sábado, outubro 10, 2009
Dia de reflexão
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quarta-feira, outubro 07, 2009
O fetichismo da maioria de esquerda
Durante muitos anos, ainda o BE não tinha agrupado os grupelhos, foi um estandarte empunhado pelo PCP para invocar a salvífica convergência política, sempre postergada, com o Partido Socialista.
Com o crescimento acentuado do Bloco nos anos recentes agravou-se a tendência para falar do avanço da esquerda, embora em 2009 o somatório PS+BE+PCP tenha sofrido um retrocesso e o CDS em conjunto com o PSD tenham crescido cerca de 3%.
Apesar de tudo isto fala-se como se o país fosse maioritáriamente habitado por esquerdistas que só a teimosia do PS impede de se realizarem politicamente.
Dando de barato que existe consenso sobre o que é ser de esquerda persistem ainda assim grandes interrogações sobre a existência da maioria de esquerda.
A cabeleireira ou a lojista que votam no charme grisalho do senhor engenheiro, no parlapié mavioso de Louçã ou na “autenticidade” de Jerónimo são forçosamente de esquerda ?
Os que invocam a maioria de esquerda fazem de conta que os 40% de abstencionistas não existem. Confundem os resultados eleitorais com o “país sociológico” num primarismo de que se pode partir para todo o tipo de equívocos e de desastres.
A maioria de esquerda, sem dúvida desejável, deve ser vista como uma hegemonia ideológica e organizativa a construir pela adesão da maior parte dos portugueses a princípios e projectos humanistas e emancipadores.
Não é um estatuto conjuntural para exercício do poder por vanguardas iluminadas, assente em equívocos, omissões e cálculos que um próximo ciclo político desbarate e dissolva.
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segunda-feira, setembro 28, 2009
Sem a pesada herança
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domingo, setembro 27, 2009
Declaração de (não) voto
Escrevo por imperativo cívico, para afirmar que os resultados, sejam eles quais forem, ficarão inevitávelmente manchados por aquela que foi, provávelmente, a mais grave mistificação durante um período de campanha eleitoral desde que a nossa democracia atingiu a sua fase "civilizada".
Os factos
- A 18 de Agosto 2009 o Público incluiu uma abordagem das escutas com pretexto nas afirmações do PS de que haveria assessores de Cavaco a colaborar na preparação do programa do PSD. A tese implícita era que o PS só podia fazer tal tipo de afirmações se estivesse a vigiar os tais assessores.
- Cerca de um mês depois, a poucos dias das eleições legislativas, o DN publicou o conteúdo de um email enviado por um jornalista do Público a um colega em Abril de 2008. Nesse mail era mencionada uma reunião com Fernando Lima, assessor de Cavaco, em que ele pedira a divulgação pelo jornal das suspeitas da presidência relativamente a uma hipotética vigilância a que estaria submetida.
- Não se sabe quem, quando e por que meios obteve o referido email e como foi ele parar aos jornais.
- Não se conhece qualquer declaração do autor, nem de Fernando Lima, sobre os factos relatados no email.
- Apesar de todas estas incertezas e indefinições o artigo do DN deu origem a uma desefreada campanha mediática que se desenvolveu como se fossem inquestionáveis:
1) os factos relatados no email,
2) a ligação entre esses factos e o artigo do Público publicado 17 meses depois, em 18 de Agosto 2009,
3) o envolvimento de Cavaco, como mandante,
4) a inexistência de quaisquer escutas,
5) a inexistência de qualquer "asfixia democrática" como corolário da inexistência das escutas
- Esta campanha estendeu-se a todos os meios e, a partir desse momento, não houve qualquer outro tema relevante que conseguisse obter atenção e tempo de antena durante o que faltava da campanha eleitoral.
- Pela primeira vez na nossa história recente a luta política partidária usou meios que põem em causa a dignidade da função presidencial e que constituem um verdadeiro "julgamento mediático" do Presidente, com consequências imprevisíveis para o regime.
Considerandos sobre uma história mal contada
- Um Presidente tem tão poucos meios e poder que manda um assessor pedinchar a um jornalista subordinado o favor de uma noticiazinha ? Por que é que ele não ligou ao Belmiro ou, já que dizem que o homem está a soldo, ao director do Público ? Porque é que falaria com um subalterno sujeitando-se a ser desmascarado ?
- Mesmo admitindo que tenha feito tal pedido, e admitindo que o artigo de 18 de Agosto do Público era consequência desse pedido, temos que concluir que só foi atendido 17 meses depois. O homem não tem mesmo influência nenhuma.
