sábado, novembro 04, 2006

Maria Antonieta



Gostei muito deste filme de Sofia Coppola.
Mostra-nos, de forma chocante, que a verdadeira marca do poder é a "distância", o poder é viver num mundo imune à ralé, ao povo, ao proletariado, aos pobres ou mesmo às "pessoas normais". A Cidade Proibida em Pequim, rodeada por um fosso inundado, constitui um exemplo claro de como o poder sempre voltou as costas ao mundo.

Sofia Coppola usa música actual na banda sonora para nos dizer que os mesmos tiques do poder continuam a existir no mundo actual. Não é por acaso que os políticos durante as campanhas eleitorais percorrem as feiras tentando criar a ilusão de que esse mundo à parte afinal não existe.

Custa-me ver a crítica desancar este filme com base em preconceitos.
Pensam que Sofia Coppola tem o intuito de "salvar" Maria Antonieta da má imagem que a história lhe criou.

Mesmo que tenham razão nesse aspecto particular deviam perceber que o significado histórico da monarquia absoluta do século XVIII não está dependente do carácter, da estatura moral ou das preferências sexuais de Maria Antonieta.
Do mesmo modo o capitalismo imperial dos Estados Unidos não se caracteriza por Bush ser beato, ou usar ceroulas e dizer dislates...

Infelizmente, como ensina a lei do menor esforço, ainda há quem prefira "motivar as massas para a luta" com base no acessório e no anedótico...

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