quarta-feira, fevereiro 29, 2012

As desventuras da esquerda pós-marxista



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Há uma esquerda que se julga marxista mas que já não o é. Uma esquerda que, lamentavelmente, ainda nem sabe que é o que é.

Uma leitura deficiente de Marx, ou uma não leitura que apenas ouviu dizer, transformou de forma irreconhecível as teses sobre a luta de classes. 
No Manifesto do Partido Comunista, Marx diz que “a história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes”. Tal significa que a luta entre opressores e oprimidos esteve sempre presente mas não significa, como alguns parecem inferir, que a história da humanidade se resumiu a isso. 

Marx insistia em considerar o carácter histórico de cada forma de exploração, integrando-a no modo de produção vigente, e no sistema de classes que lhe correspondia. A esquerda pós-marxista desenvolve uma “luta de classes” que dispensa a compreensão do sistema onde se insere e que omite constantemente a caracterização das classes em confronto.
Invoca a “luta de classes” a torto e a direito porque parte do princípio de que a existência de qualquer problema social pressupõe não só que alguém o está a causar mas também que o faz deliberada e maldosamente (!!). 

Esta forma de interpretar o devir social, num permanente e artificial clubismo, impede a compreensão de fenómenos complexos e leva mesmo à tentativa de os ignorar. Como diz Blanko Milanovic, hoje, para determinar o destino individual, é mais importante o país onde se nasce do que a classe social a que se pertence. Isso implica que, por exemplo, o emprego dos trabahadores de uma empresa pode estar mais dependente de um concorrente, ou importador, longínquo do que do patrão local contra quem insistem em fazer greve.

Neste processo de abastardamento teórico as classes, e o seu contexto local e global, foram desaparecendo para dar lugar às críticas personalizadas do foro psicológico e patológico (os males da Europa passam assim a dever-se aos comportamentos desviantes da senhora Merkel e, a nível nacional, os problemas resultam das idiosincrasias de Cavaco ou Relvas).

A prática política oscila entre a crítica avulsa dos discursos dos responsáveis políticos e as investidas quixotescas contra entidades mitificadas e inatingíveis como “os mercados”. A concepção do Estado como instância salvífica e do trabalho assalariado (o tão ansiado emprego) como o "fim da história" nas relações de produção, completam coerentemente o quadro aterrador dos equívocos.

Os mecanismos e a lógica do sistema sócio-económico em que vivemos, local e globalmente, compreendidas e questionadas no intuito de desenhar a sua superação, são sistemáticamente omitidos do discurso da esquerda actual.
Todos os desafios teóricos e factos complexos são despachados com um mecânico,  desresponsabilizante e inconsequente lugar comum: "a culpa é do capitalismo". 

Enquanto assim for não haverá qualquer luz ao fundo do túnel.


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terça-feira, fevereiro 28, 2012

A Morte d"O Artista"

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“O ARTISTA” 

triunfou com três dos mais nobres óscares: melhor filme, melhor realizador, melhor actor (Jean Dujardin), a que se juntaram os prémios para guarda-roupa e partitura original. Eu pergunto a mim próprio porquê.


Aparentemente bastou-lhe uma ideia engraçada (imitar os filmes mudos) e um tema estafado (as derrapagens provocadas pelas curvas tecnológicas, neste caso a passagem do mudo ao sonoro).

O filme não prima pela originalidade no tratamento do tema e a trama segue um percurso entediante que o espectador adivinha ao fim de um minuto de projecção. Não há surpresa, não há revelação, não se aprende nada com este filme.
O realizador perdeu uma boa oportunidade para demonstrar, como fizeram Chaplin e outros, que mesmo sem som é possível fazer grandes obras que não provoquem bocejos durante duas horas.



Já me esquecia, do filme salva-se um cão engraçadíssimo.




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Governo chinês vai privilegiar carros de fabrico local

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O governo da China vai suspender a compra de carros de marcas estrangeiras para uso oficial. A decisão tira fabricantes como a Audi da competição para atender autoridades e funcionários e fecha a porta de uma verba estimada em 13 mil milhões de dólares.
Segundo a proposta apresentada hoje pelo Ministério da Indústria chinês, todos os 412 modelos aprovados para compra por órgãos governamentais serão de marcas chinesas.
Entre as maiores beneficiadas pela medida estão as fabricantes locais Dongfeng e Great Wall. A intenção do governo é proteger a indústria interna da competição de produtores internacionais.
Segundo analistas, o mercado chinês pode estar a entrar num processo de fecho inclusive para investimentos externos. O primeiro passo ocorreu com a suspensão dos incentivos a investimentos estrangeiros este ano, motivados pelo excesso de capacidade produtiva da indústria no país.
As marcas estrangeiras detinham cerca de 80% de participação no fornecimento de veículos ao governo, com a Audi a equipar perto de um terço das frotas estatais. No mercado total do país, as marcas estrangeiras vendem sete de cada dez carros vendidos.

