segunda-feira, novembro 25, 2013

25 de Novembro

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há 38 anos eu era um jovem oficial dos fuzileiros, desmobilizado da guerra na Guiné em 1970, e com um emprego bem pago numa grande empresa internacional. 
Nesse 25 de Novembro estive uma noite inteira à espera da espingarda G3 com que tentaria defender a Revolução dos Cravos das perversões da democracia burguesa.
Alta madrugada vieram dizer-nos qualquer coisa que me soou a "a Revolução falhou" ou "o 25 de Abril acabou", o que para nós era quase a mesma coisa.
Só me lembro das lágrimas a correr-me na cara enquanto conduzia pela segunda circular.
Eu estaria provávelmente a tentar uma revolução impossível, eu estaria talvez equivocado, mas aquelas lágrimas não. Nunca mais as esquecerei.
Os homens contra quem eu então lutava figuram na fotografia deste post.
O chefe da CIA em Portugal, Carlucci, orquestrou as operações com Mário Soares e com os militares como Vasco Lourenço, atrás dos quais se acantonaram todos os "reaças".
É portanto com revolta que vejo hoje estes mesmos figurões, a quem não dou qualquer crédito, afivelarem uma máscara revolucionária, patrocinando uma insurreição de opereta.
Se queriam uma "democracia popular" deviam ter aproveitado a oportunidade que lhes demos em 1975.
Nessa altura, apesar de tudo, fazia muito mais sentido.

8 comentários:

Augusto disse...

Falta o principal figurão Ramalho Eanes.

F. Penim Redondo disse...

Esse não figura no boneco porque não anda a fazer comícios revolucionários

Augusto disse...

E o Carlucci anda???

Deixemo-nos de sofismas, há certas pessoas que se dizem de esquerda, mas que se recusam a criticar o Eanes, porque será?

Prefiro um Lourenço ou um Soares, a baterem o pé á direita e ao Cavaco, do que um Eanes que está mudo e calado.

F. Penim Redondo disse...

Mais um que passa atestados de esquerdice

Anónimo disse...


A "democracia popular" continua hoje, timidamente ainda com mais sentido do que então. Contra a barbárie que avança. Até o Papa Francisco aludo, timidamente, ao assunto. Bem sei que não é essa a posição do Vaticano, um dos pilares da anunciada barbárie (Nova Ordem Mundial)

João Pedro

F. Penim Redondo disse...

João Pedro,
nós não precisamos de "democracia popular" que já se viu os resultados que dá.
Precisamos é de um novo sistema social mais produtivo e mais justo. Mas sobre isso o "Santo Padre", de que tu agora és devoto, nada disse.

Anónimo disse...


A questão, Fernando, é comparar a "democracia popular" com a barbárie capitalista. E cada um faz nesse quadro a escolha que lhe aprouver. A alusão circunstancial ao "Santo Padre" não me torna seu devoto. Estás a perder qualidades, Fernando, e isso é pena. Não é que já não tivesse dado conta disso.
Traduzindo: nota 11 (já foi muito melhor)

João Pedro

Luis disse...

Mas reagir a esta asfixia
económica ,a este autêntico desgoverno, a esta submissão
cega aos agiotas financeiros é sinónimo de propostas que nos levariam à democracia
popular, a soluções políticas
e económicas cujo saldo não foi positivo ? Claro que temos que reconhecer que essa experiência teve avanços históricos e constituiu, pela dimensão e importância das regiões onde se implantou,uma oportunidade perdida para um processo de reorientação histórica global. Mas, elocubrações à volta disto são devaneios sem sentido.
O que se pretende é,simplesmente,e para já,correr com os senhores que se assenhorearam do poder com mentiras descaradas.