domingo, abril 06, 2008

Por uns jogos gregos em Pequim

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Sou contra o "aproveitamento" político dos Jogos Olímpicos por uma razão muito simples: isso é contrário ao próprio ideal dos jogos tal como foram criados e recriados na Grécia. A ideia foi, e é, estabelecer um período em que mesmo os inimigos mais ferozes se encontram para celebrar a competição pura do desporto.
Se alguém acha que esta ideia não faz sentido então deve simplesmente propor que os jogos acabem e não se fala mais nisso. Continuaremos a ter os Campeonatos Mundiais e muitas outras provas do mesmo tipo; Jogos Olímpicos, não.


Perante a campanha orquestrada com pretexto no Tibete o Comité Olimpico Internacional viu-se recentemente na necessidade de lembrar que não lhe compete resolver os problemas económicos e políticos do mundo. Disse também que muitos dos que "equacionam" o boicote dos Jogos continuam cínicamente a fazer grandes negócios em Pequim. O COI foi ao ponto de classificar como completamente falsa a tese, posta entretanto a circular, de que os Jogos tinham piorado a situação dos direitos humanos na China.

Quando se vê uma figura de opereta como Sarkozy ralhar com um país como a China, que incluía o Tibete quando a Corsega e a Bretanha ainda não integravam a França, é caso para pensar que o espírito colonial, mesmo depois de manifestamente impotente, perdura sem se precaver do ridículo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Contrariamente a Sarkozy e a outros dirigentes europeus, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, veio ontem recusar misturar desporto e política. Não boicotará os Jogos Olímpicos, agora que Londres tem já em curso a preparação dos seus Jogos em 2012.

É o que se chama por as barbas de molho perante a hipótese de em 2012 fazer os jogos sem ps países árabes e sem a China, pelo menos.

Albino disse...

Butão, democracia à força

Aos poucos o reino do Butão vai perdendo o misticismo que durante anos fez deste pequeno país montanhoso um dos últimos mistérios do planeta. Da nação remota fechada ao resto do Mundo e que tentava preservar intactas todas as suas tradições quase que só resta o mito. A última barreira quebrada na resistência butanesa aconteceu a 24 de Março: após mais de um século de monarquia absoluta, realizaram-se as primeiras eleições democráticas. Mas a escolha da via democrática, imposta por Jigme Singye Wangchuk, ex-monarca que há dois anos abdicou do trono a favor do seu filho, não agradou à grande maioria dos cerca de 700 mil habitantes que continuam a ver no rei o garante da estabilidade, tranquilidade e segurança que distingue este país dos seus vizinhos asiáticos.
Perdido na enorme cordilheira dos Himalaias, entre o Tibete e a Índia, o Butão é um dos destinos mais caros que um viajante pode escolher, mas continua a atrair todos os anos milhares de turistas, pela fama de país exótico e parado no tempo. O Butão, porém, já abriu as portas ao resto do Mundo. Até 1999, no "Reino do Dragão" a televisão e a internet estavam totalmente proibidas. No entanto, o rei Jigme Singye Wangchuk considerou nessa altura que tinha chegado a hora de o país se modernizar. Com a chegada da televisão e da internet, os habitantes do Butão despertaram para uma nova realidade.
Em comparação com o vizinho Tibete, o Butão é um país moderno. Bem servido por estradas e unidades hoteleiras, um turista neste pequeno reino dos Himalaias tem direito a tratamento VIP, mas terá que pagar bem por isso. Sem restrição no número de entradas de turistas por ano, o preço da diária (para se visitar o Butão tem que se pagar um valor estipulado pelo governo e ficar em regime de "tudo incluído", com transporte e guia) varia com a procura. No entanto, se pensa visitar o Butão, prepare-se para pagar, pelo menos, 200 euros por cada dia de estadia.

Dá-me a impressão que a vida em altitude perturba um bocado as mentes...