segunda-feira, novembro 30, 2009

A ameaça dos minaretes

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Duas notícias banais publicadas hoje são, cada uma à sua maneira, o espelho da decadência da nossa civilização:

A sensação de ameaça provocada pelo diferente surge sempre quando existe uma crise de afirmação. Caso contrário são as minorias que sentem a ameaça da diluição.

Há 40 anos a Suiça consideraria provavelmente engraçado o exotismo dos minaretes.
Já as regras estabelecidas pelo Sporting para a "Gamebox Duo" têm razões que deviam ser óbvias mesmo para os militantes da "causa homossexual".

Quando o futuro é incerto há tendência para o escapismo, para as falsas questões que roçam o ridículo.

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domingo, novembro 29, 2009

Para alegrar um Domingo tristonho

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No presente, há enormes discussões sobre quanto vai ser o défice, mas no futuro não só saberemos de quanto foi o défice, como de quem foi a culpa de andarmos a chamar orçamento redistributivo a um orçamento que é rectificativo. Enfim, numa palavra, ao passo que o presente é difuso, nevoento e com contornos mal definidos, o nosso futuro colectivo é risonho, desafogado e radioso.
Vejamos: os sacrifícios que agora fazemos são em nome desse futuro, por isso é que ele tem de ser bom. É verdade que aqueles que são mais velhos já fizeram na década de 70, na década de 80, na década de 90 e noutras décadas, imensos sacrifícios no então presente de modo a que o futuro — que é o que temos hoje — fosse muitíssimo melhor!
É certo que não é! Mas a culpa não pertence àqueles que nos pediram tais sacrifícios.
A culpa, meus caros amigos, é que o futuro está atrasado! Ficou preso nalgum esconso, num desvão, numa curva apertada do tempo... Mas há-de chegar!
E quando chegar esse futuro vai ser tão bom. O défice baixinho, o investimento na maior, o TGV a andar a 300 à hora, o aeroporto cheio de turistas e homens de negócios, as auto-estradas apinhadas de TIR que levam as nossas exportações para todo o mundo... e arredores! E tudo isto com os impostos mais baixos, o país sem corrupção, o Governo dialogante e o Presidente da República feliz e contente.
Sofro de ansiedade em relação a esse futuro em que apenas uma pequena mágoa subsistirá na cabeça de todos nós. Uma ínfima sensação de desconforto, que porém afastaremos como quem afasta uma insignificante mosca com a mão. Esse sentimento mínimo de desconforto será o nosso passado. E o nosso passado, visto desse futuro, é o nosso presente (não sei se acompanham esta reflexão assaz inteligente).
Nesse futuro de leite e mel, de ouro sobre azul, de jóias e veludo, de riqueza e felicidade, apenas a nuvem do passado (o que hoje vivemos) será infeliz. Os tempos em que os miseráveis estavam desempregados; o tempo em que alguns políticos não pareciam sérios; o tempo em que a economia não exportava, o TGV não andava e o avião não tinha aeroporto de jeito...
Mas contentemo-nos com este pensamento: tudo o que estamos a fazer é para que tenhamos um futuro decente. Tudo o que fizemos nos últimos 10, 20, 30, 40, 50 ou mesmo 60 anos tinha esse objectivo. Para mim, o presente não é claro, está cheio de dúvidas. Mas o futuro dissipá-las-á!
E digo mais, o futuro seria absolutamente fantástico não fosse ter por passado este presente miserável.
Aguentemos, ó povos!

Expresso 28.11.2009."Reflexões assaz inteligentes sobre o facto de o presente ser o passado do futuro" do Comendador Marques de Correia

quinta-feira, novembro 26, 2009

Fora o árbitro

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As semelhanças entre a política e o futebol vêm sendo notadas por qualquer pessoa atenta. Na política, como no futebol, os penaltis são sempre contra o adversário e tal como no futebol as pessoas não sabem muito bem por que são do partido A ou B.

Na política, como no futebol, os dirigentes e jogadores despertam paixões que não esmorecem mesmo quando se confirma que eles são crápulas.

Recentemente deu-se um novo desenvolvimento. A justiça passou a desculpar as más exibições, tal como os árbitros. No fim do jogo, ou da sessão do tribunal, já é possível atirar com as culpas para o juiz. Nas bancadas chama-se filho da puta quer ao árbitro quer ao juiz (no caso das ofensas aos árbitros há, apesar de tudo, quem seja castigado).

Assim se fecha o círculo e deve estar para breve o caso "Martelo Doirado". Tal como o "Apito", o "Martelo" não terá quaisquer consequências.

Nesta conformidade mais valia substituir as eleições por um campeonato, trocar os votos pelos jogos da bola de uma "Liga Partidária". Pode-se desde já imaginar a emoção do derby "PS-PSD", apitado pelo PGR, num estádio perto de si.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Gandhinjustiçado

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Quando leio certos blogs laudatórios chego até a comover-me


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A Casa das Histórias

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Belíssimo edifício. Pirâmides que se transformam em chaminés por obra e graça do génio de Paula Rego, que arde lá dentro. É a "Casa das Histórias" em Cascais, de visita obrigatória.