Conclusões
A meia dúzia de dias das eleições transformar isto numa coisa essencial é claramente uma manobra cujo beneficiado é, sem dúvida, o Partido Socialista.
O desafio a Cavaco, que só foi lançado para salvar in extremis estas legislativas, faz-nos a todos correr graves riscos de turbulência no momento de formar o novo governo. Neste tempo de enormes dificuldades e incertezas estamos perante o espectro da ingovernabilidade já que, na prática, se está a antecipar dois anos a luta pela Presidência.
Se por um lado este episódio revela uma hipotética tentativa canhestra da parte de Cavaco por outro expõe a potentíssima máquina mediática que conseguiu de uma penada, a partir de material clandestino e irrisório, substituir na campanha o julgamento do governo de Sócrates por um ataque ao PSD e ao Presidente da República.
Os portugueses podem portanto ter dúvidas acerca da competência conspirativa de Cavaco e dos seus assessores mas não podem ter qualquer dúvida sobre a existência algures de uma fábrica comunicacional capaz de transformar quase nada em quase tudo.
Eu, pela minha parte, passarei a interrogar-me sistemáticamente sobre toda e qualquer informação proveniente de tal fonte.
Em suma, tudo isto é delirante e faz supor que realmente estamos a ser governados por seitas secretas em que nunca votámos.
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O dever cívico
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O bom povo português que ontem encheu as bancadas da Luz e do Dragão é o mesmo que hoje, com igual determinação clubística, ponderação e discernimento estratégico, vai às urnas escolher a doutora ou o engenheiro.
Bem haja.
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sábado, setembro 26, 2009
Dia de reflexão
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A campanha acabou. Os golpes e contra-golpes de bastidores levam-nos a suspeitar que, nesta aparência de democracia, somos de facto governados por seitas secretas que desconhecemos. Aqueles em que se vota amanhã são meros testas de ferro ?
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quinta-feira, setembro 24, 2009
Avante ou avançar ?
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Acabo de me cruzar com uma uma arruada (ou avenidada pois foi na Av. da Igreja) da JS, comandada para meu espanto pelo bisonho Vitalino "apanha as" Canas.
O homem, em pessoa, parece um daqueles tipos que ficaram até muito tarde nos escuteiros mas que, neste caso, usa fato com colete mesmo sob 29º de temperatura.
Um simpático jovem ofereceu-me a simpática raquette que figura neste post um adereço que, suponho eu, a JS recomenda ao povo para enxotar os problemas que o afligem.
Ao receber a oferta eu gritei: "Avante Portugal !", para testar o jovem. Ele, prevenido e bem formado, percebeu a provocação e respondeu: "Avante não, avançar !".
Talvez avante e avançar não sejam assim tão diferentes. Quando me meti no carro ouvi, no noticiário, que uma aliança pós-eleitoral entre o PS e o PCP começa a estar em cima da mesa.
Creio perceber que o Eng. Sócrates quer ver se arranja forma de evitar o Dr. Louçã, que ele considera, sabe-se lá porquê, um chato.
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quarta-feira, setembro 23, 2009
Por que não vou votar
Este episódio remoto, um pouco ridículo, foi transformado no centro da campanha eleitoral e passou a dominar todos os noticiários e debates, o que é notável como manobra política.
Se por um lado revela uma hipotética manobra canhestra da parte de Cavaco por outro expõe a potentíssima máquina mediática do PS que conseguiu de uma penada, a partir de material clandestino e irrisório, substituir na campanha o julgamento do governo de Sócrates por um ataque ao PSD e ao Presidente da República.
A organização que esta operação pressupõe é de alto calibre e não funciona certamente na base da improvisação e da carolice. Se a isto juntarmos o caso da Manuela Moura Guedes, e não só, talvez a "asfixia democrática" invocada pela "outra senhora", ou pelo menos a asfixia do PSD, comece a fazer algum sentido.
Eu disse recentemente que uma coligação de direita não tem condições sociais para governar Portugal. Os factos recentes deram-me razão e mostram que um governo desse tipo seria trucidado pela máquina mediática do PS em três tempos, como sucedeu com Santana em 2005. De qualquer forma, como é óbvio, essa nunca seria a minha opção de voto.
Mas o PS, cujas tentativas reformistas têm muitos aspectos que eu aprecio, assusta-me enquanto cidadão. A sua capacidade para manipular a informação ultrapassa o razoável e causa-me uma certa repulsa.
