificando, o bom e o mau homossexual. É que dentro da forma de viver a homossexualidade há comportamentos indignos e perversos que nunca podem conduzir à felicidade. Com isso criam-se estigmas sobre os homossexuais que depois são muito difíceis de vencer.
É um livro sobre as perplexidades da sua geração de homossexuais?
Sim. Publicamente, saí do armário desde que comecei a publicar, nos anos 70. Nuca iludi a minha condição e os meus livros sempre a espelharam não iludindo os problemas desta vivência. Hoje, porém, vivemos um período de muito facilitismo. O armário hoje é ridículo. Atravessamos um momento tonto e fútil. Pior: nalguns casos o orgulho da afirmação faz-se pela agressividade e pela vitimização artificial de cada homossexual.
A comunidade homossexual entendeu estas suas perplexidades?
Receberam o livro com muitas reservas. Está-se a viver um momento muito esquerdista militante, muito barulhento e a reflexão que proponho acham-na desmobilizadora. Não se pode fazer uma apologia absoluta da homossexualidade, nem de quase nada na vida. Mas quem me leu com atenção e com esforço sério percebe que sou claro e coerente em muitas questões, nomeadamente na crítica à educação religiosa que condicionou o desenvolvimento sexual saudável de muitas gerações.
O título do livro, "Contra - Natura", não é uma provocação?
Talvez. Mas cumpre duas ordens de razão: remete para a realidade histórica que vivi. Quando dois homossexuais eram apanhados nas esquinas de qualquer noite clandestina e eram identificados pela polícia, "contra-natura" era a expressão que aparecia estampada nos autos para caracterizar o tipo de práticas a que se dedicava quem era apanhado em flagrante. Ao mesmo tempo este título dá ao romance um ar rebelde, selvagem, provocador.
Mas acha que um jovem homossexual espanhol não pode ser feliz no amor se não perceber estas dicotomias entre Natureza e História que propõe Ortega y Gasset, ou as armadilhas do pensamento existencialista?
Entendamo-nos: a homossexualidade é um assunto de minorias. Somos uma anomalia estatística e não há forma de dar a volta a esta realidade. E é uma minoria com problemas específicos. Se entendermos a felicidade como uma sucessão de casos sustentados em amores líquidos, em trocas de fluxos, talvez seja possível. Mas há um dia em que queremos mais. Escrevo romances para serem lidos por toda a gente, mas espero que alguns percebam que faz parte do código genético dos meus livros a reflexão sobre problemas muito sérios com que um homossexual se confrontará mais cedo ou mais tarde.
Mas reconhece que a homossexualidade hoje pode ser vivida de forma mais livre? Ou não?
Obviamente. A sociedade é mais aberta e a discussão muito mais fácil.
Há no seu livro uma nostalgia em relação à vivência canalha, despudorada da homossexualidade vivida na clandestinidade?
Não. Mas a verdade é que a prática homossexual se contradiz por natureza numa vivência que se procura normalizável. É por isso que sempre será difícil para mim acreditar na tradução jurídica do casamento como motivo de felicidade imediata. Se calhar bastava contarmos o número de divórcios que existem no casamento heterossexual para pensarmos duas vezes. Acrescente-se ainda o facto de que quando dois homossexuais decidem viver juntos o que prevalece ao longo do tempo é um projecto de companheirismo mútuo e onde as questões eróticas, sexuais muitas vezes não conseguem ser formatadas e a fidelidade assegurada. Neste sentido o casamento homossexual pode ser algo contra-natura.
Álvaro Pombo: homossexual, cristão, homem de direita. A terceira característica em relação a si não é um rótulo apressado e abusivo?
Claro. Eu sou um homem de esquerda, crente e que sempre votei à esquerda. O problema é que em Espanha actualmente tudo tem que ter rótulos, etiquetas e estar arrumado em certezas e dogmas. Esquecem-se que sempre fui um defensor dos direitos cívicos da minoria a que pertenço. Mas não embarco em folclores.
(excertos da entrevista ao Público, publicada no dia 7 de Outubro, que pode ser lida na íntegra aqui)
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Hora da publicação: 08:44 0 comentários
Etiquetas: citações-coincidências, Fernando Penim Redondo, género-sexo
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No dia 9 de Setembro o Diário de Notícias noticiava em grandes parangonas: "Costa reeleito com maioria folgada face a Santana" e mostrava este gráfico em que o PS bate a coligação da direita por 12 pontos percentuais.
Trata-se de uma grosseira manipulação que logo denunciei pois, para além de atribuir a Santana um resultado baixíssimo, apresenta um somatório da esquerda (PS+PCP+BE) que nunca foi alcançado em Lisboa, 62%.