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terça-feira, novembro 24, 2009

O "segredo da justiça".

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Para hoje está anunciado mais um episódio da novela Face Oculta. O Conselho Superior de Magistratura vai também meter a sua colherada.
Como ontem se viu no "Prós e Contras" perdeu-se o pejo de revelar o verdadeiro "segredo da justiça": que a mítica neutralidade e independência das magistraturas está realmente a saque e minada pela partidarite.
Mesmo "entidades oficiais" como o Bastonário da Ordem dos Advogados, ou ministros do Governo em funções, referem-se aos magistrados sem cerimónias e claramente classificam as decisões judiciais como boas ou más conforme servem ou não os seus interesses.
Por isso a intervenção do Conselho Superior de Magistratura, cuja composição também se encontra bastante "politizada", faz temer uma nova escalada do clubismo partidário.

Já ninguém parece duvidar de que a Lei está mal feita e é, ela própria, uma fonte de confusões.
A protecção dos detentores de altos cargos do Estado devia estar virada para a protecção da informação previlegiada a que eles, por inerência das funções, têm acesso. Devia impossibilitar qualquer divulgação de escutas onde constassem segredos de Estado ou coisa equivalente.
Em vez disso trata-se a protecção das escutas aos detentores de altos cargos como se se tratasse de uma regalia do tipo carro de serviço com motorista.
Para além do mais a lei, que não previu as "escutas por tabela", é de aplicação impossível já que só depois de ouvirmos as escutas sabemos que não as devíamos ter ouvido. Uma "pescadinha de rabo na boca" a que nem o PGR escapou, como se sabe.

Toda esta trapalhada ganha em ser analisada por comparação com o caso das "escutas a Cavaco" que tanto emocionou a opinião pública em Setembro.
Aqueles que agora se arrepiam com as quebras do segredo de justiça e com a falta de respeito pelos detentores dos altos cargos são os mesmos que há dois meses elogiavam o DN pelo "acto cívico" de publicar um email roubado que mencionava Cavaco.
Portanto, se as escutas a Sócrates tivessem sido feitas por um tipo qualquer em vez de um juiz e depois publicadas pelo DN, essas mesmas pessoas deviam certamente regozijar-se.
Nesse caso vigoraria, como vigorou em Setembro, o interesse público e ninguém falaria do segredo de justiça nem haveria intervenção do PGR ou o STJ.

Um verdadeiro absurdo.

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segunda-feira, novembro 23, 2009

USA 1974


Passei o mês de Agosto de 1974 nos Estados Unidos. Percorri a costa Leste desde Cape Cod, na zona de Boston, até Orlando na Flórida.
Pode ver AQUI uma parte das imagens recolhidas durante essa viagem.
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domingo, novembro 22, 2009

A impagável trama dos dois Silvas


Expresso 21.11.2009

Onde o nosso Comendador, único verdadeiro conhecedor da trama da ‘Face Oculta’, corrobora dois ministros Silvas e recomenda que o pó à Justiça seja alargado a todos os portugueses.

