sexta-feira, abril 30, 2010

World Expo 2010 Shanghai



Está  a decorrer a cerimónia de abertura deste mega evento. No nosso país este acontecimento de relevo mundial não está a ter qualquer repercussão.
Se quer ver a transmissão dos espectáculos de abertura clique aqui.

quinta-feira, abril 29, 2010

Vendas americanas para a China

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O Los Angeles Times dá conta do adiamento do relatório do U.S. Treasury Department sobre as taxas de câmbio no comércio internacional, ansiosamente aguardado por todos aqueles que acusam a China de proteger o seu mercado interno ao manter a sua moeda artificialmente depreciada.

A este propósito o jornal tenta mostrar que não é bem assim, que as exportações dos Estados Unidos para a China têm crescido intensamente apesar do valor do yuan.

Desde 2005 as exportações dos USA para a China, segundo o U.S. Commerce Department, cresceram 69% enquanto para o resto do mundo só 19%.
Os produtos manufacturados exportados para a China tiveram um crescimento de 47% contra apenas 7% para o resto do mundo.
Mesmo os produtos agrícolas duplicaram as suas exportações desde 2005, um crescimento que é o triplo do verificado para outros mercados.
A China compra mais de metada da produção americana de soja.

As percepções empíricas são muitas vezes enganosas.

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quarta-feira, abril 28, 2010

Parece que é bruxa

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À noite, Armando Vara recebe um telefonema de outro arguido no ‘Face Oculta’, o empresário Fernando Lopes Barreira, que lhe pergunta se viu «a entrevista da ‘bruxa’» à SIC Notícias (referindo-se a Manuela Ferreira Leite, líder do PSD). Vara responde que não e o amigo comenta que «saiu-se bem».

Esta é uma transcrição das escutas do caso Face Oculta. Foi publicada pelo jornal Sol, há uns tempos, mas só recentemente compreendi o alcance do termo "bruxa", utilizado por  Fernando Lopes Barreira, quando se referiu a Manuela Ferreira Leite.




Moral da história: em democracia, se se quer ganhar, nunca se deve dar más notícias aos eleitores antes da votação.
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terça-feira, abril 27, 2010

O eucalipto



Desde que as Comissões Parlamentares de Inquérito começaram a incidir sobre suspeitos "da casa" (Constâncio, Sócrates) o Partido Socialista iniciou uma deplorável política de terra queimada contra tais iniciativas.
Como não podia deixar de ser, Mário Soares junta-se hoje ao coro, no Diário de Notícias, chorando lágrimas de crocodilo sobre o prestígio perdido pela Assembleia da República. Como é seu timbre omite os casos em que as Comissões serviram os seus próprios propósitos.
Sócrates, tal como antes Cavaco, funciona como uma espécie de eucalipto que seca tudo à sua volta. Cavaco produziu realmente o PSD actual mas Sócrates seca um raio muito maior, senão vejamos.
Secou o jornalismo, apresentado como um ninho de víboras sempre pronto a armar, contra ele, um novo escândalo. Secou a justiça e os tribunais por fazer dos magistrados um bando de conspiradores que só iniciam as investigações sobre ele para servir as oposições. 
Agora é a vez da Assembleia da República. A "casa da democracia", que os portugueses elegeram, parece afinal ser uma casa de doidos ou irresponsáveis. Porquê? Porque se atrevem a criar uma comissão e se propõem esmiuçar a acção do senhor engenheiro.

Até onde irá esta luta de Sócrates pela sobrevivência política ? que mais será preciso destruir no seu caminho ?
A serem reais as alegações com que Sócrates se defende, e os pecados que aponta a quem o questiona, Portugal seria um país condenado de onde deveríamos fugir logo que possível. 

