sexta-feira, março 13, 2015

O meu strip-tease político



O meu strip-tease político
(dedicado a todos aqueles que continuam a chorar lágrimas de crocodilo pela “unidade de esquerda” e a sonhar com ela como panaceia para Portugal).
Soares e Otelo foram os coveiros da Revolução portuguesa e representam a antítese daquilo que desde jovem me levou a envolver-me na política.
Unidos pela megalomania distinguem-se nas motivações: um move-se pela ambição de poder e o outro pelo romantismo pateta.
Quando o fascismo foi derrubado só existia uma força política organizada e implantada no terreno; o PCP. A sua hegemonia no campo da esquerda era não só inevitável como natural. Nesse momento fundador, em vez do espírito de colaboração fraterna, quer o PS, por um lado, quer os esquerdistas, por outro, cavaram irresponsávelmente as fracturas que nunca mais se sararam na esquerda portuguesa.
O PS, capitaneado por Mário Soares, aliado com as forças mais retrógradas da sociedade portuguesa, sob a batuta do ciático Carlucci, isolou o PCP da classe média assustando-a com as tiradas extremistas dos esquerdistas.
Otelo serviu de pivot a todo esse tipo de concepções infantis e inconsequentes, nomeadamente quando se candidatou à Presidência da República, dessa forma dividindo e confundindo uma boa parte da juventude progressista. Os erros foram tantos e tais que ainda hoje não há espaço em Portugal para qualquer “Syriza” ou “Podemos”.
Por muito equivocadas que fossem as concepções do PCP nessa época elas não eram irremediáveis, como se provou ao longo das últimas décadas de integração no sistema democrático português. O seu isolamento político alienou o contributo da única força política coerente, determinada e consequente da esquerda portuguesa.
Seguiram-se longos anos de “normalização” em que o PS se converteu numa espécie de partido do regime, totalmente envolvido no “bloco central de interesses” e abandonando todas as suas referências ideológicas.
Os esquerdistas, por sua vez, passaram o tempo a cindir-se e a “reinventar-se”, sempre prontos para ir atrás de qualquer foguete de ocasião (Chavez ou Obama, Hollande ou Tsipras, etc,etc), incapazes de aprender com as sucessivas “desilusões”. Fico espantado com a perseverança com que esses velhos “revolucionários”, que eu tive que aturar durante a campanha do Otelo em 1980, continuam a cultivar hoje os seus radicalismos de café.
O PCP, por sua vez, não conseguiu ficar imune ao que se passava na esquerda à sua volta. Assimilou acriticamente a patranha do “Estado Social”, pactuou com muitas das bandeiras “fracturantes” dos esquerdistas e, lamentávelmente, deixou de cultivar a sua vocação chave para uma nova sociedade.
É hoje apenas uma espécie de super central sindical, e autárquica, de todas queixas e queixosos, sem cuidar sequer de prevenir incompatibilidades.
Dito isto, que vivi ao longo de décadas e acompanhei com empenhamento desinteressado, o que é que eu espero?
Espero uma regeneração do PCP, o meu partido de sempre, que eu abandonei por desilusão.
Continuo a acreditar num dia futuro em que a coragem de re-equacionar os princípios, e modernizar a teoria, gerem uma nova dinâmica de transformação social para o século XXI.
Os principios básicos de seriedade, dedicação e disciplina continuam lá. Só falta adicionar o racionalismo e a visão de futuro.

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Na tua idade,
fazer strip pode até parecer saudável
mas é um espectáculo
deprimente
pois o executas sentado

dizes
"Espero uma regeneração do PCP, o meu partido de sempre, que eu abandonei por desilusão.

Só se ilude quem viveu uma ilusão e
"esperar não é saber
quem sabe faz a hora
não espera acontecer"