Aconspiração é evidente! A conspiração é por demasiado evidente! A conspiração foi denunciada por Vieira da Silva e, logo de seguida por Augusto Santos Silva. Ora, jamais aconteceu dois Silvas e, para mais ambos ministros, enganarem-se. Reparem que o último ministro, para mais primeiro-ministro, que se chamou Silva, embora mais conhecido por Cavaco, nunca se enganava e raramente tinha dúvidas.
A conspiração começou com um agente da PJ de Aveiro. Sentou-se num café, olhou em volta, pediu a tradicional bica e perguntou a si mesmo:
— Como é que vou tramar o Sócrates, que isto do Freeport já está a arrefecer?
Depois de pensar um pouco, teve uma revelação: escutar um sucateiro de nome Godinho.
A razão pela qual escutando um sucateiro de nome Godinho teria de conduzir directamente as escutas ao primeiro-ministro, ninguém sabe ao certo. Pode ter sido Deus a inspirar o agente, mas pode ter sido qualquer outra coisa. De provado, dá-se que através do sucateiro se apanha um senhor banqueiro feito à pressa, mas de enorme mérito em certas praças, pracetas, largos, ruas e becos, de nome Vara. E deste se passa ao primeiro.
Certos senhores, que têm por nobre missão defender o Governo na blogosfera (não dando a cara nem o nome, por pura modéstia e certa prudência na passagem de recibos verdes) já aventaram a hipótese de as escutas a Vara terem sido uma manobra que tinha por único objectivo chegar a Sócrates! Eu creio que foi isso mesmo! Segundo me têm dito (e lamento se violo o segredo de Justiça, mas o bom nome impõe-mo) nas escutas ao senhor da sucata só se ouvem, da parte do banqueiro Vara, conselhos sensatos: paga o que deves ao fisco; vê lá se não apanhas mais contra-ordenações por questões ambientais, e, sobretudo, eu ia lá pedir dinheiro a alguém por lhe apresentar um amigo.
A mesma beatitude e candura se passa — diz-me quem está bem informado — nas escutas entre Vara e Sócrates. Falam do tempo, das rosas, da chuva e parece que um deles elogia os seus adversários políticos, nomeadamente o Presidente, e refere que não gosta particularmente de uma telenovela da TVI.
A artimanha (que já transformara injustamente Vara em arguido, acarretando-lhe a infelicidade de se sujeitar a ganhar o salário sem dar a compensação devida do trabalho) não resultou, pois! E, irritados por não terem encontrado nada para incriminar o primeiro-ministro, o agente, juntamente com o procurador distrital e um juiz de instrução mandaram tudo para o PGR e para o Supremo, na esperança que estes, mais experientes, pérfidos e sabedores, encontrem ali crime que lhes tenha escapado. Os dois vértices da conspirata bem se esforçam, mas têm de reconhecer, ao fim de uns meses, que nada se pode fazer sobre o assunto.
E assim se desmontou a conspiração e a espionagem. Vejam lá, meus amigos, de que são capazes magistrados, inspectores, polícias, só para dar cabo do chefe do Governo, esse Santo!
Felizmente, os Silvas, que estavam com um pó à Justiça que nem a podiam ver, tiveram a coragem de denunciar. E eu, já se vê, subscrevo-os inteiramente. O resto que ouvem dizer não passa de mentira pegada!

COMENDADOR MARQUES DE CORREIA
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Porreiro, pá...

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sábado, novembro 21, 2009

LO FRATE 'NNAMORATO

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Depois do sucesso alcançado com La Spinalba, Os Músicos do Tejo apresentam Lo Frate Nnamorato (“O Irmão Enamorado”) de G. B. Pergolesi, ópera estreada em 1732 no Teatro Fiorentini de Nápoles e nunca antes apresentada em Portugal.
Um espectáculo delicioso no Pequeno Auditório do CCB - 20, 21 e 22 de Novembro.
A não perder. Excelente música, escelentes cantores e muita, muita diversão.
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sexta-feira, novembro 20, 2009

Sócrates e a TINA

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Margaret Thatcher cunhou uma expressão famosa, "There Is No Alternative", mais conhecida por TINA, para sintetizar aquilo que ela pensava ser a inevitabilidade do neo-liberalismo perante a falência do socialismo no seu tempo.
Lembrei-me disto por causa das vitórias eleitorais de Sócrates e da invulgar resistência que ele tem demonstrado a várias suspeitas e escândalos que sobre ele têm caído.
É altura de a oposição compreender que o homem continuará a ganhar e a governar, aconteça o que acontecer, enquanto os cidadãos não acreditarem numa qualquer alternativa. Escreva ele o que escrever no Programa Eleitoral que aliás quase ninguém lê.
O homem pode não ser bem engenheiro, falar um inglês de anedota e ter amigos foleiros envolvidos em negociatas inacreditáveis que isso pouco conta quando se chega às urnas. O homem podia até ser um serial killer mas, para ser corrido, precisaria sempre que alguém se mostrasse capaz de o substituir convenientemente.
O que as urnas têm mostrado é que, para a mairia dos portugueses, "There Is No Alternative" a Sócrates. O resto é conversa.
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quinta-feira, novembro 19, 2009

URSS 1980

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Em Setembro de 1980, há 29 anos, em plena era Brejnev, visitei a URSS. As fotografias que pode ver AQUI foram recolhidas em Moscovo, Sibéria (Bratsk, Irkutsk e Lago Baikal) e na capital do Casaquistão, Alma-Ata.
O recente vigésimo aniversário da queda do muro de Berlim, e as discussões acerca do Bloco Soviético que se seguiram, motivaram-me para a recuperação destas memórias.


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quarta-feira, novembro 18, 2009

Os cumes da Justiça em Portugal

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Basta vê-los falar durante uns minutos.
O modo como abordam as questões, o tom em que falam, o estilo com que se expressam, a forma como comunicam e a própria noção que têm da informação aos cidadãos, leva-nos a concluir que a justiça não está bem e, com eles, não poderia nunca estar bem.
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terça-feira, novembro 17, 2009

Varejando


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E se o Vara ligasse para mim?
Nenhum juiz autorizou que me escutassem.
Essa escuta também seria nula mesmo que eu confessasse crimes horrendos ?
O que vai acontecer a todas as escutas do Vara em que ele fala com pessoas não préviamente autorizadas por qualquer juiz ?
Também são todas anuladas ?

