domingo, setembro 30, 2012

Um erro que se repete



O que mais me preocupa é que, depois de tudo o que vivemos desde o 25A, se persista em mistificar a verdadeira raiz dos problemas por que estamos a passar (como se o nosso problema fosse o governo do momento ou a Troika). Se resuma tudo, mais uma vez, a uma mudança dos actores em palco como já tantas vezes se fez sem qualquer resultado. 
A seguir a isto, a esta agitação que não tem saída, como aconteceu depois do PREC, teremos longos anos de cepticismo e de apatia.

sábado, setembro 29, 2012

OS NOVOS AMIGOS DO POVO

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Cofesso que me sinto incomodado por constatar que as recentes manifestações, contra a Troika e contra a austeridade, têm beneficiado de cobertura integral, em directo, pela televisão.
Durante décadas participei em incontáveis manifestações políticas e sindicais que as televisões remetiam, muito condensadas, para o mar da palha dos noticiários. Nessa altura esses meios estavam ao serviço da burguesia, ou do governo, o que era a mesma coisa.
Agora, o Balsemão e congéneres, acicatados pelo perigo da privatização da RTP, converteram-se em abnegados militantes da democracia itinerante ?
Com amigos destes a Revolução está ao virar da esquina





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Há 37 anos

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sexta-feira, setembro 28, 2012

PERGUNTAS DE UM CIDADÃO QUE PENSA




PERGUNTAS DE UM CIDADÃO QUE PENSA

- Se o programa da Troika não resolve então qual é a entidade que nos empresta dinheiro com um programa que funcione ?
- Se o nível de emprego e a actividade económica se baseavam num crescimento do endividamento anual de 10% do PIB como é possível mandar lixar a Troika e manter tudo como estava ?
- Se precisamos de mais tempo para o ajustamento por que é que um ano adicional que nos foi concedido é apenas uma confirmação de que o programa da Troika (e do governo) não funciona ?

- Se os portugueses não aguentam mais impostos e a alternativa do corte da despesa do Estado significa apenas a destruição do SNS e da escola pública como resolvemos o défice ?
- Se a austeridade impede o crescimento por que é que o regabofe despesista dos últimos anos não produziu crescimento ?
- Se este governo não presta e deve ser substituído o que se espera que resulte de novas eleições ?
- Se foram precisamente as eleições que nos deram o governo incompetente que hoje temos será que devemos passar a nomear o governo, durante as manifestações ?





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quinta-feira, setembro 27, 2012

37 Anos Depois








37 Aanos depois e também no fim de Setembro.

Esperemos que Novembro não se repita igualmente.
(mensagem codificada para aqueles que já eram crescidinhos em 1975)

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quarta-feira, setembro 26, 2012

Há exactamente 29 anos - 26.09.1983

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(clicar para ler)


Como se pode ver já então Mário Soares estava aterrorizado com as contas da Madeira.
Os ares condicionados FNAC, os tais que a Zita diz que além de fresquinho faziam escutas, estavam mesmo na moda.

Será coincidência ?

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Achei interessante a correlação entre TSU das empresas e desemprego. 
Países com TSU das empresas alto (acima dos 25%) têm por norma desemprego acima dos 10%, com excepção da Bélgica. 
Países com TSU das empresa baixo (inferior a 20%) têm desemprego abaixo dos 10% (com excepção da Irlanda por razões conhecidas). 
O caso mais espantoso é o do Japão que, tendo crescimento negativo do PIB, apresenta um desemprego de 4,3%.
Não me lembro de ter visto alguém analisar este quadro saído no Expresso durante a sublevação popular das últimas semanas.

terça-feira, setembro 25, 2012

SOARES+MOTA PINTO RUA

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O que se está a preparar, eventualmente como apoio da Troika e com a ajuda involuntária das manifs de protesto como a do dia 15, é a queda do PPC para poder pôr no governo uma coligação PS+PSD+CDS (de preferência com eleiçoes pelo meio). 
Os nossos credores sabem que só assim, como fizeram na Grécia onde o Syriza nunca mais se ouviu, podem criar condições mínimas para realizar o "ajustamento". 
Deixando o PCP e o BE a gritar sozinhos criam uma situação identica à que existiu quando o FMI esteve em Portugal, em 1983. 
Ainda hoje, passados 30 anos, há pichagens nas paredes que dizem "SOARES+MOTA PINTO RUA". Os cães ladram mas a caravana passa.