(transcrito do Dinheiro Digital online)


Esta notícia pode ser muito importante. Pode significar que os anos dourados da indústria automóvel ocidental na China estão a chegar ao fim. 
As consequências, tremendas, não são difíceis de imaginar.


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segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Memórias fotográficas (4)

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Esta é uma AGFA Billy-Record. Produzida na Alemanha entre 1933 e 1942 e comprada há dias na Feira da Ladra. Fiz ontem os primeiros 6X9 para experimentar.
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sábado, fevereiro 25, 2012

VITAFOTOLOGIA

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(clicar para ampliar)



Este interessantíssimo texto de Pedro Mexia no Expresso de hoje, que me diz tanto, motivou no meu espírito um vasto conjunto de reflexões. 
Eu, como muitos, fiz fotografias durante a vida inteira. Não só "Momentos Kodak", no sentido que Mexia atribui ao termo, mas muitas outras dos mais variados géneros.


Sou levado a pensar que este tipo de percurso, feito com imagens, não tem tido a mesma atenção que é dedicada ao que cada um escreveu, disse ou fez.
Claro que o acervo produzido por fotógrafos de renome é estudado e exposto ao grande público mas no sentido de perceber e reconhecer uma obra.
A verdade é que mesmo as fotografias que fazemos como "homens comuns" têm muitas vezes, ainda que inconscientemente, o intuito de produzir uma espécie de notoriedade íntima.


Quando olhamos para aquilo que cada um decidiu fotografar, e para a forma como o fez ao longo da vida, mesmo quando se trata de pessoas que não pertencem ao conjunto estabelecido dos "artistas", é ou não possível traçar um perfil psicológio e cultural? reconhecer caminhos paradigmáticos de grupos e classes? apreender sociologias do comportamento e visões do mundo? verificar a influência das épocas, modas e fases da vida? detectar pegadas sociais e psicológicas das tecnologias?


Se estas perguntas podem ter resposta positiva então há que inaugurar um novo conceito, uma nova disciplina e um novo campo de investigação: a VITAFOTOLOGIA.



sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Smarter City

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Este pequeno filme mostra, indirecta mas eloquentemente, a escala do que está a acontecer na China. Mas há outra lição talvez mais importante; enquanto os cidadãos e os estados ocidentais sofrem com o desenvolvimento e a competitividade do Império do Meio, há grandes multinacionais que continuam a beneficiar muito com esse fenómeno.
Talvez isso explique por que é que as nações ocidentais não se prepararam em tempo útil para o impacto da esperada, e legítima, ascensão económica da China.

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quinta-feira, fevereiro 23, 2012

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

A Dama de Ferro, o filme

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Começo por confirmar que o trabalho da actriz Meryl Streep é mesmo excepcional para poder passar imediatamente ao assunto.
O filme de Phyllida Lloyd tem um impacto enorme pois, ao contrário do que quase todos esperam, não trata do personagem histórico Margaret Thatcher. 

Não há qualquer valoração política da figura histórica, apenas a descrição das reacções, positivas e negativas, que ela desencadeou tanto no povo como nos seus pares.
Com essa manobra inutiliza as críticas que acusam o filme de não retratar a acção política de Thatcher com fidelidade.
O que está em causa no filme é um percurso de vida singular que demonstra, de forma magistral, a fragilidade das glórias humanas. E também a solidão que sofre, e a coragem que precisa de ter, qualquer grande político quer seja de esquerda ou de direita.
A figura de Thatcher, a fria e odiosa Thatcher, é a matéria prima ideal para falar da trágica condição humana. Uma opressão que afecta a humanidade inteira.
Calculo que seja difícil a certas pessoas olhar este filme nos olhos, viciados como andam em fazer da política um exercício de diabolização pessoal dos adversários.





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Um mundo aonde não regressaremos jamais

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O mundo como ele foi em tempos, é descrito com maestria, de forma sintética, por Clara Ferreira Alves (REVISTA do Expresso, 18.02.2012). 
Ela só o deve ter conhecido em criança, eu vivi nele toda a minha juventude.
A conclusão deste excelente texto é, no entanto, banal. Um lugar comum muito na moda. 
De uma coisa pode a Clara estar certa, àquele mundo não regressaremos jamais.