2012

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"2012 Bem nos tinham avisado" é um filme cheio de enfeites especiais sobre uma profecia catastrófica da Abelha Maia. Era uma vez um Sol que, sem mais nem menos, se transformou num micro-ondas.

Podemos ver Obama anunciar o Apocalipse aos americanos pouco antes de levar com um porta-aviões no toutiço à porta da Casa Branca.

O que resta da humanidade inscreve-se então num cruzeiro ao cume do Himalaia em paquetes comprados na loja do chinês.
Já depois de embarcar descobrem que afinal o cruzeiro é a arca de Noé e rumam todos a África sem perceber porque é que salvaram as girafas.

Imperdível. Ao ver o "2012" percebemos toda a mesquinhez da "Face Oculta".

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segunda-feira, novembro 16, 2009

A dupla face da Face Oculta

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Para se poder compreender o real significado dos episódios recentes que envolvem Sócrates, indirectamente, na Face Oculta é preciso pôr este caso em paralelo com a “crise das escutas” a Cavaco tão discutida em Setembro e Outubro.

1- Em ambos os casos os jornais revelaram de forma ilegítima o conteúdo de documentos: num caso, o de Cavaco, foi publicado um email privado trocado entre jornalistas do jornal Público e agora foram divulgados “extractos” de certidões enviadas por um juiz de instrução criminal ao PGR. Quer Cavaco quer Sócrates são envolvidos em consequência de actos cometidos por terceiros.

Mas enquanto que no primeiro caso o PR era apenas mencionado agora Sócrates é, ele próprio, interveniente nas conversas telefónicas.
Enquanto que Cavaco, a serem confirmadas as suspeitas, teria tentado obter a publicação de uma notícia, Sócrates tratava de subverter a completa linha editorial de uma estação de televisão.
No caso de Sócrates houve mesmo um procurador e um juiz que, ao extrair a certidão das escutas, consideraram que o seu comportamento punha em causa o Estado de Direito.

Pode portanto concluir-se que o grau de envolvimento e a gravidade do comportamento de Sócrates é muito maior.

2 – Posto isto é legítimo comparar as consequências dos dois casos.

Os críticos de Cavaco, em que pontificava ainda que cinicamente o Partido Socialista, louvaram a divulgação de correspondência privada pelo DN com base na relevância social do caso. Mas em relação a Sócrates, cujo caso tem relevância social ainda maior, decide-se ocultar e destruir as provas.

A Cavaco toda a gente exigia que desse esclarecimentos sobre uma conversa em que não estivera presente e em relação à qual se conhecia apenas a versão de um dos intervenientes. A Sócrates, em contrapartida, permite-se que escude o silêncio relativamente às escutas em argumentos formais.

Cavaco foi crucificado em público na sequência da sua inábil intervenção televisiva sem preocupações relativamente à dignidade do cargo. Mas Sócrates aparece na televisão a fazer exigências ao Presidente do STJ e ao PGR, falando em tom de ameaça aos procuradores e juízes que tiveram a ousadia de o escutar.

Enquanto Cavaco era ridicularizado por recear ser escutado, durante a campanha eleitoral em Setembro, o PGR já tinha na sua secretária as escutas que envolviam Sócrates e também o despacho do STJ a mandar destruí-las. E nada disse.
A Face Oculta veio mostrar, de forma irónica, que afinal os receios do Presidente estavam longe de ser absurdos. A ocultação da existência das certidões e dos despachos à opinião pública constituiu sem dúvida uma interferência grave no processo eleitoral e condicionou sem dúvida os seus resultados.
Mostrou também quem é que realmente tem influência na comunicação e na justiça.

domingo, novembro 15, 2009

Política e negócios sobre rodas RONAL


O empresário socialista Sobral de Sousa, acusado nos casos da Escola de Condução de Tábua e da mala de dinheiro entregue ao social-democrata António Preto, foi sócio de José Sócrates, Armando Vara e Rui Vieira (dirigente do PS e marido de Edite Estrela) na empresa Sovenco nos anos 90. António Preto conheceria Sobral mais tarde, em 1997, e garante: “Nunca me disse que conhecia Sócrates ou Vara”.
António Simões Costa, fundador do PS/Lisboa, foi o mentor da empresa e explica como nasceu a Sovenco e o que o aproximou dos demais sócios: “Conheci-os nas campanhas do partido e estivemos todos com Guterres”. No ano da fundação da Sovenco, 1989, Sócrates e Vara já eram amigos. E porquê entrar nos negócios? Simões lembra uma conjugação de factores: “Cavaco governava com maioria e os suecos, com quem tinha relações, pediram-me alguém que representasse os pneus Jislaved e as jantes Ronal”. Expresso 14.11.2009