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segunda-feira, abril 26, 2010

China mostra sua força nos automóveis



Publicado no Estadão.com.br em 24.04.2010

A crise econômica mundial, que catapultou a China para o primeiro lugar entre os mercados automobilísticos globais em 2009, também transformou o Salão do Automóvel de Pequim em um evento crucial para essa indústria, com várias montadoras decidindo lançar seus novos produtos na capital chinesa, em vez de Detroit, Paris ou Tóquio.
Aberta ontem para a imprensa, a feira deverá apresentar 14 novos modelos europeus e americanos e 75 chineses, em uma indicação do alto grau de competição que marca o setor automobilístico na China.
Em meio à retração dos mercados nos Estados Unidos, Europa e Japão no ano passado, a China registrou aumento de 45% na venda de veículos, para um total de 13,6 milhões de unidades - cifra que inclui utilitários e caminhões leves. Nos Estados Unidos, foram vendidos 10,4 milhões de veículos, o menor número em 27 anos.
No primeiro trimestre de 2010, a velocidade do mercado automobilístico chinês acelerou ainda mais, com alta de 63% em relação a igual período de 2009. A transformação nesse setor é mais surpreendente quando se considera que o conceito de carros privados começou a se popularizar no antigo reino das bicicletas depois do ano 2000. Em razão disso e de sua enorme população, a China ainda tem uma baixa relação de veículos por habitante.
Independência. A edição 2010 do Salão do Automóvel de Pequim também revela o fortalecimento das montadoras independentes da China - aquelas que produzem sem associações com multinacionais estrangeiras.
Há cinco anos, a participação das empresas chinesas era acanhada e vista mais como uma anedota do que uma ameaça real aos grandes nomes globais do setor. Atualmente, a presença dessas marcas é agressiva e elas respondem por muitos dos novos lançamentos de carros "verdes" ou experimentais.
As montadoras chinesas estão no início de seu processo de internacionalização, que deverá levar a uma mudança estrutural nesse setor. Além de se expandir internacionalmente, as chinesas também aumentam sua fatia no mercado local. No ano passado, elas ficaram com 30% das vendas, e o objetivo do governo chinês é elevar o porcentual a 50% até 2015.
Mesmo com a expansão das marcas locais, a China se transformou em um mercado crucial para as grandes fabricantes globais. As vendas da General Motors, por exemplo, cresceram 71% no país asiático no primeiro trimestre de 2010, para 623,5 mil unidades. Nos Estados Unidos, a alta foi de 16%, com vendas de 475,2 mil unidades.
Atração. "O rápido crescimento da China torna seu mercado automobilístico extremamente atraente e quase irresistível para qualquer montadora", diz John Humphrey, vice-presidente da consultora J.D. Power em um estudo sobre o futuro desse setor. Apesar dessa atração, Humphrey afirma que será cada vez mais difícil para as montadoras alcançarem suas metas de lucro no mercado chinês, em razão da feroz competição.
A J.D. Power prevê que, em 2015, haverá 90 marcas disputando a preferência do consumidor local, o dobro dos Estados Unidos. Essas montadoras produzirão 300 modelos diferentes, que vão competir entre si e com os importados que entrarão no país. Grande parte dessas marcas é de propriedade das províncias chinesas, que farão de tudo para manter sua posição.

Este vulcão é bem mais preocupante para a Europa do que o vulcão islandês.

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domingo, abril 25, 2010

sexta-feira, abril 23, 2010

Duas notícias reveladoras


Satisfeita com o crescimento de 1.000% desde sua chegada na China, a Bentley vai lançar dois modelos de carros luxuosos exclusivos para país asiático. O Continental GT Design Series China e o Continental Flying Spur Speed China serão apresentados ao público no salão do automóvel da China deste ano, que será realizado entre os dias 23 de abril e 2 de maio.
Terra Brasil, 22.04.2010

A Venezuela enviará 100 mil barris diários de petróleo para a China durante os próximos 10 anos para pagar por um empréstimo de US$ 20 bilhões que fechou com Pequim durante o final de semana passado, disse o ministro do Petróleo da Venezuela, Rafael Ramírez.
Estadão, 22.04.2010

quinta-feira, abril 22, 2010

Pressões sobre o Google

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Afinal parece que não é só a China. Veja aqui

Desaparecido em combate ?