A guerra com Cavaco, que só foi empolada para salvar in extremis estas legislativas, faz-nos a todos correr graves riscos de turbulência no momento de formar o novo governo. Neste tempo de enormes dificuldades e desafios estamos perante o espectro da ingovernabilidade já que estão a antecipar dois anos a luta pela Presidência.
À esquerda do PS o panorama é desolador. Não há uma ideia consistente de futuro e, à falta de uma proposta verdadeira alternativa, começam a proliferar os saudosismos e os radicalismos imbecis.
Numa bebedeira emocional preparam-se para reeditar os mesmos erros com que, em 1975, arruinaram o verdadeiro PREC.
Perante isto declaro-me impotente, tal como a generalidade dos cidadãos.
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segunda-feira, setembro 14, 2009
O dilema eleitoral
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segunda-feira, agosto 31, 2009
E a campanha aquece
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sábado, agosto 15, 2009
PS mete o avô e a criança no mesmo saco
14.08.2009
O PS lançou ontem o primeiro de quatro números do jornal de campanha eleitoral às legislativas, que pretende de "fácil leitura", para "o avô e a criança", e que será distribuído nas cidades e praias.
Em conferência de imprensa na sede do PS, o director do jornal, Ascenso Simões, secretário de Estado das Florestas, disse que o jornal foi pensado para ser "simples e de fácil leitura", e que "serve para o avô e serve para a criança".
No primeiro número do jornal Avançar Portugal, que teve uma tiragem de 200 mil exemplares, a "manchete" é uma entrevista ao coordenador do programa eleitoral do PS, António Vitorino. Para além de enumerar os objectivos do programa socialista, António Vitorino confessa que leva para férias um livro para aprender como se deve "adaptar à meia-idade". A imagem do primeiro-ministro e secretário-geral socialista, José Sócrates, aparece apenas na secção "descubra as diferenças". "Não é um jornal de risco ao meio, é tão inventivo que conseguimos transmitir a mensagem sem a leitura tradicional", afirmou Ascenso Simões.
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Trata-se do regresso à antiga máxima "a velhice é uma segunda infância" ?
O PS está desactualizado. Hoje, grande parte dos avós é gente activa e interveniente, capaz de ler um jornal para adultos. Um jornal normal.
Eu, orgulhosamente avô, sinto-me ofendido por ser posto intelectualmente ao nível das crianças. Por isso acho que o PS acaba de dar um tiro no pé.
Ou será uma vingança contra o Vital Moreira, o "avô cantigas" das últimas europeias ?
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sexta-feira, agosto 14, 2009
A alucinação
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Em pleno Agosto revela-se subitamente no meu espírito a alucinação que nos persegue nesta frenética pré-campanha eleitoral.
O equívoco é o seguinte: discutimos como se estivessemos perante partidos revolucionários, de um lado, e reaccionários ou mesmo fascistas do outro. Mas quando analisamos com mais cuidado percebemos que todos os partidos dignos desse nome têm propostas vagamente sociais-democratas.
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terça-feira, julho 28, 2009
Nem como papão nem como ilusão
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Têm medrado ultimamente, com objectivos distintos, os discursos que falam do crescimento da "esquerda à esquerda do PS". Os autores, tanto à esquerda como à direita, vão de exagero em exagero a ponto de recentemente Alberto João Jardim ter afirmado em comício (mais coisa menos coisa): "uma esquerda comunista com mais de 20% dos votos é um dos piores resultados da governação do PS. Tal nunca aconteceu num país da Europa civilizada".
Clicar para ampliar
No quadro acima comparámos o número de votos nas legislativas do conjunto PS+PSD+CDS (os chamados partidos do arco da governabilidade - PAG), com os votos do conjunto PCP+BE (em que ao BE, nos anos que antecedem a sua fundação, são atribuídos os votos das forças que nele se coligaram).
Os PAG só uma vez, em 1995, quando surgiu Guterres, totalizaram mais de cinco milhões de votantes e tiveram o seu resultado mais modesto em 1985, quando surgiu o PRD, obtendo então cerca de três milhões e meio de votos. Os partidos "à esquerda do PS" têm o seu ponto mais baixo em 2002, quando venceu Barroso, com 529.836 votos e o ponto mais alto no tempo da AD, em 1979, tendo então alcançado 1.297.142 votantes.