Pode ser que me engane, mas o potencial de danos que Armando Vara pode vir a causar a José Sócrates é bem maior do que todos os outros casos ou pretensos casos que tanto desgastaram a imagem do primeiro-ministro e tão decisivamente contribuíram para a perda da maioria absoluta do PS. Armando Vara (e não a ‘Face Oculta’) tem a capacidade de, por si só, arrastar Sócrates para a queda num poço de que se desconhece a profundidade. Há amizades que matam, quando se misturam com outras coisas que não são misturáveis. Foi José Sócrates quem, em nome da amizade (porque competência ou qualificação para o cargo ninguém a conhecia, nem ele), fez de Armando Vara administrador do banco do Estado, três dias depois de este ter adquirido uma espécie de licenciatura naquela espécie de Universidade entretanto extinta — e porque uma licenciatura era recomendável para o cargo. E foi José Sócrates quem, indisfarçadamente, promoveu a transferência de Santos Ferreira e Vara da Caixa para o BCP, numa curiosíssima operação de partidarização do maior banco privado português, sobre as ruínas fumegantes do escândalo em que tinha acabado o case study da sua gestão ‘civil’.

Manda a verdade que se diga, porém, que estes dois golpes de audácia de José Sócrates em abono de um amigo e compagnon de route político foram devidamente medidos: aparentemente, Sócrates contava com o silêncio e aceitação cúmplice com que toda a classe empresarial e financeira recebeu a meteórica ascensão de Armando Vara aos céus da banca e o take-over do PS sobre o BCP, como se de coisa naturalíssima se tratasse. O escândalo não ultrapassou as fronteiras da opinião pública, de modo a perturbar o núcleo duro do regime. E isso foi um primeiro sinal do nível de promiscuidade aceite entre o político e o económico a que estamos agora a assistir. E, em silêncio sempre, toda a classe empresarial clientelar foi assistindo a uma série de notícias perturbadoras sobre operações bancárias a favor de algumas empresas ou investidores que, por acaso certamente, pertencem ao tal núcleo duro do regime, que goza do favor político da actual maioria.

...Junte-se então um governo cujo primeiro-ministro é dado a companhias comprometedoras, um sistema em que se fundem e confundem o político e o económico, o público e o privado, uma justiça que verdadeiramente se tornou cega e surda, mas não muda, um Presidente da República que se desautorizou a si próprio no pior momento, e um país onde as noções de interesse público e serviço público já quase se perderam por completo sem vergonha alguma, e tudo isto começa já a cheirar indisfarçadamente mal. Cheira a fim de regime e só os loucos ou os extremistas é que podem achar isso uma boa perspectiva para o futuro. Expresso 14.11.2009

No mesmo dia, no mesmo jornal, dois textos imperdíveis sobre a caldeirada política e comercial em que vivemos. Deve ser para nos poupar à total desmoralização que o Presidente do STJ quer destruir as cassettes. Bem haja.

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sábado, novembro 14, 2009

sexta-feira, novembro 13, 2009

ORDOS

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China: uma cidade para um milhão de habitantes, prontinha, à espera que se resolvam a habitá-la. Não sei o que mais me espanta. O ineditismo ? a dimensão ?
Esta é uma demonstração impressionante de como a abundância de recursos, combinada com planeamento irrealista, pode gerar enormes "elefantes brancos".
Estão a acontecer coisas a Oriente que não nos passam pela cabeça mas que, um dia, talvez nos caiam na cabeça.




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quarta-feira, novembro 11, 2009

Casamento ou união de facto ?

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Em Portugal celebraram-se menos casamentos e houve mais casos de divórcio em 2008 do que no ano anterior, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em 2008 realizaram-se 43.228 mil casamentos contra os 46.329 mil celebrados em 2007.
Quanto aos divórcios foram decretados 26.885 mil em 2008 contra os 25.411 em 2007.
Estes dados dos divórcios são provisórios e incluem divórcios realizados nas conservatórias, tribunais e separações de pessoas e bens decretadas pela Justiça.
Apesar deste quadro, em 2008 nasceram mais bebés em Portugal do que no ano anterior: 104.594 mil nados vivos (em 2007 foram 102.492 mil), filhos de mães residentes em Portugal. Isto faz supor que a união de facto é uma solução cada vez mais adoptada.
Os homossexuais, os únicos que parecem ainda querer casar, podem ser a última esperança para a indústria dos trajes e dos "copos de água".

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As medidas em curso

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terça-feira, novembro 10, 2009

Supremo anula escutas a Socrates

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Artista da rádio, TV e disco e da cassete pirata

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Procurador-geral da República resolveu fazer "suspense" à volta do caso que envolve as escutas telefónicas a Armando Vara que apanharam José Sócrates.
Ontem à tarde, Pinto Monteiro foi categórico em afirmar que já havia "dois despachos finais" (um dele próprio, outro do Supremo Tribunal de Justiça) sobre o assunto. Já durante a noite, em resposta ao DN, afirmou que as conclusões serão "oportunamente divulgadas". Sendo certo que, como revelou, a primeira certidão que foi para o Supremo "foi despachada em Setembro", disse o PGR. No meio de tanta confusão, Pinto Monteiro não quer ainda esclarecer o essencial da questão: a certidão que envolve Armando Vara e José Sócrates deu origem a uma investigação autónoma ou foi tudo arquivado?