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Desde que se intensificaram, na imprensa internacional, as notícias preocupantes sobre a economia portuguesa e sobre a eventualidade de Portugal ser o próximo "problema da UE", deixámos de ver Sócrates nas televisões e na Assembleia da República.
Desaparecido em combate ?
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quarta-feira, abril 21, 2010

Um país romântico

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Quando alguém em Portugal se atreve a perguntar quanto custa o projecto, se há dinheiro para o pagar ou quem é que o vai pagar ouve-se de imediato, em coro, uma acusação: economicista !

Assim são tratados aqueles que se rendem às regras materialistas sem compreender que há valores que estão para além disso.
Nós aqui vivemos numa espécie romântica de socialismo virtual em que não se cuida de saber quanto custa o sonho.
Uma mistura da cavalaria medieval e da habilidade do Alves dos Reis.

Há países, prosaicos, que enriquecem primeiro e depois tratam dos seus desvalidos. Nós não. Comprámos o Estado Social a crédito mostrando assim a nossa generosidade e o nosso desapego. O único problema é que estamos com dificuldades para pagar as prestações.

As instâncias internacionais mostram não compreender estes rasgos de romantismo que nos caracterizam. Na sua cegueira materialista insistem em falar de bancarrota e não se ensaiam nada para deixar de nos emprestar o dinheiro com que alimentamos a grei.
O nosso Ministro das Finanças e o nosso Presidente já lhes deram a reprimenda merecida que o nosso patriotismo impunha. E eles fingiram que se estavam nas tintas.
Seja como fôr, mesmo de tanga, ganharemos moralmente como a nossa selecção costumava fazer.
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terça-feira, abril 20, 2010

E agora ?

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O prestigiado economista Joseph Stiglitz não exclui a hipótese de Portugal ou a Espanha acabarem por falir, apesar de agora se estar a organizar o salvamento financeiro da Grécia.
Sitglitz, professor na universidade de Colúmbia, fez esta observação durante uma entrevista ao diário espanhol El País, quando falava da dificuldade em encontrar uma solução para a actual situação em Espanha, onde o desemprego oficial roça os 20 por cento e que está perante o dilema de aumentar, ou não, impostos.
Esta observação deste economista que foi assessor do Presidente Bill Clinton e que é muito crítico da actual globalização comercial e financeira (e particularmente do sistema financeiro) segue-se a várias referências na imprensa internacional à situação financeira portuguesa.
Também hoje, um artigo de opinião no diário britânico Telegraph questiona se a Alemanha também vai ter de financiar Portugal. A comparação do peso das dívidas públicas portuguesa e grega é contrastada com o peso das dívidas dos respectivos sectores privados, e o país não sai muito bem na imagem.
A dívida pública nacional deverá representar este ano 86 por cento do PIB, enquanto a grega representará 124 por cento. Mas a dívida provada nacional era 239 por cento do PIB em 2008, face a 129 da grega, de acordo com um analista do Deutsche bank citado no Telegraph.
Público, 20.04.2010

É altura de perguntar aos governantes das últimas décadas como pensam assumir a responsabilidade desta situação. Ainda há pouco tempo exibiam um sorriso displicente quando se falava dos alertas de Medina Carreira.
E agora ?

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segunda-feira, abril 19, 2010

Santinho

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DN 19.04.2010

domingo, abril 18, 2010

Primitivos actuais

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Os vulcões da Islândia, e as suas espectaculares consequências para o tráfego aéreo, estão a dar novo alento aos discursos do tipo "pecado e expiação".
Pessoas educadas, aparentemente na posse das suas faculdades mentais, referem-se às erupções como um "castigo" ou pelo menos um "aviso" da natureza.
Como qualquer curandeiro numa ilha perdida do Pacífico, culpam a "desobediência" humana e dissertam sobre a arrogância com que ousámos acreditar nas nossas tecnologias.

Pessoas de fato e gravata, num anacronismo inconsciente, recuperam o discurso dos aborígenes e dos bosquimanos. Como se a natureza fizesse alguma coisa para comunicar com estes seres chamados homens, dignos mas irrisórios, que o tempo, com toda a naturalidade, verá desaparecer.
A natural precariedade da raça humana não se coaduna com a prosápia dos comentadores no prime time televisivo.
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sábado, abril 17, 2010

Uma pergunta inconveniente

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O país está praticamente falido,
a justiça não funciona,
o sistema político mostra-se em larga medida desacreditado,
ouve-se frequentemente augurar o fim do regime.
Será mesmo inútil pensar numa revisão constitucional ?