Ver mais sobre o governo de 1983 aqui

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segunda-feira, setembro 24, 2012

Outras Crises (mais duras)



 
Nas repúbicas bálticas, por onde passei recentemente, ainda há muita gente a morar nos edfícios construídos durante o período soviético e que agora, dada a sua falta de qualidade, se encontram num estado deplorável.
Em países como a Lituânia, Letónia e Estónia, onde podem fazer trinta graus negativos, e onde o inverno é longo, parece-me inevitável ficar deprimido. Especialmente se for preciso gastar grande parte do salário no aquecimento da casa com o gás que os russos, segundo me disseram, fornecem agora a preços capitalistas.

sábado, setembro 22, 2012

O Tal Canal


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Clara Ferreira Alves, no Expresso de hoje, dá um tiro no pé ao fazer uma descrição brilhante das maldades que se podem fazer quando se tem um canal de televisão.
Como toda a gente sabe, e melhor que ninguém o maquiavélico Relvas, a tentativa de abarbatar a RTP, que muito provávelmente está em curso, terá que ser feita contra a vontade das televisões privadas já instaladas.
Ora a Clara é precisamente funcionária de uma delas. O leitor é levado a pensar se este artigo não se integra numa qualquer campanha contra quem quer vir, com o tal canal, disputar o monopólio da manipulação que Clara tão eloquentemente descreve.
Ou as manobras e os golpes baixos são só dos outros?

Para se conseguir safar do massacre a que está sujeito nas TVs privadas o governo ainda vai acabar por decidir manter a RTP na esfera pública. E sem publicidade, para não concorrer com os privados.
Ao fim e ao cabo, quando comparado com os enormes défices do Estado português, o custo da RTP acaba por ser uma gota de água.
Mas uma gota que, em termos de popularidade, pode fazer para o governo toda a diferença.



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sexta-feira, setembro 21, 2012

Erro de estratégia


 
A estratégia é a arte de escolher onde travar as batalhas.

Os organizadores da manifestação do 15 de Setembro receberam um brinde de Passos Coelho sob a forma de anúncio televisivo da subida da TSU.
Os dirigentes da opos
ição, revelando a sua habitual miopia e vacuidade, cavalgaram o sucesso da manifestação e puseram a queda do governo na ordem do dia.
Ao fazê-lo num momento em que não se vislumbra nem alternativa ao governo, nem sequer como construir tal alternativa, devolveram a Passos Coelho o brinde que ele, por inépcia, lhes oferecera.

Travaram portanto esta batalha no pior momento e o debate na AR demonstrou a inconsequência de toda a agitação dos últimos dias.
Por causa da sua irresponsabilidade os dirigentes da oposição vão provocar uma enorme desilusão aos manifestantes, que em muitos casos não tornarão a sair à rua.
Além disso reforçam o governo. É isso que acontece sempre que uma força sobrevive a um ataque que os seus adversários, imprudentemente, consideraram letal.





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quinta-feira, setembro 20, 2012

KAUNAS Photo Festival




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O KAUNAS PHOTO tem estado a decorrer na Lituânia. Aqui ficam algumas imagens da visita que fiz às exposições no dia 9 de Setembro.
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quarta-feira, setembro 19, 2012

terça-feira, setembro 18, 2012

O PREC no Facebook

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A manifestação à porta do Conselho de Estado faz lembrar, aos que têm idade para isso, os saudosos tempos do PREC. Ora veja aqui como foi animado o Setembro de 1975.
http://abril-de-novo.blogspot.pt/2009_09_01_archive.html

É por isso que anda no ar um cheirinho a déjà vu

quinta-feira, setembro 06, 2012

O Estado é o Relvas


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Muitas discussões actuais estão contaminadas por uma concepção mítica do Estado, como grande fautor de justiça social e garante do interesse colectivo. Este Estado utópico não existe e nunca existirá.

Em vez disso, o que existe num estado democrático é uma rotatividade do pessoal dirigente sucedendo-se as mais variadas concepções sobre a melhor forma de prosseguir o bem comum. Por seu lado o funcionalismo, que executa um número cada vez maior de incumbências do Estado, é apenas um enorme grupo de pessoas com as suas qualidades e defeitos, abnegações e vícios.
Portanto, em cada momento, o Estado e as suas instituições não têm nada de transcendente. São simplesmente um grande colectivo de pessoas concretas que têm poderes e competências concretas.

Quando se exige, por exemplo, a existência de um “serviço público de televisão” na esfera do Estado, e para isso se invectiva o ministro Relvas, é bom não esquecer que o Estado é o Relvas e todos os outros Relvas que por lá andam.

O Estado já não é só o que a teoria de esquerda tradicional dizia: a institucionalização da exploração e a forma “civilizada” de a perpetuar. Agora, em concorrência com os grandes poderes económicos, sentam-se à mesa do Estado corporações e federações de interesses com capacidade para condicionar os resultados eleitorais.

Presos nesta teia, os que ainda se reclamam do marxismo, em vez de se proporem destruir o Estado para abrir caminho a uma nova sociedade, limitam-se a parasitar a influência de certas castas burocráticas e a defender a extensão, até ao absurdo, do papel do Estado na sociedade.

Nesta conformidade cada grupo propõe o emagrecimento do Estado onde lhe convém (impostos, burocracia, controle policial, etc) e o engordamento do mesmo Estado quando disso pode beneficiar (empregos, subsídios, investimentos, etc).

O Estado não é, ao contrário do que diz a lenda, uma entidade superior, depositária dos valores e visionária dos caminhos, em que os cidadãos todos se fundem e confiam. É antes a alavanca que cada grupo e capelinha procura usar para alcançar o próprio proveito (material ou ideológico).

sábado, setembro 01, 2012