...Para já, acerca da tal certidão, a PGR só quer que se saiba isto: Pinto Monteiro recebeu, a 3 de Julho, uma certidão do DIAP de Aveiro com 50 gravações. "Cassetes", precisou. A 23 de Julho deu um despacho, enviando o caso para o Presidente do STJ. Este deu outro despacho sobre a certidão a 3 de Setembro. No meio de tantos despachos, de subida e descida do processo, o Procurador-geral não respondeu ao essencial não quer esclarecer: o que fez à famosa certidão.
DN 10.11.2009

A nossa justiça parece estar a deslizar para o terreno da cassete pirata.

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segunda-feira, novembro 09, 2009

O meu próprio muro

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Nesta época de comemoração da Queda do Muro, em Berlim, resolvi fazer também a minha "reflexão". Dá-me muito gozo ver a forma como certas pessoas comemoram a queda do muro pois sei que, se algum dia houvessem tido o engenho de tomar o poder, teriam construído um ainda mais alto e mais grosso.

Em geral creio que a queda do muro não ensinou tanto quanto seria de esperar. Continuamos a ver o vanguardismo florescerer e o espírito crítico e auto-crítico constitui uma raridade. O doseamento e a moderação nas convicções por parte de quem, como nós, tantas vezes errou é muito mal compreendido. O voluntarismo e o queimar das etapas, o desprezo pelos processos de fundo em favor das modas e do efémero, marcam aliás a nossa época. Novas élites auto-nomeadas mostram-se prontas para qualquer engenharia de ocasião.

Quando o muro físico caíu já eu levava vinte e três anos de militância sincera no PCP com base em ideais que, na sua essência, continuo a perfilhar: a construção colectiva de um novo patamar social em moldes mais justos e não o sindicalismo assistencial que hoje parece estar na moda, à mistura com umas provocações de índole sexual para épater le bourgeois.

Quando visitei Berlim pela primeira vez já não era um neófito do "socialismo real" nem da RDA. A minha estreia ocorrera em 1979 na Hungria e depois em 1980, quando as nuvens ainda não toldavam o horizonte, em Moscovo, no Cazaquistão e na Sibéria. Meses depois da ascensão de Gorbatchev, em 1985, percorri de automóvel durante um mês, e em campismo com os meus filhos, o Sul da RDA, a Checoslováquia e a Hungria (uma viagem cujas peripécias ainda um dia contarei).

Em Fevereiro de 1986, aproveitando uma viagem profissional a Berlim, usei a estação de metro em Friedrichstrasse como porta de passagem para Berlim Leste e percorri essa parte da cidade, a pé, debaixo de uns inclementes dez graus negativos durante o fim de semana.


No sábado almocei com um grupo de polacos e polacas no restaurante giratório do alto da torre da TV na Alexander Platz. Um almoço grastronómicamente sem história mas muito interessante nas conversas. Depois fui descobrir o fantástico museu Pergamon, assim nomeado por conter o Templo de Zeus roubado na cidade do mesmo nome (onde estive em 1995) na costa turca do mar Egeu.

No domingo tornei a passar para Berlim Leste e depois das demoradas formalidades da fronteira era já hora de almoçar. Entrei num restaurante que funcionava num primeiro andar e o empregado, como as mesas estavam todas cheias, não hesitou em sentar-me na companhia de três belas jovens.


Foi mais uma oportunidade para perceber o que pensavam os alemães do "outro lado". As jovens estavam de visita a Berlim por pertencerem a um grupo folclórico de uma região que não fixei.

Passámos o almoço a discutir acerca da diferença entre não viajar por estar impedido legalmente e não viajar por não ter dinheiro para o fazer. Tornou-se claro para mim que, fosse qual fosse o sucesso económico e social do regime comunista, o simples facto de não se poderem deslocar livremente constituía para os alemães do leste um problema obsessivo.


Só voltei a Berlim dez anos mais tarde, em 1996, quando já me tinha afastado da militância no PCP. Neste momento estou a planear ir de novo a Berlim para ver a nova arquitectura na Alexander Platz e voltar à extraordinária ilha dos museus.


