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quinta-feira, setembro 02, 2010

Novas tecnologias e formas de luta.

A manhã está a ser violenta nos arredores de Maputo. A polícia foi alvo de apedrejamentos e disparou para dispersar a população que foi para a rua protestar contra o aumento do custo de vida. Há pneus a arder em alguns bairros e muitas entradas na capital moçambicana estão bloqueadas. Milhares de pessoas estão nas ruas onde não há transportes a circular. Não havia nenhuma greve planeada, mas circulou através de telemóveis e na internet o apelo a um protesto contra o agravamento dos preços agendados para hoje.
(dos jornais)

A situação é banal.
"O custo de vida aumenta o povo não aguenta", lembram-se? 
O que constitui uma novidade é a inesperada influência das novas tecnologias nesta revolta.

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quinta-feira, junho 10, 2010

E vão 6

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Pois é, é estranho mas o DoteCome Blog nasceu mesmo no dia de Portugal.
Faz hoje seis anos.
Nesta idade que mais podia fazer senão colorir um desenho ?
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domingo, abril 25, 2010

segunda-feira, outubro 05, 2009

Lamento no 5 de Outubro

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A República é um belo ideal que se vai afastando da sua pureza e da sua origem.
Minada por todo o tipo de poderes fácticos, manjedoura de castas, tem visto o povo alhear-se e afastar-se perigosamente.
Quando a democracia se converte numa destruição mútua do carácter dos adversários, e o civismo se transforma em fanatismo, não se sabe em que basear uma nova esperança.
A decadência económica no palco global, que arrastará a prazo o agravamento das condições sociais, potenciará ainda mais os perigos para a sobrevivência deste regime.
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quarta-feira, junho 10, 2009

Há cinco anos

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Começámos há cinco anos
.Hoje é portanto "Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas e do blog DOTeCOMe".
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sexta-feira, maio 01, 2009

1º de Maio



Expresso, Actual, 01.05.2009
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sábado, abril 25, 2009

25, o dia de cumprir o quê ?

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Detesto a pergunta "o que falta para cumprir Abril ?" com que uma chusma de piedosos comentadores nos bombardeia por estes dias.

"Cumprir" o quê ? mas quem é que tinha que "cumprir" tal coisa ?

Há nesta abordagem uma menorização do povo. Um povo que, pelos vistos, aguarda ainda, passivamente, que "Abril se cumpra". Ou que as mentes esclarecidas e de vanguarda lhe realizem o "céu na terra" e lho ofereçam de bandeja.

Os militares de Abril, e os milhares de homens e de mulheres que antes deles semearam Abril, desbloquearam o acesso à Liberdade como lhes competia. Pode parecer pouco mas, afinal, é tudo.

O ponto onde estamos é exactamente aquele onde, por acções ou por omissões, quisemos estar. Como dizia Brecht "na cama que fazemos é onde nos deitamos". O "povo é quem mais ordena", ou não ?

Começo a ter a desagradável sensação de que muitas das "comemorações de Abril" não passam de oportunismos que em nada ajudam a dignificá-lo.


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sexta-feira, abril 24, 2009

sábado, abril 18, 2009

O estranho sabor da Liberdade


Há exactamente 35 anos, num dia anónimo como hoje, começou o meu 25 de Abril. Meia dúzia de pides conduziram-me a Caxias de onde só saí depois da Revolução, para uma Liberdade que mal sabia imaginar.
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quinta-feira, novembro 13, 2008

1º Colóquio sobre Pavel

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(clique para abrir)


O resistente antifascista e o homem de cultura - uma homenagem no centenário do seu nascimento. 22 de Novembro às 16 horas, Biblioteca-Museu República e Resistência / Espaço Cidade Universitária.

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sábado, novembro 08, 2008

Mais uma justa luta


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"Acabo de ouvir na Antena 1 um professor de educação física, reformado, Câmara Pestana de seu nome, declarar que participa na manifestação de professores por solidariedade com os colegas, pois ele quando se reformou ficou a ganhar mais 100 (cem!) contos do que quando trabalhava e os colegas já não vão ter isso !
Eu que trabalhei toda a vida numa empresa privada: 40 horas por semana, férias só 22 dias, e a pagar seguro para complementar o SNS pois não tinha ADSE....
Eu que me reformei, como todos os da minha situação, com 80% da média dos melhores 10 ordenados dos últimos 15 anos, o que equivale a qualquer coisa como 60% do último vencimento...
Eu se fosse professora, confesso, também lutaria para que não me tirassem tal mordomia !"
Da nossa "enviada especial à manifestação dos professores", Maria Rosa.
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terça-feira, agosto 19, 2008