O DN, depois de ter publicado o email dos jornalistas do Público, parece querer continuar a prestar serviços a quem ocupa o governo.
Dito isto há que reconhecer, na linha do meu post anterior que a vitória de António Costa é excepcional. Como então expliquei a esquerda em 2001 e 2005 não teve mais do que 45% dos votos em Lisboa e portanto o resultado de Costa é notável na medida em que conseguiu "secar" o BE e a CDU a seu favor. Para este resultado, como ao longo do país, contribuiu sem dúvida a proximidade da vitória do PS nas legislativas de 27 de Setembro.
Relativamente a 2001 (vitória de Santana) e 2005 (vitória de Carmona) a direita perdeu muita da sua força. Basta dizer que Santana alcançou em 2001, sem o apoio do CDS, um total de 130.000 votos e agora só obteve 108.000.
O que esta vitória de Costa tem de mais amargo é não só a heterogeneidade da equipa eleita, que pode trazer alguns problemas no futuro, como o facto de ter sido construída não sobre um programa entusiasmante mas sim sobre o medo do regresso de Santana.
Santana foi diabolizado numa manobra que o PS vem repetindo eleição após eleição. Quem se opõe ao PS é objecto de uma avalanche mediática de destruição de carácter e, como no caso paradigmático de Santana, chega-se ao ponto de não ser preciso discutir ideias bastando acenar com a lepra do adversário. O último a provar deste remédio foi o próprio Presidente da República.
É lamentável que estas eleições em Lisboa se tenham realizado sem que esteja esclarecida a veracidade das acusações e insinuações que permitiram as intercalares de 2007 e o surgimento de Costa na CML. Carmona Rodrigues e outros membros da vereação anterior foram sacrificados mas ainda não se provou nada contra eles e o caso parece, como é costume, estar a deslizar para as calendas. Ficará sempre no ar a dúvida sobre se esta vitória do PS em 2009 teria sido possível sem a intensa campanha mediática que derrubou o executivo de Carmona em 2007 e sem a lentidão da justiça que tarda em esclarecer a veracidade dos factos em que tal campanha se baseou.
Isto é muito mau e faz temer que o PS se esteja a converter numa espécie de partido-regime, numa presença tentacular que se torna quase impossível desalojar do poder.
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Hora da publicação: 09:04 4 comentários
Etiquetas: autarquicas-2009, cidade-autarquias, Fernando Penim Redondo, votações
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Encontro-me no Alentejo. Um sítio fabuloso especialmente onde os candidatos não conseguiram ter "obra feita".
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Hora da publicação: 12:28 1 comentários
Etiquetas: autarquicas-2009, cidade-autarquias, Fernando Penim Redondo, votações
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Nos dois últimos actos eleitorais autárquicos não intercalares em Lisboa, em 2001 e em 2005, em ambos, a direita no seu conjunto (PSD+CDS) teve cerca de 49% dos votos e a esquerda (PS+PCP+BE) teve cerca de 45%.
Parece pois pouco provável que o PS sózinho esteja em condições de bater o conjunto dos partidos da direita, mesmo com forte efeito "voto útil" em detrimento do BE e do PCP.
Se tal acontecer bem pode António Costa clamar uma excepcional vitória.
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Hora da publicação: 09:21 2 comentários
Etiquetas: autarquicas-2009, cidade-autarquias, Fernando Penim Redondo
Hora da publicação: 12:29 3 comentários
Etiquetas: esquerda-direita, esquerdismo-radicalismo, Fernando Penim Redondo, politica2009, teses-textos, votações
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Todos vivemos integrados em grupos diferentes. As crianças convivem com crianças, os adolescentes com outros adolescentes e assim sucessivamente, em todas as faixas etárias. Em muitas festas de conhecidos meus, os filhos ? mesmo que não fossem muito jovens ? não estavam presentes, tinham saído. Já para não falar dos grupos políticos e dos grupos étnicos. A sociedade é feita de barreiras, de silêncios, de indiferenças, de preconceitos.
Todos nós assimilamos os preconceitos do nosso grupo social, político e cultural: falamos apenas entre nós, lemos os nossos jornais e vemos os espectáculos televisivos que nos agradam. Quando nos deparamos com alguém que é odiado pelo grupo, a antipatia é imediata. O mesmo acontece com os livros e com os filmes, que nem sequer são investigados, mas logo descartados. Nem sempre lemos bons livros nem vemos excelentes filmes: seguimos cegamente as indicações do nosso grupo.