domingo, novembro 08, 2009

Cavaco e Sócrates a mesma luta


Há uma face oculta que insiste em provocar os nossos mais altos responsáveis políticos levando-os a fazer figura de tolinhos.
Cavaco foi à televisão, há tempos, por causa de umas "escutas" que afinal ninguém tinha feito e toda a gente ficou convencida de que o homem andava a combater moinhos de vento. Entretanto Sócrates declarava enfáticamente que essa coisa das escutas era um "disparate de Verão" no preciso momento, sabe-se agora, em que estava a ser escutado durante os telefonemas para o seu amigo Armando Vara.
Alguns comentadores mais dados ao maquiavelismo podem agora insinuar que o discurso de Cavaco teria afinal por objectivo prevenir Sócrates para que não dissesse nada de comprometedor ao telefone.
Em suma, as escutas inexistentes, ou cujo conteúdo nunca chega a ser conhecido, são aquelas que têm consequências mais devastadoras.
O público adora imaginar o que poderia ter sido ouvido em Belém ou numa conversa entre compinchas do calibre de Sócrates e Vara.
Embora os equipamentos de escuta, segundo dizem, se possam comprar na internet por tuta e meia, já nem isso é preciso. O que dá mais gozo é não comprar nada, não escutar nada, mas fazer constar que ouvimos coisas importantíssimas que nunca revelaremos.
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sábado, novembro 07, 2009

Pela geminação entre Lisboa e Chicago

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As guerras entre os gangsters em Chicago começavam quase sempre quando uma das partes rompia acordos sobre territórios ou sobre áreas de negócio exclusivas. Alguns episódios recentes da vida política portuguesa trouxeram-me à memória essas histórias.
Uma vez quebrados os acordos de "cavalheiros" iniciavam-se as carnificinas em que os gangs se massacravam sem quartel. Alguns episódios recentes da vida política portuguesa trouxeram-me à memória essas histórias.
Al Capone nasceu em Brooklyn mas tornou-se famoso como boss da associação criminosa Chicago Outfit (o seu cartão de visita apresentava-o no entanto como negociante de móveis). Alguns episódios recentes da vida política portuguesa trouxeram-me à memória essas histórias.
Apesar de ter cometido incontáveis assassinatos a sua carreira só terminou em 1931 quando foi acusado de uma mera fuga ao fisco.
Não sei se durante os seus anos áureos de criminoso também havia quem entendesse não poder comentar os seus crimes antes que a sentença de um tribunal tivesse transitado em julgado.
Alguns episódios recentes da vida política portuguesa trouxeram-me à memória essas histórias.
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sexta-feira, novembro 06, 2009

As duas justiças

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Sócrates, a propósito da Face Oculta, voltou a debitar as banalidades do costume acerca da impossibilidade de se pronunciar sobre casos que estão nos tribunais.
Mas ao poder executivo o que está vedado é influir no funcionamento da justiça (como parece ter-se verificado no caso Lopes da Mota). Sócrates usa esse pretexto para evitar falar de um caso muito desconfortável.

Os casos que saltam para o domínio público são políticos por natureza e, quer se goste quer não goste, é impossível fugir-lhes ainda que por omissão. Com a justiça que temos (demorada e inoperante) é impossível evitar uma segunda justiça, paralela, em que a população faz os seus julgamentos a partir dos dados disponíveis. O caso Face Oculta já foi julgado pelo público tal como o caso Isaltino Morais e todos os outros. É inevitável.
Quando os infractores vão a votos, como o Isaltino, ficamos com uma ideia aproximada de qual foi a sentença do povo. No caso de funcionários e gestores públicos nomeados a coisa é mais complicada.

Na verdade os tribunais quando não condenam não passam nenhum certificado de inocência; limitam-se a dizer que, de acordo com as regras processuais em vigor, não foi exequível a condenação.

Os tribunais que vão julgar a Face Oculta hão-de um dia, daqui a vários anos, sejamos optimistas, decretar a penas previstas na lei. Os tribunais, como os cidadãos, podem eventualmente condenar inocentes ou absolver culpados pois em muitos casos isso depende fundamentalmente de questões processuais.
Os meandros e estratagemas jurídicos podem eventualmente levar à impotência, ou ao protelamento infinito das sentenças dos tribunais, mas os crimes cometidos não deixarão de existir por causa disso.

As escutas feitas pela polícia e escarrapachadas em todos os jornais e TVs não permitem grandes dúvidas e são mais do que suficientes para qualquer cidadão perceber o essencial do que se passou (se a polícia não fosse de confiança então nem valia a pena continuar qualquer discussão).
Sócrates, que é o responsável máximo pela nomeação dos seus amigos políticos para os cargos de gestores, claro que também já percebeu.

O Governo que nomeou arbitráriamente os arguidos não precisa de qualquer sentença transitada em julgado para os desnomear, como nos quer fazer crer. Tem a obrigação de fazer a leitura política da situação e de tomar as medidas necessárias para repor a confiança dos cidadãos.