Dia Mundial da Fotografia

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Claro que não podia deixar de referir o Dia Mundial da Fotografia.
Aqui ficam três dos meus mestres preferidos:



Sebastião Salgado - Refugees in the Korem camp Ethiopia, 1984

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Child by Josef Koudelka

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Henri Cartier-Bresson (1908-2004) - Simiane-la-Rotonde, 1970

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domingo, junho 08, 2008

O iceberg





"Camionistas de todo o país vão paralisar, a partir da meia-noite de hoje, por tempo indeterminado, até conseguirem apoios do Governo para fazer face ao aumento do preço do gasóleo, que, segundo a associação nacional do sector, representa 50 por cento dos custos das transportadoras e já provocou a falência de várias empresas."
As movimentações dos camionistas são a ponta do iceberg que aí vem. O governo, qual Titanic, continua a pensar que o aumento dos combustíveis é um "problema social" que se trata com abonos de família.
Quer se goste quer não, o impacto da paragem dos transportes de mercadorias assusta muito mais o governo do que o desfile de 200.000 manifestantes na Avenida. As manifestações sindicais têm-se repetido ao longo dos anos, já não impressionam. A entrada na dança dos pescadores e dos camionistas tem um significado muito diferente e o governo sabe-o.
Como eu disse AQUI e AQUI , as garantias de mobilidade são uma condição da sobrevivência económica e até das liberdades individuais. Não se resolvem com paliativos.

sexta-feira, maio 30, 2008

EU NÃO VOU

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Julgo que os protestos deviam também ser contra os impostos elevadíssimos e o que eles representam. Ainda assim penso que este movimento colectivo, independentemente dos resultados, é um bom exercício.

Sessão festa no Teatro da Trindade promovida pela esquerda plural


Vai realizar-se 3º-feira, dia 3 de Junho, às 21h30, no Teatro da Trindade, em Lisboa, uma festa sessão, em que serão oradores Manuel Alegre, Isabel Allegro, professora universitária e antiga colaboradora de Maria de Lourdes Pintasilgo, e o deputado bloquista José Soeiro.

A festa terá como tema Aqui e Agora, 1974-2008 Abril e Maio. Apesar do lema da convocatória falar Contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade a sua mobilização está a ser feita na base de um Apelo subscrito por 85 personalidades, de algumas importantes correntes de esquerda: Manuel Alegre e alguma esquerda do PS, o Bloco de Esquerda, a Renovação Comunista e alguns independentes.

Segundo declarações do próprio Manuel Alegre, este encontro visa estabelecer um diálogo à esquerda, entre gente que tem andado desavinda. E refere-se a Abril e Maio, o primeiro como o mês da conquista da Liberdade e, o segundo, como o da luta pela igualdade social.

terça-feira, maio 13, 2008

A hegemonia cultural e política da esquerda nas vésperas do 25 de Abril


Ao consultar na net a edição portuguesa do Le Monde Diplomatic encontrei referência a uma conferência internacional, que eu já conhecia, mas na qual não pude infelizmente participar, sobre o Maio de 68 e que teve lugar a 11 e 12 de Abril passados.

Sei que dessa conferência resultaram imensas entrevistas aos participantes estrangeiros, incluindo uma a Daniel Bensaïd, que irei posteriormente comentar, e que ela serviu de fonte de inspiração a muitos jornalistas para as suas reportagens sobre o Maio de 68.

Uma das primeiras comunicações apresentadas foi a de Fernando Rosas, que se intitulava: Teses sobre a geração dos anos 60 em Portugal e a questão da hegemonia e cujo resumo, que constava do programa, era o seguinte: “pretende-se discutir o papel que o "Maio de 68" em Portugal, ou seja, a contestação estudantil de 1969, desempenhou na radicalização da luta política em geral e na alteração das relações de hegemonia em favor das mundivisões marxizantes e revolucionárias na sociedade portuguesa da época.”

Fiquei bastante interessado no tema e tentei ver se na net havia o texto completo da comunicação. Eu próprio, em reflexões pessoais, e na perspectiva de um estudante comunista, já tinha dado a minha visão do que tinha sido a influência do Maio de 68 no movimento estudantil desses anos.