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sexta-feira, abril 16, 2010

Precariedade



Alastra o sentimento de precariedade, muito para além do habitual. Até há pouco tempo o adjectivo estava de certa forma circunscrito à contratação dos jovens, o famigerado trabalho precário.
Agora abrimos o New York Times e lemos que Simon Johnson, professor do MIT, equiparou o financiamento de Portugal a um esquema em pirâmide (como o utilizado pelo gestor norte-americano Bernard Maddof que lhe valeu a prisão perpétua).
O tal economista diz também que Portugal, tal como a Grécia, em vez de abater os juros da sua dívida, tem refinanciado os pagamentos de juros todos os anos através de emissão de nova dívida, chegando mesmo ao ponto de dizer que "vai chegar a altura em que os mercados financeiros se vão recusar pura e simplesmente a financiar este esquema ponzi".

O cidadão que ainda em Setembro, durante a campanha eleitoral, pensou estar a assistir a um salto em frente do país, feito de TGVs, de aeroportos e outras maravilhas, descobre-se subitamente falido e depreciado. Que outras coisas estarão a ocultar-lhe neste preciso momento ? Teme um futuro precário.

Mas não são só os enredos dos homens, e as suas ganâncias, que tornam o mundo imprevisível. Basta um pequeno vulcão da Islândia (onde há tempos acontecera um outro cataclismo mas de natureza bancária) para parar o tráfego aéreo em metade da Europa. À conta disso os checos ficaram-nos com Cavaco por tempo indeterminado.

Andam os homens do aquecimento global tão preocupados com os nossos maus hábitos e afinal basta meia dúzia de grandes vulcões entrarem em actividade para a mobilidade e a logística do planeta regressarem ao século XIX. Como se tal não bastasse as núvens vulcânicas, ocultando o Sol durante meses, podem provocar consequências muito graves na produção de alimentos e condenar à morte milhões de pessoas.

Trabalho precário, civilização precária e planeta precário: está criado o terreno fértil para o nascimento de uma nova super religião com liturgia pela internet.

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quinta-feira, abril 15, 2010

Autocorrupção é o contrário de autoflagelação

O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, que concluiu o inquérito ao caso Taguspark-Figo em menos de quatro meses, acusou de corrupção passiva para acto ilícito Américo Thomati, presidente da comissão executiva do Taguspark, João Carlos Silva, administrador executivo, e Rui Pedro Soares, administrador não executivo. Luís Figo não foi acusado de corrupção activa, no processo do Taguspark, porque não teria consciência de que o capital deste parque tecnológico era maioritariamente público.

O povo está em estado de choque e não consegue atinar com a lógica deste processo. Por isso considerámos necessário vir a público dar o seguinte esclarecimento:

Não tendo havido um acusado de corrupção activa é forçoso concluir que os acusados de corrupção passiva se corromperam a eles próprios, numa espécie de autocorrupção. Esta nova figura do direito pode ser definida, sem preocupações de rigor jurídico, como o contrário da autoflagelação.

Enquanto que na autoflagelação o sujeito diz "vou infligir a mim próprio umas quantas doses de sofrimento para ganhar a benevolência de um ser espiritualmente superior", na autocorrupção o sujeito diz "vou proporcionar vários mimos a um amigo, pagos com dinheiro que não me pertence, para com isso ganhar a benevolência de um ser hierárquicamente superior".
 
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quarta-feira, abril 14, 2010

Mercado dos votos está em alta

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George Grosz, O Agitador (1928)


Agita-se o mercado dos votos. Um dos maiores fornecedores de votos tem um novo director de marketing e a concorrência torna-se mais intensa.

Ainda não se sabe quando será a próxima campanha de vendas mas há que estar preparado pois pode precipitar-se de um momento para o outro.
Quer os fornecedores de votos generalistas quer aqueles que se dirigem a nichos do mercado começam a apresentar o estado febril que antecede as campanhas.