Há realmente uma responsabilidade política nas nomeações por compadrio de gestores não só incompetentes como, confirma-se agora, corruptos. Foi isso que Pacheco Pereira disse ontem na AR.
Que Sócrates se atreva a responder a um deputado, seja ele quem for, com ataques pessoais dignos da discussão numa tasca é sintomático da decadência do actual regime.
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quinta-feira, novembro 05, 2009

Lisboa vídeo-apaineleirada

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Dezasseis vídeo-painéis espalhados pela capital, a que se vão somar mais dois no início de 2010, estão já a exibir vinte horas por dia o Canal Lisboa, a ser apresentado hoje pelo Turismo de Lisboa.
O canal funciona entre as 06:00 e as 02:00 e disponibiliza informações sobre transportes, monumentos, espectáculos, provas desportivas, trânsito, meteorologia e matéria de apoio aos munícipes.A iniciativa resulta de um investimento de três milhões de euros do Turismo de Lisboa e pode servir como suporte publicitário de empresas ou outras organizações.
Público 05.11.2009

Lisboa continua à espera de soluções para os seus graves problemas mas a Câmara perde o seu tempo com iniciativas modernaças e inconsequentes.
A pretexto da informação turística lança-se mais um "canal" publicitário, como se a cidade não estivesse já sobrecarregada de poluição visual.
Estratégicamente colocados junto das vias rodoviárias os "video-painéis" ajudarão também a distrair condutores e peões contribuindo dessa forma para a tão "preocupante sinistralidade".
Falta de caco.

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quarta-feira, novembro 04, 2009

Disney em Xangai

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Os chineses aprovaram finalmente a construção de um Parque da Disney em Xangai (http://bit.ly/3yMcR3).

Será para permitir às criancinhas verem o imperialismo americano antes que acabe ?

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terça-feira, novembro 03, 2009

Até a roubar temos de ser rascas?

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Aqui a dimensão é outra, e é essa outra dimensão que espanta: a forma como uma sucateira de Ovar consegue alegadamente corromper quadros de topo das maiores empresas nacionais. Um pequeno selfmade man com muitas notas e capacidade para oferecer Mercedes topo de gama chega à EDP, à Galp, à Refer, à REN, à PT, com a maior das facilidades influenciando concursos a seu favor. Um chico-esperto com os bolsos cheios consegue enfiar no bolso dezenas de pessoas poderosas. Mais do que isso: tem a pretensão de poder afastar presidentes de empresas estatais que lhe dificultam a marosca. Eu já vi coisas destas, sim. Mas era um episódio de Os Sopranos.
Esta facilidade com que um muito pequeno influencia os muito grandes é a coisa que mais se aproxima em Portugal de um procedimento mafioso. Mas não há corpos atirados para o rio: à boa maneira lusitana, é uma cosa nostrinha. Portugal é um país livre da mmfia porque não é preciso ameaçar ninguém com uma pistola. Basta abanar com um maço de notas. Um Mercedes com jantes de liga leve? Ó meu amigo, leve lá a sucata para casa. Dez mil euros? Está bem, eu faço dois ou três telefonemas. Golpes de colarinho banco com os quais se compram ilhas em paraísos tropicais eu ainda posso perceber. Mas esta corrupção dos pobrezinhos nas maiores empresas portuguesas é verdadeiramente deprimente. Até a roubar temos de ser rascas?
João Miguel Tavares, DN 03.11.2009
Os aspectos caricatos da Face Oculta multiplicam-se: há "funcionários" que utilizam telemóveis pagos pelo sr. Godinho e até há um director das Finanças que o sr. Godinho diz estar ao seu serviço em part-time.
A investigação já acumulou 8.000 páginas no processo e, se avançar para as autarquias, corremos o risco de os arguidos só caberem, para ser julgados, no Pavilhão Atlântico.
É normalmente assim que os casos morrem, ou são mortos, em Portugal; demasiadas páginas, demasiados arguidos e testemunhas, demasiada confusão e demasiado tempo. Acabam por prescrever ou ser anulados por uma irregularidade formal qualquer.
Ou seja, morrem de morte macaca. Esperemos que tal não aconteça neste caso.
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segunda-feira, novembro 02, 2009

O Estado Lotaria

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No Estado Lotaria políticos de vários matizes dedicam-se, como se fosse invenção sua, a debitar variantes do velho mito do Robin dos Bosques: "tirar aos ricos para dar aos pobres".
Trata-se de uma teoria brilhante do tipo Santa Casa da Misericórdia.
Primeiro divide-se a população em duas categorias: os que tiveram sorte e os que têm azar. Depois "redistribui-se".
As aplicações conhecidas desta teoria funcionam assim: a uns poucos sai a sorte grande e aos totalmente desprovidos é dada alguma assistência. Tudo isto é feito com o dinheiro dos papalvos que compraram as cautelas da lotaria.
Claro que os caritativos donos do jogo, os que comandam a "redistribuição", conseguem desta maneira para eles próprios uma vida de nababos.
E enquanto isto acontece todos vão omitindo que o importante seria mudar as regras do jogo.
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Fotógrafos de Pequim

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Prosseguindo a divulgação de imagens recolhidas em Pequim no início de Setembro dedico este post aos fotógrafos de Pequim. Tal como na primeira viagem que fiz à China eles continuam a fascinar-me. Veja mais fotos AQUI


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