Mas, o que despertou mais o meu interesse foi, no resume da sua comunicação, a expressão “a contestação estudantil de 1969” provocou “alteração das relações de hegemonia em favor das mundivisões marxizantes e revolucionárias na sociedade portuguesa da época.”

Com a audácia de alguém que não assistiu à conferência, queria no entanto sublinhar que se isto é verdade, houve à época um outro conjunto de circunstâncias, políticas e culturais, que permitiu a alteração das relações hegemónicas a favor de uma modificação revolucionária da sociedade portuguesa e com contornos marxistas, que teve evidentemente reflexos no pós-25 de Abril, que não seria o que foi se não tivesse o terreno já previamente adubado.

Mas comecemos pelo princípio.

Num filme que passou recentemente na RTP I, sobre Humberto Delgado e as eleições de 1958, muito discutível pela selecção dos depoimentos a que recorre – não há nenhum comunista a falar sobre aquelas eleições –, Lauro António, o seu realizador, vai ouvir a opinião de Marcelo Rebelo de Sousa. Este, com grande ligeireza opinativa, refere que a queda do salazarismo teria começado com aquelas eleições. Victor Dias no seu blog já comentou devidamente estas declarações. No entanto, gostaria de acrescentar, que os tempos em que se desenrolaram aquelas eleições, que corresponderam ainda a um Portugal arcaico, nada tiveram a ver com o clima político e cultural criado durante o marcelismo e que de facto correspondeu ao fim do regime fascista. Ou seja, em 58 era ainda impossível descortinar qualquer hegemonia das “mundivisões marxizantes e revolucionárias” na sociedade portuguesa. É bom não esquecermos que Salazar ainda em 1961, com os acontecimentos no Norte de Angola e a sua exigência de ir para lá e em força, tinha conseguido de novo a mobilização de certas camadas populacionais, do campesinato a certa pequena-burguesia citadina. Só posteriormente, com o arrastar da guerra e a emigração para França da grande base de apoio do clericalismo e do salazarismo, se começa a verificar uma nova correlação de forças desfavoráveis à ditadura e à criação de uma cultura de resistência à mobilização para a guerra colonial.

Se o Maio de 68 teve sem dúvida efeitos na esquerdização da juventude e por reflexo na sociedade portuguesa, é evidente que não foi o único evento que provocou essas alterações. A queda de Salazar e a nomeação de Marcelo, tendo provocado algumas ilusões em certa “oposição”, possibilitou ao mesmo tempo o seu revigoramento. Basta pensar que as eleições para Assembleia Nacional, que tiveram lugar em 69, com o reforço do trabalho de base promovido pela CDE, nessa altura uma coligação de comunistas e católicos progressistas e de “outros democratas”, como se dizia então, teriam sido impossíveis nos anos de chumbo de Salazar. Basta comparar com as anteriores, de 65.

Mas, mais do que isso foi todo o clima cultural e politico criado na época. A conquista dos sindicatos fascistas pelos trabalhadores e a formação da Intersindical foi um facto de enorme importância. Quem esquece as manifestações à hora do almoço dos bancários, essa classe tão recuada, a propósito da prisão de um dos seus dirigentes, o Daniel Cabrita.

A criação de cooperativas culturais e livreiras, onde se procedia à realização de colóquios e à venda de livros, muitas vezes proibidos. A realização dos Congressos Republicanos em Aveiro. A manutenção sobre formas legais e semi-legais da CDE durante todo esse período.

Mas também o que se lia. O próprio panorama editorial se modificou: editou-se Lenine, dando-lhe o nome de baptismo, Ulianov. O revigoramento do jornal República e de grande parte da informação regional, como o Jornal do Fundão, o Notícias da Amadora, e o Comércio do Funchal. Revistas como a Seara Nova, a Vértice e o Tempo e o Modo tiveram grandes tiragens.

As canções que se ouviam: José Afonso e Adriano, mas a seguir todos os baladeiros. Até já nem o Festival da Canção escapava, com as letras do Ary dos Santos.

É a tudo isto que chamo as alterações de relação hegemónica que se deram a favor da esquerda, das mudanças revolucionárias, se quiser do anti-fascismo, que se verificaram nas vésperas do 25 de Abril e a que os militares não ficaram imunes, no Continente e nas colónias. Em 1970, dá-se a incorporação dos expulsos da Universidade de Coimbra pelo Governo devido à crise de 69. Em Abril de 1970, na minha incorporação, fui encontrar muita desses estudantes, o que necessariamente ia ter reflexos nas companhias que partiam para África.