Basicamente cada um pretende mostrar que o seu voto é mais barato e rende mais mas há quem ponha o ênfase no rendimento a curto prazo e, por outro lado, quem prefira prometer lá mais para o futuro. Aos votantes compete fazer a sua análise custo-benefício e investir em consciência.

Tudo se joga num subtil apelo aos mercados alvo pois o voto sendo mais barato para uns terá que ser mais caro para outros. E se rende muito para alguns então é certo que renderá menos para outros.
Quem são os que ganham e quem são afinal os outros que perdem?
A resposta dos fornecedores generalistas é ambígua, tentando convencer todos os votantes de que se encontram entre os ganhadores e evitar que alguém perceba que vai perder. Pelo contrário os fornecedores de nichos obtêm a sua vantagem competitiva de revelar que tencionam favorecer os seus mercados alvo e perseguir aqueles que de qualquer modo nunca comprariam os seus votos.

Não consegui nunca perceber como é que há pessoas que são contra o mercado mas, apesar disso, consideram a democaracia dos nossos dias a coisa mais natural deste mundo. Como é que não percebem que esta democracia é consequência e espelho, apenas mais um mercado na economia de mercado em que vivemos.

Opor os partidos e o Estado às empresas, neste contexto, é de certa forma absurdo.  O sucesso quer de uns quer das outras tem as mesmas vantagens e os mesmos pecados.

Para inventarmos um novo tipo de democracia precisamos de inventar primeiro um novo tipo de economia. Ambas são cada vez mais necessárias.

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segunda-feira, abril 12, 2010

Entrou com o pé direito

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Passos Coelho fez, no encerramento do Congresso do PSD, um discurso surpreendentemente hábil. Colocou a revisão constitucional no centro do debate o que vem ao encontro do sentimento generalizado de que o regime se encontra num impasse.
Bem poderá Sócrates minimizar a proposta e tentar recusar-lhe o indispensável apoio parlamentar. Quanto mais a revisão fôr contestada e adiada mais ela aparecerá aos olhos dos portugueses como a panaceia que talvez nem seja.
Ao posicionar-se desta forma o novo presidente do PSD transmite também a ideia de que é algo de fundamental que tem que ser mudado e não uma cosmética de conveniência. É daquelas propostas que não precisam de ser aceites pelos adversários e que talvez até sejam mais frutuosas quando os adversários as recusam.
Se juntarmos a isto as referências à necessidade de controle democrático das nomeações para altos cargos na Administração e nas Empresas Públicas, feitas por Passos Coelho, então podemos ter a certeza de que à partida escolheu o terreno mais favorável para a batalha que pretende travar.

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domingo, abril 11, 2010

Finalmente um défice chinês

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A China registou em Março 2010 o seu primeiro défice comercial mensal desde 2004.

O défice,  de 7.240 milhões de dólares, reflecte um crescimento de 66% das importações (para 119.350 milhões de dólares) em comparação com o mesmo mês do ano passado, em consequência de compras ao exterior de petróleo e cobre em volume recorde, ao mesmo tempo que de dava uma subida nos preços dessas matérias primas. As exportações cresceram "apenas" 24.3% para 112.110 milhões de dólares.
Os analistas discutem agora se este défice é só uma jogada para aliviar a pressão que tem sido feita sobre o governo chinês no sentido de revalorizar a sua moeda, o yuan. Os chineses quereriam mostrar com este aumento das importações que não é necessário revalorizar o yuan para reequilibrar a balança.

