O QUARTO AO LADO
é um grande filme de Almodóvar.
O ponto de partida é simples; uma amiga dispõe-se a acompanhar a eutanásia de uma mulher relativamente jovem.
Este primeiro plano da trama, sem dúvida emocionante, deixa perceber em "backstage" um emaranhado de histórias de vida afluentes, de parentes, amantes ou conhecidos.
São tão "extraordinárias" que parecem ficções de um autor sobrenatural que se entretem a inventá-las.
O filme ajuda-nos a perceber que nós, espectadores, vivemos também na condição de personagens de uma ficção que nos é alheia. E que, tal como no filme, passamos a vida a tentar escrever também um pouco do enredo. Martha, ao querer escolher a sua forma de morrer, está a tentar fazê-lo até ao fim.
Não é por acaso que as duas amigas (Ingrid e Martha) são, respectivamente, escritora de ficção e correspondente de guerra; uma no reino da pura invenção e a outra no estrito respeito dos "factos".
Mas os factos e a ficção vivem paredes meias. Os factos nunca são totalmente conhecidos e é nesse espaço vazio que nasce a ficção.
Quer as actrizes quer os textos/diálogos são de primeiríssima qualidade
Antifascismo, Vital
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Quem lê este blogue desde 2007 sabe que sempre polemizámos com Vital
Moreira, que se tornou o melhor representante que conheço do ordoliberalismo alemão
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Há 2 horas




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