E aqui entronca outra das discussões que se travou há tempos na blogosfera a propósito de um artigo de Pacheco Pereira sobre a guerra colonial. Se todos os que nos opúnhamos àquela guerra tivéssemos desertado, a nossa intervenção junto dos militares no activo tinha sido insignificante e não teria depois a importância que veio a ter na sua insubordinação e adesão a muito dos princípios da própria luta de libertação dos povos coloniais.

Quero com tudo isto dizer que houve uma alteração hegemónica cultural e política, que se verificou a partir de 69, que apressou o fim do marcelismo, motivou um grupo de militares da baixa patente e permitiu a explosão revolucionária do pós-25 de Abril.

Por tudo isto, considero que os problemas da hegemonia cultural e política deveriam ser hoje um tema central do nosso debate político contemporâneo.
PS.: Este texto foi publicado igualmente em http://trix-nitrix.blogspot.com/

sexta-feira, maio 09, 2008

E se houvesse um novo 25 de Abril ?

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Nas andanças recentes à volta das recordações de Maio fui dar com uma brochura, publicada em Maio de 1975 pelo Ministério da Comunicação Social, contendo o discurso de Vasco Gonçalves no 1º de Maio. É o famoso "Discurso da Batalha da Produção".




"O desencadeamento da batalha da produção é, portanto, uma necessidade imediata e imperiosa nas actuais condições.
O papel principal nesta batalha da produção pertence a vós, trabalhadores que, hoje, dadas as medidas já tomadas contra o capital monopolista e latifundiário, no sentido do domínio pelo Estado de sectores básicos da produção e do arranque da reforma agrária, têm a garantia que o seu trabalho e a sua opção reverterão em benefício da colectividade e não em benefício das classes privilegiadas.
Que pede, então, o MFA aos trabalhadores?"


E mais à frente:

"A batalha da produção exige, de todos nós, mais trabalho, mais imaginação criadora, procura de soluções mais económicas para os problemas e mobilização revolucionária no trabalho. O povo deve procurar em si toda a capacidade criativa que possui. O MFA e o Governo Provisório estimularão a criatividade popular, certos de que ela é indispensável na construção do novo Portugal. Neste campo continuarão a desempenhar papel fundamental as Campanhas de Dinamização Cultural e Cívica, desenvolvidas pelas Forças Armadas. É necessário promover uma autêntica revolução cultural no seio do nosso povo, abrir o nosso povo a ideias novas.
É necessário que as empresas de ponta dêem exemplos revolucionários de trabalho. Estas empresas devem constituir a vanguarda da batalha da produção. Os trabalhadores das empresas nacionalizadas e das empresas públicas devem fazer delas modelos de rentabilidade. ".


A leitura do discurso deixou-me a sensação de que, esgotado o receituário da época (nacionalizações, reforma agrária, etc) Vasco Gonçalves passava formalmente a "bola ao povo". Ao mesmo povo que votara a 25 de Abril maioritáriamente no PS ( 37,87 %) e PSD ( 26,39%), no "centrão" portanto, para a Assembleia Constituinte. O resultado já todos sabemos qual foi.

Quando hoje oiço dizer que "o 25 de Abril não se cumpriu integralmente" e até que "isto precisava era de um novo 25 de Abril" eu interrogo-me.

Suponhamos então que, por absurdo, um grupo de capitães decidia em 2008 fazer um "novo 25 de Abril", e que entregava o poder ao Bloco de Esquerda e ao PCP, verdadeiros depositários das memórias revolucionárias.

A pergunta é: o que é que eles faziam ? nacionalizavam tudo outra vez ? ressuscitavam a Reforma Agrária ?

No plano da transformação do modelo económico e das relações de produção, da propriedade e das classes, o que é que um poder revolucionário de esquerda faria ?

Tenho a sensação de que estamos exactamente como há 33 anos, de que em todo este tempo não houve qualquer desenvolvimento teórico à esquerda e que, portanto, só lhes restava tornar a "passar a bola ao povo".