Mesmo assim, acontece conseguirmos libertar-nos desta escravidão do preconceito e, por instantes, abre-se-nos a mente e temos coragem para falar com esta pessoa, ler aquele livro e ver o filme que rejeitámos. E acabamos por constatar, estupefactos, que encontrámos algo de belo, interessante e divertido. Abre-se-nos uma perspectiva nunca antes imaginada. Só quem tem uma mente aberta sabe julgar de forma objectiva.
Francesco Alberoni, IONLINE, 06.10.2009
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Hora da publicação: 07:45 3 comentários
Etiquetas: citações-coincidências, fanatismo-sectarismo, Fernando Penim Redondo
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A República é um belo ideal que se vai afastando da sua pureza e da sua origem.
Minada por todo o tipo de poderes fácticos, manjedoura de castas, tem visto o povo alhear-se e afastar-se perigosamente.
Quando a democracia se converte numa destruição mútua do carácter dos adversários, e o civismo se transforma em fanatismo, não se sabe em que basear uma nova esperança.
A decadência económica no palco global, que arrastará a prazo o agravamento das condições sociais, potenciará ainda mais os perigos para a sobrevivência deste regime.
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Hora da publicação: 12:20 2 comentários
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Hora da publicação: 16:08 5 comentários
Etiquetas: artes plásticas, Fernando Penim Redondo, história
Diversos especialistas dedicam várias horas a criticar o poder maléfico dos media e dos jornalistas. O que a actual crise mostrou, porém, foi uma coisa muito simples: os media são um espelho do país — por muito que analistas achem mais fácil partir o espelho do que mudar aquilo que o espelho reflecte.
Vejamos: assessores de Belém colocaram notícias num jornal; outro jornal denunciou uma fonte anónima de um concorrente, omitindo como obtivera acesso a dados internos do rival. Poderíamos discutir estes factos a sério se eles decorressem de alguma investigação criteriosa. Mas eu tenho tempo suficiente de jornais para dizer calmamente, sem medo de ser desmentido: não houve investigação nenhuma!
Há ainda a contar com a flagrante falta de ética em que incorreu o “DN” quando revelou uma fonte de um jornal rival. Aliás, o director desse diário, referindo acto semelhante ocorrido em 2004 — quando foram reveladas, por outra publicação, fontes do seu jornal — considerou que se tratava de “um acto nojento do ponto de vista ético e deontológico”, como lembrou Graça Rosendo no “Sol”. E acrescentava, como se previsse o argumento que agora usa: “o interesse público devidamente agitado, servirá como cortina de fumo ao crime jornalístico”. Concordo inteiramente com o que disse há cinco anos.
Esta conjugação de falta de ética e de cuidado jornalístico com movimentações subterrâneas e intrigas das altas instâncias do Estado provoca uma mistura que abala o regime, a credibilidade dos políticos e dos meios, mesmo a de quem (como o Expresso) se mostrou prudente e afastado da intriga (dissemos que o caso era tonto e chamámos-lhe sillygate, o que o discurso do PR confirmou).
Ao contrário do que dizem os arautos da regulação, como Santos Silva, a imposição de regras exteriores não impede as manipulações. Pelo contrário, o Governo, apesar da fúria reguladora, planta notícias em diversos jornais, apenas se distinguindo da Presidência e de outros actores pelo facto de ser bem mais profissional.
Enganam-se, pois, os que pensam que a Imprensa é um quarto poder. A imprensa é um contrapoder, cuja influência deve limitar abusos, corrupções, compadrios e jogadas políticas.
Porém, o seu inquinamento é exterior. Vem do verdadeiro poder que actua em boa parte da Comunicação Social como se esta fosse o seu ‘quarto de brinquedos’. Um poder que abusa da fragilidade económica dos media para os pressionar e que conta com a docilidade de certos proprietários de meios cujos créditos dependem muito de boas vontades políticas e financeiras.
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Hora da publicação: 09:43 0 comentários
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Hoje de manhã, na Expo, ao longo do Tejo, reinava o chavascal que se ilustra mais acima, fotografado com recurso ao telemóvel.
À medida que esta geração, formada sob a orientação pedagógica da Super Bock, vai ascendendo aos mais altos cargos da nação o futuro do país vai-se tornando mais cambaleante.
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Hora da publicação: 11:16 2 comentários
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Assista em directo às festividades em Tian an Men a propósito dos 60 da República Popular da China clicando AQUI.
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Hora da publicação: 00:09 3 comentários
Etiquetas: china, Fernando Penim Redondo, fotografia-imagem, viagens2009