Ler mais no Washington Examiner: http://www.washingtonexaminer.com/world/state-media-china-had-724-billion-trade-deficit-in-march-first-in-almost-6-years-90432979.html
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sábado, abril 10, 2010

CSR - Conselho Superior dos Reformados

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Manifesto desde já o meu apoio à proposta de Pedro Passos Coelho, feita ontem no Congresso do PSD, de criação do Conselho Superior dos Reformados composto por ex-Presidentes da República e vários outros ex-qualquer coisa.
Num país que conta já, e contará cada vez mais, com milhões de idosos e reformados a proposta é realmente de saudar. Vem na linha de um hábito ancestral das sociedades humanas que, ao longo de milénios, têm confiado na sabedoria dos conselhos de anciãos.
O passo seguinte, desculpem o trocadilho, será a criação do Conselho Póstumo da República já que é costume entre nós que quem morre se torna não só "impoluto" como, finalmente, genial.
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sexta-feira, abril 09, 2010

A ciência da caça às bruxas

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Ao fim de quase três anos o Tribunal Criminal de Lisboa terminou finalmente o julgamento da condutora que, a 2 de Novembro de 2007, atropelou três mulheres no Terreiro do Paço, em Lisboa e condenou-a a três anos de cadeia.
Independentemente da justeza da pena, que segundo parece vai ser objecto de recurso durante vários anos, os termos da sentença são reveladores da ideologia dominante nesta matéria. A condenada “não mostrou arrependimento”, mas antes uma “frieza afectiva”.
A ideologia dominante quanto à sinistralidade, a tese imbecil  da "guerra civil na estrada", insiste em centrar as atenções na culpa desprezando o estudo das verdadeiras causas dos acidentes.
Ao fim de três anos e depois do julgamento continuamos sem saber qual foi realmente a causa do acidente. A velocidade do veículo, mesmo que superior à permitida no local, não explica o despiste e o atropelamento dos peões sobre o passeio. A velocidade poderia ser uma boa explicação para o despiste se o automóvel estivesse a descrever uma curva, o que não é o caso.
Algo terá acontecido certamente para que o veículo saísse da estrada com os resultados trágicos que se conhecem; ou a condutora adormeceu, ou se distraíu a falar ao telemóvel, por exemplo.
Do ponto de vista da prevenção rodoviária o que interessa é perceber muito bem o que se passou e por que razão aconteceu. Do ponto de vista da justiça e do ressarcimento das vítimas importa também perceber muito bem o que se passou pois há uma diferença entre culpa e responsabilidade; não se tem, por exemplo, culpa por adormecer mas tem-se certamente a responsabilidade pelas consequências e danos resultantes de tal facto. Pode-se e deve-se mostrar arrependimento quando há culpa mas não faz sentido alguém arrepender-se de algo que não decidiu ou de que não teve consciência.
Mas estes detalhes não interessam muito aos fundamentalistas que querem essencialmente mostrar todos os condutores como potenciais criminosos.
Os exageros e disparates que esta linha de pensamento produz estão bem ilustrados na primeira pégina do "I" hoje publicado. "São atropeladas 17 pessoas por dia" grita irresponsávelmente o jornal para só nas páginas interiores informar que afinal só morreram 92 durante um ano inteiro e não os 6.133 que a primeira página insinuava.
Estes dislates, que tentam ocultar a fortíssima redução do número de acidentes e de vítimas nos últimos anos, foram inspirados numa "tese de mestrado defendida esta terça-feira no ISCTE por Maria João Martins, enfermeira com cerca de 20 anos de experiência em trauma causado por acidentes".
A grande descoberta desta tese é que "a maior parte dos condutores não se culpabiliza e tenta atribuir a responsabilidade a outros elementos externos". A "cientista" parte do princípio de que os condutores são culpados, não admite sequer como hipótese que o não sejam, e portanto conclui que a atitude dos condutores é não só criminosa como incapaz de admitir a culpa.
Esta fervor ideológico mascarado de "ciência" não explica quase nada sobre as causas dos acidentes ou a forma de os evitar mas parece-se muito com a caça às bruxas tal como era conduzida pela santa inquisição.
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quinta-feira, abril 08, 2010

Um povo de merceeiros ?

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No dia 6 de Abril primeiro-ministro Gordon Brown foi recebido pela rainha Isabel II, a quem compete a dissolução da Câmara dos Comuns. Daí resultou a marcação das eleições para o dia 6 de Maio. No dia 7 de Maio a rainha dará posse ao vencedor.
Um mês basta aos ingleses para renovar a legitimidade do seu governo.