Como sou chato tenho a mania das perguntas difíceis...

sexta-feira, maio 02, 2008

Ainda o Maio de 68


No meu texto sobre o Maio de 68 , que a Joana Lopes que teve a amabilidade de citar, fiz referência genérica a alguns livros publicados em França sob a égide do Partido Comunista Francês (PCF) relativos aos acontecimentos que se acabavam de se desenrolar.
Um deles chamava-se Mai des prolétaires, foi escrito por Laurent Salini, estava integrado numa colecção de livros de algibeira chamada Notre Temps e era das Éditions Sociales, que eu no post referido traduzi por Edições Sociais, uma editora ligada ao PCF, que já desapareceu. O livro foi publicado em Novembro de 1968, portanto muito em cima dos acontecimentos.
No capítulo final, dedicado Em direcção ao socialismo, numa tradução da minha autoria, é afirmado o seguinte:
…“longe de transformar as “regras estratégicas em princípios morais”, nós (PCF) lutamos contra os esquerdistas não porque eles fossem “a vanguarda do movimento de Maio”, não porque eles preparassem a revolução, mas porque ao voltarem-se contra o Partido Comunista e a estratégia que propõe, travam o caminho do nosso povo em direcção ao socialismo, ajudam a contra-revolução, abrem caminho às forças reaccionárias. Combatemo-los, não porque queiram, apesar da nossa iniciativa, incentivar a luta proletária, mas porque trabalham para a enfraquecer, desviando-a dos seus objectivos. Combatemo-los porque, à tentativa de encontrar novos caminhos para o socialismo, opõem dogmas mortos, transpõem de forma livresca tácticas válidas noutros locais, mas inaplicáveis aqui, copiam tristemente experiências inspiradas por situações diferentes da nossa.
E, já que falamos de estratégia – os estrategas são muitos neste momento nas ruas de Paris – o que é que se entende por uma estratégia revolucionária senão aquela que tende a juntar efectivamente contra a burguesia e para lhe retirar o poder, forças decisivamente superiores às do adversário e a este unicamente. Toda a tentativa de dividir o movimento, toda a acção que conduza a formas de luta extremas de uma única parte das forças que se devem unir no combate contra o grande capital, toda a acção que isole um grupo de combatentes é necessariamente nefasta. É criminosa. Sobretudo quando, aproveitando a inexperiência da juventude, quer-se lançar esta, ou seja, a geração que vai carregar com o peso principal das lutas do futuro, em aventuras, que, magoando-a, arriscam-se a semear entre ela a derrota e o desencorajamento e a afastá-la do combate popular.” E o texto continuava neste termos.
É evidente, que esta é uma linguagem de palha, muito comum ontem e hoje a algum movimento comunista, no entanto, este texto não deixa de reflectir o que pensava o PCF sobre o movimento esquerdista e aquilo que ele propunha aos estudantes, bem como o que nós comunistas portugueses, ou pelo menos alguns de nós, também pensávamos sobre o assunto. E ainda hoje, sem me rever nesta fraseologia, reconheço que bem exprimido o Maio de 68, na sua forma comemorativa e retórica, pouco nos deixou que verdadeiramente seja transformador das sociedades hodiernas.
Quando ainda recentemente, no programa Prós e Contras, Fátima Campos Ferreira queria comparar o “é proibido proibir”, do Maio de 68, com a má educação de uma jovem que queria impedir que uma professora lhe retirasse o telemóvel, podemos perceber o que aquela data significa para muita gente. Lamento, mas eu não alinho nesta onda comemorativista.
Se integrarmos o Maio de 68 no conjunto de fenómenos que pelos anos 60 atravessaram as sociedades capitalistas do ocidente desenvolvido, e até algumas do socialismo real, e os confrontarmos com a posterior transformação do capitalismo, poderemos talvez compreender melhor o que se passou naqueles anos e enquadrá-los numa verdadeira perspectiva histórica.
PS.: Este texto foi publicado igualmente em http://trix-nitrix.blogspot.com/

quinta-feira, maio 01, 2008

O meu 1º de Maio há 40 anos

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O meu 1º de Maio de 1968 foi passado dentro deste navio da Armada, a fragata Corte Real. Eu tinha sido mobilizado para a Guiné com partida nesse dia.
Embarcámos de manhã mas o navio, por razões técnicas, só zarpou ao cair da noite.
Por isso estivemos o dia inteiro, por sinal cinzento, a ver Lisboa da amurada do navio fundeado no Tejo.
Foi um dos dias mais tristes da minha vida.