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domingo, fevereiro 19, 2012

O problema grego não é economia


Artigo de Jorge Almeida Fernandes no Público de  18.02.2012



A Grécia está crescentemente polarizada entre dois "partidos": o do euro e o do regresso à dracma. A mais recente sondagem indica que 79% dos gregos rejeitam o memorando da troika, mas que 70% não aceitam em nenhuma circunstância abandonar a moeda única. Só 15% crêem que a dracma lhes abriria melhores perspetivas.

A linha divisória entre estes dois "partidos" é em parte ideológica: a saída do euro é defendida na extrema-esquerda, em termos anticapitalistas, e na extrema-direita, numa base nacionalista. Mas não só. Os milhares de gregos que colocaram as suas reservas na Suíça apostam num regresso à dracma, denuncia a imprensa. Poderiam então comprar "o património nacional a preço de saldo". Também serão tentados pela dracma muitos lobbies que temem que as reformas impostas pela UE destruam o sistema de clientelismo e a impunidade fiscal em que prosperaram.

Os gregos conhecem o preço da opção. Christophoros Passaridis, o cipriota Nobel da Economia, avisa-os: o eventual regresso à dracma levaria a uma desvalorização monetária na ordem dos 60%, muito mais violenta do que os cortes da troika.

A Grécia não é "a preto e branco". As imagens do fogo em Atenas, transmitidas pela televisão para o mundo inteiro, produzem uma mistificação. A situação social é certamente explosiva. Mas convém lembrar que as vagas de violência em Atenas são sempre promovidas por um ou dois milhares de encapuzados, fardados de negro, que se reclamam do "anarquismo". O problema é que desta vez eram mais do que o costume, o que inquieta os editorialistas.

O jornalista ateniense Nikos Chrysoloras lembra no Guardian que houve 100 mil manifestantes na rua, na maioria pacíficos, e que mais de quatro milhões de atenienses não aderiram ao protesto. Para Chrysoloras, o que seguramente lançaria o caos na Grécia e provocaria uma onda de desestabilização no Mediterrâneo Oriental, com graves consequências para a Europa, seria a sua saída do euro.

Resumi, na semana passada, o olhar que os gregos têm sobre a origem da crise nacional e o seu "irreformável" sistema político, económico e social. Esta semana foi marcada por espetaculares atos de contrição.

No discurso da noite de domingo, antes da votação do memorando, o antigo primeiro-ministro Giorgios Papandreou declarou: "O nosso sistema político é coletivamente responsável por todos os funcionários que nós empregámos por favoritismo, pelos privilégios que nós concedemos por lei, pelas exigências escandalosas que nós satisfizemos, pelos sindicalistas e homens de negócios que nós favorecemos e pelos ladrões que não metemos na cadeia."

Os gregos dizem que não tinham a noção de que viviam acima das posses. Respondendo a esta queixa, escrevia ontem, no diário Ta Nea, o economista Panayotis Ioakeimidis, professor da Universidade de Atenas: "Todos partilhamos a responsabilidade. Mas um reformado que recebe 500 euros por mês não conhecia e não era obrigado a conhecer o montante da dívida na percentagem do PIB, nem a data de vencimento das obrigações, nem o momento em que os mercados financeiros fechariam as portas a um país que despudoradamente não deixava de pedir emprestado."

Quem é responsável? "O problema da Grécia não é económico. É profundamente político e cultural. São o sistema e o mundo políticos que, em primeiro lugar, têm responsabilidade pela crise que assola a Grécia. De resto, todos temos uma parte da responsabilidade, maior ou menor. E a dos economistas é grande."

A dois meses das eleições (29 de Abril ou 6 de Maio), os partidos políticos começam a estilhaçar-se. De momento, a Nova Democracia, de Antonis Samaras, afastada do poder em 2009, beneficia da implosão do Pasok, de Papandreou e de Evangelos Venizelos, atual ministro das Finanças, que surge nas sondagens na casa dos 8% a 12%. Explicou ao Monde o politólogo George Sefertzis: "Há dois partidos em cada um deles: um centrista e um populista. Estão em vias de implosão. A crise enfraquece a classe média e o sistema clientelista que acompanhou a sua progressão." A recomposição do quadro político levará tempo e é uma incógnita. O jornal To Vima teme a depressão do centro moderado e o reforço dos pólos, "a direita popular" e a "esquerda populista".