Fico a imaginar uma coisa similar em Portugal. Sócrates dirigindo-se a Cavaco e, com base na erosão a que tem estado sujeito, a pedir-lhe para dar ao povo a possibilidade de confirmar ou rejeitar a sua liderança.

Se demorasse só um mês caíria por terra o argumento da degradação da imagem internacional de Portugal resultante de um processo eleitoral.
Infelizmente na nossa república somos muito mais cerimoniosos do que na monarquia inglesa, precisamos de muito mais salamaleques.

Já Brecht dizia que Hitler considerava os ingleses um povo de merceeiros mas que um dia enviariam contra ele o ouro do Transvaal e de ambas as Índias. E assim foi. Percebe-se porquê.

Hábitos de rico em país de pobres

(fotografado com o telemóvel)


Percorro este passadiço sobre as àguas, em frente ao Pavilhão de Portugal na Expo, quase todos os dias desde há vários anos. Regularmente regressa uma equipa de manutenção que se dedica a substituir as ripas de madeira do pavimento que entretanto apodreceram ou se partiram.

Que o arquitecto não se tenha lembrado de que a madeira, naquelas condições ambientais, iria ter um elevado custo de manutenção é lamentável. Que os gestores da Parque Expo ainda não tenham resolvido substituir as ripas por outras mais resistentes e duráveis (PVC ?) é ainda mais inaceitável.

Por todo o país este tipo de desleixo é multiplicado por milhares de casos. As obras querem-se lindas, para encher o olho, mas ninguém se preocupa muito com aquilo que se vai gastar na sua manutenção. Quem vier atrás que feche a porta.

Por isso já nem ficamos admirados quando nos dizem que foi comprada uma frota de helicópteros sem cuidar de negociar, à partida, um contrato de manutenção. A gravidade é maior mas o desleixo subjacente é o mesmo.

Hábitos de rico em país de pobres.
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terça-feira, abril 06, 2010

VIDAGENS - 50 anos 200 fotos



Vidagens é um vocábulo que inventei para designar a exposição destas 200 fotografias. Foram feitas em dezenas de países, ao longo dos últimos 50 anos. São quase sempre fotografias de pessoas- muitas pessoas- e dos seus lugares. Esta é apenas uma das várias selecções possíveis a partir do extenso material com que tenho tentado ilustrar a maravilhosa diversidade do mundo. (ver aqui)

Quem é quem na internet chinesa


O conflito entre a Google e o governo chinês, por causa da censura nas buscas, fez aumentar a curiosidade acerca do "quem é quem" online na China.
Já quase toda a gente sabe que o principal motor de busca na China é o Baidu - 百度 Com mais de 60% do mercado da China é também o terceiro maior motor de busca do mundo . Mas a internet chinesa tem outras estrelas. Aqui ficam alguns números.

A China reúne 384 milhões utilizadores de Internet. Destes, 221 milhões têm blogs.
108 milhões de chineses fazem compras online e 321 milhões de pessoas realizam downloads de música.
Tencent, o principal portal chinês, agrega mil milhões de contas e 485 milhões de utilizadores activos.
A rede social Qzone reúne 310 milhões de utilizadores e o Renren, uma espécie de Facebook, tem 200 milhões de utilizadores (55 milhões via telemóvel).

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domingo, abril 04, 2010

A outra Ressurreição

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Jesus Salva

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sábado, abril 03, 2010

Submarino ao fundo

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A corrupção regressa, regularmente, à ribalta da vida política. Procura-se, com maior ou menor sinceridade, remédios para o flagelo.
Mas será que é possível contrariar a cupidez humana ? Não seria preferível usá-la para o bem comum ?

Na nossa democracia representativa os detentores de cargos públicos são mandatados para gastar verbas descomunais e decidir adjudicações milionárias mas, no entanto, auferem salários que rondam os cinco mil euros.
Tentem por uns minutos imaginar o sofrimento de quem vê outros enriquecer por obra de uma decisão sua e a tentação de partilhar também o sucesso daqueles a quem proporcionou a fortuna. 