O gráfico não parece portanto justificar, apesar do resultado animador de 2005, a ideia agora em circulação de que estamos a viver um período de grande afirmação dos partidos "à esquerda do PS".
Tal ideia é ainda mais negada pelo quadro que se segue onde mostramos a que percentagem dos votos PS+PSD+CSD coresponderam os votos PCP+BE.
Constata-se que até 1985 eram comuns as votações dos partidos à esquerda correspondentes a 25%, ou mais, das votações nos PAG (partidos do arco da governabilidade). Mas em 2005 obtiveram apenas 17,1%.
Este tipo de ideias erróneas tem sempre uma explicação. No caso vertente penso que se trata de um efeito da recente votação para o Parlamento Europeu. Nessa eleição, com elevadíssima abstenção e com reduzido efeito de bipolarização, o PCP e o BE obtiveram realmente 21,4% ao totalizarem 762.454 votos.
Acontece porém que este número de votos obtido em Junho de 2009 é inferior àquele (798.340) que nas legislativas de 2005 lhes rendeu apenas 13,9% dos votos expressos. Não é pois legítimo projectar mecânicamente nas próximas legislativas de Setembro o resultado PCP+BE na votação para o Parlamento Europeu realizada em Junho passado. Nem como papão nem como ilusão.
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segunda-feira, julho 20, 2009
Coligações "à la carte"
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Toda a gente está preocupada com a ingovernabilidade que pode resultar das próximas eleições legislativas. As maiorias absolutas de um partido parecem pouco prováveis.
Por isso proliferam as teorias sobre potenciais alianças para formar governo.
Esta incerteza perturba grandemente os eleitores que, ao votar num partido, não têm qualquer garantia de ele fazer as coligações que preferem.
Como raramente concordam a 100% com um dado partido muitos eleitores acabam por não votar em nenhum.
Devíamos exigir que os partidos esclarecessem, antes da votação, como pensam formar uma maioria parlamentar no caso de não obterem maioria absoluta. A verdade é que os partidos raramente se dispõem a revelar as suas intenções neste campo.
Assim sendo penso que devíamos caminhar para um sistema de votação em que o eleitor tivesse a possiblidade de votar nos vários partidos que constituem a sua coligação preferida, dando a cada um desses partidos o peso que muito bem entendesse.
Para esse efeito, em vez de uma cruzinha, o eleitor escreveria à frente de um ou de vários partidos a percentagem que lhes atribuía para a composição da "sua coligação"; por exemplo, sendo de esquerda podia votar numa mistura com 20% de BE, 20% de PCP e 60% de PS.
Votando dessa maneira 20% do seu voto iriam para o BE, outros 20% para o PCP e 60% para o PS. Estes três partidos repartiam o voto somando às suas contagens respectivamente 0,2 e 0,6 em vez de uma unidade como hoje acontece.
As votações, quando este sistema um dia for adoptado, reflectirão muito mais fielmente a vontade do eleitorado.
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domingo, junho 28, 2009
Futilidades
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António Barreto (Retrato da Semana no Público, 28.06.2009)
Um conjunto de argumentos põe em relevo as vantagens partidárias. Se os votos forem separados, ganham uns partidos, se forem no mesmo dia, ganham outros. A mesma coisa, ou parecida, se as legislativas se realizarem antes ou depois das autárquicas. Quer isto dizer que ninguém tem legitimidade para preferir uma data ou uma ordem: imediatamente lhe saltam em cima com acusações de interesses ilegítimos e de oportunismo. Quem assim faz esquece-se de que os argumentos são totalmente reversíveis.
Outro argumento é o dos custos. Nem sempre se percebe se estamos a falar de custos directos para os votantes, despesas para os partidos ou encargos públicos. De qualquer modo, quem alude aos custos está em geral a pensar nos interesses dos partidos. Com efeito, quem quer as eleições separadas garante que a democracia bem merece um punhado de euros, enquanto os que desejam actos conjuntos referem a poupança assim obtida. É, no entanto, certo que a despesa ou a poupança não parecem um argumento muito forte.
O aparentemente mais sério argumento é o da abstenção ou da participação. Também neste domínio, a consistência não é visível. Juntar eleições, para uns, significa mais participação; separá-las, para outros, teria o mesmo efeito.