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, tem razão em dizer que o seu país não está disposto a meter mais dinheiro "num poço sem fundo". Mas não pode, por exemplo, insinuar a vontade de fazer adiar as eleções na Grécia. Entre gregos e alemães houve dois anos de jogo perverso. Berlim demorou a agir, seguindo a vontade alemã de punir os gregos, e permitiu que a crise se generalizasse à zona euro. Para evitar a bancarrota, Atenas aprovou acordos que não tencionava cumprir. E, de facto, dado o "sistema grego", os políticos dificilmente poderiam fazer reformas, sob pena de harakiri eleitoral. Assiste-se hoje - talvez demasiado tarde - a um vislumbre de mudança na Grécia, graças à percepção da iminente falência.

A semana foi também marcada por uma escalada verbal entre Berlim e Atenas. Os gregos dizem-se insultados por declarações alemãs e ameaçados pela suposta vontade de Berlim os afastar do euro. "Não humilhem os gregos", apela no New York Times o jornalista Alexis Papahelas, director do Kathimerini. Sobretudo quando a Grécia percebeu que tem de mudar.

Não é apenas a crise do euro ou a queda da Grécia que estão em cima da mesa. Está em gestação uma crise política à escala europeia, entre soberanias nacionais e decisões comunitárias. Os mecanismos democráticos funcionam a nível nacional e não a nível comunitário. Em épocas de expansão, é fácil conciliar as decisões democráticas nacionais e as decisões intergovernamentais da UE. Em épocas de crise, o risco de conflito é muito elevado. Os políticos, tanto nos "países do Sul" como nos "países AAA", estão sob crescente pressão das opiniões públicas, logo dos eleitorados. Às reacções antigregas e anti-Sul, pode suceder-se uma vaga de reacções anti-alemãs. Seria a mais rápida via de desagregação da UE.

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, e uma eurodeputada francesa, Sylvie Goulard, escreveram há dias: "Entre as questões que a crise actual suscitou, nenhuma é mais importante e nenhuma é menos debatida do que a democracia na Europa." É o recado da semana.

sábado, fevereiro 18, 2012

A clivagem

Na década de 1870 * (quando foi publicado o Manifesto do Partido Comunista) não era muito diferente ser-se camponês pobre na China, EUA ou Grã-Bretanha. Era um mundo marxista, no sentido em que havia alguma semelhança entre o rendimento e as condições de vida dessas pessoas e, portanto, justificava-se alguma solidariedade.Daí o apelo de Marx (Proletários de todos os países uni-vos!). É muito mais difícil a solidariedade quando o rendimento de um caponês pobre em Portugal pode ser dez vezes superior ao de um de Angola.Passámos de um mundo de proletários a um mundo de migrantes. A diferença entre Europa e África é tão grande que não há projecto político que possa unir essas pessoas.
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No mundo marxista, a grande clivagem era a nível nacional, entre capitalistas e trabalhadores. Dependia da classe. Hoje, a grande clivagem dá-se entre países. A desigualdade tem, sobretudo, a ver com o local onde se nasce. E a migração é o meio mais poderoso para reduzir a desigualdade global.


Entrevista a Branko Milanovic, autor de "The Haves and the Have-Nots", na VISÃO de 16.02.2012  
(*) a data indicada para a publicação está errada, não sabemos se por responsabilidade de Branko ou do entrevistador.  
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quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Tragédia Grega





A hipocrisia campeia acerca do plano de austeridade da Grécia, imposto pelos seus parceiros europeus. 


Qual é a solução para a Grécia ? O que se pretende é que a Grécia passe a viver de uma mesada da UE ? a democracia grega serve para alguma coisa ? o parlamento tem ou não tem legitimidade ? 
Os manifestantes da praça Sintagma são representativos do sentir do povo grego ? Atirar cocktails Molotov e incendiar edifícios são actos que propiciam que tipo de solução ? 
Porque é que os gregos não têm executado as medidas com que se comprometeram ? As eleições de Abril servem para alguma coisa ? Se alguém tem uma solução preferível àquela que está a ser imposta pelos credores não devia apresentá-la em Abril para o povo a escolher ? 


Toda a gente finge que há um futuro para a irresponsabilidade e o caos grego que não seja a falência, a saída do euro e da UE e uma ditadura. O povo grego vai passar um mau bocado.




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sábado, fevereiro 11, 2012

Mercado da Arte na China

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Veja mais sobre este tema AQUI


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sexta-feira, fevereiro 10, 2012

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Crédulos, incrédulos e não só...