A corrupção é um mecanismo perverso para as contas públicas porque o corrupto ganha tanto mais quanto mais gastar o dinheiro dos outros. Por isso, para combater a corrupção, a República deve instituir prémios precisamente para quem gastar menos.
Todos os governantes que consigam, comprovadamente, diminuir o custo de uma empreitada ou o valor de uma adjudicação devem receber 10% do valor poupado.
Por cada prémio pago teríamos a benção de uma redução do défice.

Se, por exemplo, um novo governo ao tomar posse impõe negociações ao fornecedor de uma empreitada decidida pelo governo anterior, e consegue reduzir o custo da mesma, deve ser premiado com 10% da verba poupada pelo erário público.

Esta proposta, que desde já merecia também os 10% de todas as corrupções que evitará no futuro, devia ser rapidamente legislada. Todo o segredo está nas regras para aprovação dos prémios e na composição da Comissão que virá a apreciar a  justiça da sua atribuição.

Queira Deus que essa Comissão não ceda, ela própria, à tentação...

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quinta-feira, abril 01, 2010

Pela igualdade no acesso aos cuidados de saúde

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Texto de Rosa Penim Redondo


Agora que a propósito do PEC se tem falado das deduções com a saúde em sede de IRS , deixando no ar a ideia de que os mais beneficiados pelo Orçamento são os que têm seguros de saúde;
agora que a propósito das reformas dos médicos e greves dos enfermeiros se volta a falar do sorvedouro de dinheiros públicos que é o SNS;
é altura para tentar perceber melhor qual é a real situação dos portugueses quanto ao acesso aos cuidados de saúde.

Em Portugal temos três sistemas: Serviço Nacional de Saúde (SNS), seguros privados de saúde (SPS) e Assistência na Doença aos Servidores do Estado (ADSE).

O SNS abrange todos os portugueses e residentes; a ADSE abrange 1.346.356 pessoas (funcionários públicos, activos ou aposentados, com os respectivos agregados familiares); os SPS abrangiam em 2008 cerca de 1.850.000 pessoas.

Para se perceber melhor o que significa estar abrangido por um ou por outro destes sistemas, em termos de acesso aos cuidados de saúde, de peso no orçamento familiar e de peso no Orçamento de Estado, é necessário conhecer melhor o modo como cada sistema funciona. Até porque, sendo aquilo que se declara no IRS o remanescente do que foi abatido ou comparticipado no sistema de saúde, o facto de uma família apresentar mais despesas do que outra não significa necessariamente que usou mais os cuidados de saúde; pode significar apenas que foi menos “subsidiada”. A que declara menos pode ser afinal a que mais pesa no OE.

Vejamos então o quadro “Comparação do SNS, Seguros Privados de Saúde e ADSE

Desse quadro que acabámos de ver podemos desde já tirar duas conclusões:

1. O acesso dos portugueses aos cuidados de saúde é muito desigual.
As grandes deficiências do SNS só são colmatadas para 2 grupos de cidadãos: os que beneficiam da ADSE e os que têm um seguro privado.
E destes dois são os segundos que estão em pior situação porque, apesar de gastarem muito mais dinheiro para obter cuidados do mesmo tipo, são mais penalizados pelos limites fiscais e não têm as mesmas garantias.
No quadro "Comparação do SNS, Seguros Privados de Saúde e ADSE"  mostra-se um exemplo de seguro de saúde cujo prémio anual é de 1.850 Euros. Basta fazer contas para concluir que um beneficiário da ADSE teria de ganhar mais de 8.800 euros por mês para que a sua contribuição anual para a ADSE alcançasse tal valor.

2. A ADSE é o melhor seguro de saúde que existe; dá acesso a todos os cuidados, aos mesmos prestadores dos seguros privados, mas sem nenhuma das limitações destes; abrange o titular e seu agregado, no activo e na reforma, e por um “prémio” proporcional ao vencimento de cada um!

A discussão à volta da saúde tem sempre sido muito distorcida pelos preconceitos políticos de esquerda e de direita: uns defendem acerrimamente o SNS, outros elogiam os seguros privados. Ora bem, meus senhores, então e a ADSE? A “quadratura do circulo” tem estado aqui, debaixo dos nossos olhos!

A solução é exigir que todos os cidadãos possam entrar para a ADSE.
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