Não consta que haja solidez nas razões apontadas. Nem sequer estudos concludentes. A única dúvida razoável é a que alude ao cansaço: maçados com duas deslocações seguidas à distância de uma ou duas semanas, os eleitores poderiam optar por apenas uma. Mas são meras suposições. Além de que não se sabe muito bem se seria a primeira ou a segunda a sofrer dessa terrível fadiga. Como não se sabe se o cansaço é argumento mais importante do que a natureza das eleições e o que está em causa. Apesar de anónimas e limitadas aos emblemas dos partidos, as legislativas chamam mais eleitores. Mas as "grandes figuras" municipais também têm algum efeito. Reflexão tortuosa é a que se apoia na previsão das intenções dos eleitores. Nas autárquicas, diz-se, os cidadãos querem escolher um presidente de câmara e bater no Governo. É estranho, mas é o que consta. Nas parlamentares, os mesmos eleitores esquecem tão vis desejos e designam racionalmente o Governo que preferem. As estatísticas eleitorais sugerem alguma coisa, nomeadamente o facto de poder haver diferenças na orientação de voto entre as duas eleições, assim como uma maior presença do PSD nas autarquias (o que não é uma regra absoluta). Mas não são constantes que permitam certezas.
O último dos argumentos é o mais brutal. Juntar eleições teria como efeito criar a confusão nos eleitores. Já desorientados com a existência de três boletins de voto (freguesia, assembleia municipal e vereação camarária ou presidente da câmara), ficariam completamente perdidos com a eventualidade de terem de lidar com quatro. Muitos votos ficariam assim perdidos. Brancos e nulos, possivelmente. No partido errado, com certeza.
É comovedor este desvelo dos partidos e de alguns comentadores encartados. O esforço que fazem para cuidar dos pobres cidadãos, tão vítimas de manobras, tão deficientes mentais e tão incapazes de decidir por si! A minuciosa atenção que prestam aos eleitores, tão frágeis e vulneráveis, que perdem literalmente a cabeça perante quatro boletins de voto! Se repararmos bem, quase todos os argumentos conduzem ao mesmo: a incapacidade dos eleitores, a sua falta de discernimento, o seu cansaço fácil e a rapidez com que se confundem. Na verdade, esta discussão ridícula tem um só objectivo, o de começar a arranjar explicações para os fenómenos que os incomodam: derrotas eleitorais e elevadas taxas de abstenção. Na noite (ou nas noites) das eleições de Outubro, já sabemos qual a justificação que mais vezes se vai ouvir: a data das eleições é a culpada.
A propósito das datas e seguramente em consequência da abstenção nas europeias, já começou a ladainha piedosa dos que querem o bem dos cidadãos e a nobreza da democracia. Já se ouvem propostas para "melhorar o sistema" e dar novo "tónus" à democracia. Em vez de se inquietarem com a fictícia democracia europeia e a inutilidade do Parlamento Europeu, propõem que o voto seja obrigatório! Em vez de pensarem na reformulação de alguns processos, designadamente no voto pessoal, sugerem punições para quem escolhe abster-se! Preparemo-nos, pois, para a próxima revisão da Constituição. Lá veremos dispositivos para reforçar a democracia. Sempre com um denominador comum: a cegueira perante as deficiências do nosso sistema e a vontade de resolver os problemas com normas legais e punitivas. Já agora, uma modesta contribuição: as eleições deveriam ser obrigatoriamente em dia de chuviscos. Mas não de mais, que levam as pessoas a ficar em casa, nem de menos, que deixam os eleitores ir à praia.
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segunda-feira, junho 22, 2009
A loucura dos 'OUTDOORS'
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terça-feira, junho 16, 2009
O PS (e a esquerda) em maus lençóis
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Podemos definir o "voto solto", nas Europeias de 2009, como os novos votos ou os votos que mudaram a sua escolha relativamente às Europeias de 2004. Chegamos assim a 725.157 votantes (os 155.599 votantes adicionais em relação às europeias anteriores, mais os 569.558 perdidos pelo PS comparativamente com 2004).
É interessante notar que esses 725.157 votos se distribuiram em partes identicas pelos partidos à esquerda e pelos partidos à direita do PS cabendo a cada uma das alas cerca de 40% dos "votos soltos". Os 20% restantes foram parar aos partidos que previsívelmente não obteriam qualquer representação no Parlamento Europeu indiciando uma atitude imune às lógicas da utilidade, por parte de 145 mil desses eleitores.
Esta aparente simetria entre a esquerda e a direita, feita à custa do partido maioritário, tem no entanto consequências pouco simétricas. Os votos ganhos à direita esboçam uma maioria alternativa enquanto que tal não sucede à esquerda. Mesmo a improvável aliança de um dos partidos de esquerda (BE ou PCP) com o PS resulta mais fraca do que a aliança de direita (PSD+CDS). Tudo isto tomando como base as percentagens obtidas pelos partidos nas Europeias de 2009.