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Este texto do Rui Tavares é excelente e eu estaria disposto a subscrevê-lo quase na íntegra. Mas já agora acrescento mais uma categoria de portugueses para além dos crédulo e dos incrédulos: aqueles que resolveram ser democráticamente adultos. 
Em 2010 o povo português, bem ou mal, mas depois de uma campanha intensamente disputada, escolheu uns certos senhores para governar o país nesta conjuntura difícil. Então é preciso dar-lhes tempo para aplicarem as suas receitas e mostrarem os seus resultados antes de os massacrar ou endeusar. 
Penso que é a esta categoria que pertence a generalidade dos portugueses que não escrevem nos jornais nem frequentam o Facebook.


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Um texto delicioso



Saiu hoje no DN

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Sem rancores e sem azedumes.

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O casamento entre a Grécia e a UE é daqueles que, já tendo acabado realmente, se prolongam no tempo por meras conveniências. Basta ver o que a UE pensa da Grécia e o que os gregos pensam da UE. 
Assim sendo, é preciso encarar esta lenta agonia dos sucessivos planos europeus de recuperação como um sofrimento para todos os envolvidos, que não leva a parte nenhuma. 
Manter a actual situação é a pior escolha.
É urgente deixar a Grécia seguir o seu destino, mesmo que para isso seja necessário perdoar-lhe todas as dívidas. 
Sem rancores e sem azedumes.


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terça-feira, fevereiro 07, 2012

Os amanhãs cantarão façamos nós o que fizermos.





A grande questão da actualidade é o desaparecimento de uma sociedade sonhada, de um eldorado futuro, um sonho como aquele que alimentou a minha geração. Quase toda a agitação a que se assiste de há uns anos a esta parte tem um carácter defensivo, sindical. 
Neste momento, por exemplo, a esquerda resume-se a três mensagens.


1. indignar-se com declarações avulsas (do presidente, do relvas, da ferreira leite. etc) o que é inútil como a história mostra. Se estas denúncias funcionassem Cavaco não teria obtido quatro maiorias absolutas. 
2. defender que se pode sair do buraco em que estamos fazendo menos sacrifícios. Acho que nem os próprios acreditam nisso, e o povo muito menos. Qualquer pessoa percebe que se trata de um oportunismo que nunca passaria à prática no caso de os seus defensores chegarem ao governo.
3. invocar a falta de equidade nos sacrifícios. Esta linha de argumentação é válida mas vê limitado o seu efeito, em muitos casos, pela forma como é exercida. Ou por falta de credibilidade de quem a invoca, ou por fazer a defesa de classes que o povo vê como privilegiadas ou por apoiar a penalização de estratos sociais com base em preconceitos (como acontece por exemplo com os senhorios). 


Em suma, mesmo perante a falência do "antigo regime", não há uma única utopia redentora.

A utopia é um ingrediente fundamental. Não foram as utopias que nos atraiçoaram durante o século XX mas sim os fanatismos. Não há só Hitlers e Estalines, há também o sonho sereno dos Gandhis e dos Mandelas. 

Os sofrimentos de hoje só podem ser minorados pela caridade ou pela segurança social, o papel da política é outro: desenhar uma sociedade futura onde os sofrimentos actuais não mais possam ocorrer. 

Não devemos descartar a hipótese vir a ter uma sociedade pós-capitalista sem assalariamento mas, apesar de tudo, com as classes correspondentes às novas relações de produção que entretanto se desenvolvam (esperemos que mais justas). Novas classes e também novas formas de exploração, tal como sucedeu quando o capitalismo substituiu o feudalismo. 

A total ausência de classes e de desigualdades podemos deixá-las para um futuro incerto e mítico. 
Mas não devemos nunca esquecer que para criar uma sociedade nova não basta distribuir pelos pobres a riqueza dos ricos como parece implícito em quase toda a propaganda de uma esquerda sem visão.

Não se trata de inventar, à pressa, novos “amanhãs que cantam”. Os amanhãs cantarão inevitavelmente façamos nós o que fizermos; trata-se de saber se ainda queremos participar na escolha da melodia e do poema.





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segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Amo Lisboa

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Novembro 2005

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domingo, fevereiro 05, 2012

Há mais vida para além da desigualdade

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Um texto muito importante que devia fazer pensar...

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sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Telma & Louise

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Recentemente experimentei um regresso ao formato 6X6 analógico, passados mais de 40 anos, com uma réplica da máquina que tive no fim dos anos 60. YASHICA 124G. Apresento-vos a Louise, uma das minhas duas gatas (a outra é a Telma que figura mais abaixo)








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quarta-feira, fevereiro 01, 2012

A Bimby dos anos 20

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Revista ABC, 18.02.1926

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