A verdade é que tudo isto não passa de uma miragem. Nas próximas legislativas irão às urnas mais dois milhões e trezentos mil votantes do que nas europeias, se se repetir a relação entre as europeias de 2004 e as legislativas seguintes de 2005.
Esse enorme número de votantes adicionais pode, em teoria pelo menos, dar a maioria absoluta a qualquer um dos principais partidos portugueses.
Apesar de ser esta a "realidade" quase todas as opiniões omitem esta questão. O PSD compreende-se que o faça, o Bloco também pois está a disfrutar da ascensão ao terceiro lugar na hierarquia dos partidos (apesar de ter tido menos de metade dos votos habituais do PCP nas legislativas de há 20 anos).
No caso do PS é mais estranho que tal aconteça.
Está portanto tudo em aberto e cabe aos partidos tentar ganhar o maior número de votos de quem se absteve, ou votou nulo, ou votou em branco ou votou em partidos sem representação parlamentar.
Mas essa luta vai fazer-se em condições adversas para o PS já que deixou criar esta sensação de que a maioria absoluta, sozinho, lhe está vedada. Tal sensação é reforçada pelo tipo de relações que o PS mantém com os partidos à sua esquerda e que torna uma aliança com eles pouco provável aos olhos da opinião pública.
É estranho que o PS não tenha percebido o beco em que se estava a meter. Já terá ficado claro, entretanto, que não é adoptando avulsamente "propostas fracturantes" que impedirá o Bloco de crescer. O BE está neste momento como uma criança que tendo ido à caixa das bolachas não consegue evitar voltar lá repetidamente. Neste "momento de glória" (que os números desaconselhariam) o céu parece o limite e já sonha certamente substituir-se ao PS na liderança de toda a esquerda.
Por outro lado o PS parece ter subestimado o poder do binário PSD/Cavaco na questão das "obras faraónicas". Logo na noite das eleições Rangel introduziu a necessidade do adiamento não tanto para limitar as decisões do governo actual mas para insinuar a ideia de que após as eleições os decisores serão outros. Hoje mesmo o PS cedeu e deixou cair o TGV.
Temos portanto um PS, acossado à esquerda e à direita, lambendo as feridas que não soube evitar.
Os seus inimigos de direita exigirão cada vez mais alto que defina as suas alianças para lhe reduzirem o trunfo da governabilidade (se as não esclarecer) ou lhe roubarem mais eleitores ao centro (se as esclarecer).
Os seus inimigos de esquerda aumentarão a parada sempre que ele tentar aproximar-se pois, à falta de um programa executável, só lhes resta alimentar-se dos despojos da velha nave socialista enquanto esperam pelo momento revolucionário.
Não me peçam para prever o nosso futuro imediato mas, para já, não parece brilhante.
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segunda-feira, junho 08, 2009
O culpado é o povo ?

Não é possível continuar a ignorar os níveis de abstenção (55% na Europa e 63% em Portugal). Só votaram 44% dos europeus e vamos continuar a funcionar como se não tivesse acontecido nada ? Lamentamos e culpamos o povo de ter ido para a praia ?
Hoje todos os discursos se centram na recomposição do panorama político nacional propiciada pelos resultados, tratando assim as eleições de ontem como uma megasondagem para as legislativas.
Este comportamento irresponsável só acentua a sensação de inutilidade da participação e agravará a abstenção da próxima consulta europeia.
Os 63% que não votaram mandaram uma mensagem muito forte sobre a irrelevância da Europa ou sobre a sua própria impotência para a influenciar através do voto. Os 63% que não votaram são uma base enorme de recrutamento para eventuais aventuras populistas.
Entretanto o PSD celebra uma vitória que alcançou com os votos de apenas 11,8% dos recenseados e o PS lambe as feridas com menos de um milhão de votos.
Esta gente avança para os seus lugares no Parlamento Europeu sem uma hesitação ?
Qualquer político responsável deveria pelo menos prometer que, no Parlamento Europeu, será desencadeado um processo tendente a compreender as causas e encontrar remédios.
Omitir esta questão, ou lamentá-la apenas, é comprometer o futuro do projecto europeu.
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domingo, junho 07, 2009
Vote para fora cá dentro
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Se vai votar não beba
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